TRIGO
Argentinos começam o plantio em clima de incerteza

Os agricultores argentinos iniciaram o plantio de trigo nos primeiros dias deste mês de junho em meio às incertezas econômicas do país. Segundo a Secretaria de Agricultura da Argentina, os produtores estão indecisos quanto ao pacote tecnológico que irão utilizar. Esta indecisão deriva de dois fatos: os preços elevados dos insumos e a falta de financiamento para as lavouras.
Em análise apresentada em abril deste ano por um técnico da Secretaria de Agricultura, Ganadería, Pesca y Alimentación da Argentina, a expectativa quanto ao plantio de trigo no país na safra 02/03, que está se iniciando agora em junho no país, é de ligeiro aumento na área cultivada com trigo e um forte aumento na área de soja.
O custo direto da lavoura, ou seja, a soma dos gastos com operações, sementes e agroquímicos para o trigo após a desvalorização do peso (em abril), estava estimado em 120 dólares por tonelada, 23,1% em relação ao custo da lavoura em dólares antes da desvalorização, que era de 156 dólares por hectare. O custo da soja na Argentina, segundo a mesma análise, reduziu 31% passando de 130 para 90 dólares por hectare. Além da redução proporcionalmente maior, a soja conta com financiamento pelas empresas esmagadoras (da mesma forma que vem ocorrendo no Brasil nos últimos anos).
Cresce a produção mundial
Se a expectativa que havia em abril se concretizar a área plantada com trigo na Argentina deve se situar entre as 3 maiores da história. Observe no gráfico que a área plantada na safra 01/02 foi de 7.107,65 mil hectares, a segunda maior da história da Argentina, perdendo apenas para os 7,37 milhões de hectares plantados na safra 96/97.
O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta a produção Argentina em 16,5 milhões de toneladas, 1 milhão a mais do que o volume colhido neste ano de 2002 (safra 01/02). Crescem também as produções de outros grandes exportadores: Austrália, Canadá e União Européia. A produção americana está reduzindo este ano, de 53,28 para 49,61 milhões de toneladas (segundo o relatório de junho, divulgado esta semana). Mas a produção mundial deve crescer de 579,71 para 589,78 milhões de toneladas. As cotações do trigo na Bolsa de Chicago nas duas primeiras semanas de junho estão 9,1% acima dos valores praticados no mesmo período de 2001 para o primeiro vencimento e 7,4% superiores aos de junho do ano passado para o segundo vencimento. Um fator positivo para os produtores paranaenses que estão finalizando o plantio.
Para os produtores brasileiros a maior atenção desta semana foi no câmbio que encarece o trigo importado (e favorece os produtos de exportação). Alguém, ao menos fica contente com a desvalorização do Real que causa danos a diversos setores, especialmente na dívida pública.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
SUÍNO
A Conjuntura continua desfavorável para o produtor
A conjuntura não tem sido muito boa para os suinocultores paranaenses, pois, de acordo com a análise dos dados médios do Estado, percebe-se uma certa instabilidade nas cotações do suíno, o que não tem proporcionado uma boa remuneração aos produtores frente a pressão constante dos aumentos da cotação do milho no Paraná, bem como pelo efeito do aumento do dólar, com o respectivo repasse aos principais insumos utilizados para a produção.
Entre janeiro e junho, observou-se uma deterioração de 27,7% nas cotações, reflexo este do mercado interno e externo. No começo do ano (janeiro), o quilograma do suíno, na média do Estado, era comercializado à R$ 1,41, quando perdeu sustentação de preço (5,7%) ficando no patamar de R$ 1,33 em fevereiro. Em março, observou-se novamente uma redução nas cotações (4,5%), com o mesmo quilograma sendo negociado R$ 1,27 nas principais praças do Paraná. No mês de abril, os suinocultores vivenciaram outro recuo da ordem de 11% com a cotação valendo R$ 1,13 por quilograma na média do mês. Em maio, mais um recuo de 10,6% e em junho, até o presente momento, verificou-se um pequeno incremento de 1% nas cotações, com o quilograma do suíno valendo R$ 1,02 na média do Paraná, conforme pode ser observado na tabela.
