M I L H O

COLHEITA ESTÁ TERMINANDO NOS ESTADOS UNIDOS

Até o final da semana passada a colheita de milho nos Estados Unidos superava 90% dos 28 milhões de hectares que devem ser colhidos este ano naquele país. A produção americana, agora em novembro, foi revista um pouco em cima do número de outubro. A projeção atual é de 242.466 mil toneladas, 4,2% inferior às 253,0 milhões de toneladas colhidas na safra 00/01 e 5% inferior ao recorde americano obtido na safra 94/95 (255,3 milhões de toneladas).

O aumento na estimativa da produção vem da revisão da produtividade em Estados importantes na produção americana como Iowa (42,9 milhões de toneladas de milho), Illinois (40,96 milhões de toneladas) e Minnesota (20,47 milhões de toneladas). A produtividade média americana nesta safra está estimada em 8.659 kg/ha (349,2 sacas por alqueire), 0,66% superior à do ano passado e apenas 41 kg/ha abaixo da produtividade recorde do país até hoje que é de 8.700 kg/ha (350,9 sacas/alqueire).

Apesar do aumento na produção americana (e mundial), os efeitos sobre as cotações na Bolsa de Chicago, da divulgação do relatório não foram negativos. Mas o fato é que o mercado americano já estava trabalhando com preços baixos para o milho e o relatório não chegou a alterar o cenário.

A cotação média do milho na bolsa americana para primeiro vencimento, no mês de outubro, foi de 203,57 centavos de dólar por bushel (US$ 80,15/tonelada), 4,79% inferior à cotação média de setembro. Não se assuste: não esqueça que os primeiros vencimentos refletem o período de safra dos Estados Unidos. Até meados desta semana a cotação média de novembro (também para o primeiro vencimento) não é de animar: 199 centavos de dólar por bushel (US$ 78,36/tonelada). Não desanime, as cotações para março do ano que vem superam 85 dólares a tonelada.

O gráfico mostra a evolução das médias mensais das cotações do milho na Bolsa de Chicago nos últimos 5 anos (dezembro de 96 a novembro de 2001, sendo que para novembro a média é até esta semana). A pior parte do ciclo de preços baixos do milho que começou em 1995 parece ter passado. Observe como as cotações resistem a romper a barreira dos 75 dólares a tonelada que foi rompida no segundo semestre do ano passado.

Argentina

Na Argentina o problema é o excesso de chuvas que atrapalharam o plantio e devem reduzir a área que os produtores argentinos pretendiam plantar (3.345 mil hectares). O USDA reduziu a estimativa da produção Argentina em 1,5 milhão de toneladas, estimada agora em 14 milhões de toneladas.

A redução na produção deve se refletir diretamente nas exportações de milho da Argentina, previstas em 9 milhões de toneladas (contra 10,7 milhões na estimativa de outubro). O cenário geral para a safra mundial 01/02 passa a ser de ligeiro aumento na produção que deve chegar a 586,77 milhões de toneladas pelos números atuais mas de redução dos estoques que devem passar de 153,3 para 125,1 milhões de toneladas.

A cotação média do milho na Bolsa de Chicago foi 2% superior à média de outubro do ano passado - a resposta do mercado aos números da safra americana e mundial, por enquanto.

Paraná

O relatório de acompanhamento de safras do DERAL desta semana informa que até o dia 12 deste mês, o plantio no Paraná cobria 89% dos 1.493,2 mil hectares previstos para serem ocupados pela cultura. O plantio está atrasado em relação ao ano passado quando, nesta mesma época, o plantio cobria 92% de uma área superior a 1,7 milhões de hectares (previstos na época). Mas o ano passado foi atípico, com o avanço mais rápido do plantio da safra de verão. Portanto, nada que preocupe muito por enquanto.

Em termos de preços a semana não trouxe mudanças. O preço médio da semana ficou estável em relação à semana anterior. Não há estatísticas sobre o volume de estoques de milho no Estado (nem em outros estados) - informação valiosa para compreender os movimentos de preços. No entanto, tomando por base a estimativa do DERAL sobre o percentual comercializado pelos produtores, estes ainda teriam em mãos 2,53 milhões de toneladas de milho desta safra. No ano passado, nesta mesma época e usando os mesmos critérios, o estoque com produtores era de cerca de 860 mil toneladas.

