FEIJÃO

Preço estimula plantio no Paraná

No início da década de 80 o Paraná cultivou mais de 740 mil hectares de feijão das águas, ou 43,5% da área total cultivada no País. Durante a década de 90 a área plantada no Estado na safra das águas reduziu para cerca de 500 mil hectares e ficou abaixo de 400 mil hectares nos dois últimos anos safra. A primeira estimativa de intenção de plantio, divulgada pelo Deral no final do mês de julho aponta para um crescimento de 6,8% na área de feijão das águas na safra 02/03 passando de 389 para 415,6 mil hectares. Este aumento é modesto e insuficiente para elevar a área no Estado à média da década passada, mas interrompe a tendência de redução que vinha ocorrendo nos dois últimos anos.
Os preços do feijão cores (carioquinha, jalo, rosinha, etc) ao produtor no Paraná subiu 27,1% nos últimos 60 dias, atingindo média de R$ 64,70/sc esta semana - que foi de redução em relação à semana anterior. Para o feijão preto a alta foi de 19,25%. Com os aumentos dos últimos 60 dias, o preço deste mês de agosto (média das três semanas) é o maior dos últimos quatro anos.

Preços ao consumidor

A alta dos preços ao produtor já chegou ao varejo. No Paraná, o preço médio do feijão cores ao consumidor, segundo levantamento do Deral, passou de R$ 1,69/kg em junho para R$ 2,06/kg em julho, alta de 21,89%. Para o feijão preto o aumento foi de 6,03% passando de R$ 1,99 para R$ 2,11/kg. Neste mesmo período, o preço do quilo de frango (inteiro, resfriado) reduziu 3,45%. Desta forma, o feijão voltou a se tornar mais caro do que o frango o que pode levar o consumidor a preferir carne ao feijão.

A tabela apresenta os preços médios do feijão e do frango ao consumidor paranaense, para os anos de 1995 a 2001 e nos primeiros sete meses deste ano, além das relações entre os preços de feijão e frango (fontes de proteína). Observe que, em 1998 o feijão ficou mais caro do que o frango. Neste ano a produção nacional reduziu em cerca de 700 mil toneladas, mas os preços altos de maio e junho daquele ano não se sustentaram a partir de julho, por redução na demanda.

A produção nacional na safra 01/02 está estimada em 2,8 milhões de toneladas, redução de 15,1% em relação à safra 00/01 e se constitui no principal motivo da alta de preços.

Francisco C. Guimarães: [email protected]


MILHO

Maior preço desde 1998 nos Estados Unidos


O milho foi cotado esta semana na Bolsa de Chicago a 273 centavos de dólar por bushel ou o equivalente a US$ 107,49/tonelada para o primeiro vencimento (que agora é o mês de setembro), a maior cotação do grão desde março de 1998. Em uma semana a cotação do milho na bolsa americana subiu 9,64%.

O principal motivo do aumento nas cotações é o relatório de acompanhamento de safras do USDA divulgado na segunda feira, estimando a safra americana em 225,72 milhões de toneladas, 22,96 milhões a menos do que as 248,68 milhões de toneladas projetadas no relatório de julho. Será a menor safra de milho nos Estados Unidos desde a de 95/96, quando foram produzidas 187,97 milhões de toneladas.

Na safra passada a produção americana foi de 241,49 milhões de toneladas e a mundial está estimada em 593,47 milhões. Na safra 02/03 a produção mundial está projetada em 586,49 milhões de toneladas, muito próxima da produção obtida na safra 00/01, quando foram produzidas 586,07 milhões de toneladas de milho.

O USDA manteve a projeção de 11 milhões de toneladas para a safra Argentina e reduziu a brasileira de 38,5 para 37 milhões de toneladas, em função da expectativa de substituição de parte da área de milho por soja. A alta do milho no mercado externo não deve alterar esta tendência, pois o preço da soja também subiu significativamente. Esta semana o preço do milho ao produtor no Paraná atingiu média de R$ 14,10/saca, alta de 1,44% em uma semana e de 7,63% em um mês.

