A L G O D Ã O
PREÇOS NÃO AJUDAM
O preço do algodão no mercado internacional, representado pela Bolsa de Nova York, vem caindo desde fevereiro desde ano, mas reduziu ainda mais rápido em setembro e continua na mesma trilha nesta primeira quinzena de outubro.
A cotação média do algodão na bolsa americana para o primeiro vencimento até esta segunda semana do mês é de 32,49 centavos de dólar por libra peso ou o equivalente a US$ 10,74/arroba, o menor preço dos últimos 7 anos, como pode ser analisado no gráfico.
O mercado interno está na esteira do mercado externo. O valor médio do indicador ESALQ/BM&F agora em outubro é de 31,16 centavos de dólar por libra peso, o menor valor desde que o indicador foi criado no país em agosto de 1996. Os preços no mercado paranaense para o algodão em pluma seguem de perto o indicador da ESALQ como o próprio gráfico demonstra.
A redução de preços no mercado externo foi proporcionalmente maior do que no mercado interno. Nos últimos 12 meses (novembro do ano passado até a primeira quinzena deste mês de outubro), a cotação média do algodão na bolsa americana reduziu 49,7% enquanto no mercado paranaense a queda para o preço em dólar da pluma foi de 31,6% e 33,7% no caso do indicador.
São estes números que ajudam a explicar a redução esperada de 30% na área a ser plantada no Paraná, atualmente estimada em 49,2 mil hectares, mil hectares a mais do que a menor área plantada no Estado em 20 anos. Não devem aparecer números muito melhores para os demais Estados produtores do País. Em resumo: o Brasil pode voltar a importar algodão no próximo ano.
Porque o PEP não ''segurou'' os preços de mercado?
Ainda outro dia li algum argumento de que o PEP não conseguiu sustentar os preços de mercado do algodão. Seria surpreendente se isto acontecesse pois o PEP não foi feito para segurar preço de mercado, apenas para garantir ao produtor, vender ao governo pelo preço mínimo. O comprador paga o preço de mercado pelo produto e o governo banca a diferença. Quando se faz leilão de PEP, o que está sendo negociado é o prêmio, ou seja, o subsídio que o comprador precisa para adquirir o produto (subsídio este que o governo vai pagar).
Nestas horas é importante lembrar que a política de garantia de preços no Brasil hoje, não é de formar estoques. Quando o governo forma estoques retirando excesso de produto do mercado, aí sim, espera-se que o preço de mercado aumente. Mas isto o governo não pretende fazer desde 1996.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
CHUVAS CAUSAM PERDA DE QUALIDADE
Tanto no Paraná quanto no Rio Grande do Sul as chuvas das últimas semanas vem causando perda na qualidade do trigo que estava em ponto de colheita. Segundo as últimas estimativas, restam para serem colhidos no Paraná, 20% da área plantada com trigo este ano, de 845,7 mil hectares. A produção paranaense está estimada entre 1,67 e 1,76 milhão de toneladas, 100 mil a menos do que na estimativa de agosto. Os números podem mudar no levantamento de outubro mas a maior parcela das perdas foi em qualidade.
No Rio Grande do Sul a colheita começou na semana passada e as perdas devem ser maiores do que no Paraná. Além de chuvas intensas houve ataque de doenças, chuva de granizo e acamamento de plantas. Não há ainda estimativa das perdas no Estado, apenas números isolados par determinados locais. A parcela do trigo que ficar abaixo do padrão irá, novamente, concorrer com o milho na formulação de rações.
Em termos de preços o melhor que se pode dizer das cotações internacionais é que estão muito próximas da média histórica dos últimos 3 anos, que é de US$ 101,38/tonelada. A cotação média esta semana na Bolsa de Chicago foi de 282 centavos de dólar por bushel (US$ 103,62/tonelada), 2,2% acima da média mencionada. Esta cotação equivale a US$ 6,22/saca ou R$ 17,16/saca (posto Chicago). Na Bolsa de Kansas, que negocia trigo do tipo hard red, o grão está cotado a US$ 6,32/saca.
No Paraná, o preço médio ao produtor esta semana ficou em R$ 15,85/saca ou
US$ 5,72 /sc, abaixo da cotação nas bolsas americanas. Sem fazer mais contas pode-se inferir que os preços no mercado interno estão abaixo da paridade. Segundo cálculos da CONAB, o preço no Paraná estava 17,4% abaixo da paridade de importação com o trigo argentino.
