AGROMERCADO
Em novembro, cerca de 10% da produção de feijão das águas devem estar colhidos na região Centro-Sul do País. Os estados que normalmente começam a colher este mês são Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Espírito Santo. Desses estados mencionados, Paraná e Santa Catarina são os mais representativos, com cerca de metade da produção de todo o Centro-Sul do País.
No Paraná, o DERAL estima o percentual colhido até o início desta semana em 10% dos 394 mil hectares plantados com feijão das águas este ano. A produção estadual está estimada entre 339 e 418,9 mil toneladas (média de 449 mil t), aumento entre 23% e 41% em relação ao ano anterior. O aumento vem do crescimento de 21,78% na área plantada e na recuperação da produtividade, mas estes números estão em processo de revisão. Geadas no início de setembro e períodos de seca em outubro e novembro em algumas regiões afetaram as lavouras, e estes prejuízos devem ser computados no levantamento de safra deste mês.
Em Santa Catarina a situação não é melhor do que no Paraná. Na região oeste do Estado o período de seca foi prolongado e a produção catarinense também deve ser revista para baixo. Atualmente a estimativa para a produção da primeira safra no Estado é de 138 mil toneladas (8% a mais do que as 127,8 mil t colhidas no ano passado).
Nos últimos 19 anos a área plantada com feijão das águas na região Centro-Sul do Brasil reduziu em 690 mil hectares. Metade da redução de área ocorreu no Paraná onde 350 mil hectares deixaram de ser cultivados com feijão. Em São Paulo, perto de 180 mil hectares deixaram de ser cultivados neste período. Em Santa Catarina, a área perdida é de 150 mil hectares. Estes estados, além de Minas Gerais, são os principais produtores de feijão das águas. A Produção, no entanto, não caiu, mas se manteve porque a produtividade cresceu 136% neste período.
A área total plantada na região Centro-Sul com feijão das águas está estimada em 1.017 mil hectares, 12,8% a mais do que no ano passado. Não foi divulgada a estimativa para a área plantada na Bahia mas esta deve crescer perto de 16% e aproximando de 430 mil hectares (o que daria uma área plantada total de 1,45 milhão de hectares, 13,7% maior do que na safra anterior). Observe no gráfico que o aumento de área não significa grande coisa pois continua sendo um tamanho relativamente pequeno aos valores históricos para a cultura.
A produção na região Centro-Sul está projetada em 1.145 mil toneladas, aumento de 13,9% em relação à safra anterior. A produção da região nordeste (Bahia) está estimada em 215,6 mil toneladas, 65% a mais do que na safra anterior (que teve produtividade baixa).
Enfim, a produção está crescendo e a colheita começando. O resultado é a tradicional queda de preços que deve se intensificar à medida que a colheita avance. Nos últimos 30 dias, o preço do feijão preto ao produtor no Paraná recuou 13,7% e 21,2% para o feijão de cor. Há um mês atrás o feijão preto atingiu a maior cotação do ano (R$ 91,50/sc).
Neste ano 2001, a média dos preços do feijão preto de janeiro até esta semana é 135% superior à média de todo o ano passado. Quem colheu razoavelmente bem este ano se deu muito melhor do que em 2000. Para o feijão de cor o cenário também é melhor do que no ano passado, mas não tão bom. A média parcial deste ano é 55,5% superior à do ano passado.
Francisco C. Guimarães
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