AGROMERCADO
B O I G O R D O
Incerteza REDUZ OFERTA E ELEVA PREÇOS
Os preços do boi gordo subiram de forma acentuada neste início de agosto na grande maioria das praças de comercialização do país. A atual elevação dos preços deve-se, principalmente, à retenção de oferta por parte dos pecuaristas, em função da instabilidade econômica das últimas semanas. Quem pode segura o boi no pasto, transformando-o de ativo fixo em uma espécie de ativo financeiro, ''porto seguro'' em momentos de crise na economia. Essa atitude, aliás, é atualmente favorecida pelo inverno ameno de 2002, que mantém as pastagens em boas condições para a época do ano na maioria das regiões produtoras.
A posição defensiva dos pecuaristas fez cair o fluxo de animais enviados aos frigoríficos, resultando em dificuldades para o preenchimento das escalas de abate em muitas empresas, forçando-as a elevarem o valor de suas ofertas de compra aos produtores. Até o momento, as altas de preços do boi vêm sendo repassadas à carne no atacado, mas há maiores dificuldades para o repasse desses aumentos ao varejo, indicando que o ritmo de alta deve ser menor nos próximos meses da atual entressafra. Exportações menores e importações maiores de carne bovina brasileira esse ano também devem contribuir para arrefecer o atual ritmo de alta dos preços do boi gordo verificado nos últimos dias, que subiu quase 10% em apenas três semanas.
Evolução dos preços
O gráfico mostra a evolução dos preços do boi gordo ao produtor paranaense nos últimos 12 meses e indica que a cotação média atual, de R$ 46/arroba, já é igual, em termos nominais, à maior remuneração recebida durante a entressafra do ano passado. Nesta semana, já houve negócios a R$ 47/@ no Paraná e a R$ 50/@ em São Paulo, com trinta dias de prazo para pagamento e para descontar o Funrural.
Os dados da tabela permitem visualizar a evolução dos preços do boi gordo, do bezerro e da carne bovina no atacado, no acumulado dos últimos 30 dias e dos últimos 12 meses. No Paraná, o preço médio do boi gordo acumula valorização de 10% (ou R$ 4 por arroba) nos últimos 30 dias e de 7% em um ano. O preço médio atual nas principais praças do Estado é de R$ 46/@, contra R$ 42/@ há um mês e R$ 43/@ no mesmo período do ano passado. Já o indicador de preços do boi gordo ESALQ/BM&F, que se aproxima das cotações em São Paulo, acumula alta de 11% em 30 dias e de 12% em um ano.
®MDBO¯(quadro)®MDNM¯
Preço médio no atacado
Dianteiro (R$/Kg) 2,40 2,10 2,10 14% 14%
Traseiro (R$/Kg) 3,40 3,00 3,00 13% 13%
No mercado de reposição não se tem observado a mesma alta percentual de preços. O indicador de preços do bezerro ESALQ/BM&F, que se aproxima das cotações do animal no Mato Grosso do Sul, acumula alta de 3% nos últimos 30 dias e de 7% nos últimos 12 meses.
No mercado atacadista de carne bovina, por sua vez, os preços da carcaça bovina dianteira e traseira vêm registrando altas significativas nas últimas semanas. O valor atual do dianteiro bovino é de R$ 2,40 por quilo, e acumula valorização de 14 % nos últimos 30 dias. No mesmo período, o valor do traseiro bovino subiu 13 %, passando de R$ 3,00 para R$ 3,40 por quilo.
BM&F
Os preços do boi gordo no mercado futuro também registraram altas significativas nos últimos dias. No meado desta semana, o contrato para entrega em agosto era cotado a R$ 49,2 por arroba, o contrato de setembro a R$ 51 por arroba e o contrato de outubro a R$ 52 por arroba. São valores elevados e lucrativos, o que permite boa oportunidade para a fixação de preços para os produtores através de operações de hedge.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
AGRONEGÓCIOS
Exportações do Agronegócio voltam a crescer em julho
Analisando-se os resultados da balança comercial do agronegócio brasileiro em julho, notamos que a mesma apresentou superávit comercial de US$ 2,09 bilhões, resultado de exportações de US$ 2,54 bilhões e importações da ordem de US$ 444 milhões, conforme pode ser observado na tabela. A participação dos produtos do agronegócio na pauta de exportações representou 40,8% do total arrecadado no mês de julho (US$ 6,22 bilhões).
As exportações apresentaram uma elevação de 44,0% em relação a julho de 2001, principalmente devido a retomada normal no ritmo de embarque de algumas''commodities'', motivados pela expectativa de melhores preços e das variações da taxa de câmbio no mercado interno.
Já as importações, apresentaram um incremento da ordem de 31,5% em relação aos volumes importados em junho deste ano.
®MDBO¯tabela
®MDNM¯
No caso do complexo soja, principal produto da pauta de exportações brasileiras, foram registradas vendas externas da ordem de US$ 802,2 milhões em julho, contra os US$ 391 milhões em junho (+105%) e US$ 528,5 milhões (51,8%) de julho do ano anterior. Esse desempenho decorre, principalmente, pelo aumento dos volumes embarcados, embora o setor esteja também se beneficiando das melhores cotações para o grão e para o óleo.
No Complexo Carnes, os registros dos volumes embarcados totalizaram 45,8% a mais sobre o contabilizado em julho/2001 e de 10,7% em termos de valor. Novamente o destaque ficou com as carnes de suíno ''in natura'', com crescimento de 98% em volume sobre o mesmo mês de 2001 e de 37,8% em valor.
Nos demais setores do agronegócio, observou-se o seguinte: No complexo do suco de laranja, as exportações alcançaram US$ 81,3 milhões, superando em 32,2% o faturamento obtido em julho/2001, por conta da recuperação dos níveis de preços (+22,2%) e de 8,2% a mais no volume embarcado. No complexo do açúcar, os embarques continuaram em bom ritmo, superando, de acordo com os registros do SECEX, a marca de 1,5 milhão de toneladas, 36,9% acima de julho/2001. A receita, contudo, caiu 4,1% devido às baixas cotações internacionais do produto.
No setor de couro e calçados, os resultados foram ligeiramente inferiores ao de julho/2001, com queda de 1,9% no faturamento, apesar de aumento de 3,9% no volume exportado. Em contrapartida, as vendas externas de couro ganharam 35,2% sobre o faturamento de igual mês do ano anterior, sustentado por volumes exportados 52,4% maiores.
Com relação às importações do agronegócio em julho, observamos que as mesmas alcançaram o valor de US$ 443,6 milhões, cerca de 8,3% acima do que se verificou em julho do ano anterior e representaram apenas 8,8% dos US$ 5,03 bilhões gastos pelo país. Dentre os itens com alterações mais significativas em relação ao mesmo mês de 2001, vale mencionar o leite (+ 150,4% em quantidade e + 77,7% em valor), borracha natural (+ 27,3% e + 47,1%), alho (+ 40,1% e + 26,0%), além das importações do complexo soja que superaram em US$ 17 milhões o movimento de julho/2001.
Considerando os últimos doze meses compreendidos entre agosto de 2001 e julho de 2002 o valor total das exportações do agronegócio atingiram US$ 22,7 bilhões, com saldo superavitário da ordem de US$ 18,2 bilhões, valor que é 7,4% superior ao contabilizado nos 12 meses anteriores.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]





