S U Í N O

O preço pago ao produtor no Paraná

Os suinocultores paranaenses devem comemorar este final de ano a boa situação pela qual a atividade vem passando. Em dezembro, a cotação do quilograma da carne suína, na média do Paraná, está valendo R$ 1,42, ou seja, 4,4% a mais, em termos reais, do que a cotação paga em igual período do ano passado. Em termos médios, a cotação em 2001 está valendo R$ 1,28 enquanto que em 2000 era cotada à R$ 1,24, significando um ganho médio real de 3,2% nas cotações para o lado dos produtores.
Além deste aspecto da valorização real do preço da carne suína este ano, devemos perceber que outros fatores também atuaram de maneira favorável para o lado dos suinocultores paranaenses, como o preço do milho e a própria relação de trocas.
Com relação ao comportamento dos preços da carne suína ao longo de 2001, percebeu-se uma grande variabilidade nos mesmos, com as cotações reais valendo menos que em 2000 entre os meses de janeiro à março; apresentando uma boa recuperação entre abril e julho e, novamente, apresentando um período de baixa entre agosto e outubro seguido por uma tendência de alta em novembro e dezembro, conforme pode ser observado na tabela.
De maneira geral, este comportamento variável do preço ao longo de 2001 foi o reflexo de aspectos como a demanda interna pela carne suína, que sofre influência direta da carne bovina e suína; as crescentes exportações verificadas este ano no setor e a pressão das integrações no sentido de estimular ou não a produção para a manutenção normal de seus estoques.

O preço pago pelo milho

Este ano, o impacto do preço do milho no custo de produção do suíno tem sido bem menor no mercado paranaense. Na média de janeiro à dezembro, uma saca de milho está custando 29,6% menos que em igual período de 2000, o que significa um ganho bastante significativo para o lado do produtor. Entre janeiro e dezembro deste ano, a saca de milho já apresentou um incremento da ordem de 18,6% com o preço médio da saca valendo R$ 8,75.
No ano passado, a cotação real média anual da saca de milho ficou ao redor dos R$ 12,43 mas em alguns momentos do ano chegou a valer mais de R$ 13,00 a saca.
Em 2001, observou-se um fortalecimento das cotações médias da saca de milho no Paraná, principalmente à partir de abril. Em abril, uma saca de milho valia R$ 7,56 na média do Paraná e, atualmente, R$ 10,19, o que significa um incremento de 34,8% nas cotações em oito meses, ou cerca de 4,3% ao mês.

A relação de trocas

Este indicador tem por finalidade verificar a situação de capitalização do produtor, ou seja, quanto de produto ele terá que dispor para a aquisição de uma unidade de insumo. Atualmente, podemos afirmar que a relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do suíno encontra-se 32%, em média, melhor para o lado do produtor do que no ano passado. Este ano, um suinocultor paranaense necessitou comercializar em média 6,8 quilogramas de suíno para a compra de uma saca de milho, enquanto que no ano passado precisava de 10 quilogramas. Assim, essa diferença significa 3,2 quilogramas a menos de produto em cada negociação, ou seja, mais lucro ao produtor.

TABELA - PREÇOS DO SUÍNO E MILHO, RELAÇÃO DE TROCA, NO PARANÁ ENTRE 2000-2001, EM REAIS DEFLACIONADOS PELO IGP-DI PARA DEZEMBRO/2001.
Item/mês
Unid.

Ao longo de 2001, observou-se uma grande variabilidade nas relações de trocas no mercado paranaense. Em abril, um produtor necessitava de apenas 5,8 quilogramas de carne suína por saca de milho, sendo considerada a melhor situação do ano. Após este período, verificou-se uma progressiva deterioração da relação de trocas devido ao incremento da cotação do milho no Estado. O pior momento verificado para os suinocultores foi setembro, onde necessitaram comercializar 8,1 quilogramas de carne suína por saca de milho.
Atualmente, um suinocultor paranaense tem utilizado em média 7,2 quilogramas de carne por saca de insumo.

Na semana, a cotação do suíno

O preço médio do suíno raça negociado no Paraná apresentou um incremento da ordem de 0,71% em relação à cotação observada na semana passada (R$ 1,41), com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,42 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de novembro (R$ 1,44), observa-se uma redução da ordem de 1,39% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (dezembro), notamos um ganho da ordem de 12,7% nas cotações.

João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

S O J A

PREÇOS ACUMULAM QUEDA DE 8% EM 3 SEMANAS

O preço médio semanal da soja ao produtor paranaense acumula queda de aproximadamente 8% nas últimas três semanas. Apesar disso, o clima de otimismo segue predominante junto aos sojicultores, atualmente mais voltados ao bom desenvolvimento vegetativo que vem sendo observado nas lavouras da safra 2001/2002. No momento, a comercialização das safras nova e velha está quase parada, com pouco interesse de compradores e vendedores para a realização de negócios, tornando os preços de mercado praticamente nominais.
Em síntese, os seguintes fatores vêm contribuindo para a atual desvalorização dos preços da soja no mercado interno em plena época de final de entressafra: (1) a desvalorização de 14% do dólar frente ao real no acumulado dos últimos dois meses (de R$ 2,77 para R$ 2,37 por dólar); (2) a perspectiva de maior produção de soja na América do Sul, tendo em vista a maior área plantada e a tendência de ganhos de produtividade pelo clima favorável; (3) a atual menor demanda por parte das fábricas de esmagamento de soja no mercado interno, das quais muitas já encerraram suas atividades nesta temporada, em função da baixa disponibilidade de matéria prima neste final de entressafra; (4) os baixos preços da soja no mercado internacional, que seguem oscilando em níveis abaixo dos 450 centavos de dólar por bushel na Bolsa de Chicago, tornando inviável novas exportações neste momento.

Fora do padrão histórico

Sobre as recentes quedas nos preços da soja, vale ressaltar que isso é um fato incomum no mercado interno durante essa época do ano. Tradicionalmente, o mês de dezembro se caracteriza por preços da soja relativamente estáveis no mercado interno, devido o baixo volume de negócios normalmente realizados, em função do baixo estoque disponível e da demanda por parte das fábricas de esmagamento.
A tabela apresenta, além dos preços médios semanais ao produtor paranaense entre novembro e fevereiro, a variação absoluta entre o maior e o menor preço da soja para o referido período dos últimos oito anos. Neste período os preços da soja em dezembro se mantiveram relativamente estáveis em seis dos oito anos anteriores.
Em 2001, a queda de preços da soja já supera os R$ 2 por saca nas últimas três semanas. Nos últimos oito anos, fato semelhante neste período de entressafra só ocorreu em 1997/98, quando os preços da soja chegaram a cair cerca de R$ 3 por saca entre meados de dezembro/97 e meados de janeiro/98. Em 2000/01, os preços da soja caíram cerca de R$ 2,50 por saca durante o final da entressafra, mas a referida queda ocorreu entre o final de dezembro/00 e o final de fevereiro/01.

TABELA - PREÇOS SEMANAIS DA SOJA AO PRODUTOR PARANAENSE ENTRE NOVEMBRO E FEVEIRO, 1994-2001.

Em 1998/99, os preços da soja no mercado interno subiram cerca de R$ 3 por saca entre o início de janeiro/99 e o final de fevereiro/99. Nos demais anos do período 1994 a 2000, os preços da soja no mercado interno não registram variações absolutas (para cima ou para baixo) maior de que R$ 2,5 por saca nos últimos quatro meses da entressafra, entre novembro e fevereiro.

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José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

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