S O J A

PREÇOS RECUAM

Nesta semana, o comportamento dos preços da soja não foi nada favorável aos produtores brasileiros. Houve queda no valor da taxa de câmbio (do real frente ao dólar) e queda de preços de todos os produtos que compõem o complexo soja na Bolsa de Chicago.
No mercado interno, os preços em reais recuaram em todas as regiões produtoras, um fato raro em todo o período de comercialização da soja colhida na safra 2000/2001. Após a colheita esse ano, o preço médio semanal da soja em reais recuou apenas três vezes em relação à semana anterior, conforme pode ser visualizado no gráfico ao lado. Nesta semana, o preço médio da soja ao produtor paranaense recuou cerca de 50 centavos por saca ou 2,2%, passando de R$ 27,10 para R$ 26,60 por saca.

Mercado externo

No front externo, as seguintes notícias de curto prazo influenciaram a tendência do mercado para o recuo nos preços da soja na Bolsa de Chicago: a primeira delas é a possibilidade da China, importante importador mundial de soja, vir a estabelecer restrições à compra de soja transgênica, o que afetaria sensivelmente suas importações dos Estados Unidos e Argentina (em parte, essa perspectiva se confirmada é boa para o Brasil no médio prazo); outra notícia é a divulgação de informações indicando crescimento na produção mundial de óleo de palma, principal concorrente do óleo de soja no mercado internacional; por fim, o bom andamento do clima na América do Sul, beneficiando a safra de soja 2001/2002 no Brasil e na Argentina.
O resultado desse cenário foi um retorno dos preços da soja em grão na Bolsa de Chicago para níveis entre 430 e 440 centavos de dólar por bushel, a exemplo do já observado em meados de abril, maio e outubro desse ano, e que representaram uma das menores cotações da soja nesse mercado na última década. Ou seja, volta-se ao fundo do poço em termos de preços internacionais ou pelo menos perto dele, fruto em parte do contínuo crescimento da produção mundial da oleaginosa observada nos últimos anos, com Estados Unidos, Brasil, Argentina e China aumentando suas ofertas.

Mercado interno

No Brasil, o atual recuo de preços da soja (em reais) ao produtor deve-se aos seguintes fatores principais, além dos já mencionados para o mercado internacional: a queda no valor da taxa de câmbio do real frente ao dólar, que desvalorizou cerca de 10%, passando de R$ 2,76 para R$ 2,48 por dólar nos últimos 30 dias, fruto de uma menor preocupação de curto prazo, em nível mundial, com as possíveis consequências econômicas da guerra no Afeganistão e com a ainda presente crise econômica na Argentina; o fechamento para manutenção e por falta de matéria-prima de algumas fábricas de esmagamento de soja no País, em linha com o atual período de final de entressafra do produto; e a retração especulativa de compradores no mercado interno (fabricantes de rações, entre outros) em busca de um equilíbrio de mercado em menores níveis de preços.

Exportações brasileiras

Segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), as exportações brasileiras do complexo soja, entre janeiro e outubro de 2001, totalizaram 4,8 bilhões de dólares, 27% a mais do que o valor de 3,78 bilhões observado no mesmo período do ano passado. O melhor desempenho das exportações brasileiras do complexo soja este ano deve-se fundamentalmente ao crescimento no volume exportado, tendo em vista o recuo dos preços internacionais.
No caso da soja em grão, responsável por mais da metade (55%) do valor exportado do complexo, a receita cambial cresceu 26% no acumulado entre janeiro e outubro de 2000 e 2001, passando de 2,10 para 2,65 bilhões de dólares, conforme pode ser visualizado na tabela. No mesmo período a quantidade exportada cresceu 38%, passando de 11,07 para 15,25 milhões de toneladas. O preço médio, por sua vez, caiu 9%, passando de 190 para 173 dólares por tonelada.