Segundo a CONAB, o governo possui 1,93 milhão de toneladas de milho em seus estoques. Em dezembro do ano passado, o governo possuía pouco mais de 300 mil toneladas de milho em estoque - uma mudança e tanto na política este ano. A idéia de não formar estoques não resistiu às pressões do setor consumidor. A maior parcela destes estoques provém de compra direta (AGF) e não dos contratos de opção que correspondem a 284,8 mil toneladas. O setor consumidor conta com estes estoques para garantir parte do abastecimento do ano que vem que promete ser muito menos abundante do que este ano. É muito provável também que não sobre saldo de milho para exportação

Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr


A L G O D Ã O

PREÇOS ATUAIS IMPEDEM AVANÇO DA COTONICULTURA

Por três safras seguidas a área plantada com algodão na região Centro-Sul do Brasil vinha crescendo, especialmente no Centro-Oeste. Este movimento de retomada da cotonicultura nacional (em outros moldes, é verdade) está sendo interrompido nesta safra 01/02 por conta dos baixos preços do produto no mercado interno e, especialmente, externo.

A redução na área do Centro-Sul brasileiro está prevista entre 16 e 22,3%, com destaque para o Estado maior produtor, o Mato Grosso que deve reduzir entre 20 e 26% a área plantada. A produção, pelos dados que representam apenas uma projeção, está variando entre 664 e 718 mil toneladas, com redução percentual igual à da área porque a CONAB não alterou a produtividade da safra passada.

Tudo está por acontecer na safra brasileira, mas os indicadores são mesmo para uma redução significativa na produção nacional. Como o consumo está na faixa de 930 mil toneladas, voltaremos às importações acima de 200 mil toneladas.

O cenário mundial não está mesmo para estimular ninguém. A estimativa de produção do USDA em novembro é maior do que em outubro (tanto para os Estados Unidos quanto o total mundial), o consumo deve reduzir, os estoques caem e o resultado são preços menores no mercado internacional. Dada a importância das importações para o mercado brasileiro, os preços internos acompanham os externos.

No mercado brasileiro, outubro registrou os valores mais baixos, em dólar, para a pluma, segundo o indicador ESALQ/BM&F desde a criação do indicador em agosto de 1996. A média do mês chegou a 30,69 centavos de dólar por libra-peso (US$ 10,15/arroba). Em reais o preço médio de outubro foi de 84,03/lp que não é o menor da série, mas se os valores forem deflacionados, certamente é também o menor preço em real do indicador. No Paraná a situação não é diferente. O preço médio da pluma em outubro foi de R$ 28,17/arroba, o menor preço em reais desde janeiro de 1999.

Com estes níveis de preço fica difícil expandir a produção nacional, de forma especial na região Centro-Oeste que tem vantagens em alguns aspectos em relação às regiões Sul e Sudeste, mas frete não é uma delas.

Os contratos de opção e leilões de PEP também não foram suficientes para garantir a continuidade da expansão da cotonicultura no Centro-Oeste. Para manter a expansão seriam necessários mais subsídios, os quais o governo não parece disposto ou com caixa suficiente para proporcionar.



TABELA - EVOLUÇAO DA ÁREA PLANTADA, REGIÃO CENTRO-SUL E ESTADOS SELECIONADOS, BRASIL, SAFRAS 97/98 A 01/02.

UF/REGIÃO 97/98 98/99 99/00 00/01 01/02
Paraná 113,8 48,2 54,4 70,9 48,0
São Paulo 121,7 73,0 65,7 65,7 64,4
Mato Grosso 78,8 53,6 48,2 38,6 30,0
Minas Gerais 109,9 203,3 268,4 392,0 301,9
Goiás 180,6 110,2 90,4 97,6 90,1
Mato Grosso do Sul 49,0 47,7 46,7 50,4 45,9
Centro-Sul 653,8 536,0 574,5 716,7 582,1
Fonte: CONAB e SEAB/DERAL

Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr

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