S O J A
Produtividade menor na safra 01/02
Na atual safra 01/02, o clima não foi tão generoso com os sojicultores, como o foi no ano safra anterior. No Paraná, a produtividade média da soja neste ano deve cair em todas as regiões produtoras. Não que o rendimento da safra 01/02 seja ruim. Ao contrário, ele deve ser superior à média histórica nas principais regiões produtoras, mas deve ser bem inferior ao rendimento recorde obtido na safra 00/01.
Em nível oficial, ainda não há estatísticas recentes para a produtividade média da soja nas regiões do Estado, mas há informações de que houve queda no rendimento médio das lavouras já colhidas e perspectiva de queda nas lavouras ainda por colher, relativamente ao desempenho da cultura observado no ano anterior. O último levantamento da SEAB/PR, do final do ano passado, já apontava tendência de queda de 5,6% no rendimento médio da soja em nível estadual, que passaria de 124 para 117 sacas por alqueire.
O mesmo levantamento, que pode ser visualizado no gráfico, aponta queda de rendimento em todas as regiões do Estado. No Norte o rendimento cai de 117 para 113 sacas por alqueire. No Centro-Oeste, de 127 para 113 sacas por alqueire. No Noroeste, de 127 para 116; no Sul de 122 para 119 e, no Oeste, o rendimento médio da soja cai de 133 sacas por alqueire na safra 00/01 para 122 sacas por alqueire na safra 01/02.
Principais estados produtores
Segundo dados da Conab divulgados no início deste mês (com base em pesquisa de campo realizada em fevereiro), a produtividade média da soja em nível nacional deve cair 2,7% nesta safra em relação à safra anterior, passando de 110 para 107 sacas por alqueire, conforme pode ser visualizado no gráfico ao lado.
Dentre os cinco principais estados produtores, a maior queda de produtividade deve ocorrer no Rio Grande do Sul, mais uma vez castigado por estiagem prolongada durante o desenvolvimento das lavouras. Para o Rio Grande do Sul, a CONAB projeta um rendimento médio de apenas 73 sacas de soja por alqueire, 22,3% inferior ao rendimento obtido na safra anterior. Segundo a entidade, a produtividade deve cair também no Paraná e no Mato Grosso do Sul, de 121 para 119 e de 117 para 113 sacas por alqueire, respectivamente. Já nos estados de Goiás e Mato Grosso, o rendimento médio da soja deve ser um pouco maior este ano em relação ao ano anterior, com aumentos de 3,7% e 0,8%, respectivamente.
Preços regionais
Nesta semana, o preço médio da soja ao produtor paranaense se manteve relativamente estável em relação à semana anterior, na casa dos R$ 20 por saca. Este preço não tem estimulado a venda por parte dos produtores. Por enquanto, a maior parte da produção comercializada no Estado se refere à soja contratada no ano passado, e que vem recebendo preços bem superiores em relação aos praticados no mercado disponível. Há muitos contratos sendo liquidados (com preços em reais e taxa de câmbio, fixados em meados do ano passado) a valores superiores a R$ 25/saca ao produtor no norte e centro-oeste do Estado.
No meio desta semana, os preços máximos da soja ao produtor paranaense no mercado disponível eram os seguintes nas principais regiões produtoras do Estado: Cascavel (R$ 19,5/saca); Campo Mourão e Maringá (R$ 20/saca); Guarapuava (R$ 21/saca); e Ponta Grossa (R$ 21,5/saca).
José Roberto Canziani - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]
AGRONEGÓCIO
Saldo positivo no comércio exterior
O agronegócio vem a ser o maior negócio da economia nacional e mundial. Uma característica importante a destacar é a de que a maior parcela do valor gerado ao longo da cadeia do agronegócio não ocorre dentro das propriedades rurais, mas sim, depois delas, com a agregação de valor, a transformação e a diferenciação que os produtos vão sofrendo nas fases de distribuição e processamento agroindustrial.
De acordo com o Banco Mundial, o PIB do mundo é de aproximadamente US$ 30 trilhões e o agronegócio mundial representa cerca de 25% deste total, ou seja, US$ 7,5 trilhões. No caso do Brasil, a situação também não é diferente. Atualmente, o agronegócio brasileiro é o maior negócio da economia nacional representando aproximadamente 27% do PIB total do País (US$ 137,4 bilhões), segundo a CNA (Confederação Nacional da Agricultura) e o valor do PIB no 4º trimestre de 2001.
Exportações do Agronegócio nos últimos 12 meses
No período compreendido entre março de 2001 a fevereiro de 2002, as exportações do agronegócio brasileiro totalizaram US$ 23,73 bilhões, ou seja, US$ 2,6 bilhões a mais do que a receita cambial obtida nos doze meses anteriores. Por outro lado, os gastos com importações, no valor de US$ 4,79 bilhões, apresentaram queda de 17,8% em relação ao período março/00 a fevereiro/01. Desta forma, pode-se concluir que o saldo da balança comercial no período analisado foi bastante favorável ao Brasil, alcançando o valor de US$ 18,9 bilhões. Informações relativas ao desempenho das exportações podem ser observadas na tabela.
Dentre os setores que apresentaram o melhor desempenho no período analisado, destaca-se a soja em grão, principal produto da pauta de exportações, que gerou US$ 2,67 bilhões em receitas cambiais com um volume exportado de 15,1 milhões de toneladas, ou seja, com um volume 31,1% superior ao período anterior e com uma receita 19,5% superior. O segundo produto de melhor desempenho na análise procedida foi o açúcar, que gerou receita de US$ 2,25 bilhões com volumes embarcados da ordem de 11,2 milhões de toneladas. Comparativamente ao período analisado anteriormente verificaram-se incrementos de 72,3% e 69,9%, respectivamente, no valor e quantidade exportados.
O setor de carnes (bovina, suína e frango) também apresentou um desempenho bastante favorável. No período, o conjunto destes produtos gerou US$ 2,47 bilhões em receitas cambiais com um volume comercializado de 1,95 milhões de toneladas, representando um crescimento médio de 82,5% nos volumes embarcados e 72,2% nos valores em relação ao período anterior analisado.
Alguns setores do agronegócio nacional, apesar de apresentarem um aumento bastante significativo no volume embarcado, apresentaram perda de receita no período devido à queda mais do que proporcional dos preços internacionais. Entre eles encontram-se a celulose (-31,60%), com um acréscimo do volume embarcado em 9,74%, café em grãos (-18,02% em valor e +34,46% no volume) e café solúvel (-13,85% em valor e +15,63% em volume).
No lado das importações de produtos do agronegócio, a maior parcela dos US$ 1,04 bilhões economizados em divisas relativamente aos doze meses anteriores referem-se basicamente à redução nas importações de leite (-56,56%, de US$ 258,6 milhões para US$ 112,3 milhões); algodão (-72,24%, de US$ 288,8 milhões para US$ 80,2 milhões); borracha (-15,47 %, de US$ 94,8 milhões para 80,2 milhões) e milho (-74,21%, de US$ 169,7 milhões para US$ 43,8 milhões).
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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