AGROMERCADO
M I L H O
COMEÇA A COLHEITA DA SAFRA 01/02
Até o final deste mês de fevereiro perto de 20% da produção de milho da região centro-sul do País devem estar colhidos. Isto representa um volume em torno de 5 milhões de toneladas, já considerando parte das perdas na safra, principalmente no Rio Grande do Sul e Santa Catarina. Os preços na primeira quinzena do mês não cederam por dois motivos principais: primeiro um certo atraso nas operações de colheita; segundo pela pressão compradora de consumidores gaúchos e catarinenses sobre o mercado paranaense. Quem colheu milho cedo este ano está tendo a oportunidade de receber preços melhores do que no ano passado (veja na tabela).
As expectativas para a safra 01/02 neste começo de colheita são de preços melhores do que em 2001. O excesso de oferta que tivemos no ano passado não vai se repetir este ano. Ao mesmo tempo a produção e as exportações de carne de frango e suíno cresceram novamente em 2001 e podem crescer um pouco mais em 2002. No caso do frango a surpresa seria se as exportações diminuíssem, pois as vendas brasileiras ao exterior vêm crescendo há anos. A última redução (5,7%) nas exportações do Brasil foi em 1997. Desde então o volume exportado cresceu todos os anos. A situação da carne suína não é diferente. Após anos estagnadas as exportações de carne suína triplicaram de 1995 para 2001. Mantendo-se o consumo nestes segmentos e com a redução na oferta, há espaço para preços melhores em 2002. Os valores vão depender da taxa de câmbio que favoreceu os preços internos do milho no ano passado.
Estoques
Como se sabe não há dados para os estoques privados de milho no Brasil. Os estoques públicos (no dia 5 de fevereiro, ou seja, no início desta semana) totalizam 1,46 milhão de toneladas, das quais 1,18 milhão provém de compras diretas do governo (AGF) e 277 mil toneladas se referem a contratos de opção adquiridos pelos produtores no ano passado. Como sempre, a maior parte dos estoques está no Centro-Oeste (90% do total de estoque), particularmente em Goiás (provavelmente na região de Rio Verde). Do total de estoque, 55,7% está no Estado tanto o produto do governo (56,3% do total de milho de AGF) quanto de contratos de opção (53,5% do total de milho atrelado a estes contratos). Os volumes de milho do governo em estoque no Mato Grosso e Mato Grosso do Sul são semelhantes, entre 200 e 220 mil toneladas.
Este milho não virá para os mercados da região sul. Devem ser utilizados nas regiões em que estão ou, mais provavelmente, escoados para o Nordeste através de leilões de VEP (Valor para Escoamento de Produto). Pode talvez, atrapalhar a colheita da safra nova se estiverem concentrados em armazéns de determinados municípios.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
APROXIMAÇÃO DA SAFRA REDUZ PREÇOS
Depois de atingir o valor recorde de R$ 27/saca em novembro do ano passado, os preços da soja ao produtor paranaense passaram a recuar em busca de um novo equilíbrio para a comercialização da safra 01/02. São quase três meses de quedas sucessivas de preços. Em dezembro/2001 o preço médio encerrou o mês a R$ 24,5/saca. No final de janeiro ele já era de R$ 23,7/saca e agora neste primeiro decêndio de fevereiro a cotação média ao produtor atinge R$ 23,5/saca.
A queda de preços no primeiro trimestre do ano é fato normal no mercado brasileiro de soja, principalmente em anos onde é favorável o desenvolvimento vegetativo das lavouras como ocorre nesta safra 2001/2002. No primeiro trimestre do ano, os preços vigentes da soja passam a ser influenciados muito mais pela expectativa dos agentes econômicos sobre o volume de produto a ser ofertado após a colheita, do que o real estoque disponível neste período que antecede a colheita da safra. O gráfico mostra a evolução semanal de preços da soja ao produtor paranaense nos últimos dois anos, de janeiro/2000 ao início de fevereiro/2002.
No primeiro trimestre de 2000 (do início de janeiro ao final de março) os preços da soja ao produtor paranaense recuaram cerca de R$ 1,10 por saca, passando de R$ 18,10 para R$ 17/saca. No mesmo período de 2001 a queda de preços foi de R$ 2,60/saca, passando de R$ 19 por saca no início de janeiro para R$ 16,4 por saca no final de março. Neste início de 2002 a queda de preços é de R$ 0,80/saca, passando de R$ 24,3/saca na primeira semana de janeiro para os atuais R$ 23,5/saca.
Paridade para exportação
Além da boa safra de soja prevista para a América do Sul, os baixos preços do produto no mercado internacional e a relativa estabilidade da taxa de câmbio em R$ 2,4 por dólar também explicam o atual processo de desvalorização dos preços da soja no mercado interno.
