AGROMERCADO
A CONAB divulgou esta semana a primeira estimativa para a produção de milho safrinha da safra 01/02. No geral, os números estão dentro do esperado, ou seja, de aumento na área plantada este ano. Pela estimativa atual, a área a ser plantada com milho safrinha é da ordem de 2,87 milhões de hectares, 18,4% superior à área plantada no ano passado.
O aumento de área da safrinha compensa em parte a redução de 10,5% na área plantada na safra de verão (estimada em 9,44 milhões de hectares, contra 10,55 milhões da safra anterior). Assim, a área total plantada com milho na safra 01/02 fica estimada em 12,31 milhões de hectares, 5,1% a menos do que na safra 00/01 (12,97 milhões de hectares).
A produção nacional na safra de verão está estimada agora em 29,85 milhões de toneladas, 15,3% a menos do que no ano passado e 2% menor do que na estimativa de dezembro. As principais mudanças foram a redução nas produções gaúcha e catarinense (24,4 e 5,7% respectivamente) e aumento de 10% na produção de Minas Gerais, que volta a ocupar a posição de segundo maior produtor nacional de milho na safra normal (4,15 milhões de toneladas).
A produção da safrinha está prevista em 8,06 milhões de toneladas, 27,7% maior do que no ano passado. O aumento proporcionalmente maior na produção do que na área plantada vem de projeções de aumento na produtividade em São Paulo e no Mato Grosso do Sul. Assim, a produção nacional ficou prevista em fevereiro, em pouco menos de 37,91 milhões de toneladas de milho, 8,7% abaixo do recorde de 41,54 milhões de toneladas produzidas na safra 00/01.
A tabela apresenta as estimativas da CONAB para a disponibilidade e uso do milho no Brasil entre as safras 96/97 e 00/01 e as projeções para a safra atual. Se os números finais da produção ficarem próximos das estimativas atuais o maior efeito da redução na produção brasileira deste ano será reduzir o excedente exportável, os estoques e permitir preços maiores do que no ano passado.
Preços na semana
O preço do milho se manteve em alta esta semana em diversas regiões produtoras e consumidoras no país. Os maiores aumentos foram no Rio Grande do Sul, pela maior escassez do produto mas foram registrados aumentos também em Chapecó, Rio Verde (GO) e no Paraná. O preço médio ao produtor no estado esta semana foi de (1% de alta).
Houve negócios de milho para exportação novamente esta semana. Havia navios no porto embarcando milho para o Irã (grande comprador de milho brasileiro ao longo do ano passado), Japão e outros destinos. Assim, a estimativa de que sejam exportadas outras 2 milhões de toneladas de milho este ano não parece uma previsão difícil de cumprir. Não custa lembrar que os embarques que estão sendo realizados se referem a contratos fechados no ano passado.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
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F R A N G O
O Por Que da Expansão Crescente do Setor
Levando-se em conta as condições macro e microeconômicas da economia brasileira em 2001, pode-se dizer que a avicultura de corte registrou um desempenho considerado excelente. Dentre os principais indicadores, citamos:
a) Uma produção de aproximadamente 6,6 milhões de toneladas de carne de frango, com um crescimento de cerca de 10% em relação ao volume produzido em 2000 (5,9 milhões de toneladas) colocando o Brasil na condição de segundo maior produtor mundial do produto logo atrás dos norte-americanos.
b) A exportação de 1,25 milhões de toneladas de carne de frango com incremento de 37,9% acima dos volumes exportados em 2000. O segmento de cortes de frango apresentou um expressivo crescimento de 53,3% nos volumes embarcados (669 mil toneladas) enquanto que o segmento do frango inteiro expandiu 23,3% no período (580,2 mil toneladas).
c) A receita cambial gerada pelas exportações da avicultura de corte avultaram os US$ 1,29 bilhões e apresentaram um crescimento recorde de 60,1% em relação ao volume de divisas geradas com as exportações em 2000, além disto, verificou-se que o preço médio anual do quilograma exportado teve uma majoração de 15,7% em 2001, com o quilograma valendo US$ 1,03 contra os US$ 0,89 registrados em 2000.