O plantio da safra 02/03 começou no Paraná. Segundo levantamento do campo do Deral, 0,2% da área que se pretende plantar com milho no Estado (estimada em 1,42 milhão de hectares) foram plantados até a semana passada. O plantio da nova safra começa quando pouco mais da metade da área de milho safrinha já foi colhida. A comercialização da safra de verão atinge 80% da produção, segundo a mesma fonte, e de apenas 22% para o milho safrinha. O ritmo das vendas é semelhante ao da safra 99/00.

O milho apresenta uma valorização acumulada de 28,77% entre início de março até esta semana, ou o equivalente a 4,7% ao mês, garantindo rentabilidade positiva na estocagem no período, para a maioria dos produtores, exceto aqueles que mantiveram estoques às custas de empréstimos com custos maiores.

Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]



SUÍNO


Preços continuam em retração no Paraná


As cotações do quilo da carne suína tipo raça continuam apresentando tendência de retração no Paraná. Em agosto deste ano registrou-se uma retração da ordem de 4,7% em relação ao preço médio pactuado no Estado, com os preços variando de R$ 1,06 por quilograma para atuais R$ 1,01. Assim, o patamar dos preços atualmente verificados tem permanecido bastante abaixo dos preços pactuados desde o começo do ano (janeiro) quando o preço médio pago ao produtor no Paraná girava em torno de R$ 1,47 por quilograma. Em termos percentuais, nos últimos oito meses verificou-se um retração de 31,3% nas cotações, enquanto que nos últimos 12 meses este recuo chegou a atingir valores de 25,7%.

Entre janeiro e agosto do ano passado, verificou-se um certo grau de estabilidade nas cotações da carne suína, que apresentaram uma oscilação negativa de apenas 5,6% no período analisado, com a média da cotação real pactuada no Paraná girando em torno de R$ 1,37. Este valor das cotações refletia bastante a grande demanda internacional pelo produto brasileiro, que auxiliou a enxugar os estoques das indústrias e estimulou a sustentação deste nível de cotação praticamente nos oito primeiros meses do ano.

Este ano, a situação não tem sido nada favorável aos produtores paranaenses. No começo do ano, sentindo ainda os reflexos positivos do mercado internacional, as indústrias e os produtores apostaram na continuidade deste mercado e ampliaram a sua produção, sem o respectivo impacto positivo esperado na demanda. Como consequência, observamos que de janeiro a março deste ano, os preços médios pactuados no mercado paranaense, em termos reais, permaneceram 3,3% superiores aos verificados em igual período de 2001. Com o inesperado enfraquecimento da demanda interna e a retração do mercado internacional, a partir de abril, as cotações começaram a recuar fortemente no Paraná. Assim, de abril à agosto, registrou-se recuo da ordem de 13,7% nas cotações, com os preços variando de R$ 1,17 para atuais R$ 1,01, conforme pode ser observado na tabela.

Vários foram os fatores responsáveis por tais recuos nos preços no período analisado, mas, basicamente citamos a retração da demanda, a redução nas exportações e um crescimento da produção de aproximadamente 10% que, superofertou o mercado interno, pressionando constantemente as cotações para o atual patamar de preço verificado.

Em 2001, na média de janeiro a agosto, a cotação do quilograma da carne suína valia R$ 1,37 no Paraná, atualmente, na média do mesmo período, está valendo R$ 1,19, o que significa uma retração de 13,1% na média dos períodos analisados.

Na semana, a cotação do suíno

O preço médio do suíno tipo raça negociado no Estado apresentou esta semana a cotação no patamar R$ 1,00 por quilograma nas principais praças produtoras do estado, preço este idêntico ao verificado na semana anterior. Quando comparada esta cotação com o preço médio de julho (R$ 1,06) observa-se uma retração da ordem de 5,7% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (agosto) nota-se uma retração da ordem de 25,7% nas cotações.

João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

mockup