SOJA E MILHO

Mercado segue instável


A exemplo das semanas anteriores, o mercado da soja segue com preços instáveis, tanto no mercado interno como no mercado internacional. No exterior, o comportamento do clima nas regiões produtoras de soja nos Estados Unidos segue influenciando os preços, que vêm registrando grandes oscilações diárias. No Brasil, a volatilidade de preços no mercado de lotes é ainda maior, em função das variações na taxa de câmbio, que influenciam diretamente a definição dos preços em reais.

Bolsa de Chicago


A soja começou o ano de 2002 cotada a menos de US$ 4,20/bushel na Bolsa de Chicago. Se manteve abaixo de US$ 4,50/bushel até final de fevereiro e superou US$ 5,80 em meados de julho, caindo abaixo de US$ 5,35 na última segunda-feira (dia 29 de julho) e voltando a fechar próximo de US$ 5,70 na quarta-feira (dia 31). As previsões de clima seco e quente nas regiões produtoras de soja e milho nos Estados Unidos são o principal combustível da alta dos preços no mercado americano. A cada dia as previsões climáticas afetam diretamente as cotações na bolsa, com altas significativas em um dia e quedas também significativas no mesmo dia ou em dias seguintes.

A cultura está em fase de floração em 76% da área plantada, período crítico de desenvolvimento e, por isso, as oscilações de preços se tornam mais intensas nesta época. Se os preços da safra 02/03 ficarão ao redor de US$ 5,80/bushel é algo que será definido nas próximas semanas quando as perdas forem irreversíveis e quantificadas. Por enquanto, os preços refletem as perdas esperadas pelos agentes que comercializam na Bolsa.

O milho foi cotado a menos de US$ 1,93/bushel na Bolsa de Chicago em meados de abril e a pouco menos de US$ 2,48/bushel esta semana, alta de 28,4% no período. Para a soja, o aumento nas cotações na bolsa no mesmo período foi de 22,9%.

Indicador Esalq/BM&F

Os preços da soja no mercado de lotes em reais por saca, segundo o indicador Esalq/BM&F, subiu 9,75% do dia 29 para o dia 31 de julho acompanhando a alta em Chicago e a desvalorização cambial, batendo o recorde deste ano. De final de fevereiro até final de julho, o preço da soja em reais no mercado paranaense subiu 79,53%. O preço em dólar subiu 22,3% no mesmo período e a moeda brasileira perdeu 46,8% de valor frente ao dólar americano.

O preço ao produtor paranaense apresenta variação inferior à do mercado de lotes nos últimos cinco meses (fevereiro a julho), com alta de 51,2%. O milho vem apresentando preços em alta desde o ano passado e nos últimos cinco meses acumula alta de 23,3% ao produtor paranaense.

Safra nos EUA

O relatório de acompanhamento de safra, divulgado esta semana pelo USDA tendo como data de referência o dia 28 de julho, mostra ligeira melhora nas condições das lavouras americanas de soja, com redução de 33% para 35% das lavouras em condições médias e aumento dos mesmos 2% nas lavouras em condições boas e excelentes (de 43 para 45%). No ano passado nesta mesma época, 60% das lavouras de soja nos Estados Unidos estavam classificadas como boas/excelentes.

Para o milho a situação das lavouras é a seguinte: 27% em condições ruins e péssimas, 31% em condição média e os 42% restantes entre boas e excelentes condições. No ano passado os números eram: 10%, 26% e 64%, respectivamente.

Relação soja/milho

Com as campanhas das cooperativas sendo realizadas e o período de plantio se aproximando, os produtores estão fazendo suas contas e análises para decidir o que e quanto de área plantar de cada produto. Uma das variáveis a ser colocada na balança é a relação de preços soja milho, a qual é apresentada no gráfico, levando em conta os preços médios semanais ao produtor paranaense de janeiro de 1992 até julho de 2002.

