M I L H O
ESTOCAR DEU CERTO
Nesta semana o preço médio do milho ao produtor no Estado do Paraná se manteve estável em relação à semana passada apesar de ter oscilado de um dia para o outro. Foi a primeira semana de preços estáveis desde o início de maio.
De meados de maio até esta semana, o preço do milho ao produtor, em reais por saca, acumula alta de 40,85% ou R$ 2,90/saca em 7 meses, ou 5,01% ao mês. Esta taxa não foi obtida por nenhuma aplicação financeira e deu rentabilidade positiva para quem armazenou milho nos últimos 7 meses.
Mesmo para o milho safrinha, ter esperado para vender deu bons resultados. De início de julho até esta semana, o preço do milho subiu 25,79% (ou 3,33% ao mês). Portanto, o armazenamento do milho deu rentabilidade positiva para quem fez estoques a um custo de oportunidade abaixo de 5% ao mês (para o caso da safra de verão) e de 3% ao mês para a safrinha (falta levar em conta o custo do armazenamento físico de cada produtor). Se por ventura alguém tinha uma dívida em dólar a um custo abaixo de 1% ao mês também se deu bem guardando milho, pois mesmo em dólar o preço subiu (7,42% em 7 meses).
A pergunta que fica é quanto ainda o produto tem fôlego para subir e por quanto tempo mais, vale a pena manter o milho estocado. Normalmente o preço sobe entre outubro e novembro, mas isto na regra, o que não aconteceu em 1996 e no ano passado, por exemplo.
O que há de concreto: o ritmo de comercialização continua abaixo dos anos anteriores o que indica que há estoque de milho - um fator que contribui para impedir grandes altas. As exportações, de janeiro a agosto, totalizaram pouco mais de 3 milhões de toneladas. Como os embarques começaram antes da colheita desta safra, significa que uma parte dos estoques da safra anterior foi destinada ao mercado externo. Do lado positivo para os preços está o bom desempenho das exportações de aves e suínos, absorvendo grande parte da grande produção nacional de milho este ano. Portanto, indefinição no rumo dos preços.
Mercado externo
O relatório do USDA deste mês de outubro teve efeito baixista sobre as cotações do milho na Bolsa de Chicago. A principal razão foi a revisão para cima da produção americana, estimada em quase 5 milhões de toneladas e agora em 239,52 milhões de toneladas - abaixo das 253,21 milhões da safra anterior, mas acima do esperado. Tanto a produção americana como mundial serão menores do que na safra 00/01, pelas projeções atuais do USDA. Por isto é que a cotação média do grão neste mês de outubro está 3,4% acima da cotação média do ano anterior. Os números mais recentes para a produção, consumo, comércio e estoques de milho em termos mundiais e para os Estados Unidos são apresentados na tabela.
MILHO - DISPONIBILIDADE E USO DE MILHO, MUNDO E ESTADOS UNIDOS, ÚLTIMAS 3 SAFRAS E PREVISÃO PARA SAFRA 01/02
DESCRIÇÃO
SAFRA
MUNDO
EUA
PRODUÇÃO
98/99
605,52
247,88
99/00
607,02
239,55
00/01
586,05
253,21
01/02
583,85
239,52
EXPORTAÇÃO
98/99
75,06
50,31
99/00
85,83
49,21
00/01
82,94
49,28

01/02
82,84
52,07
CONSUMO
98/99
582,15
185,88
99/00
605,20
192,48
00/01
602,94
199,51
01/02
616,43
198,89
IMPORTAÇÃO
98/99
75,55
0,48
99/00
80,02
0,37
00/01
81,59
0,18

01/02
81,64
0,25
ESTOQUE FINAL
98/99
172,43
45,39
99/00
170,94
43,63
00/01
154,05
48,23

01/02
121,47
37,04
Fonte: USDA, out/01
Novo contrato futuro de milho
Uma das muitas desvantagens dos produtores brasileiros em relação aos americanos é a ausência de um mercado futuro forte para seu produto. Os americanos contam com a Bolsa de Chicago para soja e milho e trigo (além a bolsa de Kansas para parte da produção de trigo).
A BM&F (Bolsa de Mercadorias & Futuros) está fazendo uma nova tentativa para adequar o contrato futuro de milho à realidade do mercado brasileiro. Uma das mudanças é a cotação do grão em reais e não em dólar como no contrato em vigor até agora. Se o mercado futuro de milho no Brasil funcionasse, grande parte desta incerteza quanto ao comportamento dos preços poderia ser minorada, através de posições de hedge no mercado futuro.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
B O I G O R D O
MERCADO AINDA FIRME
Os preços nominais do boi gordo vêm rompendo barreiras e mantendo comportamento de alta, apesar do clima favorável à criação do gado neste meado de primavera, que indica uma perspectiva de maior oferta do produto nos próximos meses. O bom desempenho das exportações brasileiras de carne bovina é o principal fator atual de sustentação dos preços.
No Paraná o preço médio do boi gordo se mantém firme em R$ 45 por arroba nas principais praças de comercialização. Em São Paulo o preço médio é de R$ 47/arroba, mas em algumas regiões os preços já superam esse patamar, nos negócios com 20 dias de prazo para pagamento.
O preço atual, em termos nominais, é o melhor desde o lançamento da nova moeda (o Real) em julho de 94. Os valores do boi gordo em dólar, no entanto, estão defasados, tendo em vista que os preços do boi gordo não acompanharam na mesma proporção o aumento acumulado do dólar ao longo deste ano. No Paraná, o preço atual da arroba a prazo corresponde a cerca de US$ 16,5/arroba contra US$ 20/arroba no início do ano. No acumulado dos últimos 6 meses, enquanto a taxa de câmbio subiu 25,9%, passando de R$ 2,16 para R$ 2,72 por dólar, os preços do boi gordo subiram 12,5%, passando de R$ 40 para R$ 45 por arroba. Essa defasagem, por um lado, confere competitividade às exportações brasileiras de carne bovina e, por outro, sustentação aos preços do boi gordo expressos em reais.
Saber antecipadamente qual será o exato momento de vigência do preço máximo em 2001 é uma tarefa quase impossível. Não obstante, o mercado ainda sinaliza com a perspectiva de aumentos de preços durante o mês de novembro, devendo os pecuaristas que detém animais prontos para o abate ficarem atentos as oscilações de preços neste final de entressafra.
Concordata no setor
O pedido de concordata da empresa Fazenda Reunidas Boi Gordo no início desta semana mancha mais uma vez a credibilidade do agronegócio brasileiro da carne bovina. Serão cerca de 29 mil parceiros prejudicados. É lamentável que uma atividade produtiva relativamente simples como a bovinocultura de corte possua tantos problemas de comercialização de sua produção. O reflexo no mercado são as altas taxas de juros (deságio de preços) cobradas para o recebimento à vista das vendas no setor, relativamente ao valor das vendas a prazo. As lideranças do setor devem refletir e encontrar soluções para a minimização dos problemas relacionados a comercialização da carne bovina no país.
José Roberto Canziani - Prof. da UFPr
e-mail: [email protected]

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