M I L H O
Perda parcial é de 29% no Paraná
O levantamento preliminar de perdas na safrinha de milho do Paraná divulgada esta semana pelo DERAL aponta perdas de 29% em relação à projeção anterior de safra. A produção está estimada entre 2,07 e 2,31 milhões de toneladas, redução entre 23 e 31% em relação à safra de 2001 que produziu 3 milhões de toneladas de milho no Paraná.
O próprio DERAL alerta que as perdas foram computadas até 26 de abril e que diversas regiões importantes na produção do Estado ainda não haviam registrado chuvas. O percentual de perdas que mais circulou entre agentes do mercado foi de 40%. Mas sabe-se que estes números são sempre utilizados como argumento na comercialização. Por isso, levantamentos oficiais com metodologia definida para levar em conta as perdas efetivas são aguardados.
O fato é que o mercado já assimilou parte das perdas do milho. A prova é o comportamento dos preços no Paraná e em outras regiões. O gráfico mostra a evolução dos preços médios semanais ao produtor nos últimos 12 meses (primeira semana de maio de 2001 até esta primeira semana de maio de 2002) e também no mesmo período do ano anterior (ou seja, da primeira semana de maio de 2000 até a primeira semana de maio de 2001). Observe que não ocorreu até agora a tradicional redução de preços no período de colheita. De janeiro até esta semana o milho acumula alta de 18%.
Paridade
A alta de preços ocorreu em todas as regiões importantes na produção e/ou no consumo de milho no Brasil. Em Campinas (SP), por exemplo, o preço no mercado de lotes (nível de atacado ou negócios entre empresas) atingiu R$13,58/sc em meados desta semana e em Chapecó (SC) superou R$ 14,50/sc.
A principal consequência da alta dos preços é aproximar os valores praticados no mercado interno aos preços de paridade de importação. A tendência de alta, nas situações de escassez, só termina ao alcançar a paridade com o produto importado, desde que a disponibilidade interna seja de tal magnitude que leve à importação.
De janeiro a março deste ano o Brasil importou 107,7 mil toneladas de milho, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (SECEX), volume 69% menor do que no mesmo período de 2001. Estas importações costumam ter por destino a região Nordeste mas este ano o Sul (Santa Catarina especialmente) pode ter maior participação nas compras externas.
Por enquanto é aproveitar o bom momento para os preços do milho que, talvez, possam recuperar, para a safra 02/03, parte da área perdida para a soja nesta safra 01/02.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
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B O I G O R D O
Queda de 5% na quinzena
Os preços do boi gordo acumularam queda de aproximadamente 5% na segunda quinzena de abril e pouco superior a 10% nos últimos 60 dias nas principais praças de comercialização do País. O comportamento dos preços é fruto, principalmente, da estiagem prolongada na região Centro-Sul (exceto no Rio Grande do Sul) neste final de período de safra. A seca vem forçando os pecuaristas a se desfazerem dos animais prontos para abate sob o risco de perdas de peso em função da deterioração dos pastos.
O indicador de preços do boi gordo ESALQ/BM&F que representa uma média das cotações no Estado de São Paulo registra queda de 11,7% no acumulado dos últimos 60 dias e de 5,9% na última quinzena de abril, conforme pode ser visualizado no gráfico. Ele mostra que os preços passaram de R$ 43,10 para R$ 40,65 na última quinzena. O mesmo não acontece no mercado de reposição que vem registrando menores reduções de preços a despeito do recuo significativo das cotações dos animais prontos para abate. O resultado é uma maior dificuldade econômica de reposição do gado enviado ao frigorífico, exatamente no momento de maior comércio no ano, de animais de reposição em função da concentração do período de desmama nas fazendas de cria.
Considerando por exemplo os indicadores de preços do boi e do bezerro, tem-se que em 15 de abril eram necessárias 8,4 arrobas para adquirir um bezerro, valor que saltou para 8,6 em 30 de abril, piora de aproximadamente 2% na relação de troca boi/bezerro. Já nos próximos meses, entretanto, espera-se uma reversão desta tendência pois o maior número de animais abatidos agora poderá fazer falta num futuro próximo, valorizando as cotações do boi gordo.
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José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
S U Í N O
Queda de 20% nas cotações desde janeiro
As cotações do quilograma da carne suína tipo raça fecharam abril no patamar mais baixo verificado desde o começo do ano (janeiro), quando o preço médio pago ao produtor no Estado do Paraná girava em torno de R$ 1,39 por quilograma.
Comparativamente com o mesmo período do ano passado (janeiro-abril), verifica-se uma retração da cotação média da ordem de 0,78%, com o quilograma da carne variando de R$ 1,28 para os atuais R$ 1,27. No comparativo entre 2001 e o atual período, nota-se que os meses de janeiro, fevereiro e março de 2002 apresentaram cotações superiores às de 2001, e que à partir de abril é que as coisas começaram a piorar para os produtores paranaenses, conforme pode ser observado na tabela.
