M I L H O
Preços bem melhores do que em 2001
Por enquanto vai dando da lógica. Os preços do milho estão se comportando de acordo com as previsões, ou seja, se mantém acima dos valores praticados no ano passado. Os dados da tabela comparam valores em dólares e em reais para este ano (no caso do mês de março deste ano, é a média até esta semana), ano passado e na média dos últimos 5 anos (1997 a 2001).
Os dados mostram que os preços em reais neste ano superam tanto a média quanto os valores do ano passado e que a maior diferença está ocorrendo neste mês de março (38,7% acima da média e 52,8% acima dos valores de 2001). Para o preço em dólar, os valores deste ano perdem para a média, mas superam os do ano passado, especialmente em março.
Os preços mais altos estão dentro do esperado pelo seguinte conjunto de razões:
a) a produção reduziu (mesmo com aumento da safrinha);
b) o Brasil embarcou milho em janeiro e fevereiro e continua embarcando agora em março eliminando estoques da safra anterior, além de um eventual efeito ‘‘não transgênico’’ do milho nacional;
c) frango e suíno continuam apostando no mercado externo;
d) não se nota pressão de venda por parte dos produtores que, subentende-se, estão pouco endividados e sem pressa de vender;
e) a colheita este ano está mais atrasada do que no ano anterior com menos produto disponível para negociação do que em 2001. Enfim, reduzir a produção de milho é bom negócio enquanto o Brasil não for competitivo no mercado internacional de milho da mesma forma que é na soja.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPR
e-mail: [email protected]
B O I G O R D O
Preço estável há 5 meses
Os preços do boi gordo seguem relativamente estáveis há cerca de 5 meses. No Paraná, o preço médio ao produtor vem oscilando entre R$ 44 e R$ 45 desde outubro do ano passado.
Mesmo com a entrada da safra, quando cresce o volume de animais ofertado aos frigoríficos a partir de dezembro, não houve recuo dos preços, indicando uma situação de mercado equilibrado entre produção e consumo total.
Do lado do consumo total (vendas no mercado interno mais exportações), o bom desempenho das vendas de carne bovina ao exterior tem sido fundamental para dar sustentação aos preços, tendo em vista um nível de consumo relativamente estável no mercado interno.
Ativo financeiro
Para o pecuarista a estabilidade de preços nesta época do ano (outubro a março) é um bom negócio, pois o gado normalmente registra bom ganho de peso durante o verão, aumentando o valor do rebanho nas propriedades.
Outro fator positivo para os pecuaristas é que o preço do boi, há vários anos, não tem caído significativamente com a entrada da safra, indicando valores nominais cada vez mais elevados de um ano para outro. Isso significa, de certa forma, que o gado continua sendo um bom ativo financeiro, pois vem acompanhando de perto os índices de inflação nos últimos anos. O valor atual de R$ 44 por arroba é bem superior, em termos nominais, aos praticados na mesma época de anos anteriores. Em março/2001 o preço médio ao produtor paranaense era de R$ 38,6/@. Em março/2000, de R$ 36,8/@. Em março/1999, de R$ 30,5/@. Em março/1988, de R$ 25,9/@ e em março/1997, de R$ 23,6/@.
Perspectivas
Para o ano de 2002, a perspectiva é de preços médios mensais com valorização nominal de R$ 2 a R$ 2,50 por arroba em relação ao mesmo mês do ano anterior.
No momento, as projeções de preços para o boi gordo no Paraná indicam valores entre R$ 43 e R$ 43,5 por arroba entre abril e junho e altas a partir de julho, com o valor do animal atingindo R$ 48/arroba no mês de outubro durante a entressafra.
Prof. José Roberto Canziani
Universidade Federal do Paraná
e-mail: [email protected]
S U Í N O
Exportações continuam em expansão
O balanço das exportações de carne suína observadas em janeiro deste ano podem ser consideradas bastante significativas para o setor suinícola nacional, pois refletem a crescente demanda mundial pelo produto brasileiro, principalmente devido ao efeito da epidemia de febre aftosa que afetou drasticamente a produção de carne bovina na Europa e fez com que os consumidores buscassem um substituto para aquela proteína animal, no caso, a carne suína, além do surgimento e expansão de mercados internacionais para o produto brasileiro, como é o caso da Rússia.
Uma análise comparativa em relação aos volumes atualmente embarcados com os em igual período do ano passado mostra uma expansão da ordem de 37,2% nas exportações brasileiras. Em janeiro deste ano foram comercializadas com o exterior aproximadamente 16,66 mil toneladas de carne suína contra 12,14 mil toneladas em janeiro de 2001. A receita cambial oriunda desta exportação atingiu o valor de US$ 20,58 milhões, representando um incremento da ordem de 21,3% quando comparada com a receita cambial de igual período do ano passado (US$ 16,97 milhões).
Apesar da expansão dos embarques e da receita cambial, o preço médio da tonelada da carne suína no mercado internacional apresentou uma retração da ordem de 11,6% com o preço variando de US$ 1.397,00 por tonelada em 2001 para os atuais US$ 1.235,00 neste começo de ano.
Os destinos das exportações brasileiras
No período analisado, a Rússia foi a grande compradora do produto nacional, ajudando a contrabalançar a drástica redução dos embarques de carne suína para a Argentina - habitual parceiro comercial do Brasil -, que devido à crise econômica interna e a aspectos bilaterais de comércio adquiriu apenas 383 toneladas de cortes suínos do Brasil.
A Rússia sozinha foi responsável por 72,2% do total dos embarques nacionais neste período, adquirindo 7,35 mil toneladas de meias-carcaças mais 4,68 mil toneladas de cortes suínos que totalizaram de 12 mil toneladas de carne, representando um incremento de quase 200% sobre os volumes comprados junto ao Brasil no mesmo período de 2001. Estas compras geraram em conjunto uma receita cambial da ordem de US$ 14,9 milhões, ou seja, 72,7% do total de receita apurada no período.
Hong Kong permaneceu em segundo lugar nas aquisições de carne suína, comprando do Brasil aproximadamente 3,08 mil toneladas de cortes. Apesar disto, verificou-se retração da ordem de 17,5% nos embarques para este destino. A receita cambial das aquisições de Hong Kong alcançou o valor de US$ 3,3 milhões.
Dentre os demais destinos das exportações brasileiras de carne suína citamos a Argentina com a aquisição de 383 toneladas de cortes e o Uruguai com outras 206 toneladas que geraram ao País, em conjunto, US$ 1,97 milhão em receita cambial.
A semana
O preço médio do quilograma do suíno raça integrado negociado no Estado do Paraná foi cotado esta semana no patamar de R$ 1,20, apresentando uma retração da ordem de 11,1% desde o início deste ano, quando o mesmo quilograma valia em média R$ 1,35 por quilograma mais tipificação de carcaça, apesar dos embarques crescentes de carne suína para o exterior.
De acordo com o mercado, esta redução observada na cotação é o reflexo de dois fatores. Primeiro, com a retração da demanda no mercado interno não tem sido possível ‘‘enxugar’’ o excesso de produção. Segundo, as indústrias estão com seus estoques de carne completos (excedente interno) e, desta forma, reduziram o preço dos integrados como sinal para diminuição da produção a fim de possibilitar a ‘‘desova’’ de tais estoques de carne via exportação.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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