AGROMERCADO
M I L H O
EXPECTATIVA DE PREÇOS MELHORES ESTE ANO
O ano passado deixou muitos produtores frustrados com os preços do milho na safra 00/01. Muitos produtores gostaram dos preços do ano safra anterior (99/00) e ampliaram a área plantada com milho no verão. Na região Centro-Sul o aumento foi de 11,8% passando de 6,9 para 7,7 milhões de hectares. Problemas de seca no Nordeste acabaram por reduzir a área plantada na região. Assim em termos nacionais foram cultivados 10,55 milhões de hectares com milho na safra de verão, aumento de 7,1% em relação ao ano safra anterior.
Além do aumento da área a produção foi altamente beneficiada pelo excelente clima da safra de verão de 2001 na região Centro-Sul. O resultado foi que a produção nacional na primeira safra do ano 00/01 totalizou 32,54 milhões de toneladas (número resultante da combinação das fontes DERAL e CONAB), aumento de 35,1% em relação à safra 99/00. Em nível nacional a produção de verão somou 35,13 milhões de toneladas, 26,2% a mais do que no ano safra anterior.
A produtividade foi recorde em nível nacional e em todas as regiões do Centro-Sul. Só não foi recorde no Norte/Nordeste. A média nacional ficou em 3.357 kg/ha e em 4.237 kg/ha na região Centro-Sul.
Exportar para enxugar
O resultado foi a queda acentuada dos preços do milho no primeiro semestre do ano. Prevendo a redução de preços para a safra 00/01 algumas empresas, especialmente cooperativas, trataram de viabilizar as exportações. Estima-se que na realidade tenha restado um estoque razoável de milho da safra 99/00 que também foi direcionado ao mercado externo assim como produto da safra nova.
Com as exportações muitas coisas diferentes aconteceram no mercado de milho este ano. Pela primeira vez houve concorrência entre soja e milho por caminhões e vagões com destino aos portos e também pela estrutura portuária. Claro que a concorrência do milho foi modesta dado que a exportação de soja supera 15 milhões de toneladas e a de milho de 5 milhões de toneladas. Mas enfim, foi um feito e tanto. De janeiro a novembro de 2001 as exportações brasileiras de milho totalizaram 5,04 milhões de toneladas.
No plantio da safrinha os produtores já não mostraram o mesmo interesse no milho. A área plantada com milho de segunda safra reduziu 10,9% a menor das últimas duas safras. Mas desta vez não houve os mesmos prejuízos que na safra de 2000 e a produção cresceu 55,8% em relação ao volume magro colhido no ano anterior. A produtividade média da safrinha em 2001 ficou em torno de 100 sacas por alqueire, 75% maior do que a obtida em 2000. No total das duas safras, estima-se que o Brasil produziu 41,57 milhões de toneladas de milho, recorde histórico absoluto.
Preços não agradaram
O gráfico mostra os preços médios mensais ao produtor de milho no Paraná, nos últimos 5 anos (1997 a 2001). Os preços em 2001 foram inferiores aos de 2000 de janeiro novembro, superando-os apenas em dezembro. Em dólar não há nem o que falar. A desvalorização do Real em 2001 derrubou o preço em dólar de todos os produtos, estabelecendo recordes negativos (pior preço histórico) para diversos produtos especialmente os de exportação.
Para o milho um fator agravante foi o fato do país ter gerado um saldo exportável tão significativo num ano de preços baixos no mercado externo. A cotação média da Bolsa de Chicago para o milho (primeiro vencimento) foi de US$ 81,72/tonelada, 0,6% inferior ao do ano anterior. O fato é que os preços internacionais estão em ciclo de baixa que começou em 1997 e talvez seja revertido no próximo ano. Os preços altos das commodities em 1996 resultaram em aumentos de produção em escala mundial, derrubando os preços nos anos seguintes.
Estocagem
Não foi difícil ganhar dinheiro estocando milho no ano passado. De março a setembro o milho acumulou alta de 41,9%, valorização mais que suficiente para remunerar a estocagem do produto. Os preços não caíram em novembro e dezembro, recompensando quem apostou na alta do milho no final do ano. Além de exportações e da desvalorização do câmbio, o aumento da demanda pelos setores de suínos e aves ajudou muito a sustentar os preços do milho. Não foram bons, mas teriam sido piores sem estes fatores.
O preço médio ao produtor no Paraná entre fevereiro e junho de 2001 foi de R$ 7,40/sc, 33% inferior à média do mesmo período do ano anterior. Como a produtividade média na safra de verão no Paraná foi 32% superior à da safra 99/00, estima-se que a rentabilidade da cultura na lavoura (para quem vendeu neste período) tenha sido menor do que na safra anterior. Vem daí parte do desestímulo com o milho este ano.
Perspectivas
A área plantada na safra de verão 01/02 em termos nacionais está estimada em 9,54 milhões de hectares, a maior desde a safra 97/98, apresentando redução de 9,6% em relação à safra anterior. Os números mais firmes são para a região Centro-Sul pois no Nordeste o plantio ocorre mais tarde e, na estimativa, são mantidos os números da safra passada para alguns Estados. No Centro-Sul a área está estimada em 6,66 milhões de hectares, 13,6% a menos do que no ano passado. A maior redução absoluta de área foi no Paraná onde o milho deixará de ocupar perto de 379 mil hectares, redução de 20,2% em relação ao ano anterior. A maior redução relativa ocorreu no Centro-Oeste onde a área com milho diminui 25,6% totalizando 897 mil hectares.
