Apesar do susto causado pelo ataque terrorista aos Estados Unidos esta semana e pela ausência de referência internacional, o mercado de milho no Brasil não parou completamente. O volume de negócios foi pequeno, com baixos volumes, com empresas fora de mercado nos dias mais críticos mas ainda assim houve negócios. Os preços ao produtor no Paraná até meados da semana se mantiveram estáveis em relação à semana anterior, atingindo média de R$ 9,70/sc (veja tabela).
A desvalorização do Real frente à moeda americana reduziu o preço em dólar de todos os produtos. Os preços em Reais se mantiveram praticamente iguais aos da semana passada. Quase ninguém se arriscou a fazer negócios ou assumir um preço maior ou menor do que na semana anterior por não ter elementos suficientes para saber os efeitos sobre os mercados dos produtos. Uma desvalorização do dólar frente às moedas européias e asiáticas, por exemplo, aumenta o poder de compra destes países frente aos Estados Unidos. Como os preços de exportação do Brasil são atrelados ao dólar e a moeda brasileira foi desvalorizada frente à moeda norte-americana o efeito pode ser de aumento nos preços dos produtos brasileiros.
O setor de carnes, grande locomotiva para o mercado do milho, ficou sem saber o que vai acontecer com suas exportações, pela importância do Oriente Médio para as vendas externas brasileiras. Os agentes do mercado não se sentiram à vontade para analisar estas e inúmeras outras variáveis que podem influir nos mercados.
Outros produtos como soja, café e algodão viveram situação muito parecida com a do milho. Na realidade, os mercados nacionais de soja e café são ainda mais dependentes do mercado internacional do que o milho. O número de negócios da soja nesta semana foi menor do que de milho e a grande maioria das empresas ficou fora do mercado, por perder a sua principal referência - a Bolsa de Chicago - por dois dias.
Por enquanto, neste cenário composto mais por dúvidas do que certezas, a melhor estratégia pode ser mesmo a de esperar. Qual vai ser a reação americana e a nacionalidade dos responsáveis são elementos chave para avaliar os efeitos sobre os mercados. Se os responsáveis forem árabes, muita coisa pode mudar em diversos mercados. Se forem americanos, bem, será uma caça às bruxas interna, o que seria uma situação para o mundo muito melhor do que na primeira alternativa.

Comercialização da safra

Segundo levantamento divulgado pelo DERAL no início desta semana, a colheita de milho safrinha atinge perto de 90% dos 947 mil hectares plantados este ano no Estado. Ainda segundo a mesma fonte, 78% da produção estadual da safra de verão e 43% da produção de milho safrinha já foram comercializados pelos produtores até a primeira semana de setembro.

A tabela apresenta as estimativas de comercialização do milho paranaense da safra 00/01 até final do mês passado tomando por base as estimativas de produção e de comercialização do próprio DERAL. Como a produção deste ano é recorde, apesar do percentual comercializado estar abaixo dos demais anos, o volume é maior, assim como os estoques existentes. No caso do milho safrinha parte do produto ''em estoque'' na verdade não foi colhido pois os trabalhos ainda não foram concluídos no Estado.

TABELA - ESTIMATIVA DO VOLUME DE MILHO COMERCIALIZADO PELOS PRODUTORES DO PARANÁ ATÉ FINAL DE AGOSTO1, 1996 A 2001.
Safra de Verão % da Produção2 Volume comercializado3 Estimativa de Estoque4
1996 83% 5,35 1,10
1997 88% 5,90 0,80
1998 91% 4,91 0,49
1999 85% 4,98 0,88
2000 80% 4,74 1,22
2001 77% 7,13 2,19
Safrinha (*)
1996 30% 0,44 1,03
1997 19% 0,20 0,85
1998 23% 0,58 1,95
1999 16% 0,47 2,45
2000 42% 0,59 0,83
2001 38% 1,09 1,77
Produção Total
1996 73% 5,79 2,12
1997 79% 6,10 1,65
1998 69% 5,49 2,44
1999 62% 5,44 3,33
2000 72% 5,32 2,05
2001 67% 8,22 3,96
1/ Estimativas realizadas tomando como base as seguintes informações do DERAL: estimativa de produção da safra normal e safrinha e percentual comercializado pelos produtores paranaenses;
2/ Percentual da produção que teria sido comercializada pelos produtores paranaenses até final de agosto (DERAL);
3/ Volume comercializado obtido pelo produto do percentual comercializado pela produção esperada
4/ Estoque estimado como a diferença entre a produção estimada e o percentual comercializado


Os números apresentados são coerentes com dois aspectos importantes desta safra: a menor dependência de crédito formal (ou informal) dos produtores rurais e a expectativa de que os preços venham a se recuperar nos próximos meses. A menor dependência se deve ao fato de que os produtores não tiveram que vender tudo que tinham na safra para pagar os financiamentos (dado que os recursos para EGF são escassos).

mockup