TABELA SOJA - EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS, JANEIRO A OUTUBRO DE 2000 E 2001.
Item GRÃO FARELO ÓLEO
Valor em US$ bilhões
2000 2,10 1,38 0,29
2001 2,65 1,74 0,41
Variação % 26% 26% 43%
Quantidade em milhões de toneladas
2000 11,07 7,96 0,83
2001 15,26 9,53 1,37
Variação % 38% 20% 65%
Preço Médio em US$/tonelada
2000 190,01 173,92 346,58
2001 173,56 182,25 301,03
Variação % -9% 5% -13%
Fonte: SECEX

No caso do farelo de soja, responsável esse ano por 36% do valor exportado do complexo, a receita cambial cresceu 26% no acumulado entre janeiro e outubro de 2000 e 2001, passando de 1,38 para 1,74 bilhões de dólares. No mesmo período, a quantidade exportada cresceu 20%, passando de 7,96 para 9,53 milhões de toneladas. Para o farelo de soja o preço médio de exportação subiu 5%, passando de 174 para 182 dólares por tonelada.
No caso do óleo de soja, responsável esse ano por 9% do valor exportado do complexo, a receita cambial cresceu 43% no acumulado entre janeiro e outubro de 2000 e 2001, passando de 0,29 para 0,41 bilhão de dólares. No mesmo período a quantidade exportada cresceu 65%, passando de 0,83 para 1,37 milhões de toneladas. O preço médio, por sua vez, caiu 13%, passando de 347 para 301 dólares por tonelada.


José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]


S U Í N O

MERCADO COM GRANDE POTENCIAL

A cadeia produtiva da carne suína vem a ser um dos mais importantes componentes de agronegócio nacional, pois ano após ano vem apresentando crescimentos significativos e mostrando o seu grande potencial. Atualmente, este mercado representa algo em torno de 1,7% do PIB brasileiro (que é de US$ 574,3 bilhões), ou cerca de US$ 10 bilhões, com grande possibilidade de expansão tanto do mercado interno quanto do externo.
Dentre os principais fatores responsáveis por este potencial latente da suinocultura no Brasil, pode-se citar a grande oferta de soja e milho que representam os principais componentes de alimentação e a possibilidade de expandir a produção nacional de grãos em mais de 120 milhões de hectares ainda não utilizados com a agropecuária. Dada a existência destas duas condições básicas para o suporte da atividade, cria-se um bom potencial de expansão de novos projetos no País, principalmente na Região do Cerrados ou da nova fronteira agrícola brasileira.
Mesmo diante desta situação favorável, nota-se que no Brasil, a carne suína está classificada em terceiro lugar na preferência dos consumidores, logo atrás da carne de frango e da carne bovina (a preferida pelos brasileiros), apesar da carne suína ser a mais consumida no mundo.
No Brasil, o consumo médio per capita de carne suína em 2001 está no patamar de 12,6 quilogramas por habitante, número que pode ser considerado pequeno frente ao consumo de países como a Dinamarca (70,2 kg por habitante por ano), a Espanha (58,5 kg/hab./ano), a Alemanha (58,1 kg/hab./ano) e os Estados Unidos (30,6 kg/hab./ano).
Num contexto mais geral, o Brasil vem a ser o 6º maior produtor de carne suína do mundo e o 4º maior exportador. As vendas externas de carne suína no período compreendido entre janeiro e outubro de 2001 totalizaram US$ 289 milhões, registrando crescimento de 125,8% em relação ao igual período do ano anterior, decorrente do crescimento de 119,9% nos embarques e 2,8% nos preços internacionais. Os maiores compradores do produto nacional no período analisado foram a Rússia, Hong Kong, Argentina, Uruguai, Países Baixos e Lituânia. De acordo com análises setoriais, espera-se que o Brasil exporte cerca de 230 mil toneladas de carne até o final do ano.

Na semana, retração da cotação do suíno.

O preço médio do suíno de corte negociado no Paraná apresentou uma retração da ordem de 0,7% esta semana em relação ao preço negociado na anterior (R$ 1,45), com o quilograma sendo comercializado na média de R$ 1,44 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de outubro (R$ 1,24) observa-se um incremento de 16,1% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (outubro), notamos uma incremento da ordem de 23,1% nas cotações.
O preço do suíno vivo no Paraná está cotado no mercado dos produtores independentes na média de R$ 1,60 por quilograma e, no mercado da integração, a R$ 1,29 mais uma bonificação de 12%, correspondendo a R$ 1,44 por quilograma.


João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

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