A L G O D Ã O
Preço baixo desestimula o plantio
No Paraná, a área a ser plantada com algodão deve reduzir 18,4%, passando de 70,78 mil hectares para 57,85 mil hectares, a terceira menor área já plantada com algodão no Estado.
A mesma tendência deve ser observada em outros Estados, inclusive no Mato Grosso, que produziu 515,3 mil toneladas de algodão em pluma na safra 00/01, segundo o levantamento de safras da CONAB de julho último, que tradicionalmente fecha os números da safra brasileira de verão. A produção do Mato Grosso equivale a 56,5% da produção brasileira. O segundo maior produtor foi Goiás com 111,3 mil toneladas, o terceiro foi Mato Grosso do Sul com 66,5 mil toneladas e São Paulo ficou em quarto lugar com 60 mil toneladas.
A causa do desestímulo pode ser facilmente verificada observando o gráfico que contém os preços médios mensais, em dólar por arroba, do algodão em pluma na Bolsa de Nova York, posto São Paulo (indicador ESALQ/BM&F) e no Paraná (preços no atacado, segundo o DERAL), entre setembro de 1996 e setembro deste ano (até esta semana). O preço no mercado brasileiro é o mais baixo dos últimos cinco anos (em dólar), período para o qual existe a estatística do indicador. Na Bolsa de Nova York os preços são os menores dos últimos sete anos, pelo menos.
Preços menores não foram acompanhados por custos mais baixos. Uma estimativa preliminar e parcial, indica aumento de 4,4% no valor a ser desembolsado no cultivo de um hectare de algodão no sistema plantio direto. Pelos itens de despesas que não foram avaliados neste orçamento parcial, o aumento do desembolso da lavoura deve ser bem superior a este percentual. Custo maior e preço menor não é uma combinação que leve a aumentos de área.
ALGODÃO EM PLUMA - DISPONIBILIDADE, CONSUMO APARENTE E ESTOQUES, ÚLTIMAS 5 SAFRAS
safra
Estoque inicial
Produção
Importação
Consumo
Exportação
Estoque Final
96/97
186,9
305,7
438,5
798,7
0,3
132,1
97/98
132,1
411,0
334,4
782,9
3,1
91,5
98/99
91,5
519,5
280,3
849,5
3,9
37,9
99/00
37,9
697,3
299,9
949,0
28,5
57,6
00/01
57,6
911,7
180,0
923,5
140,0
85,8
Fonte: CONAB
Exportações e estoques maiores
Por azar, no ano safra que o Brasil gerou produção suficiente até para exportar, os preços no mercado internacional entraram em queda (assim como ocorreu com o milho), o que está levando ao desestímulo com a lavoura para o próximo ano safra.
O Brasil colheu a segunda maior produção da sua história (atrás apenas da safra 84/85) e o preço ao produtor no Paraná chegou ao menor valor histórico em dólar por arroba. Lembrando ainda que as exportações brasileiras este ano foram subsidiadas através de PEP para exportação.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
F E I J Ã O
Geadas causam estragos no sul do País
Uma frente fria inesperadamente forte atingiu a região Centro-Sul do Brasil nos últimos dias. A lavoura mais afetada, segundo as informações preliminares, foi o feijão, nos três estados da região Sul. No Paraná, as regiões mais atingidas foram Sudoeste e Centro-Sul, ambas produtoras importantes de feijão no Estado. O resultado da avaliação de perdas sai esta próxima semana.
FEIJÃO - PRODUÇÃO BRASILEIRA NOS ÚLTIMOS 7 ANOS SAFRA
Em mil toneladas
Ano safra
1ª safra
2ª safra
3ª safra
Total
Índice
94/95
1.007,4
1.839,6
310,8
3.157,8
122
95/96
921,8
1.789,3
305,5
3.016,6
117
96/97
1.031,9
1.586,5
304,8
2.923,2
113
97/98
907,3
968,9
319,9
2.196,2
85
98/99
1.256,5
1.355,5
297,2
2.909,1
113
99/00
1.426,2
1.455,6
230,1
3.111,9
121
00/01
1.159,8
1.131,1
288,6
2.579,6
100
Fonte: CONAB e SEAB/DERAL
Os números finais da safra de feijão do ano 00/01 para os três cultivos é de 2,58 milhões de toneladas, 17,1% a menos do que no ano safra anterior. O preço médio do feijão de cor ao produtor no Paraná, de janeiro a agosto deste ano é de R$ 45,83/sc (deflacionados pelo IGP), valor este 48,1% maior do que o preço médio no mesmo período do ano passado (também deflacionado pelo IGP). Isto significa 48% de aumento para o feijão acima da inflação do período.
