TRIGO
Retrospectiva e perspectivas
Em 2001 a produção se recuperou do baque sofrido em 2000 e o País colheu em torno de 2,97 milhões de toneladas, o maior volume desde a safra de 1996. A produtividade não foi nenhum recorde, mas ficou acima da média dos últimos dez anos. Em suma, em termos agrícolas, um ano razoável. A produtividade média brasileira foi de 1.867 Kg/ha (75,3 sacas/alqueire), 65% maior do que na safra de 2000.
O aumento da produção nacional serviu para reduzir as importações. Como vem ocorrendo há anos, as variações na produção não mudam o fato do Brasil ser um grande importador de trigo, apenas reduzem o gasto com divisas ou a quantidade que se adquire no mercado externo.
O consumo nacional está estimado entre 10 e 10,1 milhões de toneldas há três anos safra, ou seja, praticamente estável. O consumo nacional cresceu perto de 800 mil toneladas no ano safra após o Real mas desde então não vem apresentando uma taxa de crescimento anual significativa, o que poderia ampliar as importações mesmo com produção maior.
A desvalorização cambial a partir de 1999 deixou as importações menos atraentes do que nos anos de câmbio sobrevalorizado. Assim, o País vem consumindo estoques que formou a partir do ano de 1996, na faixa de 800 mil toneladas.
Pelo quarto ano safra consecutivo a produção mundial de trigo vem reduzindo e se afastando do recorde de 600 milhões de toneladas atingido na safra 97/98. Os estoques mundiais estão reduzindo a cada ano safra e tentam ficar abaixo de 160 milhões de toneladas. O leitor talvez se lembre que o aumento de produção em 1997 foi motivado pelos altos preços que o trigo atingiu no mercado mundial em 1996, fruto da redução na produção e, especialmente, nos estoques finais. Com preços altos, a produção cresceu no mundo inteiro e derrubou os preços do trigo. De 97 para cá, o movimento está sendo inverso, tentando enxugar o excesso de oferta e de estoques gerados na época. A tabela apresenta as estimativas do USDA para a disponibilidade de uso do trigo em termos mundiais e para países selecionados.
O gráfico que apresenta as cotações médias mensais do trigo na Bolsa de Chicago revela que a queda de preços foi mais acentuada entre 1997 e 2000 e mostrou recuperação ao longo de 2001. Preços maiores lá fora e a desvalorização do Real em 2001 permitiram que os preços do trigo ao produtor, em moeda nacional, tenham sido 14,88% maiores do que em 2000. Em dólar, no entanto, a média do ano foi 10% inferior à do ano de 2000. Os preços médios mensais ao produtor no Paraná em dólar são apresentados no outro gráfico, abrangendo os últimos 5 anos.
Como os preços no Brasil dependem dos preços externos, as expectativas para 2002 são de que os preços sejam iguais ou maiores do que em 2001. O cenário mundial aponta para preços maiores mas na Bolsa de Chicago isto é verdade em parte. Em dezembro deste ano o mercado futuro americano projetou preços maiores do que no ano passado para o mês de março, mas preços mais baixos para maio.
Francisco C. Guimarães
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FRANGO
O ano foi muito bom para a avicultura nacional
Com o término de 2001 e, após o balanço realizado pelo setor, podemos concluir ter sido este o melhor momento vivido pela avicultura nacional desde a implantação do Plano Real em julho de 1994. De maneira geral, os grandes números do setor no ano passado foram os seguintes:
a) uma produção de aproximadamente 6,6 milhões de toneladas de carne de frango, com um crescimento de cerca de 10% em relação ao volume produzido em 2000 (5,9 milhões de toneladas), colocando o Brasil na condição de segundo maior produtor mundial do produto logo atrás dos norte-americanos;
b) A exportação de 1,25 milhões de toneladas de carne de frango com incremento de 37,9% acima dos volumes exportados em 2000. O segmento de cortes de frango apresentou um expressivo crescimento de 53,3% nos volumes embarcados (669 mil toneladas), enquanto o segmento do frango inteiro expandiu 23,3% no período (580,2 mil toneladas);
c) A receita cambial gerada pelas exportações da avicultura de corte avultaram os US$ 1,29 bilhões e apresentaram um crescimento recorde de 60,1% em relação ao volume de divisas geradas com as exportações em 2000, além disto, verificou-se que o preço médio anual do quilograma exportado teve uma majoração de 15,7% em 2001, com o quilograma valendo US$ 1,03 contra os US$ 0,89 registrados em 2000;
d) Crescimento de 6,03% na produção de matrizes de corte, cujo plantel atingiu o volume de 29,16 milhões de cabeças contra os 27,53 milhões de cabeças em 2000. O estado da Paraná foi responsável pela produção de 19,96% do total do plantel, seguido por Santa Catarina com 18,84%, por São Paulo com 16,54% e pelo Rio Grande do Sul 16,15% da produção;
e) Produção de 3,48 bilhões de pintos de corte com incremento de 6,98% em relação à 2000 quando a produção foi de aproximadamente 3,25 bilhões de unidades;
f) Expansão de 6,5% no consumo ‘‘per capita’’ brasileiro de carne de frango, com o volume consumido de 29,4 quilogramas por habitante por ano contra os 27,6 quilogramas registrados em 2000.
Apesar de 2001 ter sido um excelente período para a maioria dos produtores, deve-se lembrar dos problemas e entraves que fazem com que esta importante cadeia do agronegócio nacional não se desenvolva totalmente de forma homogênea. Dentre os principais ‘‘gargalos’’ citamos:
a) A alta variabilidade dos custos de produção devido à dependência e cotação da maioria dos insumos de produção em dólar;
b) A falta de um apurado planejamento estratégico no alojamento de matrizes, produção de pintos de corte e consequente produção de carne devido ao binômio capacidade instalada versus oferta de milho - deve-se buscar sempre o equilíbrio entre oferta e demanda;
c) O problema da distribuição das margens de lucro ao longo da cadeia produtiva que têm fortalecido o elo mais forte (agroindústria) sem proporcionar equivalente desenvolvimento do elo mais fraco (produtor).
