AGROMERCADO
B O I G O R D O
PREÇO RELATIVO MELHOR QUE O DO FRANGO
O comparativo de preços entre dois ou mais produtos agropecuários ao longo do tempo permite uma análise rápida sobre o desempenho destes produtos no mercado e pode indicar se um ramo de atividade está em melhor ou pior situação que o outro. Obviamente a simples relação entre dois preços não indica se um setor é mais lucrativo que o outro, mas pode dar uma noção sobre a valorização relativa entre dois preços de produtos concorrentes, como o boi e o frango.
O gráfico e a tabela mostram uma série de valores que representam a divisão dos preços do boi gordo pelos preços do frango (na linha superior) e também do suíno (na linha inferior). No gráfico as séries representam a evolução semanal para os últimos cinco anos. Na tabela os valores são indicados para períodos selecionados: média histórica de 10 anos, média de 1992 a 1997 e médias anuais a partir de 1998.
Ganho relativo de quase 50% em 5 anos
Neste início de 2002 os preços do boi gordo ao produtor paranaense seguem valorizados comparativamente aos preços do frango. De janeiro até agora o valor de um quilo vivo do boi gordo corresponde ao valor de 1,60 quilo vivo de frango, contra uma relação média, nos últimos 10 anos, de 1,36 quilo vivo de boi por quilo vivo de frango. A valorização atual frente à média histórica de 10 anos é, portanto, de 17,6%.
Pelo gráfico pode-se observar, no entanto, que no acumulado dos últimos cinco anos (de fevereiro/1997 à fevereiro/2002) a paridade de preços boi/frango melhorou cerca de 45% em favor do boi. Essa paridade de preços passou de aproximadamente 1,10 para 1,60, indicando que os preços nominais do boi subiram cerca de 45% a mais do que os preços nominais do frango nos últimos cinco anos. É possível observar também que a maior parte desse ganho relativo ocorreu no período 1997 a 1999, pois a partir de 2000 a paridade de preços boi/frango vem se mantendo relativamente estável em torno de 1,60.
Aparentemente, a vantagem acumulada do boi frente ao frango nos últimos cinco anos pode ser explicada pelas seguintes razões:
1 - Os ganhos de produtividade da avicultura, que resultam em reduções do custo unitário de produção, estão sendo apropriados principalmente pela indústria e pelos consumidores. A indústria avícola teoricamente ganha mais, pois paga relativamente menos pela matéria-prima. Os consumidores finais também ganham em função dos menores preços que pagam pelo frango no varejo. Ao avicultor cabe o compromisso de permanentemente aumentar a sua produtividade e, também, torcer para que o preço do milho (principal componente da ração avícola) não comprometa sua rentabilidade.
2 - A partir de 2000 a desvalorização do real frente ao dólar tem ajudado o frango (via aumento das exportações) a manter uma taxa de valorização semelhante a do boi gordo, em nível de produtor.
Relação de preços boi/suíno
Na média dos últimos 10 anos, a relação entre o preço do boi e o preço do suíno ao produtor paranaense foi de 1,07. Isso significa que o preço do boi foi, em média no período, 7% superior ao preço do suíno. Em 2000, a valorização do boi frente ao suíno foi de 18%. Em 2001, caiu para 11% e, neste início de 2000, caiu para 10%.
Na comparação dos preços boi/suíno cabe ressaltar a significativa variabilidade dos preços relativos nos últimos anos. Em abril/2000 a relação preço boi/preço suíno era de 1,28. Em dezembro/2000 caiu para 1,07 para em seguida subir para 1,18 em março/2001 e novamente cair para 1,04 em dezembro/2001. Neste início de fevereiro (2002) a relação é de 1,13. O maior consumo e, portanto, maiores preços do suíno nos finais de ano (período de festas natalinas) explicam em parte estas variações na relação entre os preços.
Conjuntura
Os preços do boi gordo vêm se mantendo relativamente estável e com leve tendência de queda neste primeiro bimestre de 2002. Essa tendência deve ser mantida nos próximos meses, em linha com a maior oferta do produto no atual período de safra.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPR
e-mail: [email protected]
T R I G O
DÓLAR ENCARECE IMPORTAÇÃO E VALORIZA PRODUTO NACIONAL
Fevereiro já é mês de entressafra de trigo no Brasil pela parcela relativamente pequena que a produção interna representa no consumo nacional. Pela estimativa da CONAB a produção brasileira de trigo em 2001 foi de 2,97 milhões de toneladas que representa 29,4% do consumo estimado para o ano safra 00/01. Admitindo um consumo mensal regular ao longo do ano, a produção nacional seria suficiente para abastecer os moinhos durante apenas 4 meses.
A colheita da safra de 2001 no Paraná se encerrou em novembro e até meados de dezembro cerca de 75% da produção teriam sido comercializados pelos triticultores do Estado segundo informe do DERAL. Assim, o trigo que não foi comercializado está a espera de preços mais altos no período de entressafra que, de fato, já começou.
Em fevereiro deste ano a situação de preços está melhor do que no ano passado. As cotações do trigo na Bolsa de Chicago nestas primeiras semanas de fevereiro estão 4% (em média) superiores à cotação média em fevereiro do ano passado. Mas no caso da taxa de câmbio a diferença sobre para 21,2%. Esta combinação de variáveis tem valorizado o trigo no mercado brasileiro, beneficiando os produtores que mantiveram alguma parcela da produção em estoque.
Rentabilidade da estocagem
O preço do trigo ao produtor paranaense, em reais por saca, na média dessas semanas de fevereiro é 22,47% superior à média de fevereiro do ano passado. Mas a estocagem do trigo colhido no ano passado ainda não foi positiva. De setembro até esta primeira quinzena de fevereiro a rentabilidade acumulada na estocagem ainda é negativa, considerando-se uma taxa de juros de 1% ao mês e custo de estocagem de 7 centavos de real por saca mês.
O gráfico apresenta a rentabilidade acumulada da formação de estoques de trigo de setembro a maio nas safras de 99, 2000 e o resultado parcial até essa semana para a safra 2001. Nos dois anos anteriores a estocagem de trigo não foi rentável, com resultados negativos em todos os meses analisados. Talvez por isto mesmo os produtores têm optado por comercializar a maior parte da produção logo após a colheita.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]





