AGROMERCADO
T R I G O
Geadas reduzem produção paranaense em 4,6%
A estimativa de safra do mês de agosto do DERAL aponta redução, em 4,6%, da produção esperada de trigo no Paraná este ano. O número atual varia entre 1,67 e 1,86 milhão de toneladas, quase o triplo da produção do ano passado (559 mil toneladas). O impacto destes números é sobre os produtores das regiões afetadas pelas perdas (oeste e sudoeste do Estado). Nem todas as lavouras da região foram afetadas, pois o plantio não se concentrou em uma única época na região, mas mesmo assim as perdas totais estão estimadas ao redor de 85 mil toneladas.
No geral, as lavouras paranaenses devem produzir bem, pois a produtividade média está estimada em 2.094 Kg/ha (84,5 sacas por alqueire), que se atingida, será recorde estadual. Na avaliação do DERAL, 73% da área a colher está em boas condições, 18% em condições médias e apenas 9% da área está classificada como ''ruim''. Até o final do mês de agosto, 17% da área plantada no Estado (742,9 mil hectares) estavam colhidos, um percentual maior do que nas duas últimas safras.
No Rio Grande do Sul, a extensão rural do Estado considera que as lavouras estão em boas condições. Em algumas regiões, como Passo Fundo, há maior incidência de doenças (fúngicas), que devem elevar o custo de produção diante da necessidade de controle. A produtividade média esperada é próxima de 1.800 Kg/ha (72,6 sacas/alqueire), excelente para os parâmetros gaúchos. A produção está estimada, por enquanto, em 1,09 milhão de toneladas.
Argentina, Estados Unidos e preços internacionais
Na Argentina, o plantio de trigo ainda não terminou, mas faltam apenas 5% da área estimada em 7.254 mil hectares para serem semeados. O plantio deve se encerrar esta semana e a expectativa é de que toda a área prevista seja efetivamente plantada. O atraso está na província de Buenos Ayres. Nos Estados Unidos, a colheita da safra de primavera se aproxima do final com perto de 90% da área já colhida.
Na Bolsa de Chicago, a média das cotações do trigo no mês de agosto foi de 270,21 centavos de dólar por bushel (US$ 99,28/tonelada) par ao primeiro vencimento, 1,5% mais baixo do que a média do mês de julho. Mas as cotações se recuperaram nos últimos dias do mês passado e continuam acima da média de agosto nestes primeiros dias de setembro.
Este ano os preços estão melhores do que no ano safra passado, como pode ser visualizado no gráfico. A média das cotações na bolsa americana em agosto deste ano foi 12,5% superior à média de agosto do ano passado. Some os valores em dólar mais altos à desvalorização cambial e o cenário para os triticultores paranaenses este ano está muito melhor do que em 2000.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
F R A N G O
Exportação de frango cresceu 40% no período
O balanço das exportações acumuladas entre janeiro e julho de 2001 podem ser consideradas bastante significativas para o setor avícola nacional. Os dados refletem a crescente demanda mundial pelo produto brasileiro, principalmente devido à epidemia de febre aftosa que afetou drasticamente a produção de carne bovina na Europa e levou os consumidores a buscarem um substituto perfeito para aquela proteína animal, no caso, a carne de frango. Soma-se a isso o surgimento e expansão de mercados internacionais para o produto brasileiro.
Os volumes totais acumulados de carne de frango exportada no período analisado foram de 686,6 mil toneladas, ou seja, 41,3% superiores aos embarques registrados no mesmo período de 2000 (486,0 mil toneladas). A receita cambial gerada com estas vendas ao exterior somaram US$ 735,7 milhões, apresentando crescimento de 68,2% em relação ao valor apurado em igual período do ano passado (US$ 437,5 milhões). O preço médio da tonelada exportada foi de aproximadamente US$ 1.070,00 ou seja, 19,1% superior ao valor verificado por tonelada entre janeiro e julho de 2000 (US$ 900,00 aproximadamente).
Do volume total exportado entre janeiro e julho deste ano, 46,6% representavam frangos inteiros, enquanto os 53,4% restantes referiam-se aos cortes de frango. Na composição da receita cambial, 39% foi originada pela venda de frangos inteiros, enquanto os outros 61% vieram da comercialização dos cortes. Comparativamente ainda, em 2001 os embarques de frangos inteiros e de cortes foram respectivamente 32,1% e 50,3% superiores aos do mesmo período de 2000, enquanto as receitas cambiais do frango inteiro e dos cortes incrementaram 54,9% e 77,9%, respectivamente, em relação ao igual período do ano passado.
