MILHO

Mercado em mudança


O mercado de milho no Brasil não é mais o mesmo. Nos dois últimos anos safra ocorreram mudanças importantes que alteraram as relações econômicas entre os participantes do mercado. Mudanças que, hoje, muitos acreditam, vieram para ficar.

De fato, os fatores que causaram estas mudanças são mais antigos, do início da década de 90 quando o mercado brasileiro foi aberto ao exterior. A abertura foi o elemento mais visível, mas outros acompanharam a redução de barreiras comerciais. A partir de 1996 a Política de Garantia de Preços Mínimos começou a trocar os instrumentos de Aquisição pelo Governo Federal (AGF) e Empréstimo do Governo Federal (EGF) pelos instrumentos de Prêmio para Escoamento de Produto (PEP) e Contratos de Opção de Venda. Esta substituição de instrumentos traz como espinha dorsal a diretriz de não formação de estoques por parte do governo. Portanto, não há mais como lançar mão de estoques governamentais para complementar o abastecimento em períodos de escassez. A formação de estoques num mercado aberto é transferida aos parceiros comerciais como demonstram estudos recentes.

Modernizar a comercialização


Em outros tempos, a valorização relativa do milho no Brasil que se observa neste ano de 2002 seria combatida com estoques do governo, subsídios na importação e/ou mecanismos da mesma estirpe. A preocupação com a substituição do milho pela soja na safra 02/03 levou o governo a se reunir com os setores consumidores e buscar alternativas - que resultaram nas medidas de apoio ao milho para a safra 02/03. Até alguns anos atrás o governo não pensaria duas vezes para aplicar um imposto de exportação sobre a soja, cotas de exportação ou outro mecanismo que tirasse a vantagem relativa da soja frente ao milho. Os tempos são outros e a produção oscila de acordo com a vantagem absoluta e relativa de produto frente ao outro.

Soja e milho são concorrentes em área e vários estudos mostram que o milho tem perdido espaço para a soja por dois motivos principais: é uma cultura de maior risco de perda por adversidade climática e tem menos alternativas de comercialização do que a soja. Portanto, para reverter o quadro ou manter o milho competitivo frente à soja é preciso modernizar sua comercialização.

Valor relativo dos contratos de opção

Uma das medidas definidas foi o lançamento de Contratos de Opção de Venda com vencimento entre fevereiro e maio de 2003. Os preços de exercício variam de R$ 14,40/sc em fevereiro e R$ 15,00/saca em maio, para os três Estados da região Sul, Minas Gerais, São Paulo e sul da Bahia.

Para abril o preço de exercício é de R$ 14,80/sc que equivale a US$ 4,90/saca utilizando a cotação do dólar para abril do próximo ano no mercado futuro da BM&F. A soja vem sendo negociada para entrega em abril na faixa de US$ 10/sc. A estes valores o preço da soja ainda tem vantagem sobre o milho, dado que a relação entre o preço da oleaginosa para entrega em abril e do contrato de opção de venda com vencimento em abril (e pagamento em maio diga-se de passagem) é da ordem de 2,04.
A média histórica de preços entre os dois produtos fica entre 1,9 e 2 para um. Há que se descontar o prazo de pagamento no contrato de opção mas, a grosso modo, os valores de vencimento não podem ser considerados ruins. Outro cálculo adicional é a incidência de Funrural que haveria para a soja e não para o contrato de opção do milho.

Além destas relações de preços a decisão dos produtores passa pela disponibilidade de recursos e condições dos mesmos. As demais medidas de apoio ao milho na safra 02/03 podem contribuir neste sentido.

Preços na semana

Os preços do milho continuaram subindo esta semana no Paraná e em outras regiões do país. Nos últimos 15 dias a alta dos preços ao produtor paranaense foi de R$ 1,55% ou 20 centavos por saca, passando de R$ 12,90 para R$ 13,10/sc.

Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

SOJA

Clima prejudica lavouras
nos Estados Unidos

Nas últimas três semanas, o desenvolvimento vegetativo das lavouras de soja nos Estados Unidos vem sendo prejudicado pelo clima, o que pode comprometer significativamente o seu potencial de produtividade, caso a situação não se reverta nas próximas semanas.
Segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - USDA, no último dia 14 de julho, a situação das lavouras de soja naquele país apresentava a pior performance dos últimos 5 anos para essa época do ano, trazendo incertezas aos agentes econômicos com consequente elevação dos preços internacionais.

