Durante o mês de janeiro, a Folha Agromercado inicia uma avaliação do comportamento dos mercados ao longo de 2001, para cada um dos produtos analisados regularmente, mostrando, esta semana, feijão e suíno.
FEIJÃO
Produção menor permitiu preços mais altos
A safra 00/01 de feijão no Brasil totalizou 2.577 mil toneladas, sendo 1.157 mil toneladas na primeira safra (águas), 1.131 mil na segunda safra (seca) e 289 mil toneladas na terceira safra (inverno), segundo dados da CONAB e SEAB/DERAL. Este volume representa redução de 17% em relação ao volume colhido nas três produções do ano safra 99/00. A produção brasileira de feijão cresceu por dois anos seguidos derrubando o preço do produto. Com a safra menor deste ano, os preços voltaram a subir.
Os preços baixos do feijão em 2000 levaram à redução na área plantada da safra 00/01, tanto na safra das águas quanto da seca. Na safra das águas, a área plantada reduziu 20%. A produtividade se recuperou na região Centro-Sul mas a produção da Bahia sofreu quebra significativa, reduzindo a produtividade em menos da metade do rendimento da safra anterior. Na média nacional a produtividade na primeira safra foi de 895 Kg/ha, 2% superior à da safra 99/00.
Na safra da seca (2ª safra) a área plantada reduziu 11% no País, especialmente na região Norte/Nordeste. No Centro-Sul, a área plantada cresceu 1,7%, mas na região Nordeste, que é a grande produtora da segunda safra, a produção reduziu 42,3% em função de novo ciclo de seca. Como resultado, a produção nacional de segunda safra reduziu 22%. A terceira safra cresceu quase 29%, tanto pelo aumento de área (26%) quanto de produtividade, graças ao inverno mais ameno.
A produção total deste ano foi a menor dos últimos três anos e permitiu a valorização do produto, depois de dois anos de preços baixos. Em termos nominais (sem considerar inflação) o preço médio anual do feijão preto ao produtor no Paraná foi 82% superior à média dos últimos cinco anos. Para o feijão cores este percentual é de 39,7%.
Safra 01/02
Os preços mais altos tiveram o efeito esperado de aumentar a área plantada na lavoura de verão. Na safra das águas deste ano 2002 a área plantada na região Centro-Sul cresceu 12,6% e a produção está prevista, por enquanto, em 1.407,6 mil toneladas, aumento de 21,6% sobre s produção do ano passado. O Paraná deve colher 428,6 mil toneladas, 26,3% a mais do que no ano passado. O maior aumento relativo de área ocoreu na Bahia, onde devem ser cultivados 254,3 mil hectares, 96% a mais do que no ano anterior (129,7 mil ha). Este cenário indica preços mais baixos para o feijão no próximo ano, mas por enquanto, isto não ocorreu. O preço médio ao produtor em dezembro foi superior à média do ano passado.
FEIJÃO - ÁREA, PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE NA PRIMEIRA SAFRA POR REGIÕES DO BRASIL, SAFRA 00/01 E ESTIMATIVA PARA 01/02.
Região - Área (Mil ha) - Produção (Mil t) - Produtividade (Kg/ha)
00/01 - 01/02 - % - 00/01 - 01/02 - % - 00/01 - 01/02 - %
Sul - 565,9 - 646,9 - 14,3 - 607,7 - 686,2 - 12,9 - 1.074 - 1.061 - -1,2
Sudeste - 295,5 - 318,9 - 7,9 - 311,7 - 358,9 - 15,1 - 1.055 - 1.125 - 6,7
Centro-Oeste - 60,5 - 63,5 - 5,0 - 107,3 - 107,2 - -0,1 - 1.774 - 1.688 - -4,8
Norte/Nordeste - 370,5 - 425,8 - 14,9 - 130,4 - 255,3 - 95,8 - 352 - 600 - 70,4
Brasil - 1.292,4 - 1.455,1 - 12,6 - 1.157,1 - 1.407,6 - 21,6 - 895 - 967 - 8,0
Fonte: CONAB e SEAB/DERAL
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
SUÍNO
2001: bom ano para o produtor nacional
O ano de 2001 chegou ao final e foi considerado por muitos produtores nacionais como um excelente período para a suinocultura brasileira. De maneira geral, os grandes números do setor no ano passado foram os seguintes: uma produção de aproximadamente 2,2 milhões de toneladas de carne equivalente carcaça; abate de 31 milhões de cabeças; 220 mil toneladas de carne suína exportada; uma receita cambial da ordem de US$ 350 milhões; um consumo ‘‘per capita’’ de cerca de 11,0 quilogramas por habitante por ano e um consumo interno de 2.200 toneladas de carne.