Desta forma, além de comemorar a boa situação, deve-se buscar solução imediata para estes problemas de forma a melhorar ainda mais a competitividade da avicultura nacional e sua inserção no cenário mundial.
O preço do frango no Paraná em 2001
Com relação ao comportamento real dos preços (preços deflacionados) da carne de frango ao longo de 2001, observou-se pouca variabilidade no mercado paranaense, com a cotação oscilando entre R$ 0,88 e R$ 0,92 por quilograma, o que representa uma variação de 4,5% (R$ 0,04) entre o preço máximo e o mínimo verificado na média do Estado, conforme pode ser observado na tabela.
Na média do Estado, o quilograma da carne de frango foi comercializada em 2001 à R$ 0,91, com o valor mais baixo do período observado em fevereiro e março (R$ 0,88) e a cotação mais elevada sendo registrada em setembro, novembro e dezembro quando o quilograma valia R$ 0,92. Comparativamente, entre janeiro e dezembro de 2001 a cotação da carne de frango apresentou um incremento real de 1,1% nas cotações.
De maneira geral, este comportamento do preço ao longo de 2001 refletiu uma ponderação entre fatores como o incremento de 6,5% na demanda interna pela carne de frango, que sofre influência direta da carne bovina e suína; as crescentes exportações verificadas este ano no setor (incremento de 37,9%); a pressão da expansão das matrizes de corte (6,03%) e a produção crescente de pintos de corte (6,98%); além da pressão exercida pelas integrações no sentido de estimular ou não a produção para a manutenção normal de seus estoques. Assim, estas variáveis em conjunto não permitiram uma melhor sustentação do preço do quilograma da carne de frango durante o ano de 2001.
O preço pago pelo milho
Em 2001, o impacto do preço do milho no custo de produção do frango foi bem menor no mercado paranaense. Na média de janeiro à dezembro, uma saca de milho custou 29,6% a menos que em igual período de 2000, o que significa um ganho bastante significativo para o lado do produtor. Entre janeiro e dezembro de 2001, a saca de milho apresentou um incremento da ordem de 15,9%, com o preço médio real da saca valendo R$ 8,91.
Em 2000, a cotação real média anual da saca de milho ficou ao redor dos R$ 12,43, mas, em alguns momentos do ano chegou a valer mais de R$ 13,00 a saca.
Ano passado, observou-se um fortalecimento das cotações médias da saca de milho no estado do Paraná, principalmente à partir de abril. Em abril, uma saca de milho valia R$ 7,74 na média do Paraná e, atualmente, R$ 10,19, o que significa um incremento de 31,7% nas cotações em 8 meses ou cerca de 4% ao mês.
A relação de trocas
Este indicador tem por finalidade verificar a situação de capitalização do produtor, ou seja, quanto de produto ele terá que dispor para a aquisição de uma unidade de insumo. Em 2001, a relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do frango permaneceu 28,5%, em média, melhor para o lado do produtor do que em 2000. Assim, ano passado, um avicultor paranaense necessitou comercializar em média 9,8 quilogramas de frango para a compra de uma saca de milho, enquanto que em 2000 precisava de 13,7 quilogramas. Esta diferença significa 3,9 quilogramas a menos de produto em cada negociação, ou seja, mais lucro no bolso do produtor.
Ao longo de 2001, observou-se uma grande variabilidade nas relações de trocas no mercado paranaense. Em abril, um produtor necessitava de apenas 8,5 quilogramas de carne de frango por saca de milho, sendo considerada a melhor situação do ano. Após este período, verificou-se uma progressiva deterioração da relação de trocas devido ao incremento da cotação do milho no Estado. O pior momento verificado para os avicultores foi dezembro, onde necessitaram comercializar 11,1 quilogramas de carne de frango por saca de milho.
Desta forma, a variação comparativa entre o melhor e o pior momento verificado em 2001 indicou uma progressiva deterioração na relação de trocas da ordem de 30,6%, sendo composta por um incremento de 1,1% no preço de quilograma do frango e pelo aumento de 31,6% na cotação da saca do milho.
Perspectivas para 2002
Para o ano que se inicia agora, existem algumas perspectivas e projeções que deverão ocorrer com a cadeia produtiva da carne de frango ao longo de 2002. Dentre os principais aspectos levantados, citamos:
a) A possibilidade da ampliação da base produtiva nacional em pelo menos 5% visando abastecer a demanda interna e externa pelo produto;
b) Ampliação do alojamento de matrizes de corte para um nível de aproximadamente 30,5 milhões de cabeças;
c) O surgimento de granjas de maior porte e escala de produção com redução do número de produtores associados e menor custo de logística;
d) Aumentar o consumo ‘‘per capita’’ brasileiro para algo acima de 31 quilogramas por habitante por ano;
e) Expansão e ampliação do comércio internacional com maiores parcerias entre o Brasil e a Arábia Saudita, Emirados Árabes, Kweit, Iemen e Rússia entre outros;
f) Buscar exportar 1,5 milhão de toneladas de carne com projeção de receita cambial de US$ 1,5 bilhões;
g) minimizar o impacto do milho e dos insumos no custo de produção
Serviço:Durante o mês de janeiro, a Folha Agromercado apresenta uma avaliação do comportamento dos mercados ao longo de 2001, para cada um dos produtos analisados regularmente, contemplando, esta semana, o trigo e frango.

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