AGROMERCADO
BOI GORDO
Exportação favoreceu o setor em 2001
Beneficiada pela taxa de câmbio, a exportação brasileira de carne bovina bateu nova recorde em 2001, situando-se ao redor de um bilhão de dólares. Dados da Companhia Nacional do Abastecimento (Conab) indicam que de janeiro a novembro, o valor das exportações já havia atingido 939 milhões de dólares com crescimento de 29% em relação ao mesmo período do ano anterior. Em volume, as exportações de carne bovina acumulam 475 mil toneladas de janeiro a novembro, com crescimento de 52% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse desempenho favoreceu o setor bovino em 2001, permitindo maiores preços aos produtores e maior lucratividade aos frigoríficos exportadores.
Dos tipos de carne exportada, merece destaque o crescimento de 48% no valor das vendas de carne bovina congelada, que passou de 312 para 462 milhões de dólares; e o crescimento de 39% no valor das vendas de carne bovina fresca, que passou de 155 para 215 milhões de dólares. A tabela ao lado apresenta o volume e o valor das exportações de carne bovina entre janeiro e novembro de 2000 e 2001.
Preços
O preço médio do boi gordo no Estado do Paraná foi de R$ 41,4 por arroba em 2001, com alta de 6,2% em relação ao preço médio do ano anterior. Durante o ano de 2001, a menor cotação mensal ocorreu em fevereiro (R$ 38 por arroba) e a maior em outubro (R$ 45 por arroba). A valorização nominal dos preços em 2001, no entanto, é de 70%, se comparado o preço médio do ano 2001 (R$ 41,4/@) e o preço médio praticado entre 1996 e 1998 (R$ 24,4/@), conforme mostra o gráfico ao lado.
Em 2001, os preços médios mensais do boi gordo seguiram trajetória próxima ao padrão estacional do mercado, à exceção do segundo trimestre que registrou valores maiores do que os do primeiro trimestre. Assim, os preços subiram quase que continuadamente de fevereiro a outubro (quando passaram de R$ 38/@ para R$ 45/@), voltando a cair no último bimestre para encerrar o ano em R$ 44/@.
TABELA - EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CARNE BOVINA, JANEIRO A NOVEMBRO, 2000 E 2001.
PRODUTO - 2000 - 2001 - Variação %
2000-2001
- Janeiro a Novembro - Janeiro a Novembro -
(t) - U$$1000
FOB - (t) - U$$1000
FOB - (t) - U$$1000
FOB
Bovino Congelado - 129.905 - 312.054 - 258.503 - 462.298 - 99 - 48
Bovino Fresco - 43.666 - 154.558 - 75.471 - 215.136 - 73 - 39
Bovino em Conserva - 113.452 - 230.769 - 115.535 - 233.720 - 2 - 1
Miúdos bovinos - 23.830 - 27.795 - 24.756 - 25.251 - 4 - -9
Bovino salgada, seca ou defumada - 1.109 - 2.932 - 1.273 - 2.758 - 15 - -6
TOTAL - 311.962 - 728.108 - 475.538 - 939.163 - 52 - 29
Fonte: CONAB
Comparativo boi / frango / suíno
No ano passado, a maior valorização nominal dos preços no mercado de carnes foi do suíno, muito embora o boi gordo acumule o melhor desempenho na média dos últimos três anos, conforme mostram os dados da tabela ao lado. De 1998 a 2001, os preços do boi gordo subiram 56,8%, os do suíno 50,6% e os do frango 31,8%.
TABELA - PREÇOS MÉDIOS ANUAIS AO PRODUTOR PARANAENSE DO BOI GORDO, SUÍNO E FRANGO, 1998-2001.
Em reais por quilo de peso vivo
Ano - Boi gordo - Suíno - Frango
1998 - 0,88 - 0,85 - 0,66
1999 - 1,07 - 0,99 - 0,71
Variação % 98-99 - + 21,6% - + 16,5% - + 7,6%
2000 - 1,30 - 1,10 - 0,82
Variação % 99-00 - + 21,5% - + 11,1% - + 15,5%
2001 - 1,38 - 1,28 - 0,87
Variação % 00/01 - + 6,2% - + 16,4% - + 6,1%
Variação % 98-01 - + 56,8% - + 50,6% - + 31,8%
FONTE: AGROMARKET
José Roberto Canziani - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]
ALGODÃO
Produção cresceu em ano de baixos preços internacionais
A produção nacional de algodão em 2001 superou as expectativas iniciais, atingindo 939,3 mil toneladas de pluma (DERAL para o Paraná e CONAB para demais estados). Este volume representa um aumento de 34,16% em relação às 700,2 mil toneladas produzidas na safra 99/00 e de 207% em relação ao magro volume de 305,8 mil toneladas produzidas em 1997 - o menor volume em mais de 20 anos.
