S U Í N O
Piora a relação de trocas da suinocultura paranaense
A cotação do quilograma da carne suína, no Paraná, apresentou uma variabilidade de R$ 0,17 entre janeiro e setembro deste ano, oscilando entre um preço mínimo de R$ 1,15 e um preço máximo de R$ 1,32. Em janeiro, o preço do quilograma do suíno estava valendo R$ 1,32 e, entre fevereiro e março, apresentou retração da ordem de 12,9%, sendo negociado a R$ 1,15 nas principais praças do Estado. No mês de abril, observou-se uma valorização de 13% nas cotações, enquanto nos meses seguintes, registraram-se consecutivas reduções no preço, com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,21 na média de setembro nas principais praças do Estado. O preço médio observado entre janeiro/setembro foi de aproximadamente R$ 1,25 por quilograma.
Quando realizamos uma análise comparativa da evolução dos preços reais do quilograma do suíno deflacionado pelo IGP-DI entre janeiro e setembro de 2000, contra o mesmo período de 2001, notamos alguns aspectos bastante interessantes.
De acordo com a tabela, pode-se observar que no período analisado, as cotações em 2000 permaneceram 2,5% inferiores, em média, às verificadas no mesmo período deste ano. Entre janeiro e setembro de 2000, o preço médio do quilograma da carne suína comercializada no Paraná valia, em termos reais, R$ 1,22, enquanto que atualmente a média permanece ao redor de R$ 1,25. Diante desta situação, nota-se que os produtores paranaenses receberam em média 2,5% mais pelo produto do que o ano passado. O pior momento verificado na análise foi o mês de fevereiro, quando a diferença de preços foi de 15,3%, enquanto a menor diferença de cotação ocorreu em agosto (3,9%).
No caso do preço da saca de 60 quilogramas de milho, insumo fundamental para a suinocultura e responsável por cerca de 70% dos custos totais de produção, verificou-se que em 2000, as cotações permaneceram bastante elevadas ao longo do período analisado, em decorrência da escassez do produto no mercado interno. Entre janeiro e setembro, em termos reais, a cotação média da saca do milho era negociada à R$ 12,73 nas principais praças do Estado. A cotação mais elevada (R$ 13,85) foi verificada em janeiro e a mais baixa (R$ 11,88) em julho. Em 2000, além do preço do milho estar bastante elevado, o produtor teve uma remuneração praticamente igual à que vem recebendo hoje, o que em termos médios significou um custo de produção mais elevado com menos rentabilidade da atividade.
TABELA - ANÁLISE COMPARATIVA DOS PREÇOS REAIS DO SUÍNO, DO MILHO E DA RELAÇÃO DE TROCAS ENTRE A SACA DE MILHO E O QUILOGRAMA DO SUÍNO NO PARANÁ ENTRE 2000-2001, EM REAIS DEFLACIONADOS PELO IGP-DI PARA SETEMBRO/2001.
item/mês
Jan
Fev
Mar
Abr
Mai
Jun
Jul
Ago
Set
Média
Preço real do kg do suíno em 2000
1,41
1,37
1,23
1,11
1,08
1,10
1,13
1,29
1,29
1,22
Preço real do kg do suíno em 2001
1,32
1,16
1,15
1,30
1,27
1,26
1,28
1,24
1,21
1,25
Variação (%) do preço real do kg do suíno entre 2000 e 2001
- 6,4
- 15,3
- 6,5
+ 17,1
+ 17,6
+ 14,6
+ 13,3
- 3,9
- 6,2
+ 2,5
Preço real da saca de 60 kg do milho em 2000
13,85
13,59
12,65
12,34
12,62
12,24
11,88
12,71
12,66
12,73
Preço real da saca de 60 kg do milho em 2001
8,56
7,80
7,54
7,53
7,65
7,96
8,48
9,24
9,71
8,28
Variação (%) do preço real da saca de milho entre 2000 e 2001
- 38,2
- 42,6
- 40,4
- 39,0
- 39,4
- 35,0
- 28,6
- 27,3
- 23,3
- 35,0
Relação de trocas entre milho versus suíno (2000)
9,82
9,92
10,28
11,12
11,69
11,13
10,51
9,85
9,81
10,43
Relação de trocas entre milho versus suíno (2001)
6,48
6,72
6,56
5,79
6,02
6,32
6,63
7,45
8,02
6,62
Variação (%) da relação de trocas entre milho versus suíno entre 2000 e 2001
- 34,0
- 32,3
- 36,2
- 47,9
- 48,5
- 43,2
- 37,0
- 24,4
- 18,3
- 36,5
Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de setembro de 2001.
O preço pago pelo milho
Comparativamente, este ano, a situação está sendo bem melhor que a verificada em 2000, pelo fato do preço da saca de milho permanecer em um patamar de preço mais acessível, garantindo desta forma um bom desempenho ao setor suinícola em termos de custo de produção.
