AGROMERCADO
M I L H O
Cumprindo contratos de exportação
Nos dois primeiros meses deste ano o Brasil exportou 848,6 mil toneladas de milho segundo dado da Secretaria de Comércio Exterior. No mesmo período do ano passado as exportações brasileiras do grão foram de 216,55 mil toneladas, segundo a mesma fonte. Em março serão registradas novas exportações a julgar pelos embarques de milho que vem sendo efetuados pelos portos brasileiros, especialmente por Paranaguá. As exportações de milho em janeiro/fevereiro foram 2,6 vezes maiores do que as de soja em grão no mesmo período.
No ano passado, o principal cliente do milho brasileiro foi a Coréia do Sul, absorvendo 36,2% das vendas brasileiras. O segundo maior comprador foi a Espanha (16,2%) seguida do Irã (11,2%) e do Japão (8,3%). Segundo registros, o Brasil teria vendido para mais 32 países. O Brasil se tornou o quarto maior exportador de milho na safra 00/01, atrás dos Estados Unidos, França, Argentina e China.
O mercado de cada um
O Japão é o maior importador de milho do mundo devendo importar 15,8 milhões de toneladas na média das safras 00/01 e 01/02. Em 2001, O Japão adquiriu 88,4% deste volume dos Estados Unidos (13,97 milhões de toneladas), 3,3% da Argentina (511,3 mil toneladas) e 3,2% do Brasil (505,9 mil toneladas). O Japão é o maior cliente do milho americano responsável por 29,3% das vendas do grão pelos Estados Unidos.
A Coréia do Sul é o segundo maior importador de milho do mundo, devendo adquirir perto de 8 milhões de toneladas no mercado internacional. Os americanos são seus principais fornecedores, tendo exportado 3,05 milhões de toneladas de milho para a Coréia em 2001. O segundo maior fornecedor em 2001 foi o Brasil que vendeu 2,2 milhões de toneladas aos sul-coreanos. A Coréia foi o maior cliente do Brasil no ano passado. Da Argentina, a Coréia comprou menos de 1 milhão de toneladas. O maior cliente das vendas argentinas foi o Chile com 1,23 milhão de toneladas (11,5% das vendas totais do país). O segundo maior cliente foi a Coréia do Sul.
O México é o terceiro maior importador mundial (5,7 milhões de toneladas), mas é um mercado cativo para os americanos. O Egito é o quarto maior importador com 5,2 milhões de t, tendo adquirido 81% deste volume junto aos americanos. Outros 22% foram adquiridos dos argentinos e 2% do Brasil.
Taiwan é o quinto maior importador (4,8 milhões de t), mas compra praticamente tudo dos americanos. O próximo país no ranking é a Espanha (3,4 milhões de t), que comprou perto de 987 mil toneladas de milho brasileiro em 2001 e 482,8 mil toneladas de milho argentino. Dos Estados Unidos os espanhóis não compraram praticamente nada (apenas 3,3 mil toneladas).
O Canadá (2,7 milhões de t) é o sétimo maior importador e, a exemplo do México, é mercado cativo dos americanos. O oitavo maior importador é a Malásia cujo principal fornecedor provavelmente é a China. Os países baixos (inlcuindo Holanda) estão em nono lugar e o 10º é a Colômbia que, por motivos não óbvios, importa apenas dos Estados Unidos.
O Brasil abriu espaço importante no mercado internacional, especialmente para alguns países. Mas há dúvidas de que mantenha sua posição exportadora em 2002 diante da redução na produção.
Preços na semana
O preço médio ao produtor no Paraná esta semana (mais curta) foi de R$ 11,25/sc, alta de 0,9% em relação à semana anterior. A média do mês de março fecha em R$ 11,08/sc, 3,67% superior à de fevereiro.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
Produtores reduzem vendas
Os preços atuais da soja no mercado interno não têm estimulado os produtores rurais a realizarem a venda de sua produção. A maioria dos produtores tem preferido aguardar os acontecimentos do mercado, estocando a safra para sua venda no futuro. Até agora, a maior parte do volume comercializado refere-se ao cumprimento de contratos realizados no ano passado, e que tem resultado em preços bem superiores em comparação aos praticados atualmente no mercado físico (disponível).
No momento, o volume acumulado de vendas de soja da safra 2001/2002 pelos produtores é bem inferior ao volume comercializado até o mesmo período do ano passado. Essa recente atitude dos produtores tem servido pelo menos para evitar maiores quedas de preços da soja durante o atual período de safra e pode, se mantida, contribuir para alguma valorização do produto no mercado de balcão nas próximas semanas.
O escoamento (transporte) da safra para os portos também é mais lento este ano, com menor pressão sobre o valor dos fretes e menores filas de caminhões nos portos de Paranaguá-PR e Santos-SP. Até agora, o volume exportado (embarcado) de soja e derivados pelo Brasil é cerca de um terço menor do que aquele vendido ao exterior no mesmo período do ano anterior. O retardamento (adiamento) das exportações é maior no caso da soja em grão e um pouco menor para o farelo e o óleo de soja.
Paridade de exportação
Neste início de comercialização da safra 2001/2002 os preços relativos da soja em grão, farelo e óleo de soja, nos mercados interno e externo, têm favorecido as exportações de derivados. Em 26/março, por exemplo, a rentabilidade das exportações de soja em grão era de R$ 8,49/tonelada e da exportação de derivados (farelo e óleo) de R$ 20,40/tonelada. O cálculo é apresentado na tabela e considera valores praticados na região de Cascavel-PR.
A partir dos preços do complexo soja praticados em Chicago, calcula-se o valor equivalente dos produtos no Porto de Paranaguá, levando-se em consideração o valor do prêmio praticado nesta cidade. Os valores dos prêmios, atualmente negativos para todos os produtos do complexo (que é comum em época de safra), promove o ajuste das cotações de Chicago (que reflete mais diretamente a oferta e demanda pela soja nos Estados Unidos) para as condições de mercado (oferta e demanda) no Porto de Paranaguá-PR. Com base nestes valores (preço em Chicago mais o prêmio), por exemplo, um importador europeu ou asiático pode decidir se é mais vantajoso para ele comprar soja dos Estados Unidos, do Brasil ou de outro país fornecedor.
O cálculo da paridade de preços (entre os mercados interno e externo) é também importante para a indústria nacional balizar suas ofertas de compra da soja em grão para o produtor nacional. Com base nos preços em Chicago e no valor do prêmio, após se considerar as devidas conversões de unidades físicas, monetárias (pela taxa de câmbio), e os custos de comercialização (frete e despesas de exportação), formam-se os preços em diversas localidades e níveis de mercado. Em 26/março, por exemplo, o preço da soja em grão em Paranaguá era pouco superior a R$ 23/saca e em Cascavel era pouco superior a R$ 21/saca no mercado de lotes e de aproximadamente R$ 20/saca no mercado de balcão.
José Roberto Canziani - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]