A cotação média real do quilograma do suíno entre janeiro e junho deste ano tem permanecido no patamar de R$ 1,19, mas comparativamente com a cotação real média do mesmo período do ano passado (R$ 1,31) mostrou-se 9,2% menor. O mercado encontra-se um pouco parado devido a falta de equilíbrio entre a produção crescente e a demanda, que não tem sido suficiente para enxugar os estoques disponíveis nas indústrias. Além disto, verificou-se retração nas exportações que colaboram para piorar ainda mais a disponibilidade interna do produto. No Paraná, comenta-se sobre uma possível redução da produção de suínos para tentar um fortalecimento das cotações e consequente melhoria nas condições de lucratividade dos produtores. As estratégias seriam a não reposição das matrizes sem condições técnicas de produzir e/ou venda antecipada dos animais com um peso de 90 quilogramas para proporcionar uma redução nos custos.
Na semana, teve-se a notícia de que o governo federal está elaborando um mecanismo de política de intervenção no mercado de suínos, para estabelecer um patamar de preço mínimo que deverá ser pago ao produtor. O governo trabalharia com estoques reguladores para formar uma base de preço e quem o fizer será beneficiado com linhas de crédito voltadas à estocagem de 60 mil a 70 mil toneladas de carne suína.
O preço pago pela saca de milho
O preço da saca do milho continua apresentando tendência de fortalecimento das cotações no mercado paranaense este ano. Entre janeiro e junho, na média do Estado, as cotações sofreram uma majoração de 21,9%, variando de R$ 10,60 para atuais R$ 12,92 a saca.
No período analisado percebeu-se um incremento médio mensal de 3,7% nas cotações do produto. Entre janeiro e fevereiro, em termos reais, a cotação média da saca de 60 quilogramas do milho variou 2,7%; de fevereiro para março mais 2,0%. Entre março e abril o incremento foi maior (4,8%), entre abril e maio, verificou-se uma majoração de 7% no valor da saca e, entre maio e junho, a majoração foi de 3,8%.
Comparativamente, este ano, a saca de milho encontra-se em termos médios 40,8% mais cara que em igual período do ano passado quando era comercializada na média de R$ 8,24. Ao analisarmos a cotação da saca de milho em junho verificamos que a mesma está, atualmente, 55,3% acima da cotação pactuada em junho de 2001 (R$ 8,32).
Este incremento do valor da saca de milho no Paraná, proporcionalmente superior que a elevação da cotação do suíno, tem prejudicado os produtores paranaense devido ao inevitável aumento no custo de produção do suíno e piora na relação de trocas.
A evolução da relação de trocas
No caso das relações de trocas, ou seja, da quantidade de carne de suíno que os produtores devem comercializar para a aquisição de insumo (saca de milho), percebeu-se uma sensível piora desde o começo do ano. Entre janeiro e junho do ano passado, na média do Estado, os suinocultores precisavam vender 6,3 quilogramas de carne suína para a aquisição de uma saca de milho. Atualmente, necessitam de 9,7 quilogramas de carne para a compra da mesma saca de milho, ou seja, a relação de trocas piorou em média 54% para os produtores paranaenses.
Em 2001, devido ao incremento na produção nacional de milho, entre janeiro e junho, o preço do suíno apresentou uma retração de 5%, enquanto que a cotação média da saca de milho teve retração de 7,6%, o que representou uma situação favorável aos produtores de suíno do Paraná.
Este ano, a situação do mercado do milho e do suíno estão diferentes. No caso do milho, pelo fato da retração da produção no Estado (safra e safrinha), pela exportação do produto neste período (que reduziu o estoque interno) e pela comercialização ‘‘amarrada’’, as cotações da saca do produto têm se fortalecido mensalmente no Estado (21,9% entre janeiro e junho). No caso do suíno, observou-se que as cotações caminharam em sentido contrário, ou seja, apresentaram uma tendência de queda entre janeiro e junho (27,7%), piorando sobremaneira a situação dos suinocultores paranaenses.
Na semana, a cotação do suíno
O quilograma do suíno raça negociado no Paraná apresentou esta semana uma elevação da ordem de 7% na cotação média (R$ 1,07) das principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de maio (R$ 1,01) observou-se um incremento da ordem de 5,9% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (junho) notamos uma retração da ordem de 22,7% nas cotações. A saída para o setor buscar um fortalecimento das cotações deve se centrar em uma desaceleração da produção para que os estoques possam ser absorvidos tanto pelo mercado interno quanto externo.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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