A R R O Z
Aumento da produção pede intervenção
O levantamento de fevereiro da CONAB para a produção brasileira de arroz aponta para um aumento da produção maior do que o previsto no levantamento de dezembro. A produção nacional está estimada em quase 11,5 milhões de toneladas, 10,7% maior do que as 10,39 milhões colhidas no ano safra passado.
O aumento da produção seria uma ótima notícia se o consumo nacional também estivesse crescendo, mas não está. A estimativa da CONAB para o consumo nacional é a mesma para os últimos quatro anos safra. Em 10 anos o consumo brasileiro cresceu 6% (no total e não 6% ao ano) e a produção cresceu 13%.
Entre 1987 e 1996, o consumo per capita de arroz polido cresceu nas regiões metropolitanas de Belém (7,8%), Recife (21,3%), Salvador (14,1%) e Rio de Janeiro (10,9%). Se manteve praticamente estável em Curitiba (2,3%) e reduziu em Fortaleza (3,2%), Belo Horizonte (16,8%), São Paulo (28,7%) e Porto Alegre (30,5%), segundo pesquisa do IBGE.
Em regiões metropolitanas de grande população o consumo per capita caiu, o que ajuda a explicar um volume total estável ao longo dos últimos dez anos, mesmo com a população crescendo.
Demanda por contratos de opção
A produção vai crescer na safra 01/02 pelo aumento de 4,9% na área plantada e 5,5% na produtividade. A única região brasileira que não mostra aumento de área é no Sudeste, mas a produtividade (que foi baixa na safra passada) se recupera e a produção aumenta também nesta região. Os preços do ano passado foram superiores aos de 2000 mas em pequena percentagem, especialmente no período de safra. O governo, porém, interveio no mercado através de contratos de opção de venda. Aparentemente, este mecanismo foi suficiente para expandir a área plantada.
A demanda do setor arrozeiro por intervenção do governo na comercialização já deu resultados. O governo anunciou que vai realizar leilões de contratos de opção de arroz com vencimento entre julho e outubro. No Mato Grosso, além dos contratos de opção, serão realizadas compras diretas (AGF).
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
T R I G O
Que tal o novo preço mínimo?
O governo pretende uma nova tentativa para a recuperação da cultura do trigo no Brasil e, desta vez, pretende estimular o plantio nas áreas não tradicionais especialmente no Mato Grosso do Sul. Este estado chegou a cultivar 428 mil hectares de trigo (em 1986), a maior área plantada fora da região Sul. A colheita no MS ocorre entre julho e setembro, um pouco antes do que no Paraná e Rio Grande do Sul, mas é falsa a informação de que apenas o Mato Grosso do Sul colhe na entressafra Argentina, pois a colheita paranaense tem a mesma característica. Apenas o final da colheita do Rio Grande do Sul (dezembro) alcança o início da colheita na Argentina.
Enfim, é hora de pensar se o novo preço mínimo para a região Sul tem chances de ser atrativo para os produtores do Paraná. A tabela apresenta a estimativa de orçamento para um hectare de trigo, sistema de plantio direto e produtividade esperada de 2.400 kg/ha. Os preços dos insumos utilizados são do DERAL, referente ao mês de novembro de 2001, os últimos dados disponíveis para os preços de insumos no Paraná.
Por estes valores e a tecnologia considerada, o valor do desembolso para um hectare de trigo é de R$ 605,92, sendo R$ 465,23/ha na lavoura e o restante com pós-colheita, impostos, juros, assistência técnica e outros itens. Considerando que esta lavoura produzirá trigo de qualidade superior (pão/melhorador tipo 1), o preço mínimo será de R$ 285/tonelada. A este preço, a produtividade de equilíbrio desta lavoura seria de 2,13 toneladas ou 35,43 sacas por hectare. Assim, teoricamente e com os preços de novembro, o preço mínimo anunciado seria suficiente para remunerar a lavoura (hoje).
Resta saber se os produtores confiam que o governo vá honrar efetivamente o preço mínimo (fato que não se verificou algumas vezes no passado) e o custo efetivo no momento do plantio. Esta primeira análise mostra que o novo preço mínimo não é suficiente para sustentar grandes aumentos de área este ano.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
S O J A
Preço em queda já atinge US$ 8,5/saca ao produtor
Conforme tendência apontada anteriormente, os preços da soja no mercado interno seguem em queda devido à época de safra. No Paraná, o preço médio ao produtor já é de R$ 20/saca, que corresponde a cerca de 8,5 dólares por saca. Há quatro meses, durante a entressafra, o valor da soja ao produtor era de R$ 27/saca ou cerca de 10,5 dólares por saca.
