TRIGO

Ventos favoráveis

A colheita de trigo começou no Paraná neste mês de agosto e as atenções se voltam para dois assuntos: a produtividade e qualidade do trigo desta safra e a rentabilidade da lavoura. A colheita abrange menos de 1% da área plantada no Estado este ano, de 1,02 milhão de hectares. Até meados do mês, as lavouras paranaenses estavam classificadas pelo Deral segundo as condições, da seguinte forma: 13% ruim, 29% média e 58% em boas condições. O receio maior agora são as chuvas que podem alterar a qualidade da produção.

Em termos de preço a situação é muito favorável aos produtores brasileiros. A cotação média do trigo na Bolsa de Chicago de início de agosto até esta semana para o segundo vencimento (que nesta semana é o contrato com vencimento em dezembro deste ano) é de 356,88 centavos de dólar por bushel ou US$ 131,13/tonelada, a maio cotação média mensal desde novembro de 1997.

Apesar do recuo desta semana a moeda brasileira continua desvalorizada. Até meados desta semana a taxa de câmbio não rompeu o patamar de 3 reais/US$ e mesmo que atinja R$ 2,70 ou R$ 2,80 ainda é uma taxa de câmbio atrativa à exportação e salgada para a importação.

O levantamento da Conab, realizado normalmente em julho não foi divulgado até o momento. O IBGE, em seu levantamento de safras de junho, estima a produção nacional em 4,27 milhões de toneladas, mas considera, neste total, que a produção paranaense será de 2,64 milhões de toneladas, 500 mil a mais do que na estimativa de julho do Deral. Fazendo o ajuste entre as duas fontes, a produção fica em torno de 3,74 milhões de toneladas, 17,4% superior à do ano passado.

Este volume corresponde a 36% do consumo, estimado em 10,3 milhões de toneladas de trigo para o ano safra 02/03 (setembro de 2002 a agosto de 2003). Portanto, mais de 60% do trigo consumido no Brasil serão importados mesmo com o aumento da produção interna. Na Argentina a tonelada de trigo FOB Baía Blanca teve comprador a US$ 183/t e vendedor a US$ 190/t, mantendo os preços altos das últimas semanas.

Preço alto no mercado externo e Real desvalorizado levam a um cenário positivo para os produtores nacionais. Nesta semana, o preço médio do grão ao produtor no Paraná foi de R$ 24,80/saca (R$ 413,33/tonelada), 49,4%% acima do preço em agosto do ano passado. Alguém aí ainda se lembra que o preço mínimo para o trigo de melhor qualidade é de 285 reais por tonelada?

Pelo lado do consumidor o cenário não é dos mais agradáveis. De maio até meados de agosto o preço da farinha no atacado paranaense subiu 46,49% e 11,17% ao consumidor. Em uma semana a alta ao consumidor foi de 14%. Como se trata de ano eleitoral já tem candidato se dispondo a alguma intervenção no mercado do grão. É o preço da política adotada para o trigo desde os anos 90.

Rentabilidade deve ser positiva

A tabela apresenta estimativas de orçamentos para um hectare de trigo, sistema de plantio direto e produtividade esperada de 2.400 kg/ha, com base nos preços dos insumos do DERAL, referentes aos meses de maio de 2001 e 2002.

Por estes valores e a tecnologia considerada, o valor do desembolso para um hectare de trigo cresceu 13,85% entre as duas safras e o preço, subiu 56,47%. A produtividade de equilíbrio este ano desta lavoura seria de 1,81 toneladas ou 30,23 sacas por hectare, a menor dos últimos 7 anos. Os triticultores podem obter em 2002, a melhor rentabilidade com a lavoura dos últimos anos.

Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]



FRANGO

Piora a relação de trocas no Paraná

A conjuntura não tem sido muito boa para os avicultores paranaenses este ano. De acordo com a análise dos dados médios do Estado percebe-se uma certa estabilidade nas cotações do frango de corte. O fato não tem proporcionado uma boa remuneração aos produtores, frente à pressão constante dos aumentos da cotação do milho no Paraná. Há também o efeito do aumento do dólar americano, com o respectivo repasse aos principais insumos utilizados para a produção.

Entre janeiro e março, observou-se uma retração da ordem de 2,0% nas cotações, reflexo do mercado interno e externo. No começo do ano (janeiro), o quilograma do frango de corte, na média do Estado, era comercializado à R$ 0,98, quando perdeu sustentação de preço (1,0%), ficando o preço no patamar de R$ 0,97 em fevereiro. Em março, observou-se novamente uma redução nas cotações (1,0%), com o mesmo quilograma sendo negociado R$ 0,96 nas principais praças do Estado.