A produção na safra de verão na região Centro-Sul está prevista em 26,79 milhões de toneladas e em torno de 30,5 milhões na previsão para todo o País. Se a colheita confirmar números próximos da previsão, será volume recorde para a primeira safra. A expectativa é de que os produtores optaram por reduzir a área de verão e talvez aumentar a área de safrinha, dependendo dos preços no primeiro trimestre.
TABELA - ÁREA PLANTADA, PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE DE MILHO NA SAFRA DE VERÃO, 00/01 E ESTIMATIVA PARA 01/02, BRASIL.
ESTADO - Área (Mil ha) - Produção (Mil t) - Produtividade (Kg/ha)
REGIÃO - 00/01 - 01/02 - % - 00/01 - 01/02 - % - 00/01 - 01/02 - %
PR - 1.873,4 - 1.494,5 - -20,2 - 9.536,1 - 7.042,7 - -26,1 - 5.090 - 4.713 - -7,4
RS - 1.663,2 - 1.496,9 - -10,0 - 6.070,7 - 5.388,8 - -11,2 - 3.650 - 3.600 - -1,4
SUL - 4.429,6 - 3.839,8 - -13,3 - 19.553,9 - 15.825,1 - -19,1 - 4.414 - 4.121 - -6,6
SUDESTE - 2.073,5 - 1.920,8 - -7,4 - 7.399,7 - 6.790,3 - -8,2 - 3.569 - 3.535 - -0,9
GO - 740,5 - 540,6 - -27,0 - 3.480,4 - 2.540,8 - -27,0 - 4.700 - 4.700 - 0,0
C-OESTE - 1.206,0 - 896,9 - -25,6 - 5.708,5 - 4.171,2 - -26,9 - 4.733 - 4.651 - -1,7
C-SUL - 7.709,1 - 6.657,5 - -13,6 - 32.662,1 - 26.786,6 - -18,0 - 4.237 - 4.024 - -5,0
N/NE - 2.840,5 - 2.879,3 - 1,4 - 2.749,4 - 3.718,0 - 35,2 - 968 - 1.291 - 33,4
BRASIL - 10.549,6 - 9.536,8 - -9,6 - 35.411,5 - 30.504,6 - -13,9 - 3.357 - 3.199 - -4,7
FONTE: CONAB e SEAB/DERAL
Do lado da oferta, com a redução na produção os preços devem ser superiores aos de 2001. Afinal, não haverá o mesmo excedente de produto que tivemos no ano. Sem este excedente, as exportações devem reduzir. A CONAB está estimando as exportações brasileiras neste ano de 2002 em 2 milhões de toneladas. Este número está, em parte, ligado a negócios realizados em 2001 e que devem ser embarcado este ano. Há expectativa de que o Brasil ganhe espaço no mercado internacional por produzir milho não transgênico. Não há dados comprovando esta tendência por enquanto, mas é uma possibilidade.
As exportações de milho realizadas em 2001 tiveram diversos destinos. O maior comprador foi o Irã com 653,7 mil toneladas (janeiro a outubro), seguido pela Suíça com 290,7 mil toneladas. O restante foi pulverizado entre diversos países.
Mundo
Pelo segundo ano safra consecutivo o mundo deve colher menos de 600 milhões de toneladas de milho, recorde histórico para o grão atingido nas safras 98/99 e 99/00. O aumento da produção naqueles anos ajudou a reduzir os preços do milho em todo o mundo. Por isto a produção vem reduzindo na safra 00/01 e agora na 01/02. No segundo semestre do ano 2001 começou a colheita da safra 01/02 que terminará em meados deste ano 2002. A produção mundial deve ficar abaixo de 590 milhões de toneladas (veja tabela), novamente.
A produção americana totalizou 241,49 milhões de toneladas, entre as 5 maiores da história daquele país mas 4,11% inferior à da safra passada (10,36 milhões de toneladas a menos). Outros países devem uma produção maior do que na safra anterior o que explica a redução esperada de 0,34% na produção mundial, prevista em 583,4 milhões de toneladas. Os estoques devem reduzir em quase 30 milhões de toneladas, mas continuam altos acima de 120 milhões de toneladas.
As cotações na Bolsa de Chicago por enquanto não apontam para preços maiores este ano. Em dezembro a cotação média para março deste ano foi 3,2% inferior à média de dezembro do ano anterior. Não há grandes fatores altistas nem baixistas no cenário mundial por enquanto, o que indica que os preços internos podem ficar acima da paridade de exportação dada a redução na produção nacional. Se a safrinha for pequena o mercado externo passa a influenciar determinando o preço máximo do mercado, dado pela paridade de importação.
TABELA - - PRODUÇÃO, CONSUMO, COMÉRCIO E ESTOQUES FINAIS DE MILHO, MUNDO E PAÍSES SELECIONADOS, SAFRA 00/01 E PROJEÇÃO PARA 2001/2002.
Em milhões de toneladas
- SAFRA - MUNDO - EUA - ARGENTINA - CHINA - BRASIL
PRODUÇÃO - 00/01 - 585,41 - 251,85 - 15,5 - 106,0 - 41,57
01/02 - 583,40 - 241,49 - 11,5 - 108,0 - 30,50
EXPORTAÇÃO - 00/01 - 85,62 - 49,21 - 10,5 - 7,28 - 5,80
01/02 - 77,97 - 50,17 - 8,7 - 3,00 - 2,00
CONSUMO - 00/01 - 603,17 - 198,22 - 5,0 - 120 - 36,24
01/02 - 611,71 - 200,54 - 6,8 - 124 - 36,96
ESTOQUE FINAL - 00/01 - 153,75 - 48,23 - 0,46 - 81,08 - 0,91
- 01/02 - 125,44 - 39,26 - 0,71 - 63,08 - 1,36
FONTE: USDA, janeiro de 2001.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
E-mail: [email protected]