Em dólar, o preço atual da soja ao produtor encontra-se em nível intermediário em relação a mesma época dos dois anos anteriores. O preço atual de US$ 8,5/saca é cerca de 15% inferior ao registrado na mesma época de 2000 e 7% superior ao registrado na mesma época de 2001, conforme pode ser visualizado no gráfico ao lado, que apresenta a evolução do preço médio mensal da soja ao produtor paranaense entre janeiro/2000 e março/2002.
Perspectivas
No curto prazo, a tendência ainda é de queda moderada nas cotações internas pela maior oferta do produto nesta época do ano, à exemplo do comportamento de preços observado nos dois anos anteriores. O nível dos preços internos de equilíbrio, no entanto, dependerá fundamentalmente (além da paridade de exportação) do ritmo de vendas da produção por parte dos produtores nacionais. Caso haja uma melhor distribuição das vendas ao longo do tempo, o preço médio ao produtor paranaense pode se estabilizar na faixa de 8 dólares por saca nos próximos meses.
Prof. José Roberto Canziani
Universidade Federal do Paraná
e-mail: [email protected]
PÓS-GRADUAÇÃO EM AGRONEGÓCIOS
Curso da UFPR no interior do Estado
Estão abertas as inscrições para o segundo Curso de Pós-Graduação em Agronegócios da Universidade Federal do Paraná na modalidade de ensino a distância. Com duração de 18 meses, o curso é dedicado a profissionais que buscam ampliar seus conhecimentos e habilidades para atuar de forma empreendedora nos diferentes sistemas agroindustriais, tais como: soja, milho, trigo, algodão, cana-de-açúcar, café, feijão, mandioca, carnes bovina, suína e de frango, madeira, leite, insumos, horticultura, frutas, entre outros.
Ensino a distância
A metodologia do curso é simples, inovadora e eficaz. Através da Internet, Intranet e da Videoconferência, o aluno faz o curso praticamente sem sair de casa e sem perder dias de trabalho. Pela Internet, o aluno recebe no seu computador as aulas e as tarefas que deve realizar. Ele próprio define, com o apoio de tutores, quando e como vai estudar.
Quinzenalmente, aos sábados, ele comparece à sala de videoconferência mais próxima e participa de debates e de trabalhos monitorados por professores e profissionais especializados no assunto. O equipamento de videoconferência, de última geração, permite o diálogo à distância entre alunos e professores, uns fazendo perguntas, outros respondendo em seguida, simultaneamente, como numa sala de aula presencial. Debates e trocas de idéias também seguem o mesmo princípio, numa interatividade o mais completa possível.
Diploma da UFPR
No final do curso, o aluno deve realizar um trabalho próprio (monografia) sobre determinado tema, à sua escolha, com orientação de um professor. A aprovação lhe dará direito ao título de Pós-Graduado em Agronegócios pela Universidade Federal do Paraná.
Disciplinas
São elas: Empreendedorismo - Políticas Econômicas - Economia Aplicada - Meio Ambiente - Sistemas de Comercialização - Agronegócio Cooperativo - Cadeia Produtiva das Grandes Lavouras - Cadeia Produtiva da Hortifruticultura - Cadeia Produtiva do Leite e Derivados - Cadeia Produtiva das Carnes e Derivados - Cadeia Produtiva da Madeira e Derivados - Agronegócios Alternativos - Insumos, Máquinas e Equipamentos - Estratégias Competitivas de Marketing e Negociação - Business Plan - Plano de Negócios.
Professores
O corpo docente é composto por professores de várias instituições. Da Universidade Federal do Paraná: Ricardo Berger (Ph.D); João Carlos Garzel (Ph.D); José Roberto Canziani (Ph.D); Vânia Di Addario Guimarães (Ph.D); Fukuo Morimoto (Ph.D); José Chotguis (MS), Eugênio Libreloto Stefanello (Ph.D); João Batista Padilha Júnior (Ms); Airton Empinotti (MS), entre outros. Da FAE Business School: Judas Tadeu Grassi Mendes (Ph.D). Da Universidade de São Paulo: Sigismundo Bialoskorski (Ph.D) e Fernando Curi Peres (Ph.D), além de outros professores e profissionais convidados de instituições de renome nacional e internacional.
Inscrições até 3 de abril
As inscrições estarão abertas para profissionais com graduação em qualquer área. As videoconferências, quinzenais, serão realizadas em cinco dos seguintes municípios: Londrina; Campo Mourão; Francisco Beltrão; Ponta Grossa; Paranavaí; Foz do Iguaçú; Toledo; Cornélio Procópio e Curitiba. Os interessados poderão inscrever-se pelo site www.agronegocio.ufpr.br. Maiores informações pelo fone/fax 0xx41-350-5787.

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