Vários foram os fatores responsáveis por tais recuos nos preços, mas basicamente citamos a retração da demanda, a redução nas exportações e um crescimento da produção de aproximadamente 10%, que superofertou o mercado interno, pressionando constantemente as cotações para o atual patamar de preço verificado.
Para ilustrar o fato, é bom lembrar que em janeiro (em termos reais, ou seja, deflacionando a série de preços) o quilograma da carne valia R$ 1,39 no Paraná quando apresentou uma retração de 6,5% com a cotação fechando fevereiro valendo R$ 1,30. Entre fevereiro e março observou-se um novo recuo nos preços, da ordem de 3,8%, com a cotação variando de R$ 1,30 para R$ 1,25 e, finalmente, entre março e abril registrou-se a pior queda nas cotações, 10,4% em média, com o preço do quilograma recuando de R$ 1,25 para os atuais R$ 1,12.
Observou-se também que muitas das indústrias processadoras de carne suína (integração vertical) instaladas na Região Sul optaram pela redução dos preços pagos aos produtores integrados nos últimos dias em face da atual situação de mercado. Desta forma, as cotações sofreram uma redução média de 2,6% variando de R$ 1,15 para os atuais R$ 1,12 por quilograma na média do Estado em abril. Para muitos, a grande retração no consumo interno de carne suína foi considerada como o fator responsável pela redução de preço, mas, como a indústria atua como poder formador de preço na integração vertical fica a dúvida.
O preço pago pela saca de milho
O preço da saca do milho continua apresentando tendência de fortalecimento das cotações no mercado paranaense este ano. Entre janeiro e abril, na média do Estado, as cotações sofreram uma majoração de 11,8%, variando de R$ 10,41 para atuais R$ 11,60 a saca.
Em 2001, no mesmo período em questão, a cotação da saca de milho caminhava em sentido contrário, ou seja, saiu em janeiro valendo em termos reais R$ 8,84 na média do Paraná e chegou em abril com a cotação no patamar de R$ 7,80 por saca, ou seja, apresentou uma retração de 11,8%.
Comparativamente, este ano, a saca de milho encontra-se 34% mais cara que em igual período do ano passado, quando era comercializada na média de R$ 8,13. Este incremento do valor da saca de milho no Estado, proporcionalmente superior à elevação da cotação do suíno, tem prejudicado os produtores paranaenses devido ao inevitável aumento no custo de produção e piora na relação de trocas. Ao que tudo indica, com a continuidade da redução no volume previsto de milho na safrinha, as cotações continuarão apresentando esta tendência de elevação nos próximos meses.
A evolução da relação de trocas
No caso das relações de trocas, ou seja, da quantidade de carne suína que os produtores devem comercializar para a aquisição de insumo (saca de milho), percebeu-se uma sensível piora desde o começo do ano. Entre janeiro e abril do ano passado, na média do Estado, os suinocultores precisavam vender 6,4 quilogramas de carne suína para a aquisição de uma saca de milho. Atualmente, necessitam de 8,7 quilogramas de carne para a compra da mesma saca de milho, ou seja, a relação de trocas piorou em média 35,9% para os produtores paranaenses.
Em 2001 (entre janeiro e abril), o preço do quilograma suíno apresentou uma retração de 0,74%, enquanto a cotação média da saca de milho teve retração de 12%, devido ao incremento na produção nacional de milho, o que representou uma situação bastante favorável aos produtores de suínos do Estado. Este ano, a situação do mercado do milho e do suíno estão bastante diferentes. No caso do milho, pelo fato da retração da produção no Estado (safra e safrinha), pela exportação do produto neste quadrimestre (que reduziu o estoque interno) e pela comercialização ‘‘amarrada’’, as cotações da saca do produto têm se fortalecido mensalmente no Estado. No caso do suíno, observa-se que as cotações caminharam em sentido contrário, ou seja, apresentaram uma grande retração entre janeiro e abril (19,4%), piorando sobremaneira a situação dos suinocultores paranaenses.
Na semana, a cotação do suíno
O preço médio do suíno raça negociado no Estado apresentou esta semana a cotação no patamar de R$ 1,10 por quilograma nas principais praças produtoras do Estado, preço este semelhante ao verificado na semana anterior. Mas informações do setor produtivo indicam a possibilidade do preço baixar para algo em torno de R$ 1,09 por quilograma caso a demanda interna continue baixa. Quando comparada esta cotação com o preço médio de março (R$ 1,25), observa-se uma retração da ordem de 12% na mesma e, quando relacionada com o preço médio real praticado no mesmo período do ano passado (abril), nota-se uma retração da ordem de 17% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
e-mail: [email protected]

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