T R I G O

BAIXA INTERVENÇÃO DO GOVERNO

Os resultados preliminares da produção de trigo no Paraná e no Rio Grande do Sul apontam para rendimentos nas lavouras dentro do esperado para esta safra. No Paraná a produção está estimada em torno de 1,61 milhão de toneladas com produtividade média de 1.893 Kg/ha ou 76,36 sacas por alqueire, 28,3% a mais do que no ano passado, muito prejudicado pelo clima.

Até a primeira semana de novembro a colheita de trigo no Estado atingiu 94% dos 852 mil hectares plantados com a cultura este ano. Do que resta ainda nos campos, 54% estão classificados como em boas condições pelo DERAL, 35% como médios e 11% em condições ruins. A estimativa do percentual vendido pelos produtores é de 55%. Em 1999, nesta mesma época, o percentual colhido era semelhante, mas quase 70% de uma produção menor (1,45 milhão de toneladas) haviam sido comercializados pelos produtores do Paraná. No Rio Grande do Sul, a EMATER informa que a colheita se aproxima de 60% da área plantada (579 mil hectares), um percentual dentro das previsões para o Estado.

Na Argentina a situação das lavouras não é muito boa pela incidência de doenças fúngicas em diversas regiões produtoras. As condições climáticas não vêm sendo muito favoráveis à cultura, ocasionando possibilidade de perda de produtividade.

Preços

Em termos de preços o gráfico mostra os preços médios mensais em dólar do trigo ao produtor de janeiro de 1997 até este mês de novembro (média parcial até esta semana). O preço este ano esteve mais próximo dos valores praticados em 99 e agora em novembro se tornou igual à média de novembro daquele ano e abaixo dos demais anos apresentados no gráfico.

O preço médio ao produtor no Paraná em reais por tonelada, entre o mês de julho até esta semana, é de R$ 272,53/t, acima do maior preço mínimo desta safra que é de R$ 225/t. Por isto a intervenção do governo no mercado deve ser baixa já que os preços estão acima do mínimo (tabela). Não é que os preços de mercado estejam bons. Apesar do trigo ser um produto importado todos os anos o preço mínimo é definido em moeda nacional ignorando as variações cambiais entre a data de definição do preço mínimo e sua vigência. Esta prática está protegendo o governo de ter que agir no mercado de trigo assim como no de milho e outros produtos agrícolas.

TABELA - PREÇOS MÍNIMOS DO TRIGO, SAFRA 2001
CLASSIFICAÇÃO
TIPO 1 (R$/t)
TIPO 2 (R$/t)
TIPO 3 (R$/t)
Pão-Melhorador-Durum
225,00
213,43
195,79
Brando
195,79
186,07
166,61
Outros usos
125,22
116,35
107,49
Fonte: Ministério da Agricultura e do Abastecimento

Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]

S O J A

VALORIZAÇÃO DA SOJA SUPERA ALTA NOS PREÇOS DOS INSUMOS

Em relação ao ano passado, os preços dos insumos utilizados no cultivo da soja estão mais baratos, em termos de troca, para o sojicultor brasileiro. Favorecida pela taxa de câmbio, a valorização da soja em grão supera com folga a alta nominal observada nos preços dos principais insumos utilizados em sua produção. Isso significa uma perspectiva de maiores lucros para o sojicultor nesta safra 2001/2002, e explica o expressivo aumento na área plantada com a cultura esse ano, em todos os Estados produtores.

A tabela apresenta um comparativo dos preços médios mensais de alguns insumos utilizados na cultura da soja para os meses de setembro de 1999, 2000 e 2001. Os dados são do DERAL - Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura do Estado do Paraná e representam uma média ponderada para todo o Estado, a partir de ampla pesquisa de preços realizada na maioria das regiões produtoras.

À exceção da semente a alta nominal de aproximadamente 60% nos preços da soja em grão entre setembro/2000 e setembro/2001 supera o aumento de preços dos insumos utilizados em sua produção. A semente de soja é, disparada, o insumo que mais subiu de preço no período. Seu custo aumentou 69%, passando de R$ 24,24/saca de 50 Kg em setembro de 2000 para R$ 40,94/saca em setembro de 2001. No caso dos fertilizantes listados na tabela, os preços subiram entre 9% e 16% entre setembro/2000 e setembro/2001. A fórmula 00-20-20, por exemplo, passou de R$ 396 para R$ 461 por tonelada, com alta de 16%.

No caso dos herbicidas, que em conjunto com os fertilizantes representam quase metade do desembolso com a cultura, a variação de preços oscila entre uma queda de 6% e uma alta de 11%. Dos herbicidas relacionados na tabela a maior alta de preço no período foi do produto Scorpion que subiu 11% e a maior redução do produto Roundup que baixou 6%, entre setembro/00 e setembro/01.

Para os inseticidas relacionados na tabela, item de menor relevância em termos do desembolso total com a cultura, observa-se alta entre 7% e 13%. Dos inseticidas relacionados, a maior alta de preço no período foi do produto Thiodan que subiu 13% e as menores altas de preços dos produtos Folidol e Dimilin que subiram 7%, entre setembro/00 e setembro/01. No caso do óleo diesel a alta no período foi de aproximadamente 15%, com os preços passando de R$ 0,72 para R$ 0,83 por litro.