No meio dessa semana o preço de paridade da soja para exportação do grão era de aproximadamente R$ 22/saca no mercado de lotes no Norte do Paraná. Isso significa um preço de paridade de no máximo R$ 21/saca para o produtor no Norte do Estado. Já o preço de paridade da soja para exportações de derivados (farelo e óleo) está um pouco mais próximo (mais ainda acima) do atual nível de preços no mercado interno. Cerca de R$ 23,5/saca no mercado de lotes e cerca de R$ 22/saca para o produtor. A tendência de curto prazo, portanto, é de novas baixas de preços da soja no mercado interno até o atingir a paridade de exportação no início dos embarques previstos para o final de fevereiro.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
S U Í N O
A LUCRATIVIDADE AO LONGO DA CADEIA PRODUTIVA EM 2001
A cadeia produtiva da carne suína vem a ser uma das mais competitivas do agronegócio nacional, mas também possui uma série de problemas (gargalos) que impedem um equilibrado desenvolvimento de todos os seus elos. Um dos principais aspectos vem a ser a distorção que o preço do produto apresenta entre o produtor e o consumidor final, ou seja, enquanto a carne suína caminha no sistema de comercialização, vai sofrendo diversas transformações, diferenciações e importante agregação de valor que não retorna de maneira proporcional ao produtor (o elo inicial desta cadeia produtiva).
Nesta divisão da lucratividade cerca de 30% em média fica com o produtor de forma a remunerar o seu trabalho enquanto que 70% ou mais do lucro restante permanece no sistema de comercialização para remunerar os demais agentes. Assim, esta má distribuição da lucratividade ao longo da cadeia acaba impactando de maneira negativa nos elos mais fracos do sistema, ou seja, os produtores rurais, conforme pode ser visto na tabela.
Na propriedade rural os suinocultores paranaenses receberam na média de 2001 aproximadamente R$ 1,24 pelo quilograma do suíno vivo, sendo que a cotação apresentou uma variabilidade de R$ 0,35 ao longo do ano com o preço mínimo de R$ 1,09 sendo registrado em fevereiro/março e um preço máximo de R$ 1,44 verificado em novembro. Este nível de preço vem a ser o reflexo de um conjunto de variáveis de interação dinâmica e pouco controláveis pelo produtor como a oferta total de mercado, a demanda pelos consumidores e pela indústria, as exportações, as variações cambiais, o elevado custo dos insumos entre outras.
Assim, no aspecto da formação do preço, o suinocultor individualmente pouco ou nada pode fazer para intervir no mercado, sendo então considerado como apenas um tomador de preço, ou seja, o mercado ou a indústria local (sistema de integração vertical) que estabelece um poder monopsônico ou oligopsônico é quem determina o valor da cotação e os produtores fazem a sua tomada de decisão de produzir ou comercializar em cima deste referencial.
Este mesmo quilograma de carne suína ao sair da propriedade rural e entrar no mercado atacadista era comercializado a R$ 2,64 na forma de carcaça e a R$ 3,78 na forma de cortes (preço médio do lombo, pernil e paleta), indicando que o atacadista ao realizar os seus serviços de comercialização em cima dos produtos acrescentou (Markup de comercialização) em média 112,9% e 204,8% respectivamente sobre o preço que ele pagou ao suinocultor pela matéria-prima. Esta diferença gritante do preço nos diferentes níveis do canal de comercialização decorre do fato de que no atacado as indústrias realizam a diferenciação do produto, acabando com o elevado grau de homogeneidade que antes existia e, ao realizarem isto, têm a possibilidade de formar seu próprio preço.
No mercado varejista (supermercados, hipermercados, açougues, etc.), observou-se que as diferenças de preço foram também significativas. No caso dos cortes suínos notamos que os varejistas acrescentaram em média 33,6% sobre o preço pago aos atacadistas enquanto que os consumidores pagaram 307,3% a mais sobre o preço que o produtor recebeu por cada quilograma do produto. Para os embutidos e derivados de carne suína esta diferença atingiu valores de 916,1% na média do mercado paranaense.
Analisando a margem de comercialização da carne suína dentro da cadeia produtiva observou-se que alguns aspectos também foram bastante relevantes. No caso dos embutidos e derivados, do preço que o consumidor final pagou pelo quilograma do produto no varejo, apenas 9,8% retornou ao produtor como forma de remuneração pelos seus serviços, enquanto que os 90,2% restantes ficaram para remunerar o sistema de comercialização como um todo (atacadistas e varejistas).
Para os cortes suínos a participação média do produtor foi um pouco maior: 24,5%, enquanto que o atacado e o varejo ficaram com 50,3% e 25,2% respectivamente do preço que o consumidor final pagou pelo quilograma dos cortes no mercado. Dos cortes analisados, o lombo suíno sem osso foi o que apresentou a menor participação do produtor (17,2%) nas divisões do lucro da comercialização, com o atacado ficando com 60,2% do preço pago pelo consumidor e o varejo com os 22,6% restantes enquanto que a paleta com osso forneceu a melhor participação do produtor (32%), ficando o atacado com 34,3% do preço pago pelo consumidor final do produto e o varejo com os 33,7% restantes.
Na semana, o suíno
O preço médio do suíno vivo raça negociado no Paraná apresentou estabilidade na cotação ao longo desta semana em relação a cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,30 nas principais praças do Estado. Quando comparada com a cotação média de janeiro (R$ 1,38) observa-se uma queda da ordem de 5,8% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (fevereiro) notamos um incremento da ordem de 17,2% nas cotações.
O principal fator causador da queda de 7,8% verificada nos preços do suíno no Paraná desde janeiro quando o quilograma era comercializado a R$ 1,41 foi a retração da demanda interna pelo produto. Isso fez com que os frigoríficos reduzissem suas escalas de abates incrementando sobremaneira a oferta de animais prontos para o abate o que pressionou, consequentemente, as cotações para baixo.
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
e-mail: [email protected]





