AGROMERCADO
TRIGO
Área plantada no Paraná é a maior desde 1996
Segundo a última estimativa do Deral a área plantada com trigo no Paraná é de 1.019,3 mil hectares, aumento de 15,7% em relação aos 881,1 mil hectares plantados no ano passado. Na estimativa anterior (do mês de maio) a intenção de plantio não chegava a 1 milhão de hectares. Esta é a maior área plantada no Estado desde 1996, ano de preços internacionais altos para o grão.
As condições das lavouras paranaenses são piores do que no ano passado. Da área plantada, 4% está classificada como em condição ruim, 26% como média e 70% em boas condições. No ano passado nesta mesma época, 91% das lavouras estavam classificadas como em boas condições e os 9% restantes como em condições médias e nenhuma parcela de área se encontrava em condições ruins.
O período de seca na região norte ocasionou a incidência de pragas que estavam preocupando os produtores da região. Segundo a mesma fonte, 5% das lavouras estão em fase e germinação, 94% em desenvolvimento vegetativo e 1% em floração. O plantio ainda não terminou restando 6% da área a ser plantada, o que deve ter sido feito durante esta semana.
No Rio Grande do Sul o plantio também se encontra com certo atraso, causado pelo excesso de chuvas naquele Estado. A estimativa da Emater local é de que estejam plantados de 81 a 85% da área pretendida pelos produtores. A área plantada naquele Estado também cresceu, superando 700 mil hectares e é a maior desde 1993. Produtores gaúchos e paranaenses apostaram no trigo como opção de inverno este ano, motivados especialmente pelo câmbio favorável a eles já que encarecem as importações e elevam o preço de paridade com o mercado externo.
A produção paranaense está estimada em pouco menos de 2,44 milhões de toneladas, 33,4% superior à do ano passado e em termos nacionais deve superar 3,8 milhões de toneladas, cerca de 800 mil toneladas acima do volume colhido em 2001. Na Argentina foram plantados 37% dos 6,48 milhões de hectares que é a área estimada naquele País até o momento. O percentual plantado é semelhante ao de 2001 quando estavam plantados 38% dos 7,1 milhões de hectares cultivados naquele ano.
De janeiro a maio deste ano o Brasil importou 2,98 milhões de toneladas de trigo, 7,8% a menos do que no mesmo período de 2001. O trigo foi o segundo produto na pauta de importações brasileiras entre os produtos básicos, perdendo apenas para o petróleo. O valor das importações nos cinco primeiros meses do ano foi de 353 milhões de dólares, 11,6% a menos do que no mesmo período do ano passado.
Preços internacionais e câmbio
As cotações do trigo na Bolsa de Chicago no último mês de junho (US$ 108,81/tonelada) ficaram 15% acima dos valores praticados em junho do ano passado (US% 94,55/t) e 11,75% acima das cotações em maio deste ano (US$ 97,37/t).
Além da desvalorização cambial e da alta no mercado americano, a Argentina tem contribuído para a alta dos preços no Brasil. Em novembro do ano passado, a tonelada de trigo FOB portos argentinos foi cotada entre US$ 100 e US$ 110. Em meados de junho, o preço passou para cerca de US$ 140/tonelada (dependendo do porto) e nesta semana, o trigo para embarque em julho teve vendedor a US$ 167/tonelada e comprador a US$ 162, segundo informa a Secretaria de Agricultura do país. A alta no mercado americano e na Argentina eleva o preço de paridade de importação e, consequentemente, os preços internos. Há notícias de que a alta de preços proporcionalmente maior na Argentina viabilizou a importação de trigo americano.
Como mostra o gráfico, o preço no mercado nesta primeira semana de julho (para o primeiro vencimento) superou US$ 115/tonelada pela primeira vez nos últimos 12 meses e é o maior preço desde março de 1998 (médias mensais). Além da alta no mercado externo o câmbio ajuda a elevar ainda mais os preços internos. Portanto, a meta agora é colher bem pois o cenário de preços é bastante favorável aos triticultores nacionais. Globalização tem lá o seu lado positivo.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
MILHO
Exportações?
Enquanto as atenções gerais estavam na paridade de importação o mercado surpreende registrando negócios de exportação de milho entre final de junho e esta primeira semana de julho. A desvalorização do câmbio acompanhada pela retração das vendas na Argentina abriu espaço para exportações brasileiras. A pergunta que fica é: e a tal falta de milho para este ano, como fica?
As estimativas disponíveis até o momento são de que a produção brasileira na safra 01/02 reduziu em cerca de 5,5 milhões de toneladas em relação à produção recorde da safra 00/01. Este volume é próximo do volume exportado pelo Brasil no ano passado e, possivelmente, os estoques públicos (1,3 milhão de toneladas no início da safra 01/02) mais os estoques privados (que não se sabe o tamanho) e mais as tradicionais importações da região nordeste poderiam dar conta de abastecer o mercado interno mesmo considerando certo crescimento na demanda por parte de aves e suínos. Mas em nenhuma conta haveria saldo exportável.
No início do segundo trimestre circularam informações de que empresas que tinham contrato para exportação para alguns meses à frente, teriam desfeito estes contratos porque os preços no mercado interno estariam acima da paridade de exportação ou, trocando em miúdos, os preços internos seriam maiores do que vender para o exterior.
Neste cenário os negócios de exportação realizados nas últimas duas semanas dão o que pensar. Se a escassez é tão grande quanto se supunha, como então os preços no mercado interno não subiram para inviabilizar estas vendas ao exterior? Perguntas que devem ser respondidas nas próximas semanas.
Preços externos
No mês de junho na Bolsa de Chicago a cotação média do milho para o primeiro vencimento foi de US$ 83,46/tonelada, 10% acima da cotação média em junho do ano passado que foi de US$ 75,88/tonelada e 7,76% acima da cotação média em maio deste ano que foi de US$ 77,45/tonelada. Nesta primeira semana de julho a cotação chegou a US$ 91,65/tonelada e recuou para US$ 88/tonelada, mas com nova alta em relação a junho e atingiu o maior valor dos últimos 12 meses como pode ser analisado no gráfico.
O milho brasileiro, apesar de não haver estatísticas disponíveis, está recebendo ágio sobre o preço internacional (Estados Unidos e Argentina), pois informações de mercado esta semana informaram que o milho FOB Paranaguá estava sendo negociado na faixa de US$ 98/tonelada. A situação é favorável aos produtores (melhor seria se tivesse atingido paridade de importação que elevaria ainda mais os preços internos), mas difícil para aves e suínos, especialmente esta última atividade que vem passando por nova crise com preços em queda. A desvalorização do câmbio pode ser a saída, novamente para a suinocultura, desde que volte a conquistar mercado externo.
A produção paranaense de milho safrinha está estimada em pouco menos de 2,26 milhões de toneladas, 28,6% inferior ao volume colhido em 2001. Segundo estimativa do Deral, foram colhidos 15% dos 1.006 mil hectares plantados este ano e a comercialização continua lenta com apenas 3% da safra de inverno comercializada pelos produtores contra 6% no ano passado.
Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]





