AGROMERCADO
M I L H O
PRIMEIRA ESTIMATIVA PARA A SAFRA 01/02 NO CENTRO-SUL
A CONAB divulgou esta semana a primeira estimativa para o plantio da safra de verão na região Centro-Sul, ano safra 01/02. Como se previa, a estimativa para a área plantada de milho normal é de redução, variando entre 8 e 10%.
Na região Sul, a maior redução na área é no Paraná que está deixando de plantar mais de 300 mil hectares de milho. Ao todo a área deve reduzir entre 400 e 600 mil hectares. As maiores reduções relativas vão ocorrer na região Centro-Oeste, entre 15 e 20% dependendo do Estado. Ao todo, entre 200 e 300 mil hectares serão cultivados com outros produtos. A projeção atual para a área plantada na região Centro-Sul está entre 9,46 e 9,72 milhões de hectares, contra 10,55 milhões cultivados na safra passada.
A produção deve reduzir ainda mais porque não se esperam para a safra 01/02 produtividades recordes novamente, como foram as da safra 00/01. A produção está estimada entre 30,2 e 31,3 milhões de toneladas, que representariam reduções de 11 e 14%, respectivamente, em relação à safra passada.
As estimativas refletem o que todo mundo esperava para o milho: a redução na área plantada em todas as regiões, especialmente aquelas que mostraram o maior aumento de área e produção na safra 00/01. O preço do milho chegou a menos de US$ 3,20/saca, um valor que não estimula ninguém. Por azar o Brasil produziu safra recorde justamente num ano de preços baixos no mercado internacional. Por isso os preços estiveram tão ruins este ano.
Relação soja x milho
Mais do que os baixos preços do milho, outro fator tem influenciado na decisão de plantio do grão, especialmente na região Sul: a relação entre os preços da soja e do milho. Na média dos últimos 10 anos, o valor de uma saca de soja foi equivalente a 1,92 sacas de milho. Todas as vezes que esta relação cresce acima da média, é porque a soja fica valorizada frente ao milho. Todas as vezes que a relação se torna inferior à média é porque o milho se valoriza frente à soja. Quando a soja se valoriza frente ao milho, a área plantada com milho reduz e vice-versa.
Este ano, de janeiro até esta semana, a relação soja/milho está em 2,45, 27,5% acima da média. Consequência? A área de milho vai reduzir. Assim, tanto quanto os baixos preços do milho, a comparação com a soja tem um peso importante na decisão do produtor. Outro fator relevante é o perfil dos produtores de milho. Há uma parcela significativa para quem o milho faz parte da rotação de culturas. Este produtor altera em menor proporção a área cultivada entre milho e soja, mesmo porque, possue um plano de médio prazo de produção.
Mas há também os produtores que não administram desta forma a sua propriedade rural. São produtores mais dispostos a aproveitarem as oportunidades do mercado. Como no ano passado o milho teve preços acima da média e inclusive valorizados frente à soja, optaram pelo plantio de milho. O conjunto das decisões individuais resultou no aumento da área plantada. Por acaso, o clima foi excelente, e a produtividade, recorde.
Como resultado, a produção aumentou muito mais do que o planejado e justamente num ano de preços baixos no mercado externo. Este conjunto de fatores derrubou o preço do milho nesta safra. E um conjunto de fatores parecido, mas inverso, deve elevar os preços do grão na próxima safra, especialmente pelo fato de que uma parcela significativa do excesso de produção foi para o mercado externo.
Exportação cresceu em setembro
Ao contrário do que se poderia esperar, as exportações brasileiras de milho continuaram firmes em setembro, com 685 mil toneladas exportadas no mês, segundo o acompanhamento da Secretaria de Comércio Exterior. De janeiro a setembro as exportações de milho somam 3,74 milhões de toneladas.
Tudo indica que as exportações em outubro vão continuar, a julgar pelos negócios realizados de milho para exportação nas últimas semanas e os navios programados para serem embarcados com milho nos portos brasileiros. Boa parte destes negócios é para pagamento em dezembro. Há negócios sendo feitos tanto em dólar quanto em reais.
Milho sustenta as exportações de suínos e aves
Este ano o Brasil ampliou significativamente as exportações de carne de frango e carne suína. Para isto, contou com a maior produção de milho deste ano. Com a expressiva redução na área plantada, o setor de carnes começa a se preocupar ainda mais com a disponibilidade e o preço que terá de pagar pelo milho no ano que vem.
Coisas do mercado. Este ano os preços foram baixos pelo aumento de produção. Em 2002 as coisas mudam.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
ANIMADO PELO CÂMBIO, PRODUTOR AMPLIA ÁREA CULTIVADA
O primeiro levantamento da safra de verão 2001/02 (intenção de plantio), divulgado pela Companhia Nacional de Abastecimento - CONAB no meado desta semana, aponta para um expressivo aumento de área cultivada com soja no Centro-Sul do País. É o sojicultor brasileiro mostrando a sua garra, determinação e otimismo em busca do possível e justo lucro, que faz alimentar a economia no interior deste País continental.
A atual taxa de câmbio no Brasil, que provavelmente irá proporcionar bons preços para a soja em 2002, vem estimulando o ânimo dos sojicultores para ampliarem a área cultivada, a despeito dos atuais baixos preços internacionais (um dos piores da história em dólar) pelas grandes safras norte-americanas e da crônica burocracia nacional para o acesso ao crédito rural nas dependências das instituições financeiras.