No cômputo geral, a Região Sul continua sendo a grande produtora nacional de carne suína, com o abate de aproximadamente 17,4 milhões de cabeças em 2001, o que representa 60% dos abates totais do Brasil. Outras regiões que apresentaram excelente desempenho ano passado foram a Sudeste e a Centro-Oeste. Estas deverão expandir-se substancialmente ainda no curto prazo, devido ao grande volume de investimentos que estão sendo alocados em projetos de produção. Neste sentido, deverá acelerar o já iniciado processo de transferência da produção de algumas regiões pouco competitivas ou problemáticas para a nova fronteira, devido ao menor custo dos insumos, terras mais baratas, menores custos de produção, economia de escala na produção e vantagens fiscais, além de outros fatores.
Apesar de 2001 ter sido um excelente período para a maioria dos produtores, deve-se lembrar dos problemas e entraves que fazem com que esta importante cadeia do agronegócio nacional não se desenvolva totalmente de forma homogênea. Dentre os principais ‘‘gargalos’’ citamos: a alta variabilidade dos custos de produção devido a dependência e cotação da maioria dos insumos de produção em dólar; a falta de um apurado planejamento estratégico no alojamento de matrizes e consequente produção de suínos e carne (deve-se buscar sempre o equilíbrio do binômio oferta e demanda); os problemas sanitários ainda afetam drasticamente o mercado interno e externo e o problema da distribuição das margens de lucro ao longo da cadeia produtiva tem fortalecido o elo mais forte (agroindústria) sem proporcionar equivalente desenvolvimento do elo mais fraco (produtor).
Desta forma, além de comemorar a boa situação, deve-se buscar solução imediata para estes problemas de forma a melhorar ainda mais a competitividade da suinocultura nacional e sua inserção no cenário mundial.
O preço do suíno no Paraná
Com relação ao comportamento dos preços da carne suína ao longo de 2001, percebeu-se uma grande variabilidade nos mesmos, com as cotações reais valendo menos que em 2000 entre os meses de janeiro à março; apresentando uma boa recuperação entre abril e julho e, novamente, apresentando um período de baixa entre agosto e outubro seguido por uma tendência de alta em novembro e dezembro, conforme pode ser observado na tabela.
Na média do Estado, o quilograma da carne suína foi comercializada em 2001 à R$ 1,30, com o valor mais baixo do período observado em março (R$ 1,18) e a cotação mais elevada sendo registrada em novembro, quando o quilograma valia R$ 1,44. Comparativamente, entre janeiro e dezembro de 2001 a cotação da carne suína apresentou um incremento real de 4,4% nas cotações.
Tabela - Evolução dos preços reais do suíno, do milho e da relação de trocas no Paraná em 2001, em Reais (R$) deflacionados pelo IGP-DI para dezembro/2001.
item/mês - Unid. - jan - fev - mar - abr - mai - jun - jul - ago - set - out - nov - dez - Média
Preço real do
Suíno - Kg - 1,36 - 1,19 - 1,18 - 1,34 - 1,31 - 1,30 - 1,32 - 1,27 - 1,24 - 1,24 - 1,44 - 1,42 - 1,30
Preço real do
Milho - Saca - 8,78 - 8,00 - 7,74 - 7,72 - 7,85 - 8,17 - 8,70 - 9,48 - 9,98 - 10,01 - 10,14 - 10,19 - 8,90
Relação de troca - Kg/saca - 6,5 - 6,7 - 6,6 - 5,8 - 6,0 - 6,3 - 6,6 - 7,5 - 8,0 - 8,1 - 7,0 - 7,2 - 6,8
Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de dezembro de 2001.
