AGROMERCADO
A L G O D Ã O
Alta de 7,7% em 30 dias
Os preços do algodão em pluma no Brasil passaram praticamente o ano todo em queda, mas enfim, vêm se recuperando neste mês de dezembro. Nos últimos 30 dias, o preço da pluma, medido pelo indicador do algodão ESALQ/BM&F em reais por libra peso, acumula alta de 7,7% e de 16,05% no valor em dólar. É o primeiro movimento de alta deste ano para o produto.
Comportamento semelhante se observa na Bolsa de Nova York, onde as cotações da pluma para o primeiro vencimento apresentam alta de 7,98% nos últimos 30 dias. O gráfico apresenta a evolução dos preços médios mensais do algodão na Bolsa de Nova York, do indicador e no atacado paranaense, lembrando que a média do mês de dezembro deste ano é parcial até esta semana.
A alta dos preços internacionais provém das estimativas para a safra mundial 01/02, contidas no relatório de dezembro do USDA. A grosso modo as estimativas apontam para a redução na produção mundial, maior comércio e estoques mais baixos do que na estimativa do mês de novembro. A produção deve diminuir na Índia, Austrália, Argentina, Paquistão e nos Estados Unidos e crescer no Uzbequistão. É importante destacar que, em relação à safra 00/01, os números atuais da nova safra ainda apontam para aumento da produção e dos estoques. Assim, os preços devem se manter inferiores aos da safra anterior. As exportações americanas devem atingir volume recorde dada a redução na produção e nas vendas externas de outros exportadores importantes como Austrália e Argentina.
Estimativas para a safra nacional
Para os produtores brasileiros o aumento nos preços externos é um alento importante, ao menos para aqueles que mantiveram parte de suas áreas ocupadas com algodão. Segundo o último levantamento de safras da CONAB, divulgado neste mês de dezembro, a área plantada com algodão na região Centro-Sul na safra 01/02 reduziu 21,1% passando de 716,7 para 565,7 mil hectares. A maior redução relativa foi no Paraná (41,6%), mas a maior redução absoluta se observa no Mato Grosso, onde 111 mil hectares serão ocupados com outra cultura (soja, na verdade). No Paraná, o DERAL estima a área de algodão em 41,4 mil hectares, a menor área em mais de 20 anos.
A produção na região Centro-Sul está estimada em 678 mil toneladas de algodão em pluma, 183 mil a menos do que na safra anterior, que atingiu 939,3 mil toneladas e foi a segunda maior da história. Novamente, a exemplo do milho, o Brasil gerou excedente exportável num ano de preços baixos no mercado externo. Ao menos o câmbio ajudou em alguma coisa. A reação dos preços é a primeira boa notícia para a safra 01/02.
Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
M I L H O
Um milhÃo de hectares transferidos para a soja
Neste mês de dezembro a CONAB divulgou os resultados da segunda pesquisa de campo para a safra 01/02, com novas estimativas para a área plantada e projeção de produção de milho segunda safra para toda a região Centro-Sul e parte das regiões norte e nordeste. Combinando estes dados com os dados do DERAL para o Paraná, a área plantada com milho na região Centro-Sul vai reduzir 13,6%. Dessa forma, pouco mais de um milhão de hectares deixarão de ser cultivados com milho este ano. Como a área de soja cresce 1,68 milhão de hectares, fica evidente que a soja ocupou a área do milho.
A área de milho de verão na região Centro-Sul está estimada em 6,66 milhões de hectares, a menor área plantada na região em mais de vinte anos e pouco inferior à área plantada na safra 97/98 (6,7 milhões de hectares), que era a mais baixa da história recente até este ano. A estimativa para a área total nacional na safra de verão é, por enquanto, de 9,54 milhões de hectares, 9,6% menor do que na safra anterior.
A produção deve reduzir em proporção superior à redução na área plantada, pois não se esperam as mesmas produtividades (excelentes) obtidas na safra 00/01. A produção na região Centro-Sul está prevista em 26,79 milhões de toneladas, 18% menor do que no ano passado. Em termos nacionais, a projeção atual é de 30,5 milhões de toneladas, com redução de 14%.
Entre a pesquisa de outubro e de dezembro, a maior mudança foi na estimativa da área plantada no Centro-Oeste, que será menor do que se previa tanto no Mato Grosso quanto no Mato Grosso do Sul. Nestes estados o plantio de milho no verão é pouco expressivo, não chegando a 400 mil hectares. Mas em Goiás, o maior produtor da região, a área reduzirá em quase 200 mil hectares.
