AGROMERCADO
M I L H O
Preços se mantêm na entrada safra
Mesmo avançando o mês de fevereiro os preços do milho não estão reduzindo nas principais regiões de produção ou comercialização do País. Pelo contrário, em diversas regiões os preços se mantiveram em alta na última semana.
Entre final de janeiro e esta semana, o preço do milho ao produtor em Passo Fundo no Rio Grande do Sul acumula alta de 5,4%. No mesmo período do ano passado naquela região o preço do milho acumulou queda de 4,5%. Em Ponta Grossa a alta de preços foi de 2,6% e de 2,8% em Rio Verde (Goiás). No Oeste do Paraná o preço ao produtor neste mês de fevereiro acumula alta de 5,57% (contra uma redução de 3,9% no mesmo período do ano passado). Na região norte do Paraná a alta nos preços do milho ao produtor foi de 6,6%¨.
Razões
Três fatores são os maiores responsáveis por este comportamento relativamente atípico dos preços do milho. Altas em fevereiro não são comuns. O primeiro fator é o relativo atraso na colheita por excesso de chuvas em diversas regiões - que se acentua quando comparado ao ritmo de colheita do ano passado que foi adiantado em relação à média histórica; o segundo é de que boa parte do milho que já foi colhido está sendo utilizada nas próprias propriedades rurais, especialmente naquelas que também produzem frango e/ou suíno. Outro fator é que os produtores estão mais capitalizados este ano (notadamente aqueles que também produzem soja - a maioria na realidade) e não têm pressa de vender.
Há também um sentimento altista para o milho, proveniente de três fatores: a redução na área (e produção este ano), a seca no extremo sul do Brasil que prejudicou significativamente a produção gaúcha e catarinense e o bom desempenho dos setores de aves e suínos em 2001 tanto em produção quanto na exportação. O mercado espera que estes setores continuem crescendo em 2002.
De fato, quem já colheu e quiser vender agora poderá obter preços bem maiores (44%) do que em fevereiro do ano passado.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
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S O J A
Preços já caíram 20% em 90 dias
Conforme tendência apontada anteriormente os preços da soja no mercado interno seguem em queda, dada a aproximação do período de colheita e a perspectiva de maior oferta do produto nesta safra.
Nos últimos 90 dias, o preço médio da soja ao produtor paranaense caiu R$ 5,60 por saca ou 20,7%, passando de R$ 27,1/saca em 23/11/01 para os atuais R$ 21,5 por saca.
Sina comum
A queda de preços de produtos agrícolas em período que antecede a colheita é uma sina comum (fato frequente) no mercado agrícola. Enquanto as lavouras crescem (e se desenvolvem bem), os preços passam a cair, e muito pouco o agricultor pode fazer, pois sua atividade tem ciclo de produção irreversível e o produto agrícola não tem distinção de marca e qualidade. Isso significa que, iniciado o processo produtivo (com o plantio) não há como reverter a produção planejada, ficando o agricultor a mercê dos preços de mercado.
Daí a importância do constante monitoramento dos mercados agrícolas e do conhecimento sobre as estratégias de comercialização disponíveis aos produtores para os diferentes produtos (venda antecipada, venda no mercado futuro, hedge, estocagem para especulação, preço médio, venda à vista logo após a colheita, entre outros). A cada safra, vale dizer, uma alternativa pode ser melhor que outra e não existe fórmula mágica que sempre dá certo. Além disso, as estratégias têm resultados diferentes, conforme o fluxo de caixa e o custo de oportunidade do capital de cada agricultor.
Diferenças de preços
Durante a comercialização da atual safra 2001/2002 de soja deve haver, a exemplo dos anos anteriores, grandes diferenças de preços de comercialização entre produtores rurais. Em 2000, vale lembrar, aqueles que venderam a soja logo após a colheita obtiveram os melhores resultados do ano. Em 2001, quem estocou a produção e vendeu no segundo semestre se saiu melhor.
Nesse ano, até o momento, já pode-se prever resultados de vendas da soja bem diferentes entre produtores que fixaram (mediante contratos) os preços de venda da soja durante o ano passado (para entrega e recebimento agora na colheita), vis a vis, os valores que serão provavelmente obtidos com a venda da soja à vista logo após a colheita. Muitos produtores, por exemplo, fixaram preços de R$ 25 a R$ 27 por saca ao longo do terceiro trimestre de 2000, principalmente para antecipar a compra de insumos, valores estes bem superiores aos atuais preços de mercado de R$ 21,5 por saca, e que devem ainda cair um pouco mais até o meado de março.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
Piora a relação de trocas no Paraná
Este começo de ano não tem sido muito bom para os avicultores paranaenses, pois, de acordo com a análise dos dados médios do Estado, percebe-se uma estabilidade nas cotações que não tem sido suficiente para uma boa remuneração dos produtores. Este ano a cotação média do quilograma do frango vivo tem permanecido no patamar de R$ 0,93, mas, comparativamente com a cotação real média do mesmo período do ano passado, mostrou-se 3,3% superior. Entre janeiro e fevereiro deste ano, registrou-se uma retração média de 1,1% nos preços praticados no Estado, conforme pode ser observado na tabela. O mercado encontra-se um pouco parado devido a falta de equilíbrio entre a produção crescente e a demanda que tem sido insuficiente para enxugar os estoques no atual momento.
O preço pago pela saca de milho
O preço da saca do milho continua apresentando uma leve tendência de fortalecimento das cotações no mercado paranaense este ano. Entre janeiro e fevereiro, na média do Estado, as cotações sofreram uma majoração de 0,67%, variando de R$ 10,38 para atuais R$ 10,45 a saca. Comparativamente, este ano a saca de milho encontra-se 23,3% mais cara que em igual período do ano passado quando era comercializada na média de R$ 8,45. Este incremento do valor da saca de milho no Estado, associado com a retração da cotação do frango tem prejudicado os produtores paranaense devido ao inevitável aumento no custo de produção do frango.
A evolução da relação de trocas
No caso das relações de trocas, ou seja, da quantidade de carne de frango que os produtores devem comercializar para a aquisição de insumo (saca de milho), percebeu-se uma sensível piora no começo deste ano. Entre janeiro e fevereiro do ano passado, na média do Estado, os avicultores precisavam vender 9,4 quilogramas de carne de frango para a aquisição de uma saca de milho. Atualmente necessitam de 11,3 quilogramas de carne para a compra da mesma saca de milho, ou seja, a relação de trocas piorou 20,2% para os produtores paranaenses.
Na semana, estabilidade na cotação do frango
O preço médio do frango de corte negociado no Paraná permaneceu com a cotação estabilizada esta semana no mesmo patamar da observado na semana passada com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,91 nas principais praças produtoras. Quando comparada esta cotação com o preço médio de janeiro (R$ 0,93) observa-se uma retração da ordem de 2,2% na mesma. Quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (fevereiro) notamos uma incremento da ordem de 12,4% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]





