AGROMERCADO
M I L H O
Área nos Estados Unidos volta aos 32 milhões de ha
Na safra mundial 01/02 os produtores americanos haviam reduzido a área plantada com milho em 1,5 milhão e hectares, cultivando 30,7 milhões de ha, a menor área desde a safra 95/96. Agora em 2002 os produtores voltaram a ampliar a área a ser cultivada com milho (para a safra mundial 02/03) em 1,3 milhão de hectares, ou seja, recuperando grande parte da área que deixou de ser cultivada na safra passada. A área de milho nos Estados Unidos volta para a faixa de 32 milhões de hectares, o número mais frequente da década de 90.
Nos últimos dez anos, a área plantada com milho nos Estados Unidos variou pouco, cerca de 4% em torno da média (coeficiente de variação). Este ano não é exceção, o aumento estimado na área é de 4,3% em relação à safra passada. No entanto, os preços de mercado do milho nos Estados Unidos não mostram o mesmo comportamento estável, como pode ser facilmente observado pelo gráfico que contém as cotações do milho na Bolsa de Chicago, em abril (para o primeiro vencimento) dos últimos 10 anos. Mesmo com preços mais baixos no ano passado (no mercado futuro e no mercado físico americano), a área em 2002 vai crescer. Este é o resultado de uma política de subsídio de preço, como a que os Estados Unidos praticam para seus principais produtos, incluindo o milho.
Como os americanos produzem, em média, 40% da produção mundial de milho e 64% de todo o milho comercializado entre os países do mundo, esta política significa deprimir os preços do grão para todo mundo. Ganham os países importadores. Perdem os países exportadores (ou candidatos a exportadores, que seria o caso brasileiro).
Período de plantio
Neste mês de abril se define, em grande parte, a área que será efetivamente plantada nos Estados Unidos. O plantio de milho ocorre entre abril e maio e o de soja, de maio a junho. A bolsa de Chicago ficará oscilando de acordo com as condições e previsões climáticas sobre as principais regiões produtoras de milho e soja. O aumento na área do milho foi feito às custas da área de soja nos principais estados produtores (Iowa, Illinois, Ohio, Indiana) e do trigo (Dakota do Norte).
As oscilações de preços serão observadas tanto no mercado de milho quanto de soja, os concorrentes em área. Qualquer prejuízo ao plantio nos Estados Unidos em abril deve levar a um aumento nas cotações do milho e redução nas cotações da soja, que deve receber a área de milho que deixaria de ser plantada em condições adversas.
Bolsa
O aumento da área de milho nos Estados Unidos levou à nova (e suave) redução nas cotações do milho na bolsa de Chicago, como pode ser analisado no gráfico. Por enquanto, o mercado americano está com cotações muito semelhantes à do ano passado (também em abril), apenas 1,7% mais baixo.
Os preços no mercado americano influenciam os preços de exportação e importação entre os países. Para o Brasil, especialmente neste cenário de potencial prejuízo à safrinha, deve haver importação este ano. A manutenção dos preços internacionais em níveis relativamente baixos favorece os setores consumidores de milho no Brasil, mas limitam o patamar de preços do grão no Brasil.
Situação
A seca em importantes regiões produtoras de milho safrinha no Paraná tem gerado especulações no mercado sobre perdas. Diversos agentes do mercado tem suas estimativas, mas até meados da semana, não havia estimativas de perdas. O último levantamento de safra divulgado pelo DERAL se refere ao segundo decêndio de março e não registra alterações na produtividade de milho safrinha.
A produção paranaense foi estimada entre 3,01 e 3,5 milhões de toneladas, aumento médio de 8,5% em relação à safra anterior. A área plantada está estimada em 982 mil hectares, 2,9% superior à do ano passado. A produção não deve alcançar estes números pois alguns prejuízos ocorreram. A pergunta é: quanto.
Vania Di Addario Guimarães - Profª. da UFPR
E-mail: [email protected]
A G R O N E G Ó C I O
O excelente desempenho do setor de carnes
O comportamento da balança comercial do agronegócio brasileiro no mês de março passado pode ser considerado no mínimo excelente. As exportações do mês apresentam um incremento da ordem de 5,6% em relação ao volume verificado no mês anterior (fevereiro-2002), totalizando US$ 1,53 bilhões em receitas cambiais e proporcionando um saldo positivo de US$ 1,12 bilhões no mês. Já as importações aumentaram 4,9%, representando o envio de US$ 390 milhões ao exterior. O superávit comercial (exportações menos importações) acumulado pelo agronegócio brasileiro nos últimos 12 meses permanece no patamar de US$ 18,7 bilhões.
As exportações do agronegócio brasileiro participaram, em março, com 35,9% do valor total das vendas externas brasileiras no mês (US$ 4,26 bilhões). No caso das importações a participação do agronegócio ficou em apenas 11,2% dos US$ 3,66 bilhões gastos pelo Brasil.
Setor de Carnes exportou 11,8% a mais
Os negócios pecuários sempre tiveram uma grande importância e crescente participação na pauta de exportações brasileiras. Em março, o setor de carnes continuou apresentando os bons resultados verificados nos meses anteriores, tanto que o incremento na receita cambial brasileira aumentou 11,8% em relação ao mesmo período do ano passado (março de 2001), atingindo o valor de US$ 260,5 milhões com embarque de 208 mil toneladas de produto, ou seja, 33 mil toneladas a mais do que o comercializado em igual período do ano passado.
As Informações com relação ao desempenho das exportações brasileiras podem ser observadas na tabela.
No agregado dos últimos 12 meses, a pauta de exportações brasileiras continua apresentando a soja em grão como o primeiro colocado, seguido pelo óleo de soja bruto e posteriormente por três produtos agropecuários (carne bovina in natura, carne de frango in natura e carne suína), comprovando mais uma vez a importância do setor pecuário na composição das exportações brasileiras.
Com relação à análise realizada entre o período de março de 2001 a março de 2002, percebe-se um incremento da ordem de 38,2% no valor e 60% no volume embarcado de carne bovina, demonstrando com isto a potencialidade do setor produtivo nacional, que possui o maior rebanho comercial do mundo, mas que precisa melhorar a eficiência ao longo da cadeia produtiva através da rastreabilidade, de uma melhor sanidade, de uma maior homogeneidade de rebanho e manejo, além da melhoria acentuada nos índices zootécnicos, como a taxa de desfrute.
A carne suína vem ocupando a segunda colocação neste ranking, com incrementos de 31,3% e 51,5% respectivamente nos valores da receita cambial e nos volumes embarcados com o exterior. Em terceiro lugar, encontramos o setor de frango industrializado, que também apresentou um desempenho bastante favorável com incrementos de 7,4% e 20,4% nos valores e volumes comercializados com o exterior no período analisado. Finalmente, um setor que chama a atenção pela sua crescente expansão, apesar de estar ocupando a 5ª colocação no ranking, é o agronegócio de pescados, que apresentou uma expansão de 35,6% nos volumes comercializados, com crescimento de 5,5 mil toneladas em março de 2001 para atuais 7,5 mil toneladas embarcadas.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]





