AGROMERCADO
MILHO
Paraná perdeu um terço da safrinha
A estimativa de maio do Deral para as perdas na safrinha de milho do Paraná é de 33% em relação à projeção inicial de safra. A produção está estimada entre 2,04 e 2,33 milhões de toneladas, redução entre 22,4 e 32,2% em relação à safra de 2001 que produziu 3 milhões de toneladas de milho no Paraná.
Os números não mudam as expectativas do mercado, apenas se tornam mais próximos das estimativas dos agentes do mercado. Combinando os dados do DERAL aos dados da CONAB (divulgados no final de maio) para os demais Estados, a produção nacional de milho safrinha fica estimada em 6,32 milhões de toneladas, redução de 60 mil toneladas ou 0,9% em relação à 2001 (veja tabela). De fato, os problemas climáticos impediram que a safrinha compensasse parte da redução de 5,55 milhões de toneladas na produção de milho na safra de verão, a qual está estimada em 29,68 milhões de toneladas.
A redução na produção nacional é significativa mas, olhando de perto, verifica-se que corresponde, aproximadamente, ao volume exportado pelo Brasil no ano passado. O dado que falta nesta conta é a variação de estoques mas sabe-se que estes números não têm um acompanhamento estatístico de estoques privados no Brasil. O estoque de milho do governo em 3 de junho (segunda-feira desta semana) era de 928,8 mil toneladas, proveniente de compras realizadas no ano passado através de AGF (701,2 mil toneladas) e de contratos de opção exercidos pelos produtores (227,6 mil toneladas). Do estoque total, 92% estão no Centro-Oeste, especialmente em Goiás (54%) e no Mato Grosso do Sul (32%).
Por sinal, nesta semana foram registrados negócios de milho entre compradores do Rio Grande do Sul e vendedores do Mato Grosso. Observe na tabela que este Estado deve produzir 1,48 milhão de toneladas de milho, volume recorde para o Mato Grosso. Na realidade, se as estimativas atuais se confirmarem, a produção de safrinha deste ano só será inferior ao recorde obtido no ano passado.
Preços
Esta semana, os preços mantiveram o comportamento de alta que já dura meses. Não há registro de importações de milho em abril nem em maio o que significa que os preços internos não subiram o suficiente para viabilizar importações. A alta do dólar estas semanas dificultam a importação e abrem espaço para altas de preços.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
Preço de US$ 10/saca estimula vendas
No meio desta semana, o preço da soja ao produtor paranaense em várias localidades do Norte e Oeste do Estado atingiu a marca psicológicade US$ 10 por saca, que é uma importante referência de valor de venda para muitos produtores de soja no Paraná.
O alcance deste patamar de preço ampliou o interesse de venda por parte dos produtores, aumentando o volume de negócios no mercado de balcão no interior do Estado, uma vez que há cerca de um mês e ao longo de todo os meses de março e abril os preços da soja ao produtor mantiveram-se abaixo dos US$ 9 por saca. O preço de US$ 10/saca também corresponde ao valor de referência utilizado para a fixação de contratos de boa parte da safra 2001/2002 ao longo do segundo semestre do ano passado.
As recentes altas especulativas do dólar também influenciaram nas decisões de venda dos produtores, pois o valor da soja em reais acumula valorização de quase 30% desde a época da colheita, quando os preços saltaram de aproximadamente R$ 20/saca para valores próximos a R$ 26/saca.
O gráfico apresenta a evolução diária dos preços em dólar na Bolsa de Chicago, o valor do indicador de preços ESALQ/BM&F (que representa uma média de preços no mercado de lotes no Estado do Paraná) e os preços médios semanais ao produtor paranaense, para o período de 1º de fevereiro a 5 de junho. Neste período, os preços da soja em dólar ao produtor recuaram ao longo do mês de fevereiro, para em seguida manter-se oscilando entre US$ 8,5 e US$ 9/saca nos meses de março e abril e após registrar altas de preços ao longo de maio e este início de junho. No mercado de lotes e na Bolsa de Chicago a alta acumulada nos últimos 30 dias é significativa, com a soja passando de US$ 9,6 para US$ 11,3 por saca e de US$ 10 para US$ 11,3 por saca, respectivamente.
Motivos da alta
No mercado externo, a perspectiva de maiores importações de soja por parte da China e Índia e a incerteza quanto ao desenvolvimento da safra nos Estados Unidos (em fase final de plantio) justificam as recentes altas de preços. No mercado interno, além das recentes desvalorizações do câmbio, as maiores margens de comercialização para a indústria no processamento e venda do farelo e do óleo de soja, além da presença inconstante da Argentina no mercado (pela crise econômica) explicam em parte a atual valorização de preços ao produtor. Não há, portanto, tendência segura para os preços no curto e médio prazo, que podem oscilar ao sabor de acontecimentos pouco previsíveis.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
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