No mês de abril, os avicultores comemoraram o início da recuperação (aumento de 4,2% nas cotações) e, devido ao incremento nas exportações, pensaram que os preços iriam estabilizar e, quem sabe, ganhar alguma sustentação, mas, isto não aconteceu. Os preços novamente recuaram entre abril e julho cerca de 6%, variando de R$ 1,0 em abril para R$ 0,94 em julho. Em agosto, novamente as cotações apresentaram um incremento de 3,2%, refletindo um possível ajustamento de mercado entre o setor de produção e consumo, quer seja pelo aumento do consumo da carne de frango ocasionada pela pressão da cotação da carne bovina na entressafra.

Atualmente, a cotação média do quilograma do frango vivo tem permanecido no patamar de R$ 0,97, mas, comparativamente com a cotação real média do mesmo período do ano passado (R$ 0,96) mostrou-se 1,04% superior. Entre janeiro e agosto deste ano, registrou-se que as cotações médias no Paraná permaneceram apenas 1,0% acima preços praticados em igual período de 2001, conforme pode ser observado na tabela.


O preço pago pela saca de milho

O preço da saca do milho continua apresentando tendência de fortalecimento das cotações no mercado paranaense este ano. Entre janeiro e agosto na média do Estado, as cotações sofreram uma majoração de 25,5%, variando de R$ 11,01 para atuais R$ 13,82 a saca.

No período analisado (janeiro-agosto), percebe-se um incremento médio mensal de 3,2% nas cotações do produto. Entre janeiro e fevereiro, em termos reais, a cotação média da saca de 60 quilogramas do milho variou 2,7%; de fevereiro para março mais 2,0%. Entre março e abril o incremento foi maior (4,8%), entre abril e maio, mais 6,9%, entre maio e junho, outros 1,9% e, finalmente, entre julho e agosto verificou-se uma majoração de 5,2% no valor da saca.

Comparativamente, este ano, a saca de milho encontra-se em termos médios 40% mais cara que em igual período do ano passado quando era comercializada na média de R$ 8,84. Ao analisarmos a cotação da saca de milho em agosto, verificamos que a mesma está, atualmente, 36,4% acima da cotação pactuada em agosto de 2001 (R$ 10,13).

Este incremento do valor da saca de milho no Estado, proporcionalmente superior que a elevação da cotação do frango, tem prejudicado os produtores paranaenses, devido ao inevitável aumento no custo de produção do frango e piora na relação de trocas.

A evolução da relação de trocas

No caso das relações de trocas, ou seja, da quantidade de carne de frango que os produtores devem comercializar para a aquisição de insumo (saca de milho), percebeu-se uma sensível piora desde o começo do ano. Entre janeiro e agosto do ano passado, na média do estado, os avicultores precisavam vender 9,2 quilogramas de carne de frango para a aquisição de uma saca de milho. Atualmente, necessitam de 12,7 quilogramas de carne para a compra da mesma saca de milho, ou seja, a relação de trocas piorou em média 38,5% para os produtores paranaenses.

Em 2001, entre janeiro e agosto, observou-se uma certa estabilidade nas cotações do frango no Paraná ao redor de R$ 0,96 por quilograma, enquanto que no caso do milho, devido a expansão da produção, registrou-se que a cotação média da saca teve majoração de 8,5%, o que representou uma situação bastante razoável aos produtores de frango do Paraná.

Este ano, a situação do mercado do milho e do frango estão completamente diferentes. No caso do milho, pelo fato da retração da produção no Estado (safra e safrinha), pela exportação do produto neste período (que reduziu o estoque interno) e pela comercialização ''amarrada'', as cotações da saca do produto têm se fortalecido mensalmente no Paraná (25,5% entre janeiro e agosto). No caso do frango, observa-se que as cotações caminharam em sentido contrário, ou seja, apresentaram uma certa estabilidade entre janeiro e agosto (R$ 0,97/kg), piorando sobremaneira a situação dos avicultores paranaenses. Para estabilizar o mercado, só existe um caminho: o equilíbrio entre a oferta a atual demanda, que encontra-se bastante reprimida pela redução do poder aquisitivo da população, além da busca incessante por mercados alternativos para a produção nacional.

Na semana, a cotação do frango

O quilograma do frango de corte negociado no Estado do Paraná apresentou um incremento de 2,06% na cotação média, variando de R$ 0,97 para atuais R$ 0,99 nas principais praças produtoras. Quando comparada esta cotação com o preço médio de julho (R$ 0,94) observa-se um incremento da ordem de 5,3% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (agosto) notamos um incremento da ordem de 1,2% nas cotações. A saída para o setor buscar um fortalecimento das cotações deve se centrar em uma desaceleração da produção para que os estoques possam ser absorvidos tanto pelo mercado interno quanto externo.


João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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