T R I G O
Área cresce tambÉm no Rio Grande do Sul
No Paraná, o DERAL estima que sejam plantados 998,4 mil hectares com trigo este ano, crescimento de 13,3% em relação aos 881,1 mil hectares do ano passado. Os resultados da safra passada parecem ter animado também os produtores gaúchos que devem plantar, segundo a Emater do Estado, 720,7 mil ha de trigo, crescimento de 19,8% em relação á área plantada em 2001. Será a maior área de trigo no Rio Grande desde 1990 e a maior no Paraná desde 1996.
Em Santa Catarina, o Instituto CEPA estima que a área será a mesma de 2001, ou seja, 51,2 mil hectares. Assim, na região sul do Brasil a área plantada fica estimada em 1,77 milhão de hectares, aumento de 15,4% em relação ao ano passado e a maior na região desde 1992. Os dados nacionais aguardam o levantamento de intenção de plantio da CONAB que deveria ter sido divulgado em abril.
A projeção para a produção na região sul é de cerca de 3,57 milhões de toneladas, resultado das projeções de 2,29 milhões para o Paraná, 1,2 milhão para a produção gaúcha e 80 mil toneladas para Santa Catarina. Com estes números a produção do Sul cresce em 25,6% em relação a 2001 e seria a maior desde 1989, considerando condições favoráveis para o trigo este ano. Análises do Simepar indicam que há uma probabilidade de 70% de ocorrência do fenômeno El Niño este ano, mas com intensidade fraca a moderada. Se isto ocorrer a consequência sobre o clima no Estado seria de chuvas acima da média no final da primavera (novembro) e no início do outono (abril e maio de 2003). A ocorrência efetiva do fenômeno teria maior impacto sobre a produção (e qualidade) do trigo gaúcho, colhido mais tarde do que no Paraná.
Alta de 5,08% em 30 dias
Por enquanto fica mantida a projeção de aumento na produção que, por sua vez, é fruto dos resultados razoáveis da lavoura em 2001 e dos preços atrativos nestes 5 primeiros meses de 2002. Nos últimos 30 dias o preço ao produtor no Estado subiu 5,08%, perdendo em valorização no período apenas para soja e milho.
O preço médio no Estado esta semana foi de R$ 18,60/saca ou cerca de US$ 123/tonelada. Em dólar a situação podia estar melhor, mas os preços agora em 2002 são superiores aos valores médios dos últimos 3 anos.
Além da desvalorização cambial, a Argentina tem contribuído para a alta dos preços no Brasil. Em novembro do ano passado, por exemplo, a tonelada de trigo FOB portos argentinos foi cotada entre 100 e 110 dólares. Nesta semana, o preço passou para cerca de 140 dólares por tonelada (dependendo do porto). A alta na Argentina eleva o preço de paridade de importação e, consequentemente, os preços internos.
Nestas alturas dos acontecimentos, os produtores brasileiros torcem para que a área aumente pouco na Argentina na safra 02/03 que começa a ser plantado neste final de maio e início de junho. A estimativa de maio do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos é de aumento de 15,5 para 16,5 milhões de toneladas na produção argentina. Tal aumento não teria impacto maior sobre os preços no Brasil que continua sendo um franco importador, mas afeta os preços internacionais e, indiretamente, os preços no Brasil.
Como mostra o gráfico, o preço no mercado americano agora em maio (média até esta semana na Bolsa de Chicago para o segundo vencimento) foi muito próximo ao de abril e ambos inferiores aos de janeiro a março. Olhando um pouco mais para trás, ou seja, para a cotação média no mês de maio dos últimos 4 anos, observa-se que o preço do trigo ainda está se recuperando no mercado externo, e mantém os valores relativamente baixos de 2001. Para o produtor brasileiro, a taxa de câmbio é um diferencial que torna os preços do trigo atrativos, em moeda nacional.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
F R A N G O
Situação complicada na avicultura
A conjuntura não tem sido muito boa para os avicultores paranaenses, pois, de acordo com a análise dos dados médios do estado, percebe-se uma certa variabilidade nas cotações do frango de corte que não tem proporcionado uma boa remuneração aos produtores frente a pressão constante dos aumentos da cotação do milho no Paraná bem como pelo efeito do aumento do dólar americano com o respectivo repasse aos principais insumos utilizados para a produção.
