A L G O D Ã O
Colheita paranaense no final
A colheita de algodão no Paraná se aproxima do final, com 97% da área colhida até final da semana passada. A área plantada no Estado este ano foi de apenas 36,06 mil hectares, segundo a última estimativa do Deral (divulgada no final de abril). A produção estadual está estimada ao redor de 83,3 mil toneladas de algodão em caroço. A produtividade média, com estes números fica em 154 arrobas por hectare (372,7 arrobas por alqueire). Mantendo-se o rendimento médio estadual em pluma das últimas 3 safras, a produção paranaense de pluma seria de 29,2 mil toneladas.
O Paraná está colhendo a menor safra da história recente (mais de 20 anos). Os preços do algodão no ano passado no Brasil não agradaram aos produtores de todo o País. A área plantada no Brasil reduziu 14,3% em relação ao ano anterior e no Paraná a queda foi de 49,6%. No Mato Grosso a redução na área foi de 25% e de 14,9% em Goiás, os maiores Estados produtores este ano. A colheita no Mato Grosso começa agora em maio, mas só terá volume mais significativo em junho. Já em Goiás a colheita começou em abril e deve se encerrar em julho.
Produção nacional deve reduzir 17%
A produção nacional está estimada em 783,7 mil toneladas de algodão em pluma, 16,9% a menos do que na safra anterior que, por sinal, foi a maior desde a safra 84/85. O aumento da produção nacional na safra passada (00/01) ocorreu em um ano de preços baixos no mercado internacional. A cotação média do algodão na bolsa de Nova York em 2001 foi de 42,94 centavos de dólar por libra-peso (US$ 14,20/arroba) e nestes primeiros meses de 2002 a situação não é diferente. A média (para primeiro vencimento) das cotações naquela bolsa de janeiro até esta semana é de 35,83 centavos de dólar por libra-peso (U$ 11,85/arroba). Em 1995 a cotação média do ano chegou a 31 dólares por arroba o que dá uma medida da desvalorização do produto em termos mundiais nos últimos dois anos. A boa notícia é que movimentos de baixa desta natureza não tendem a perdurar.
O mercado interno vem praticando preços acima dos internacionais, como pode ser visualizado no gráfico, que apresenta valores médios mensais em reais na bolsa americana, do indicador ESALQ/BM&F e no atacado paranaense para o algodão em pluma.
Preços no mercado interno
O valor médio do mês de abril deste ano do indicador foi de 96,49 centavos de reais por libra-peso (ou R$ 31,91/arroba), valor este 6,2% superior ao preço praticado em abril de 2001. Em dólar, o indicador em abril foi 0,42% superior a abril do ano passado. Assim, a redução na produção nacional está gerando os efeitos esperados sobre os preços internos. Seria mais auspicioso se os preços externos estivessem em níveis mais elevados, encarecendo as importações.
Nestes primeiros dias de maio os preços também estão maiores do que no ano passado. O valor da pluma em reais, segundo o indicador, está 11,3% superior ao valor em maio de 2001 e 5,9% superior ao valor em dólar nos mesmos períodos. Ou seja, a situação por enquanto está mais favorável do que no ano passado para quem ficou no algodão na safra 01/02 (que não foram muitos no Paraná).
Comercializando rápido
Segundo estatísticas do Deral, 76% da produção paranaense teria sido comercializada pelos produtores até a primeira semana de maio. Este percentual é superior ao dos últimos 2 anos nesta mesma época, como pode ser verificado na tabela.
No entanto, os produtores podem estar cobertos de razão ao adotar a estratégia de comercializar após a colheita. A tabela mostra que, quem vendeu na safra (março a maio) nos últimos dois anos fez um bom negócio pois o preço médio da safra foi ligeiramente superior ao do resto do ano. Assim, estocar algodão não tem sido uma boa estratégia no Paraná nos anos recentes.
A mesma conclusão pode ser tirada do gráfico que compara a rentabilidade da estocagem da pluma no Estado nos últimos 3 anos safra, com uma taxa de juros de 1% ao mês. Em todos, ter armazenado a pluma para vender ao longo do ano, deu prejuízo, a não ser na safra 98/99 quando deu positivo em dezembro - para quem estocou com um custo de oportunidade na faixa de 1% ao mês.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
M I L H O
Paraná começa a colher milho safrinha
Começou a colheita de milho safrinha no Paraná agora em maio, com cerca de 2% da área colhida até a primeira semana do mês. Segundo pesquisa do Deral, metade das lavouras paranaenses está em condição ruim, 38% em condições médias e apenas 12% em boas condições. Cerca de 63% da área de milho safrinha está entre as fases de floração e maturação. Os 37% restantes estão em fase de desenvolvimento vegetativo.
A safrinha começa em um cenário de preços atrativos. O preço médio ao produtor paranaense voltou a subir esta semana atingindo R$ 12,30/sc, alta de 2,5% (30 centavos por saca) em quinze dias. No últimos 30 dias o preço ao produtor no Estado acumula alta de 7,89%.
Nestes primeiros meses de 2002 o milho vem se valorizando frente à soja. A média da relação soja/milho no ano passado foi de 2,46, ou seja, uma saca de soja valendo 2,46 sacas de milho. Em janeiro deste ano a relação foi de 2,32, caiu para 2,10 em fevereiro, 1,82 em março e 1,76 em abril. Nestas duas primeiras semanas de maio a relação é de 2,1. A valorização relativa do milho frente à soja pode ajudar na recuperação da área de milho no plantio de verão da safra 02/03.
Atraso no plantio eleva preços no mercado americano
O relatório de acompanhamento de safras do USDA, divulgado no início desta semana mostra um atraso relativo no plantio de milho (e soja) nos Estados Unidos. Até o dia 5 de maio foram plantados 42% da área prevista, contra uma média de 51% nos últimos 5 anos.
A informação serviu de combustível para elevar as cotações do grão na Bolsa de Chicago, mas nada que dê para produtores brasileiros com milho em estoque saírem comemorando, por enquanto. A alta foi de US$ 2,36/tonelada em relação aos valores de final de abril mas serviu para fazer as cotações do milho voltarem para a faixa de U$ 78/tonelada, do primeiro decêndio de abril.
Na Argentina o preço FOB portos esta semana foi de US$ 87/tonelada segundo informe da Secretaria de Agricultura, Ganadería y Pesca (SAGPyA), o mesmo preço de três semanas atrás. Segundo a mesma fonte, até a primeira semana de maio 44% dos três milhões de hectares plantados haviam sido colhidos na Argentina, contra 56% no ano passado (área de 3,5 milhões de hectares). Os compromissos externos de milho argentino não mostraram alteração nos últimos 20 dias. Cerca de 25 mil toneladas já estão vendidas ao Brasil (contra 75 mil no mesmo período do ano passado). Os dados argentinos não mostram, por enquanto, uma corrida de brasileiros às compras de milho argentino. Sinal de que os preços internos ainda estão se aproximando da paridade de importação.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]

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