d) Crescimento de 6,03% na produção de matrizes de corte, cujo plantel atingiu o volume de 29,16 milhões de cabeças contra os 27,53 milhões de cabeças em 2000. O estado da Paraná foi responsável pela produção de 19,96% do total do plantel, seguido por Santa Catarina com 18,84%, por São Paulo com 16,54% e pelo Rio Grande do Sul 16,15% da produção.
e) Produção de 3,48 bilhões de pintos de corte com incremento de 6,98% em relação à 2000 quando a produção foi de aproximadamente 3,25 bilhões de unidades.
f) Expansão de 6,5% no consumo per capita brasileiro de carne de frango, com o volume consumido de 29,4 quilogramas por habitante por ano contra os 27,6 quilogramas registrados em 2000.
Assim, o desempenho observado na avicultura de corte do Brasil não é ocasional e vem se repetindo ano após ano, independente do comportamento econômico do país. Este crescimento contínuo do setor de frango de corte não é exclusividade nossa, mas um fenômeno mundial, muito embora o Brasil obtenha destaque no cenário mundial. Desta forma, pode-se observar que a produção avícola mundial não apresenta sinais de esgotamento no curto prazo, pelo contrário, tende a crescer a taxas crescentes.
Comparativamente com as demais proteínas animais consumidas no mundo (carne bovina e suína), a carne de frango tem mostrado que a produção e o consumo tem crescido a taxas superiores ao crescimento vegetativo da população mundial.
A justificativa mais plausível para esta expansão do mercado da carne de frango se centra no fato de que este é o produto que melhor consegue responder aos desafios da produção de alimentos moderna (ciclo rápido, alta digestibilidade, proteína com baixo teor de colesterol, rastreabilidade, etc.).
Um outro fator que corrobora para este fato é o tecnológico, ou seja, a carne de frango comparativamente aos seus substitutos (carne bovina e suína) possui um ciclo de produção 65% inferior ao do suíno e 100% inferior ao de um novilho precoce, o que proporciona um desenvolvimento tecnológico (ganho de peso, conversão alimentar, controle de doenças, etc.) muito superior ao da suinocultura e bovinocultura. Assim, com os ganhos tecnológicos, melhora-se sensivelmente os aspectos econômicos, favorecendo-se os indicadores de produção com a respectiva redução de custos de produção e melhora da competitividade. Está ai então a resposta da escolha cada vez maior da economia pela produção avícola em detrimento as demais proteínas.
A Evolução dos indicadores técnicos
Para se ter idéia dos ganhos técnicos verificados pelo setor de avicultura de corte ao longo dos últimos 70 anos, basta verificar a tabela. De acordo com as informações podemos verificar o impressionante desempenho que o setor apresentou no período analisado. Com relação ao peso médio de abate, observou-se que em 1930, período onde a avicultura era considerada uma atividade marginal, os frangos eram abatidos com aproximadamente 1,50 quilogramas de peso. Atualmente, este valor atinge 2,25 quilogramas, o que significa um incremento de 50% no peso médio de abate no período.
Com relação a conversão alimentar, ou seja, quilogramas de ração consumidos para o ganho de 1 quilograma de peso, registrou-se redução de 49,1% neste indicador, mostrando que os frangos modernos consomem metade da ração utilizada pelas aves na década de 30. Com a menor utilização do insumo alimentar reduziu-se o custo de produção e melhorou-se o competitividade.
Em relação a idade média de abate, na década de 30, eram necessários 105 dias para que os frangos de corte completassem o seu ciclo de crescimento. Atualmente, as aves modernas necessitam de apenas 39 à 42 dias, o que significa uma redução de 64 dias em seu ciclo de crescimento, ou seja, 61% menos tempo de confinamento que suas antepassadas.
Na semana, a cotação do frango
O preço médio do frango de corte negociado no Estado do Paraná permaneceu com a cotação estabilizada esta semana no mesmo patamar observado na semana passada, quando o quilograma era comercializado a R$ 0,91 nas principais praças produtoras do estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de janeiro (R$ 0,93) observa-se uma retração da ordem de 2,2% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (fevereiro) notamos uma incremento da ordem de 12,4% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
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