O gráfico evidencia que a soja tem se valorizado frente ao milho desde o mês de junho, alcançando uma relação de 2,3 para um (uma saca de soja valendo 2,3 vezes uma saca de milho) nesta semana. No entanto, o gráfico deixa claro que esta relação foi superior no ano passado, chegando a atingir 2,84. A relação média dos sete primeiros meses deste ano é de dois para um; e foi de 2,38 para um no mesmo período de 2001.

A relação média histórica é próxima de dois para um (exatamente de 1,95 para um na média dos últimos 10 anos), muito próxima da média parcial deste ano. Além disso, os contratos de opção de venda, com vencimento em maio de R$ 15 a saca para o milho, são valores atrativos para o próximo ano. Vendas antecipadas de soja tem sido oferecidas aos produtores a R$ 29 a saca para entrega em abril ou maio. Estes valores resultam numa relação de preços soja/milho próxima da média histórica para o período de colheita de 2003.


José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
Vania Di Addario Guimarães - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]



CAFÉ

Nova crise com os
baixos preços do café

Os produtores brasileiros de café atravessam novo período de crise com a significativa redução nos preços do produto este ano. O gráfico apresenta os valores diários do café na Bolsa de Nova York para primeiro vencimento e o valor do indicador do café Esalq/BM&F de janeiro de 1997 até esta semana. As cotações na Bolsa de Nova York se referem ao café arábica produzido em países da América do Sul, América Central e África, sem considerar os prêmios e descontos por qualidade de bebida (o café colombiano, por exemplo, tem ágio de 200 pontos sobre o preço da bolsa). A cotação é para produto posto nos portos em Nova York, Nova Orleans e Miami nos Estados Unidos e nos portos europeus de Bremen/Hamburgo e Antuérpia.

O Indicador do café Esalq/BM&F é uma média ponderada dos preços do café arábica, tipo 6, bebida dura para melhor (café tipo exportação), praticados nas principais regiões de comercialização: Cerrado e Sul de Minas Gerais, Mogiana e Paulista em São Paulo e Noroeste do Paraná. A ponderação é feita pela participação destas regiões na produção nacional deste café. Os preços regionais são transformados em valor à vista pela taxa da NPR e são acrescidos os fretes até a cidade de São Paulo. Portanto, o indicador é uma média ponderada do café descrito, à vista, posto na cidade de São Paulo.

Mesmo com as diferenças de local a que os preços se referem existe uma alta correlação entre os preços no mercado interno e externo, resultado da importância do Brasil no mercado internacional. Em 1994 os preços subiram significativamente no mercado internacional motivados, em grande parte, pela redução na produção brasileira. Os preços altos se mantiveram até início de 1998 e passaram a declinar a partir de então.

Cresce a produção mundial

A redução nos preços vem do aumento da oferta mundial de café e oferta brasileira em particular. Os preços altos de 1994 a 1998 motivaram o aumento na área plantada de café, cujos efeitos serão maiores nesta safra 02/03 que o Brasil já está colhendo. As estimativas da safra nacional variam conforme a fonte e se tornaram, inclusive, objeto de grandes discussões. A primeira estimativa de safra da Conab para o ano agrícola 02/03 do café, divulgada em dezembro do ano passado, indicava uma produção entre 37,6 a 39,6 milhões de sacas.

Em abril duas empresas privadas divulgaram estimativas entre 45,2 e 49,45 milhões de sacas. Na segunda estimativa da Conab, divulgada em junho, o número passou para 44,69 milhões de sacas. Os números ainda estão em discussão, mas há consenso de que a produção será bem maior do que as 28,14 milhões de sacas produzidas em 2002.

A produção mundial está estimada em 122,1 milhões de sacas pelo USDA e o consumo não chega a 100 milhões. O excesso de oferta é a principal razão da queda nos preços. Não há, a curto prazo, previsões de recuperação nos preços do café. A Indonésia colheu o café em abril; o Brasil está colhendo neste meio de ano e os demais países, incluindo a Colômbia concentram a safra em outubro. Há diversas iniciativas para financiar a estocagem de café pelos produtores, procurando evitar maior redução na renda da cultura.

Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]

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