SOJA
Mercado segue instável
Os preços da soja neste mês de junho registraram significativas oscilações nas principais praças de comercialização no Brasil e no exterior, resultando em um mercado instável e sem tendência definida para o curto prazo.
Dois fatores principais, com efeitos opostos, vêm influenciando a formação dos preços no mercado da soja nas últimas semanas. De um lado, a desvalorização do real frente ao dólar favorece o aumento dos preços da soja (em reais) no mercado interno, tendo o recuo das cotações o efeito inverso. De outro, a incerteza quanto ao desenvolvimento inicial das lavouras de soja nos Estados Unidos, hora pressionam para baixo, hora para cima as cotações da soja na Bolsa de Chicago, e consequentemente os preços ao produtor brasileiro. Como estas duas variáveis (taxa de câmbio no Brasil e clima nos Estados Unidos) são de difícil previsibilidade no cenário atual, a incerteza sobre a tendência dos preços ainda deve se manter ao longo das próximas semanas, com os preços ao produtor brasileiro podendo registrar altas ou baixas significativas no curto prazo.
A evolução diária dos preços da soja de meados de maio até esta semana na Bolsa de Chicago, o valor do indicador da soja ESALQ/BM&F e os preços ao produtor paranaense podem ser visualizados nos gráficos, que apresentam respectivamente os valores em reais e em dólares por saca.
Preços em reais
Neste mês de junho o preço médio da soja ao produtor na região norte do Paraná iniciou o mês cotado a R$ 24,50 por saca, atingiu a cotação máxima de R$ 27,00 por saca em 7 de junho, caiu a R$ 26,00 por saca na semana passada e voltou a subir no meado desta semana (25 de junho) para R$ 26,80 por saca.
No mesmo período o valor do indicador de preços da soja ESALQ/BM&F (que representa o preço médio no mercado de lotes no Paraná) foi de R$ 28,13 por saca em 3 de junho; de R$ 29,83 por saca em 7 de junho, de R$ 28,37 por saca em 19 de junho e de R$ 29,94 em 25 de junho.
Preços em dólar
A variabilidade dos preços da soja em dólar também foi significativa neste mês de junho. O preço médio da soja ao produtor paranaense, por exemplo, foi de US$ 9,66 por saca em 3 de junho, de US$ 10,24 por saca em 7 de junho, de US$ 9,61 por saca em 19 de junho e de US$ 9,50 por saca em 25 de junho. No mesmo período o valor do indicador de preços da soja ESALQ/BM&F foi de US$ 11,09 por saca em 3 de junho; de US$ 11,32 por saca em 7 de junho, de US$ 10,48 por saca em 19 de junho e de US$ 10,61 por saca em 25 de junho.
Estados Unidos
Nos Estados Unidos o plantio da soja safra 2002/2003 encaminha-se para o final. Até 24 de junho 97% da área prevista já havia sido semeada, contra 95% em igual período do ano anterior e na média histórica para essa época do ano. Do total da área, 91% das plantas já emergiram do solo este ano, contra 89% no mesmo período do ano anterior.
Comparadas com o ano anterior, as lavouras de soja nos Estados Unidos apresentam-se em ligeiras melhores condições este ano, nesta fase inicial de desenvolvimento da safra naquele país. Em 24 junho, o USDA - Departamento de Agricultura dos Estados Unidos classificou 8% das lavouras como estando em condições ruins ou muito ruins (contra 10% na mesma data do ano anterior); 30% como estando em condições regulares (30% no ano passado) e 62% como estando em condições boas e excelentes (contra 60% na mesma data do ano anterior).
Já para o milho, o desempenho da atual safra é considerado semelhante ao verificado na mesma época do ano anterior. Em 24 de junho deste ano, por exemplo, o USDA classificou 62% das lavouras como estando em boas e excelentes condições, contra 69% na mesma época do ano anterior.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
FRANGO
Cotações permanecem superiores
Apesar do momento atual vivido pelos avicultores paranaenses não ser favorável a atividade, de acordo com a análise dos dados médios do Estado, percebe-se uma certa sustentação das cotações do frango de corte em um nível um pouco acima dos valores pactuados em igual período do ano passado (janeiro a junho). Mesmo com o preço do quilograma cerca de 12% superior ao verificado em 2001, tal valor não tem sido suficiente para gerar um bom nível de remuneração aos avicultores que tem enfrentado nas últimas semanas uma elevação acentuada da cotação do dólar americano que acaba impactando diretamente alguns insumos de produção, além do preço da saca do milho (principal insumo de produção e responsável por cerca de 70% dos custos totais de produção), que parece ter estabilizado nos últimos dias, na média do Paraná em torno de R$ 12,90 a saca.
Com relação aos preço praticados no Paraná, observa-se que entre janeiro e junho houve uma certa inconstância nas cotações, reflexo do mercado interno e externo. No começo do ano (janeiro), o quilograma do frango de corte, na média do Estado, era comercializado a R$ 0,94, quando perdeu sustentação de preço (1,1%) ficando o preço no patamar de R$ 0,93 em fevereiro. Em março, observou-se novamente esta redução nas cotações (1,1%), com o mesmo quilograma sendo negociado R$ 0,92 nas principais praças do Paraná. No mês de abril, os avicultores comemoraram o início de uma possível recuperação e, devido ao incremento nas exportações as cotações apresentaram um crescimento de 5,4% com o preço fechando o mês no patamar de R$ 0,97 por quilograma. Em maio os preços recuaram 3,1% e a cotação média foi de R$ 0,94 em termos reais, ou seja, deflacionada pelo IGP-DI para o mês de junho, conforme pode ser observado na tabela.
Atualmente, a cotação média do quilograma do frango vivo (junho) tem permanecido no patamar de R$ 0,95, mas, comparativamente com a cotação real média do mesmo período do ano passado (R$ 0,84) mostrou-se 13,1% superior. Entre janeiro e junho deste ano, registrou-se que as cotações médias no Paraná permaneceram 11,9% acima preços praticados em igual período de 2001.
O mercado ainda encontra-se um pouco parado devido a falta de equilíbrio entre a produção crescente e a demanda que não tem sido suficiente para enxugar os estoques disponíveis nas indústrias, além disto, verificou-se retração nas exportações que colaboram para piorar ainda mais a disponibilidade interna do produto.
Na semana, a cotação do frango
O quilograma do frango de corte negociado no Paraná apresentou esta semana cotação média de R$ 0,95 nas principais praças produtoras do Estado, com uma alta da ordem de 1,06% em relação ao preço médio praticado na semana anterior. Quando comparada esta cotação com o preço médio de maio (R$ 0,94) observa-se um incremento da ordem de 1,1% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (junho) notamos uma incremento da ordem de 13,1% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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