Entre janeiro e maio, observou-se certa inconstância nas cotações, reflexo do mercado interno e externo. No começo do ano (janeiro), o quilograma do frango de corte, na média do estado, era comercializado à R$ 0,94, quando perdeu sustentação de preço (1,1%) ficando o preço no patamar de R$ 0,93 em fevereiro. Em março, observou-se novamente esta redução nas cotações (1,1%), com o mesmo quilograma sendo negociado R$ 0,93 nas principais praças do estado. No mês de abril, os avicultores comemoraram o início da recuperação e, devido ao incremento nas exportações pensaram que os preços iriam estabilizar e, quem sabe, ganhar alguma sustentação, mas, isto não aconteceu, e os preços novamente recuaram 2,1% com a cotação valendo R$ 0,94 por quilograma na média do mês de maio.
Atualmente, a cotação média do quilograma do frango vivo tem permanecido no patamar de R$ 0,94, mas, comparativamente com a cotação real média do mesmo período do ano passado (R$ 0,93) mostrou-se 1,08% superior. Entre janeiro e maio deste ano, registrou-se que as cotações médias no Paraná permaneceram 3,3% acima preços praticados em igual período de 2001, conforme pode ser observado na tabela.
O mercado encontra-se um pouco parado devido a falta de equilíbrio entre a produção crescente e a demanda que não tem sido suficiente para enxugar os estoques disponíveis nas indústrias, além disto, verificou-se retração nas exportações que colaboram para piorar ainda mais a disponibilidade interna do produto.
O preço pago pela saca de milho
O preço da saca do milho continua apresentando tendência de fortalecimento das cotações no mercado paranaense este ano. Entre janeiro e maio, na média do estado, as cotações sofreram uma majoração de 18,9%, variando de R$ 10,48 para atuais R$ 12,46 a saca.
No período analisado, percebe-se um incremento médio de 4,5% nas cotações do produto. Entre janeiro e fevereiro, em termos reais, a cotação média da saca de 60 quilogramas do milho variou 2,9%; de fevereiro para março mais 2,0%. Entre março e abril o incremento foi maior (4,6%) e, entre abril e maio, verificou-se uma majoração de 8,3% no valor da saca.
Comparativamente, este ano, a saca de milho encontra-se em termos médios 34,6% mais cara que em igual período do ano passado quando era comercializada na média de R$ 8,13. Ao analisarmos a cotação da saca de milho em maio, verificamos que a mesma está atualmente 56,5% acima da cotação pactuada em maio de 2001 (R$ 7,93).
Este incremento do valor da saca de milho no estado proporcionalmente superior que a elevação da cotação do frango tem prejudicado os produtores paranaense devido ao inevitável aumento no custo de produção do frango e piora na relação de trocas.
A evolução da relação de trocas
No caso das relações de trocas, ou seja, da quantidade de carne de frango que os produtores devem comercializar para a aquisição de insumo (saca de milho), percebeu-se uma sensível piora desde o começo do ano. Entre janeiro e maio do ano passado, na média do estado, os avicultores precisavam vender 8,9 quilogramas de carne de frango para a aquisição de uma saca de milho. Atualmente, necessitam de 11,6 quilogramas de carne para a compra da mesma saca de milho, ou seja, a relação de trocas piorou em média 30,3% para os produtores paranaenses.
Em 2001, devido ao incremento na produção nacional de milho, entre janeiro e maio, o preço do frango apresentou um incremento de 1,1% enquanto que a cotação média da saca de milho teve retração de 10,9%, o que representou uma situação bastante favorável aos produtores de frango do estado.
Este ano, a situação do mercado do milho e do frango estão diferentes. No caso do milho, pelo fato da retração da produção no estado (safra e safrinha), pela exportação do produto neste período (que reduziu o estoque interno) e pela comercialização ôamarrada#, as cotações da saca do produto tem se fortalecido mensalmente no estado (18,9% entre janeiro e maio). No caso do frango, observa-se que as cotação caminharam em sentido contrário, ou seja, apresentaram uma certa estabilidade entre janeiro e maio (R$ 0,94/kg), piorando sobremaneira a situação dos avicultores paranaenses.
Na semana, a cotação do frango
O quilograma do frango de corte negociado no Estado do Paraná apresentou esta semana cotação média de R$ 0,96 nas principais praças produtoras do estado. O preço médio do mês de maio foi de R$ 0,94/kg, a qual, quando comparada com o preço médio de abril (R$ 0,96) revela uma retração da ordem de 2,1% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (maio) notamos uma incremento da ordem de 1,1% nas cotações. A saída para o setor buscar um fortalecimento das cotações deve se centrar em uma desaceleração da produção.
João Batista Padilha Junior - Professor da UFPR
E-mail: [email protected]

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