Na região Centro-Sul, responsável por mais de 95% da produção nacional, a área cultivada com soja deve atingir entre 15,1 e 15,5 milhões de hectares, com expressivo crescimento entre 10 a 13 % em relação ao ano anterior, quando foram cultivados 13,7 milhões de hectares. É um novo recorde de área para a cultura no Brasil.
Por enquanto, a perspectiva da CONAB é de aumento na produtividade média nacional (mais 4,1 %), alicerçada na provável melhoria de adoção de tecnologia, baseada nas vendas de fertilizantes, defensivos e máquinas agrícolas realizadas até o momento.
Números por Estado
Nos principais Estados produtores a perspectiva de ampliação da área cultivada é a seguinte: no Mato Grosso, principal produtor nacional, a área cultivada deve crescer entre 12 e 15%, o que significa um acréscimo de cerca de 400 mil hectares em relação aos 2,97 milhões de hectares cultivados no ano anterior.
No Paraná, segundo maior produtor nacional, a área deve aumentar em cerca de 330 mil hectares, o que significa um acréscimo entre 11 e 13% em relação ao ano anterior.
Na soma dos demais estados da região Centro-Sul, a área deve crescer 870 mil hectares, um aumento percentual semelhante aos dois estados maiores produtores nacionais. Agora é hora de mãos à obra e ajuda de São Pedro.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]
S U Í N O
COTAÇÃO APRESENTA TENDÊNCIA DE ALTA NA SEMANA
A evolução do comportamento real da cotação (sem o efeito da inflação) do quilograma do suíno vivo tipo carne, verificado entre janeiro e outubro deste ano, demonstrou a existência de uma grande variabilidade nos preços recebidos pelos suinocultores paranaenses. O preço médio real da cotação no período em questão foi de R$ 1,25 por quilograma. A maior cotação foi verificada no mês de janeiro (R$ 1,33) e a menor cotação foi registrada entre fevereiro e março (R$ 1,16), conforme pode ser visualizado na tabela.
Atualmente, tem se verificado um fortalecimento da ordem de 1,7% nos preços praticados no mercado paranaense. Esse fortalecimento é causado principalmente pela pressão da demanda, retomada da formação de estoques das indústrias, devido ao consumo sazonal de final/início de ano, e pela expectativa crescente de aumentos das exportações devido a desvalorização cambial do real frente ao dólar. Os fatos tornam o produto nacional bastante competitivo no mercado mundial.
No mercado paranaense, a cotação média praticada em outubro vem sendo de R$ 1,23 por quilograma, mas, este preço continua um pouco abaixo da média anual que é de R$ 1,25 por quilograma. Diante deste cenário, espera-se um fortalecimento ainda maior das cotações no curto prazo.
TABELA - EVOLUÇÃO DOS PREÇOS REAIS DO SUÍNO, DO MILHO E DA RELAÇÃO DE TROCAS ENTRE A SACA DE MILHO E O QUILOGRAMA DO SUÍNO NO PARANÁ, EM REAIS (R$) DEFLACIONADOS PELO IGP-DI PARA SETEMBRO/2001.
item/mês Unid jan fev mar abr mai jun jul ago set out Média
Preço do suíno em 2001 R$ 1,33 1,16 1,16 1,31 1,28 1,27 1,29 1,25 1,21 1,23 1,25
Preço do milho em 2001 R$ 8,59 7,83 7,57 7,56 7,68 7,99 8,51 9,28 9,77 9,93 8,47
Relação de troca milho versus suíno kg 6,5 6,8 6,5 5,8 6,0 6,3 6,6 7,4 8,1 8,1 6,8
Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de setembro de 2001.
O preço pago pelo milho
O comportamento da cotação da saca de 60 quilogramas do milho, verificada no período em questão, apenas refletiu a situação de mercado, ou seja, a existência de uma boa oferta deste produto. Assim, o preço real do milho iniciou o ano a R$ 8,59 por saca, sofrendo posteriormente uma retração da ordem de 12% e sendo comercializado à R$ 7,56 em abril.
Após este período de baixa, o mercado reverteu e observou-se então aumentos crescentes de cotação da ordem de 31,4%, com o preço médio da saca de milho atingindo R$ 9,93 em outubro e afetando negativamente então o custo de produção dos suinocultores paranaenses.
A relação de trocas entre o milho e o suíno no período
O comportamento da relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do suíno também apresentou um certo grau de variabilidade no período analisado. O melhor momento verificado para os suinocultores paranaenses foi o mês de abril, pois, necessitaram comercializar apenas 5,8 quilogramas de carne suína para a aquisição de uma saca de milho, enquanto que os piores momentos da análise têm sido os meses de setembro e outubro com uma relação de trocas de 8,1 quilogramas de produto por uma unidade de insumo.
Na média do período analisado os suinocultores tiveram que vender 6,8 quilogramas de carne por saca de insumo. Espera-se que no curto prazo a relação de trocas apresente uma melhora para o lado do produtor, devido a perspectiva de que o incremento no valor da cotação do produto permaneça acima da expectativa de aumento do preço do milho.
Na semana, cotação do suíno em alta
O preço médio do suíno de corte negociado no Estado do Paraná apresentou uma elevação de 14,7% nas cotações, em relação ao preço negociado na semana anterior com o quilograma sendo comercializado na média de R$ 1,33 nas principais praças produtoras. Quando comparada esta cotação com o preço médio de setembro (R$ 1,21) observa-se um incremento de 10% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (outubro) notamos um incremento da ordem de 16,7% nas cotações. Esta elevação da cotação pode ter como origem a busca por matéria-prima realizada pelas indústrias para a formação de estoques em algumas regiões, pressão da demanda e crescimento das exportações brasileiras de carne suína.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]