Entre janeiro e setembro deste ano, verificou-se que em média, a saca de milho era negociada em termos reais a R$ 8,28, o que representa uma redução média de 35% nos preços praticados em igual período de 2000. Para os próximos meses, espera-se um fortalecimento das cotações do milho no Paraná, pois historicamente, em outubro, novembro e dezembro tem-se registrado os picos de preço, o que deve encarecer o insumo e, consequentemente, o custo de produção.
A relação de trocas entre o milho e o suíno no período
A relação de trocas normalmente é um importante indicador da situação de capitalização do produtor rural frente ao principal insumo de produção. No caso da relação de trocas entre a saca de 60 quilogramas de milho e o quilograma de suíno, podemos notar que 2000 foi um ano bastante desfavorável aos produtores, que precisaram em média comercializar 10,4 quilogramas de carne suína para adquirir uma saca de milho. Os melhores momentos do período analisado em 2000 foram os meses de janeiro e setembro, quando os suinocultores precisaram vender 9,8 quilogramas do produto por unidade de insumo, enquanto que o pior momento foi em maio (11,7 quilogramas de carne por saca de milho).
Este ano, observamos que a situação dos suinocultores paranaenses esteve melhor, pois necessitaram comercializar em média 6,6 quilogramas de carne suína para a aquisição de uma saca de milho. De maneira comparativa, as relações de trocas estão atualmente 36,5% melhores que as observadas em igual período do ano anterior. Entre janeiro e setembro, o melhor momento verificado para o lado dos suinocultores foi maio, quando a relação de trocas esteve 48,5% melhor que em 2000, enquanto que o pior momento foi setembro, onde a relação de trocas vem sendo de 8 quilogramas de carne por saca de ração.
Apesar da atual situação ser melhor que a verificada em 2000, nota-se que ao longo de 2001 houve uma deterioração da relação de trocas da ordem de quase 40%, causada pelo aumento de 30% das cotações do milho e pela redução de 7% na cotação da carne suína, entre abril e setembro.
Na semana, queda na cotação do suíno
O preço médio do suíno de corte negociado no Paraná apresentou queda de 0,83% na cotação esta semana, com o quilograma sendo comercializado a R$ 1,20 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de agosto (R$ 1,24), observa-se uma retração de 3,2% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (setembro), notamos uma incremento da ordem de 1,7% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
A evolução do consumo ''per capita'' de carnes no Brasil
Ao longo da década de 90, no mercado doméstico brasileiro, observou-se que o consumo ''per capita'' de proteínas (ovos, carne de aves, carne bovina e carne suína) de origem animal apresentou um crescimento global de 39,4%. Quando realizada a análise no período 1990-1994 (antes do Plano Real) e 1995-2000 (depois do Plano Real), não observou-se diferença significativa no consumo total médio das proteínas proporcionado pela estabilidade econômica do controle da inflação.
Entre 1990 e 1994 (antes do Plano Real), o crescimento global no consumo das proteínas foi da ordem de 17,7%, enquanto que no período 1995-2000 (depois do Plano Real), foi de 18,4%, o que significa um incremento de apenas 3,9% no consumo total das proteínas proporcionado via estabilização econômica ou outro fator de mercado. A análise foi efetuada em cima de médias de consumo, sem levar em conta o nível e distribuição de renda dos consumidores.
Individualmente, alguns dos produtos analisados apresentaram taxas de crescimento superiores aos outros. Entre 1990 e 1994 (antes do Plano Real), a composição média de consumo foi de 16,5 kg de carne de aves (frango e outras), 15,9 kg de carne bovina, 7,9 kg de carne suína e 89 unidades de ovos, perfazendo um consumo total médio ''per capita'' de 84,9 kg/hab./ano de proteína. O crescimento do consumo observado no período em questão foi de 100% para carne bovina, 35,2% para a carne de aves, 16,7% para a carne suína e de apenas 3,4% para o consumo de ovos.
No período 1995-2000 (depois do Plano Real), a composição média de consumo de proteínas foi de 25,8 kg de carne de aves, 32,5 kg de carne bovina, 9,9 kg de carne suína e 92 unidades de ovos, totalizando um consumo médio ''per capita'' de 114,3 kg/hab./ano de proteína animal.
O crescimento do consumo de proteínas observado no período em questão foi de 39,3% para carne bovina, 28,3% para a carne de aves, 18,5% para a carne suína, além de uma retração de 6,9% no consumo de ovos.
Na semana, queda na cotação do frango
O preço médio do frango de corte negociado no Paraná apresentou uma retração da ordem de 1,1% em relação à cotação observada na semana passada (R$ 0,91), com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,90 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de agosto (R$ 0,88), observa-se uma incremento de 2,3% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (setembro), notamos uma incremento da ordem de 2,3% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

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