A expectativa é de aumento na produção brasileira para o ano safra 01/02, pois a área plantada cresceu em diversos estados pelos preços mais altos deste ano. No Paraná, até antes da geada, a estimativa era de que seriam cultivados 380,8 mil hectares com feijão das águas e com produtividade melhor do que no ano passado. Agora, as coisas vão depender dos estragos já causados.
O Nordeste não deve passar pela mesma seca da safra 00/01 que prejudicou a produção da região - o que significa uma produção maior na segunda safra. Este cenário era para preços menores do que os da safra anterior mas agora, tudo depende das perdas. Como é período de entressafra, a alta dos preços está dentro do esperado e ainda não reflete eventuais perdas.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
S O J A
Bons ganhos com a estocagem em 2001
No ano passado, quem colheu a soja em março e esperou para vender somente em setembro praticamente não teve ganhos com a estocagem. Neste ano, quem seguiu a mesma estratégia (venda em setembro) obteve ganhos superiores a 40%, relativamente aos produtores que venderam sua safra logo após a colheita.
O gráfico ao lado apresenta a evolução da rentabilidade percentual acumulada da estocagem da soja nas últimas três safras. No cálculo da rentabilidade foram considerados custos de armazenagem de sete centavos por saca por mês e um custo de oportunidade do dinheiro aplicado nos estoques de um por cento ao mês. Considerar o custo de oportunidade do dinheiro no cálculo de rentabilidade da estocagem entre os meses de março e setembro significa, por exemplo, que ao valor da venda em março devem ser acrescidos juros que o produtor receberia em aplicações financeiras (ou ganhos pelo pagamento antecipado de dívidas), entre os meses de março e setembro.
Prejuízos em 1999 e 2000
Considerando os referidos custos de armazenamento e do capital investido nos estoques, pode-se afirmar que na safra 98/99 (colhida em 1999) o melhor momento para a venda da soja foi nos meses de outubro e novembro. Na safra 99/00, quem colheu e vendeu a soja logo em seguida obteve um melhor resultado em comparação com aqueles que optaram pelo armazenamento da produção. Na safra 98/99, a rentabilidade da estocagem da soja se mostrou negativa até o mês de agosto, para em seguida alcançar modestos 7% acumulados até novembro. Na comercialização da safra 99/00, a rentabilidade da estocagem se mostrou negativa ao longo de todo o ano, chegando ao pior momento em agosto, quando as vendas daquele mês foram 18% piores do que aquelas realizadas logo após a colheita.
Ganho supera 40% até Set/2001
Na atual fase de comercialização da safra 00/01, as vendas de soja em junho deram resultados 10% melhores do que as vendas feitas em março. Quem vendeu a soja em julho obteve ganhos de quase 30% frente à alternativa de venda logo após a colheita. As vendas em agosto acumulam ganhos de 35% frente as vendas em março. Por fim, as vendas da soja durante este mês de setembro resultam em negócios mais de 40% melhores do que àquelas vendas realizadas logo após a colheita. Neste ano, vale lembrar, o preço nominal da soja ao produtor paranaense subiu 53% entre março e setembro, considerando os preços médios mensais do produto, que passaram de R$ 16,4/saca em março, para a média de R$ 25,1/saca neste mês de setembro.
Na atual safra, os ganhos com a estocagem da produção de soja, decorrentes do aumento nominal dos preços, foram alicerçados na valorização do produto no mercado internacional (sobretudo durante os meses de junho e julho) e pela significativa valorização do dólar (que baliza os preços da soja) frente à moeda brasileira. À exceção do mês de julho, quando os preços da soja subiram expressivamente na Bolsa de Chicago, a taxa de câmbio real/dólar foi a base para os ganhos com a estocagem nesta safra.
Conclusões
Uma boa comercialização pelo produtor rural depende de conhecimento, atenção permanente e uma certa dose de sorte. Conhecimento, porque vários fatores afetam o balanço de oferta de demanda da soja em nível nacional e mundial. Traduzir a influência destes fatores em uma tendência para o comportamento do mercado não é tarefa fácil em mercados agrícolas. Atenção permanente, porque os mercados agrícolas podem mudar de direção repentinamente e sem aviso prévio, por conta de fatores não controláveis ou previsíveis como o clima e políticas para o setor, entre outros. Sorte também é necessário, no sentido de que os eventos não previsíveis ocorram em direção a favorecer a elevação dos preços e/ou a redução dos custos de produção.
Ademais, a comercialização, na prática, é uma tarefa do produtor rural, muito embora os profissionais da assistência técnica devessem atuar mais nessa área da empresa rural, mas não o fazem principalmente pelo risco envolvido nesses tipos de recomendações. Neste sentido, é preciso buscar atitudes positivas, por parte de produtores e profissionais da assistência técnica, em direção a uma profissionalização da área de comercialização na empresa rural. Afinal, não basta produzir bem. É preciso, também, otimizar os processos de compras e vendas na empresa rural.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

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