T R I G O

COLHEITA ENCERRADA NO BRASIL

Nesta primeira semana de dezembro estarão concluídas as operações de colheita de trigo nos dois maiores estados produtores do Brasil: Paraná e Rio Grande do Sul. No Paraná a produção está estimada em cerca de 1.728 mil toneladas, quase o triplo do volume colhido na safra passada. A produtividade média está estimada em 1.976 Kg/ha, 44,3% maior do que na frustrada safra do ano 2000.
No Rio Grande do Sul a colheita também se encerra esta semana. O rendimento médio obtido nas lavouras está acima do esperado segundo avaliação da Emater gaúcha que, no entanto, não apresenta dados para o Estado como um todo por enquanto. Mas enfim, não foi um ano ruim em termos de rendimento de lavoura para os produtores gaúchos.
Os preços do trigo no Paraná este ano podem ser visualizados na tabela que contém tanto os valores em reais quanto em dólar. São apresentados os valores médios dos últimos 5 anos, do ano passado e deste ano.

TRIGO - PREÇOS MÉDIOS MENSAIS AO PRODUTOR NO PARANÁ, JULHO A DEZEMBRO EM DÓLAR E REAL.
MESES
Média 5 anos
2000
2001
(C/A)
(C/B)
EM REAIS/SC
(A)
(B)
(C)
%
%
JUL
11,58
14,41
16,50
42,5
14,5
AGO
11,23
14,75
16,56
47,5
12,3
SET
11,03
14,94
16,30
47,8
9,1
OUT
10,62
14,06
15,85
49,2
12,7
NOV
10,63
13,71
16,52
55,4
20,5
DEZ
10,49
13,50



EM DÓLAR/SC





JUL
9,34
8,02
6,75
-27,7
-15,8
AGO
8,88
8,19
6,60
-25,6
-19,3
SET
8,56
8,13
6,11
-28,7
-24,9
OUT
8,20
7,53
5,81
-29,1
-22,9
NOV
8,19
7,06
6,46
-21,1
-8,5
DEZ
8,06
6,88



FONTE: Agromarket

Os valores deste ano, em reais, estão superiores aos dois outros dados apresentados em todos os meses do período analisado. Os valores em dólar, também como esperado, são inferiores tanto à média quanto aos preços do ano passado. Note que a diferença em relação ao ano 2000 caiu significativamente em novembro. Pesquisa do DERAL revela que 73% da produção paranaense já foi comercializada pelos agricultores, um ritmo adiantado em relação ao comportamento médio que é de 51% da produção comercializada até novembro.

Começa a colheita da Argentina

Este ano o desenvolvimento das lavouras de trigo argentinas foi pior do que no ano anterior. A produtividade deve cair e, especialmente, a qualidade será afetada. Houve incidência de doenças em praticamente todas as regiões produtoras, com destaque para as principais, como é o caso da província de Buenos Ayres. Até o final de novembro foram colhidos 16% dos 7,05 milhões de hectares plantados no país nesta safra. A área plantada na Argentina foi 8,6% superior à da safra passada.
Os produtores brasileiros não estão dispostos a armazenar grande parte da safra para o primeiro semestre do ano que vem, haja visto o percentual já comercializado. No Rio Grande do Sul a estimativa também é de ritmo acelerado nas vendas. Agora resta fazer as contas e ver se, para você, o trigo foi bom negócio ou não, mas tudo leva a crer que os gastos com a lavoura foram recuperados.



M I L H O

EXPORTAÇÕES CONTINUAM

De janeiro a outubro deste ano o Brasil exportou 4.322 toneladas de milho. O escoamento do excesso de oferta para o mercado externo evitou redução maior nos preços do grão este ano. Em novembro os negócios com o porto continuaram ocorrendo e os números de volume, que serão divulgados em algum momento, devem registrar valores ainda significativos para as vendas externas de milho.
Neste início de dezembro ainda se observam negócios para o exterior e, além disso, devem ser embarcados volumes de milho negociados ao longo do ano, mas para embarque efetivo até dezembro (ou janeiro, quem sabe). Ao contrário da soja, cujo mercado praticamente parou na última semana, o do milho ainda registra negócios com volume expressivo.
Os preços não cederam, mas continuaram no comportamento sazonal esperado de alta nesta primeira semana do mês. Em trinta dias o preço do milho ao produtor no Paraná subiu 2,47%, atingindo R$ 10,35/sc esta semana.