TABELA - EVOLUÇÃO DE PREÇOS DE ALGUNS INSUMOS UTILIZADOS NA CULTURA DA SOJA EM SETEMBRO DOS ÚLTIMOS 3 ANOS.
INSUMOS
UNIDADE
SET/99
SET/00
SET/01
SEMENTES




Fiscalizada
Sc 50 Kg
23,51
24,24
40,94
FERTILIZANTES




Fórmula 00-20-20
Tonelada
396,32
396,26
461,49
Fórmula 02-30-10
Tonelada
434,37
434,35
471,60
INSETICIDAS




Curacron 500
litro
19,44
21,13
23,76
Dimilin
kg
111,02
101,98
109,61
Folidol 600
litro
18,13
18,72
20,11
Lorsban 480 BR
litro
17,90
18,72
20,18
Nuvacron 400
litro
16,35
16,68
18,89
Tamaron BR
litro
17,46
17,45
18,84
Thiodan CE
litro
13,54
13,20
14,96
FUNGICIDAS




Benlate 500
kg
43,14
40,46
41,93
HERBICIDAS




Basagran 480
5.00litros
168,01
156,48
165,66
Cobra
litro
54,09
54,21
59,65
Flex
5.00litros
203,06
215,29
209,50
Pivot
5.00litros
330,31
321,12
321,19
Poast
5.00litros
156,22
148,72
158,67
Podium
litro
42,89
39,63
42,12
Roundup
5.00litros
46,82
47,80
44,93
Scepter
5.00litros
255,75
234,59
244,09
Scorpion
5.00litros
233,60
234,08
258,75
ESPALHANTES




Assist
5.00litros
20,76
20,81
24,37
Energic
litro
6,09
6,40
6,77
COMBUSTÍVEL




Oleo diesel
Litro
0,60
0,72
0,83
FONTE: SEAB/DERAL

José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

S U Í N O

A MELHOR COTAÇÃO DOS ÚLTIMOS ANOS

Os produtores integrados de suíno de corte do Estado do Paraná estão rindo à toa pois a cotação do quilograma da carne paga pelas agroindústrias apresentou um incremento real da ordem de 15,3% nos últimos 30 dias. Além deste incremento significativo no preço recebido observou-se nos últimos dias uma tendência de fortalecimento ainda maior nas cotações.
No final de outubro o preço médio pago pelas agroindústrias no Paraná era de R$ 1,24 por quilograma e atualmente está em R$ 1,43 por quilograma, o que significa a melhor cotação real da carne suína nos últimos três anos, conforme pode ser observado na tabela.

TABELA - PREÇOS REAIS* DO SUÍNO ENTRE AO PRODUTOR NO PARANÁ, EM REAIS (R$), JAN/99 A NOV01.
ano/mês
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Out
Nov
Média
1999
0,96
1,00
1,08
1,02
0,91
0,94
0,95
0,94
0,94
1,04
1,17
1,00
2000
1,29
1,26
1,12
1,00
0,98
0,99
1,03
1,18
1,18
1,14
1,17
1,12
2001
1,33
1,16
1,16
1,31
1,28
1,27
1,29
1,25
1,21
1,24
1,43
1,27

Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de outubro de 2001.



Para se ter idéia do fato e da importância deste nível de remuneração para a recuperação da capacidade de capitalização dos produtores, em 1999, em termos reais (sem a inflação), o melhor preço recebido foi R$ 1,17 por quilograma em novembro, com uma média anual de R$ 1,0 por quilograma, o que significa um preço 18,2% inferior aos níveis atuais.

No ano de 2000, a situação foi um pouco melhor que a de 1999, com o maior nível real de preço verificado em janeiro quando o quilograma suíno valia R$ 1,29 e a média anual estava em R$ 1,12. Mesmo assim esta cotação permaneceu ainda 10,8% inferior aos preços médios atuais.

O ano de 2001, comparativamente com os anteriores, tem sido o melhor para os suinocultores. A cotação média anual está 27% superior que a de 1999 e 13,4% superior que a de 2000. Além disto, esse ano, o milho não pressionou o custo de produção como em anos anteriores, apesar da desvalorização do real frente ao dólar afetar negativamente outros insumos.

Com relação a elevação das cotações as duas principais variáveis explicativas para o processo são: a) O aumento da demanda de carne suína para o abastecimento das festas de final de ano por parte das indústrias, o que significa um impacto médio de 8% na procura, enquanto que a demanda interna dos consumidores está praticamente estável e pouco deverá impactar positivamente o mercado; b) O grande volume de produtos exportados pelo Brasil este ano, que deverá ultrapassar 220 mil toneladas, o que significa duas vezes o volume exportado em 2000, que tem enxugado o mercado interno e ajudado a puxar as cotações para cima.

Na semana, cotação do suíno em alta

O preço médio do suíno de corte negociado no Paraná apresentou novamente uma elevação de 15,3% nas cotações em relação ao preço negociado na semana anterior com o quilograma sendo comercializado na média de R$ 1,43 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de outubro (R$ 1,24) observa-se um incremento de 15,3% na mesma e quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (outubro) notamos incremento da ordem de 22,2% nas cotações.


João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

mockup