De maneira geral, este comportamento variável do preço ao longo de 2001 foi o reflexo de aspectos como a demanda interna pela carne suína, que sofre influência direta da carne bovina e da do frango; as crescentes exportações verificadas este ano no setor e a pressão das integrações no sentido de estimular ou não a produção para a manutenção normal de seus estoques.
O preço pago pelo milho
Em 2001, o impacto do preço do milho no custo de produção do suíno foi bem menor no mercado paranaense. Na média de janeiro à dezembro, uma saca de milho custou 29,6% a menos que em igual período de 2000, o que significa um ganho bastante significativo para o lado do produtor. Entre janeiro e dezembro de 2001, a saca de milho apresentou um incremento da ordem de 16,1% com o preço médio da saca valendo R$ 8,90. Em 2000, a cotação real média anual da saca de milho ficou ao redor dos R$ 12,43 mas, em alguns momentos do ano, chegou a valer mais de R$ 13,00 a saca.
Ano passado, observou-se um fortalecimento das cotações médias da saca de milho no Paraná, principalmente a partir de abril. Em abril, uma saca de milho valia R$ 7,72 na média do Paraná e, atualmente, R$ 10,19, o que significa um incremento de 32% nas cotações em oito meses, ou cerca de 4% ao mês.
A relação de troca
Este indicador tem por finalidade verificar a situação de capitalização do produtor, ou seja, quanto de produto ele terá que dispor para a aquisição de uma unidade de insumo. Em 2001, a relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do suíno permaneceu 32% em média melhor para o lado do produtor, com relação a 2000. Assim, ano passado, um suinocultor paranaense necessitou comercializar em média 6,8 quilogramas de suíno para a compra de uma saca de milho, enquanto que em 2000 precisava de 10 quilogramas. Esta diferença significa 3,2 quilogramas a menos de produto em cada negociação, ou seja, mais lucro no bolso do produtor.
Ao longo de 2001, observou-se uma grande variabilidade nas relação de trocas no mercado paranaense. Em abril, um produtor necessitava de apenas 5,8 quilogramas de carne suína por saca de milho, sendo considerada a melhor situação do ano. Após este período, verificou-se uma progressiva deterioração da relação de trocas devido ao incremento da cotação do milho no Estado. O pior momento verificado para os suinocultores foi setembro, onde necessitaram comercializar oito quilogramas de carne suína por saca de milho. Atualmente, um suinocultor paranaense tem comercializado em média 7,2 quilogramas de carne por saca de insumo.
Perspectivas para 2002
Para o novo ano que se inicia, existem algumas perspectivas e projeções que deverão ocorrer com a cadeia produtiva da carne suína ao longo de 2002. Dentre os principais aspectos levantados, citamos a possibilidade da ampliação em 10% da base produtiva nacional, visando abastecer a demanda interna e externa pelo produto; dar continuidade e aprimorar cada vez mais o programa de qualidade e sanidade da carne além de buscar preços competitivos afim de enfrentar mercados globalizados; o surgimento de granjas de maior porte e escala de produção com redução do número de produtores associados e menor custo de logística; aumentar o consumo ‘‘per capita’’ brasileiro para 12 quilogramas por habitante por ano, com ampliação do marketing e campanhas para o aumento do consumo da carne suína; expansão e ampliação do comércio internacional com maiores parcerias entre o Brasil a União Européia, Japão, Rússia e China (que possui déficit de 130 mil toneladas por ano); buscar exportar 350 mil toneladas de carne com projeção de receita cambial de US$ 500 milhões; e minimizar o impacto do milho e dos insumos no custo de produção (efeito da variação cambial do US$).
João Batista Padilha Junior - Prof. da UFPR
e-mail: [email protected]

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