S O J A
Alta de 15% desde a colheita
Os preços da soja ao produtor acumulam valorização de aproximadamente 15% desde a época da colheita, realizada há cerca de dois meses. No Paraná, o preço médio ao produtor (no mercado de balcão), após oscilar ao redor de R$ 20/saca ao longo dos meses de março e abril, atingiu R$ 23,20/saca nesta semana, a maior cotação do produto desde meados de fevereiro. -
O gráfico apresenta a evolução semanal do preço médio da soja ao produtor paranaense e mostra que os preços caíram de janeiro a março e voltaram a subir a partir do final do mês de abril. O recente aumento de preço vem garantindo boa rentabilidade aos produtores que optaram por armazenar a produção após a colheita da atual safra 2001/2002. As maiores altas nos preços ao produtor ocorreram nos últimos 15 dias, quando subiram R$ 1,60/saca ou cerca de 7% no período, em linha com a maior demanda por parte das indústrias para cumprirem compromissos de exportação e com a baixa disposição dos produtores em vender a produção.
Plantio atrasado nos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, o plantio da soja e milho, safra 2002/2003, seguem em ritmo lento em função do excesso de umidade, que vem dificultando os trabalhos de campo nas principais regiões produtoras daquele país.
Em 20 de maio último, dados do Departamento de Agricultura do Estados Unidos (USDA), indicavam que apenas 30% da área total prevista para a soja naquele país já havia sido semeada nesta safra, o que representa pouco mais da metade da área que havia sido semeada até a mesma época do ano passado. Em 2001, o percentual da área semeada até 20 de maio era de 58% do total previsto. Na média do período 1996 a 2000, o percentual da área semeada até 20 de maio é de 45%. No caso do milho, o percentual já plantado até 20 de maio deste ano era de apenas 70%, contra 90% até o mesmo período do ano anterior e 83%, em média, até o mesmo período de 1996-2000.
O gráfico identifica o período de plantio da soja nos Estados Unidos, que se inicia no final de abril e se encerra no início de julho. Mostra, também, que o período de maior intensidade de plantio (quase dois terços do total) ocorre, tradicionalmente, entre a segunda quinzena de maio e a primeira quinzena de junho, exatamente o momento atual.
Assim, dado que plantios de soja fora da época recomendada nos Estados Unidos podem comprometer significativamente o potencial de produtividade das lavouras, as próximas semanas devem ser de grande expectativa para os agentes de mercado. Há, portanto, boas possibilidades de que ocorram grandes oscilações dos preços no mercado internacional, caso se mantenham as condições de clima que vêm atrasando o plantio da atual safra nos Estados Unidos.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
A G R O N E G Ó C I O S
A importante participação na balança comercial
No período compreendido entre maio de 2001 a abril de 2002, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 23,27 bilhões, ou seja, US$ 1,72 bilhões a mais do que a receita cambial obtida nos doze meses anteriores. Assim, observou-se um incremento da ordem de 8% nos valores comercializados com o exterior.
Por outro lado os gastos com importações no valor de US$ 4,6 bilhões apresentaram uma queda de 19,4% em relação ao período março/00 a fevereiro/01(US$ 5,69 bilhões). Desta forma, pode-se concluir que o saldo da balança comercial no período analisado foi bastante favorável ao Brasil, alcançando o valor de US$ 18,7 bilhões. A participação dos produtos do agronegócio no total da balança comercial brasileira, no período dos doze meses analisados, continua em torno de 41% nas exportações e 9% nas importações totais. Informações com relação ao desempenho das exportações podem ser observadas na tabela abaixo.
Dentre os setores que apresentaram o melhor desempenho no período analisado, destaca-se a soja em grão, principal produto da pauta de exportações, que gerou US$ 2,59 bilhões em receitas cambiais com um volume exportado de 14,97 milhões de toneladas, ou seja, com um volume 19,4% superior ao período anterior e com uma receita 10,7% superior.
O segundo produto de melhor desempenho na análise foi o açúcar, que gerou receita de US$ 2,17 bilhões com volumes embarcados da ordem de 10,98 milhões de toneladas. Comparativamente ao período analisado anteriormente verificou-se incrementos de 50,4% e 52,3% respectivamente no valor e quantidade exportada.
O setor de carnes (bovina, suína e frango), no grupo de produtos ‘‘in natura’’ e industrializados, também apresentou um desempenho bastante favorável. No período, o conjunto destes produtos gerou US$ 2,54 bilhões em receitas cambiais com um volume comercializado de 2,02 milhões de toneladas, representando um crescimento médio de 45,2% nos volumes embarcados e 47,7% nos valores em relação ao período anterior analisado.
Os demais setores selecionados do agronegócio nacional que apresentarem um desempenho bastante significativo no período foram: farelo de soja (com incremento de + 4,18% no valor e + 6,41% no volume); pescados (+ 14,3% no valor e 29,8% no volume embarcado).
No lado das importações de produtos do agronegócio, a maior parcela dos US$ 1,1 bilhões economizados em divisas relativamente aos doze meses anteriores, referem-se basicamente à redução nas importações de algodão (-72,6%, de US$ 238,6 milhões para US$ 65,4 milhões); milho (-75,8%, de US$ 146,1 milhões para US$ 35,4 milhões); e leite (-52,04%, de US$ 245,3 milhões para US$ 117,6 milhões).
Na semana, a cotação do suíno em baixa
O preço médio do suíno raça negociado no Paraná apresentou esta semana a cotação no patamar de R$ 0,98 por quilograma nas principais praças produtoras do Estado, preço este 2% inferior à cotação verificada na semana anterior (R$ 1,00).
Várias informações coletadas junto ao setor produtivo indicam que esta redução constante verificada nas cotações tem sido causada por dois fatores especificamente: a) redução das exportações e b) redução da demanda interna pelo produto.
A cotação média verificada esta semana, quando comparada com o preço médio de abril (R$ 1,12), indica uma retração da ordem de 12,5% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (maio) mostra uma retração da ordem de 20,3% nas cotações.
Assim, observa-se que desde o início do ano até o presente momento, as cotações médias nominais do quilograma da carne suína já recuaram cerca de 26,1% no estado do Paraná. Associado a este fato acrescente-se o incremento de 19,1% nas cotações médias da saca do milho no mesmo período. Conclusão: os suinocultores paranaenses tiveram elevação no seu custo de produção, redução nas receitas, redução nas margens de lucro e acentuada descapitalização no período.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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