Safra 01/02

O plantio alcança 96% da área no Paraná, a qual permanece estimada em 1,49 milhão de hectares, 20,2% menor do que no ano passado. A classificação das lavouras pelo DERAL, segundo suas condições, é a mesma de duas semanas atrás: 81% bom, 18% normal e 1% ruim. Do total plantado, 71% estão em desenvolvimento vegetativo, 22% em floração, 5% em frutificação e 2% em germinação. O plantio deve se encerrar em uma semana.
No Rio Grande do Sul a estiagem recente impediu um avanço maior no plantio, que cobre entre 80% e 85% da área prevista. A redução de área no Rio Grande será menor do que no Paraná e está estimada em 10%. Na Argentina o plantio abrange 72% da área prevista, com ligeiro atraso em relação ao ritmo do ano passado, que era de 79% nesta mesma época. A área plantada está estimada em 2,74 milhões de hectares, redução de 18% em relação ao ano anterior. Os argentinos também não apreciaram os preços internacionais do milho este ano.

Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]



S O J A

BOAS SAFRAS REDUZEM PREÇOS

O bom desenvolvimento vegetativo da safra de soja 2001/2002 na América do Sul vem contribuindo para a manutenção dos baixos preços da soja no mercado internacional. Já no hemisfério norte, em plena época de concentração da comercialização pós-colheita, a oferta regular do produto também contribui para segurar os preços da soja abaixo dos 450 centavos de dólar por bushel, nos contratos para entrega em janeiro na Bolsa de Chicago.

Situação das lavouras

Para o Paraná, relatório da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab) de 3 de dezembro indicava que 12% das lavouras de soja estavam em condições medianas e 88% em boas condições. Quanto ao estágio das lavouras de soja paranaenses o relatório indicava 18% em germinação, 81% em desenvolvimento vegetativo e 1% em fase de floração.


Mercado interno

No mercado interno, mesmo em fase final de entressafra 00/01, registra-se preços em queda nas últimas duas semanas, em linha com a desvalorização do dólar frente ao real, com a menor demanda por parte das fábricas de esmagamento de soja e com a quase ausência de demanda por parte de empresas exportadoras.
No Paraná, o preço médio ao produtor ficou em R$ 26,10 por saca nesta semana, com queda de 3,7% ou R$ 1 por saca nos últimos quinze dias.

Exportações brasileiras

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Óleos Vegetais (Abiove) , até outubro as exportações brasileiras do complexo soja haviam atingido 14,96 milhões de toneladas de soja em grão; 8,61 milhões de toneladas de farelo de soja e 1,24 milhões de toneladas de óleo de soja. Em volume, o aumento em relação ao mesmo período do ano anterior era de 35%, 14% e 57%, respectivamente.
O gráfico ilustra o volume acumulado das exportações brasileiras de soja em grão durante o ano comercial 2001/2002 (fevereiro a outubro) e nos dois anos anteriores (fev/jan). Nele pode-se observar o maior volume de exportações ao longo de todo o ano de 2001, frente ao volume exportado em igual período dos anos anteriores.

Fluxo de vendas

A tabela, por sua vez, mostra o percentual acumulado dos embarques de soja em relação ao total previsto para todo o ano comercial (fev/jan), das safras 99/00, 00/01 e 01/02. Nele pode-se observar o fluxo das vendas brasileiras de soja em grão ao exterior ao longo dos últimos três anos. No atual ano comercial (fevereiro de 2001 a janeiro de 2002), o fluxo de vendas (em termos percentuais) foi semelhante ao observado em anos anteriores. Até outubro, 97% do total previsto de soja em grão já havia sido embarcado na atual safra, contra 94% em 00/01 e 96% em 99/00.

SOJA - PERCENTUAL ACUMULADO DAS EXPORTAÇÕES EM RELAÇÃO AO PREVISTO PARA TODO O ANO COMERCIAL (FEV/JAN).

FEV
MAR
ABR
MAI
JUN
JUL
AGO
SET
OUT
NOV
DEZ
JAN
1999/00
2%
7%
25%
46%
62%
76%
85%
93%
96%
98%
100%
100%
2000/01
1%
5%
19%
34%
49%
65%
82%
89%
94%
97%
97%
100%
2001/02
1%
6%
19%
36%
53%
65%
81%
91%
97%


Para o farelo de soja, os embarques até outubro desse ano totalizavam 84% do total previsto, contra 76% no mesmo período do ano passado e 79% no ano comercial 99/00. No caso do óleo de soja, os embarques até outubro desse ano totalizavam 83% do total previsto, contra 70% no mesmo período do ano passado e 80% no mesmo período do ano comercial 99/00.
Neste ano, o maior volume de vendas ao exterior e a relativa antecipação dos embarques do complexo soja parecem indicar uma provável antecipação no fechamento das fábricas de esmagamento, com consequente menor disputa pelo estoque remanescente no mercado interno e, portanto, menor possibilidade de novos aumentos significativos de preços até o encerramento do ano comercial em janeiro de 2002.


José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

mockup