Preços
O número de negócios foi reduzido esta semana e os preços começaram a reduzir em diversas regiões, tanto no Paraná quanto em outros estados. Em Campinas, por exemplo, o preço do milho no mercado de lotes reduziu 1,6%; em Passo Fundo (RS) e em Cascavel, o preço médio ao produtor reduziu 0,5% e em Chapecó, 2,4%. Na média do Paraná, o preço ao produtor reduziu 10 centavos por saca. Este comportamento está dentro do esperado, e acompanha o padrão sazonal de preços do milho para o mês de dezembro. Sem surpresas neste final de ano.
Mercado externo
As estimativas de dezembro do USDA para a safra mundial 01/02 de milho são favoráveis a preços melhores para o grão. A produção mundial está projetada em 586,06 milhões de toneladas, 510 mil toneladas inferior à safra 00/01. Os estoques também devem se reduzir de 152,4 para 126,04 milhões de toneladas. Este estoque equivale a 21% da produção, a menor proporção desde a safra 77/78. Isto pode ajudar na recuperação dos preços do milho no mercado mundial. A cotação média deste ano na Bolsa de Chicago foi 19,2% abaixo da média dos últimos 10 anos.
A todos os leitores, desejo paz e harmonia para suas famílias neste Natal.
Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
Colheita na Argentina supera 40% da área
Este ano, a Argentina plantou 7,05 milhões de hectares com trigo, 8,6% a mais do que no ano passado. Deste total, 272,5 mil hectares foram perdidos, correspondendo a 3,9% da área plantada. Até meados de dezembro foram colhidos 2,76 milhões de hectares ou 41% da área a ser colhida.
A produção está estimada pelo USDA em 17 milhões de toneladas, meio milhão a mais do que na safra passada (00/01). Segundo a Secretaria de Agricultura da Argentina, 1,7 milhão de toneladas do trigo da safra nova estão vendidas ao Brasil, até meados de dezembro. Este volume é 17% superior ao do mesmo período do ano passado. De qualquer forma, é trigo argentino da safra nova que está disponível e se dirige ao mercado brasileiro.
Neste mês de dezembro (média até esta semana), os preços do trigo no mercado internacional (representado pela Bolsa de Chicago) estão 2,3% inferiores à média das cotações no mês de novembro. A cotação média para o primeiro vencimento naquela bolsa agora em dezembro é de US$ 102/tonelada.
Os números do USDA para a safra mundial 01/02, na estimativa de dezembro, mostram aumento tanto na estimativa de produção mundial quanto dos estoques, o que contribui para a redução de preços de novembro para dezembro.
No entanto, é importante destacar que o quadro de disponibilidade e uso de trigo no mundo para a safra 01/02 mostra volumes menores do que na safra passada. Por exemplo, a produção mundial reduz de 582,34 para 577,02 milhões de toneladas; o estoque final passa de 163 para 143,98 milhões de toneladas e o comércio mundial cresce (importações) de 122,6 para 127,12 milhões de toneladas.
Este cenário é que vem permitindo que os preços do trigo em 2001 (média anual até o momento) superem em 5,54% a cotação média do grão na Bolsa americana no ano passado. Trocando em miúdos, para o primeiro semestre do próximo ano (dado o cenário de hoje) os preços em dólar serão maiores, o que deve ter influência positiva sobre os preços do grão no Brasil. O plantio da próxima safra dependerá, também, da taxa de câmbio no Brasil.
Por ora, com a queda nas cotações externas deste mês e a significativa valorização do Real frente ao dólar, os preços do trigo no Brasil devem recuar. Portanto, quem esperou até agora deve esperar um pouco mais e aguardar os acontecimentos do primeiro semestre. A tabela apresenta os valores de fechamento da safra 2001. Pode haver mudanças mas serão correções pequenas.
TRIGO - ÁREA E PRODUÇÃO NO BRASIL, ÚLTIMAS DUAS SAFRAS.
Em mil hectares e mil toneladas
SAFRA 2000 2001 %
REGIÃO/UF Área Produção Área Produção Área Produção
SUL 1.354,2 1.548,0 1.527,5 2.830,2 12,8 82,8
PR 762,8 599,4 874,7 1.728,4 14,7 188,4
SC 34,4 57,4 51,2 79,1 48,8 37,8
RS 557,0 891,2 601,6 1.022,7 8,0 14,8
SUDESTE 24,2 49,7 24,9 64,3 2,9 29,4
MG 5,5 22,6 5,3 21,2 -3,6 -6,2
SP 18,7 27,1 19,6 43,1 4,8 59,0
CENTRO-OESTE 72,2 85,0 69,0 115,6 -4,4 36,0
MS 64,9 75,3 60,7 103,2 -6,5 37,1
GO 6,8 7,4 7,8 10,1 14,7 36,5
DF 0,5 2,3 0,5 2,3 0,0 0,0
BRASIL 1.450,6 1.682,7 1.621,4 3.010,1 11,8 78,9
FONTE: CONAB e SEAB/DERAL
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]