Como os preços não estão agradando, os produtores estão cautelosos na venda. Segundo o levantamento semanal do DERAL, menos de 40% da produção já foi comercializada pelos produtores. Em 1999 este percentual era de 51% na primeira semana de outubro.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
S O J A
CÂMBIO E ENTRESSAFRA SUSTENTAM PREÇOS INTERNOS
A desvalorização da taxa de câmbio no Brasil e a menor oferta do produto devido à entressafra vêm sustentando os preços nominais da soja (em reais), apesar da queda nos preços internacionais.
Mercado externo
No meado desta semana, pressionados pelo bom andamento da colheita nos Estados Unidos (que se aproxima de 50% do total da safra naquele país), os preços da soja na Bolsa de Chicago voltaram a cair abaixo dos 450 centavos de dólar por bushel (cerca de 9,9 dólares por saca), atingindo a menor cotação dos últimos 100 dias (ou desde o final de junho).
O gráfico apresenta a evolução dos preços da soja (em dólar) na Bolsa de Chicago e os preços internos, no mercado de lotes e ao produtor paranaense, para o período entre 28/fevereiro a 10/outubro.
Neste ano, os preços em Chicago chegaram a cair abaixo dos 430 centavos de dólar por bushel (cerca de 9,5 dólares por saca) em março e abril, e também chegaram a ultrapassar os 520 centavos de dólar por bushel (cerca de 11,5 por saca) em julho e agosto.
Nos últimos 60 dias, os preços da soja em Chicago acumulam queda de aproximadamente 35 centavos de dólar por bushel ou cerca de 15%, em linha com o clima favorável ao desenvolvimento das lavouras de soja naquele país.
Nos Estados Unidos a colheita da soja avançou em bom ritmo neste início de outubro, tendo atingido 40% do total da safra em 7 de outubro segundo o USDA, contra apenas 16% na semana anterior e 43% no mesmo período dos últimos 5 anos.
Mercado interno
No mercado interno, os preços da soja em dólar vêm se mantendo acima da paridade internacional nos últimos 2 meses. Nesta semana, o preço médio no mercado de lotes ficou em US$ 10,7/saca e ao produtor na faixa de US$ 9,5/saca, contra pouco menos de US$ 10/saca na Bolsa de Chicago.
Já os preços em reais seguem em alta, favorecidos pela taxa de câmbio e pela escassez do produto durante o atual período de entressafra. Nesta semana, conforme pode ser visualizado no gráfico, o valor da soja no mercado de lotes, expresso pelo indicador ESALQ/BM&F, oscilou pouco abaixo dos R$ 30/saca, contra R$ 26,4/saca pagos ao produtor paranaense no mercado de balcão.
Nos últimos 6 meses (de 10 de abril a 10 de outubro), o preço médio da soja no mercado de lotes subiu 67% ou cerca de 8,9% ao mês, passando de R$ 17,8 para R$ 29,8 por saca (alta de R$ 12/saca). No mesmo período, o preço médio da soja ao produtor paranaense subiu 61% ou cerca de 8,3% ao mês, passando de R$ 16,4 para R$ 26,4 por saca (alta de R$ 10/saca). São ganhos extremamente expressivos, que poderiam ser até maiores se não fosse a atual desvalorização do produto no mercado internacional.
Frente a outros produtos agropecuários, os ganhos da soja também são expressivos. No acumulado dos últimos 12 meses (entre outubro de 2000 e outubro de 2001) a soja valorizou-se, por exemplo, 41% frente ao trigo, 45% frente ao boi gordo e 79% frente ao milho. Em outubro do ano passado o valor de uma saca de soja correspondia ao valor de 1,21 sacas de trigo, 0,40 arrobas de boi gordo e 1,48 sacas de milho. No momento o valor de uma saca de soja corresponde ao valor aproximado de 1,70 sacas de trigo, 0,59 arrobas de boi gordo e 2,64 sacas de milho.
As perspectivas para a soja continuam favoráveis para os próximos meses. O ritmo dos ganhos, entretanto, deve ser menor do que o observado no último semestre.
Prof. José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

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