Na Bolsa de Chicago os preços da soja saltaram de 480 centavos de dólar por bushel há cerca de um mês, para a casa dos 580 centavos de dólar por bushel no meado desta semana, atingindo a maior cotação da soja em Chicago dos últimos quatro anos.

No geral, as lavouras de soja da atual safra 02/03 nos Estados Unidos estão em situação bem pior do que a observada no mesmo período de anos anteriores. O gráfico mostra a percentagem das lavouras consideradas pelo USDA como boas e excelentes nas últimas 5 safras. Em 14 de julho último, apenas 50% das lavouras eram consideradas em boas e excelentes condições, contra valores entre 57% e 67% no mesmo período dos quatro anos anteriores.

A evolução dos dados sobre a situação das lavouras para a atual safra 02/03 indica rápida deterioração do potencial de produtividade, uma vez que há cerca de 20 dias, 62% das lavouras eram consideradas em boas e excelentes condições, contra os atuais 50%.

Preços em alta

No mercado interno, os preços nominais da soja em reais vêm mantendo tendência de alta, em linha com a valorização do produto no mercado internacional e a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, garantindo até o momento boa rentabilidade para quem optou pela estocagem da produção. Nesta semana, o preço médio ao produtor paranaense evoluiu para a faixa dos R$ 30 por saca, com alta acumulada de aproximadamente 50% desde a época da colheita.

José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]




AGRONEGÓCIOS

Exportações têm
queda de 22%
em junho



Analisando-se os resultados da balança comercial do agronegócio brasileiro em junho, notamos que a mesma apresentou superávit comercial de US$ 1,42 bilhão, resultado de exportações de US$ 1,76 bilhão e importações da ordem de US$ 337 milhões, conforme pode ser observado na tabela. A participação dos produtos do agronegócio na pauta de exportações representou 43,1% do total arrecadado no mês de junho (US$ 4,08 bilhões).

As exportações apresentaram uma queda de 22,0% com relação a junho de 2001, principalmente devido ao retardamento nos embarques de algumas ''commodities'', motivados pela expectativa de melhores preços e das variações da taxa de câmbio no mercado interno.

Na comparação com maio/2002 as exportações registraram elevação de 1,8% e as importações permaneceram estáveis, sendo que o saldo comercial apresentou incremento da ordem de 2,3%.

No caso do complexo soja, principal produto da pauta de exportações brasileiras, verificou-se incremento na receita que saiu dos US$ 217 milhões em maio para US$ 319 milhões em junho, devido principalmente ao fortalecimento das cotações que incentivaram os produtores a comercializar o produto. No comparativo entre junho de 2001 com o igual período de 2002 observou-se uma retração de 43% nas exportações do complexo soja e incremento de 90,5% nas importações destes produtos.

No setor de carnes, como em outros complexos, verificou-se queda nas cotações internacionais que afetaram negativamente a receita cambial deste setor. As vendas ao exterior alcançaram o valor de US$ 209,9 milhões, ou seja, 15,5% inferiores aos valores verificados em igual período do ano passado. No caso dos embarques, os volumes foram apenas 0,7% superiores às do ano passado, com crescimento mais acentuado de 40,2% nos embarques de carne suína e queda de 11,1% nos embarques de carne de frango ''in natura''.

Nos demais setores do agronegócio, observou-se o seguinte: No setor de fumo e tabaco, o mês apresentou resultados bastante favoráveis, com ampliação de 18,8% nas receitas cambiais e 34,5% nos volumes embarcados; no de frutas frescas (+ 32,8%, de US$ 11 milhões para US$ 15 milhões) e no de pescados (+ 11,7% nos valores e 12,6% nos volumes; no de madeira e suas obras (+ 19,3% em valor e + 35,3% em volume).

As importações do agronegócio continuam em retração basicamente causadas pela queda de 11,4% no poder aquisitivo dos brasileiros nos últimos 12 meses, pelo aumento de 5% ao ano da pobreza no País, pelo endividamento pessoal, pelo aumento de concentração de renda e por outros fatores macroeconômicos que tem mantido a economia brasileira estagnada e por consequência com baixa demanda.

Os gastos totais para o mês foram de US$ 337,3 milhões e ficaram 9,9% abaixo do verificado em igual período do ano anterior. Os destaques ficaram por conta do café (+ 516,6 % nos valores), nas carnes (+ 202,7% nos valores) e complexo soja (+ 90,5 % nos valores).

João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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