AGROMERCADO
SUÍNO
Preços reais do suíno
recuam 22% em um ano
As cotações do quilograma da carne suína tipo raça apresentaram somente em julho deste ano uma retração da ordem de 6,4%, com os preços variando de R$ 1,10 por quilograma no começo do mês para atuais R$ 1,03. Assim, o patamar dos preços atualmente verificados tem permanecido bastante abaixo dos preços pactuados desde o começo do ano (janeiro), quando o preço médio pago ao produtor no Estado do Paraná girava em torno de R$ 1,44 por quilograma. Em temos percentuais, nos últimos 7 meses verificou-se um retração de 25,7% nas cotações, enquanto que nos últimos 12 meses este recuo chegou a atingir valores de 22%.
Entre janeiro e julho do ano passado, verificou-se uma maior estabilidade nas cotações da carne suína, que apresentaram uma oscilação negativa de apenas 2,8% no período analisado, com a média da cotação real pactuada no Paraná girando em torno de R$ 1,34. Este valor das cotações refletia bastante a grande demanda internacional pelo produto brasileiro, que auxiliou a enxugar os estoques das indústrias e estimulou a sustentação deste nível de cotação praticamente o primeiro semestre inteiro.
Este ano, a situação não tem sido favorável aos produtores paranaenses. No começo do ano, sentindo ainda os reflexos positivos do mercado internacional, as indústrias e os produtores apostaram na continuidade deste mercado e ampliaram a sua produção, sem o respectivo impacto positivo esperado na demanda. Como consequência, observamos que de janeiro à março deste ano, os preços médios pactuados no mercado paranaense, em termos reais, permaneceram 4% superiores aos verificados em igual período de 2001.
Com o inesperado enfraquecimento da demanda interna e a retração do mercado internacional, à partir de abril, as cotações começaram a recuar fortemente no Estado. Assim, de abril à julho, registrou-se recuo da ordem de 7% nas cotações, com os preços variando de R$ 1,15 para atuais R$ 1,07, conforme pode ser observado na tabela.
Vários foram os fatores responsáveis por tais recuos nos preços no período analisado, mas, basicamente citamos a retração da demanda, a redução nas exportações e um crescimento da produção de aproximadamente 10% que, superofertou o mercado interno, pressionando constantemente as cotações para o atual patamar de preço verificado. Em 2001, na média de janeiro a julho, a cotação do quilograma da carne suína valia R$ 1,34 no Paraná, atualmente, na média do mesmo período, está valendo R$ 1,19, o que significa uma retração de 11,2% no período analisado.
Na semana, a cotação do suíno
O preço médio do suíno raça negociado no Estado apresentou esta semana a cotação no patamar R$ 1,03 por quilograma nas principais praças produtoras do Paraná; preço este 1,9% inferior ao verificado na semana anterior, quando o mesmo quilograma valia R$ 1,05 na média. Quando comparada esta cotação com o preço médio de junho (R$ 1,04) observa-se um fortalecimento da ordem de 2,9% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (julho), nota-se uma retração da ordem de 22,0% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
SOJA
Clima nos Estados Unidos dita preços
O mercado da soja vive momento de preços instáveis, em linha com as variações do clima nos Estados Unidos, que afetam o potencial de produtividade das lavouras de soja e milho naquele país.
A instabilidade de preços é um fato comum nesta época do ano, quando as lavouras de soja e milho estão em fase de desenvolvimento nos Estados Unidos, período conhecido como ''weather market'' (mercado de clima). Essa denominação ocorre pelo fato dos preços das ''commodities'' soja e milho no mercado internacional oscilarem conforme o real comportamento do clima nas regiões produtoras e, também, de acordo com as previsões meteorológicas para as semanas seguintes.
As oscilações de preços se intensificam quando há uma perspectiva das condições climáticas virem, efetivamente, afetar o rendimento das lavouras, como vem ocorrendo este ano. No último dia 22 de julho o USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indicava que apenas 43% das lavouras estavam em boas e excelentes condições, contra 50% na semana anterior e 62% há cerca de um mês.
A condição das lavouras de soja nesta safra é a pior dos últimos anos, em função de seca nas regiões produtoras. Na média dos últimos quatro anos, 63% das lavouras de soja estavam em boas e excelentes condições nesta época do ano, conforme pode ser visualizado no gráfico.
Bolsa de Chicago
O quadro de estiagem nos Estados Unidos fez os preços da soja se elevarem significativamente na Bolsa de Chicago nos últimos 30 dias, conforme mostram os dados de preços do gráfico. O contrato da soja para segunda entrega passou de cents US$ 499,75 por bushel, em 24 de junho, para cents US$ 560 por bushel, em 24 de julho, com valorização acumulada de 12,1% em um mês. No período a tendência dos preços foi ascendente, mas não linear. Houve altos e baixos, a exemplo dessa semana, quando os preços subiram na segunda, caíram na terça e voltaram a subir na quarta-feira (24), para a apreensão dos agentes de mercado. Nos últimos 30 dias, o contrato do óleo de soja em Chicago (segunda entrega) subiu 8,8% e o do farelo de soja, 13,1%.
Mercado Interno
No mercado interno, os preços da soja em reais também acumulam valorização expressiva nos últimos 30 dias, beneficiada pela alta dos preços internacionais e pela desvalorização do real frente ao dólar. O preço médio ao produtor paranaense no mercado de balcão acumula alta de 17% nos últimos 30 dias. O mercado, no entanto, se mostra instável e sem tendência definida no curto prazo, tendo em vista que o comportamento do clima nos Estados Unidos é que deve ditar o rumo dos preços nas próximas semanas.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
BOI GORDO
Tendência em alta
Apesar do inverno ameno até este mês de julho na região sul do País (sem geadas fortes) e de estiagem moderada na região centro-oeste, a oferta de boi gordo aos frigoríficos tem se reduzido nas últimas semanas, marcando o início do período de entressafra em 2002. A tendência, portanto, é de alta nos preços do boi gordo de agora até outubro, dada a natural redução de oferta prevista para os próximos meses.
Nesta entressafra não se espera, por enquanto, grandes elevações de preços, principalmente em função do inverno pouco rigoroso verificado até o momento no centro-sul do País e da redução das exportações de carne bovina previstas para este ano. Nos próximos 90 dias projeta-se uma valorização nos preços do boi gordo da ordem de 11%, com o valor médio da arroba ao produtor paranaense passando dos atuais R$ 42,5 para R$ 47 em outubro.
O gráfico mostra a evolução do preço médio mensal do boi gordo ao produtor paranaense durante o primeiro semestre de 2002 e para o atual mês de julho, e uma projeção para o restante do segundo semestre. Após caírem durante os primeiros cinco meses do ano, de R$ 44,4 em janeiro para R$ 41,8 por arroba em maio; e depois se estabilizarem na faixa dos R$ 42 por arroba em junho e julho, os preços do boi gordo devem passar a subir nos próximos meses, passando a cerca de R$ 44/@ em agosto, R$ 46/@ em setembro e R$ 47/@ em outubro nas principais praças de comercialização do Estado do Paraná.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]