A produção brasileira cresceu continuamente nas últimas quatro safras, puxada pelo aumento contínuo na área plantada e na produção do Centro-Oeste, mais especificamente no Mato Grosso. A produção maior foi acompanhada pela redução dos preços tanto em Real quanto em dólar. O preço médio do ano 2001 foi de 87,93 centavos de real por libra peso (R$ 28,33/arroba), 3,37% inferior à média do ano anterior (o preço tomado para análise é o indicador do algodão ESALQ/BM&F). Em dólar a redução foi de 25,27%. O mercado brasileiro seguiu o mercado externo pois no ano 2001 o preço médio para primeira entrega na Bolsa de Nova York foi 28,6% menor do que o preço médio em 2000. Em outubro, a cotação média do algodão na bolsa americana foi de 30,93 centavos de dólar por libra peso, o valor mais baixo do ano e também o menor em mais de sete anos.
Neste início de janeiro, o governo possui perto de 87 mil toneladas de algodão em pluma em estoque sendo que, desse total, 51 mil toneladas provêm de operações de AGF e 36 mil de contratos de opção. A maior parte deste estoque (74,5%) está nos estados de Mato Grosso e Goiás (como já ocorreu em anos anteriores). A tabela mostra a disponibilidade de algodão em pluma no País, a respectiva utilização nos quatro últimos anos safra e a projeção para a safra 01/02. Observe na tabela que o estoque final da safra 00/01 supera 190 mil toneladas e se acabar o ano safra perto deste volume, será o maior estoque final no Brasil desde a safra 87/88. Ao menos o Brasil saiu da lista de grandes importadores de algodão.
O resumo do ano de 2001 para o algodão é de que a produção nacional cresceu justamente num ano de preços internacionais deprimidos. Nem a desvalorização do Real ajudou as exportações (ajudaram mais os subsídios para exportação através de mecanismo especial de PEP). O estoque interno cresceu diante dos preços baixos.
Perspectivas
As estimativas são de redução na área plantada e na produção brasileiras. A área na região Centro-Sul está estimada em 565,7 mil hectares, redução de 21,1% em relação ao ano passado. O total nacional está estimado em 733,6 mil hectares. A produção nacional está prevista em 771,8 mil toneladas de algodão em pluma, 17,8% a menos que na safra anterior. Como mostra o gráfico, apesar da redução na área e na produção esperada, esta ainda será superior à média da década de 90. Observe no gráfico a evolução da área plantada no Brasil e da produção nos últimos 20 anos. A evolução tecnológica da produção nacional é nítida pois na safra 00/01 o Brasil produziu quase a mesma quantidade que colheu na safra de 1985, mas com uma área quatro vezes menor.
No Paraná a área plantada nesta safra 01/02 despencou para 41,4 mil hectares, a menor em 20 anos e a segunda menor área entre os estados da região Centro-Sul (superior apenas à área a ser plantada em Minas Gerais). Definitivamente os preços de 2001 não foram compatíveis com as expectativas e custos dos produtores paranaenses.
TABELA - - DISPONIBILIDADE E CONSUMO DE ALGODÃO EM PLUMA NO BRASIL, ÚLTIMAS 4 SAFRAS E PREVISÃO PARA 01/02.
Em mil toneladas
Ano - Estoque - Produção - Importação - Consumo - Exportação - Estoque
Safra - Inicial - - - - - Final
97/98 - 132,1 - 411,0 - 334,4 - 782,9 - 3,1 - 91,5
98/99 - 91,5 - 519,5 - 280,3 - 806,5 - 3,9 - 80,9
99/00 - 80,9 - 700,2 - 299,9 - 885,0 - 28,5 - 167,5
00/01 - 167,5 - 939,3 - 95,0 - 860,0 - 145,0 - 196,8
01/02 - 196,8 - 771,8 - 120,0 - 860,0 - 100,0 - 128,6
FONTE: CONAB e AGROMARKET
TABELA - ÁREA PLANTADA COM ALGODÃO NO BRASIL, ESTADOS SELECIONADOS, SAFRAS 00/01 E 01/02, EM MIL HECTARES.
ESTADO/REGIÃO
SAFRA 00/01
(A) - SAFRA 01/02
(B) - (B/A)
%
MATO GROSSO - 392,0 - 297,9 - -24,0
GOIÁS - 97,6 - 85,9 - -12,0
SÃO PAULO - 65,7 - 60,0 - -8,7
MATO GROSSO DO SUL - 50,4 - 44,9 - -10,9
PARANÁ - 70,9 - 41,4 - -41,6
MINAS GERAIS - 38,6 - 34,0 - -11,9
CENTRO-SUL - 716,7 - 565,7 - -21,1
BRASIL - 872,9 - 733,6 - -16,0
FONTE: CONAB e SEAB/DERAL
Os preços em 2002 vão continuar dependendo dos preços internacionais e do câmbio. No front externo os números da safra 01/02 não são animadores em termos de preços. A produção mundial cresce pelo quarto ano safra consecutivo. Os estoques finais, que haviam reduzido no ano safra anterior, voltam a crescer. Estes números se refletem nos preços externos abaixo da média, como comentado anteriormente.
O preço efetivo que os produtores irão receber dependerá da guerra fiscal entre estados fomentada pela política fiscal do Mato Grosso na questão do ICMS. Este assunto deve continuar na pauta de discussões nesta safra 01/02.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
E-mail: [email protected]
Serviço - Durante o mês de janeiro, a Folha Agromercado apresenta uma avaliação do comportamento dos mercados ao longo de 2001 para cada um dos produtos analisados regularmente, contemplando, esta semana, boi gordo e algodão.