No acumulado do ano, o Oriente Médio continuou sendo o grande mercado comprador do produto nacional. Dentre os principais países importadores de frango inteiro, destaca-se a Arábia Saudita com aquisições de 131,5 mil toneladas e US$ 122,9 milhões de receitas cambiais, seguida pelo Kuwait com 26 mil toneladas, pelos Emirados Árabes com 24,2 mil toneladas, pela Rússia com 22,6 mil toneladas, pelo Catar com 11,5 mil toneladas e pela Argentina com 10,7 mil toneladas. No conjunto, estes destinos representam mais de 70% dos embarques totais brasileiros de frangos inteiros. No segmento dos cortes de frango, a Ásia foi a grande compradora do período, destacando-se Hong Kong, que adquiriu do Brasil nada menos que 64,5 mil toneladas de cortes, gerando US$ 39,7 milhões em receitas cambiais, seguido pelo Japão com 61,1 mil toneladas, pela Alemanha com 44,9 mil toneladas, pelos Países Baixos com 37,5 e pelo Reino Unido com 28,4 mil toneladas.
Caso o comportamento das exportações brasileiras de frango continuem a crescer significativamente no restante do ano, projeta-se que os volumes negociados com o exterior atinjam 1,1 milhão de toneladas, gerando algo em torno de US$ 1,2 bilhão.
TABELA - EVOLUÇÃO MENSAL DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS DE CARNE DE FRANGO ENTRE JANEIRO E JULHO DE 2001.
MESES
Carne de frango
(em mil toneladas)
Valor exportado
(em milhões de US$)
Preço Médio
(mil US$/ton.)
INTEIRO
PARTES
TOTAL
INTEIRO
PARTES
TOTAL
JANEIRO
40,83
36,19
77,025
36,12
37,58
73,69
0,96
FEVEREIRO
44,18
46,67
90,85
39,68
58,71
98,38
1,08
MARÇO
49,88
56,45
106,33
45,20
63,38
108,58
1,02
ABRIL
39,40
60,34
99,74
35,93
70,78
106,72
1,07
MAIO
52,64
57,93
110,57
47,85
73,46
121,31
1,10
JUNHO
48,91
56,97
105,88
43,74
73,37
117,11
1,11
JULHO
44,22
51,94
96,16
38,76
71,17
109,93
1,14
TOTAL
320,07
366,49
686,56
287,28
448,39
735,72
1,07
Fonte: Abef. APA e Agromarket com cálculos do autor.
Na semana, o frango
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná apresentou um incremento da ordem de 1,1% em relação à cotação observada na semana passada, com o quilograma do frango sendo comercializado a R$ 0,90 nas principais praças do Estado. Quando comparada com a cotação média de agosto (R$ 0,88), observa-se um ganho da ordem de 2,3% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado, notamos um incremento da ordem de 2,3% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
Clima estável nos Estados Unidos
Nas últimas três semanas, as lavouras de soja nos Estados Unidos vêm mantendo seu potencial de produtividade. O clima não tem sido excepcional ou prejudicial às lavouras norte-americanas, o que significa que tem chovido o suficiente para atender a atual necessidade de desenvolvimento das plantas.
Situação das lavouras
Segundo informações do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - USDA, no último dia 4 de setembro, a quase totalidade das lavouras encontravam-se na fase de formação de vagens e uma pequena parcela, mais adiantada, na fase de enchimento de grãos.
No geral, as lavouras de soja safra 01/02 estão um pouco melhores que a situação observada no mesmo período do ano passado (safra 00/01) e um pouco piores que a situação observada no mesmo período da safra 99/00. O gráfico ao lado mostra a percentagem das lavouras consideradas pelo USDA como boas e excelentes nas últimas quatro safras. Em 4 de setembro último, 52% das lavouras eram consideradas em boas e excelentes condições, contra 55% no mesmo período do ano passado e 46% no mesmo período da safra 99/00.
A evolução dos dados sobre a situação das lavouras para a atual safra 01/02 indica que a situação atual, apesar de estável nas últimas três semanas, é a pior desde o início do plantio. Em 27 de maio e em 9 de julho, o USDA classificava 61% das lavouras como estando em boas e excelentes condições, contra os atuais 52%. Isso significa que o comportamento do clima nos Estados Unidos continuará ditando os preços do mercado internacional, não estando descartada uma nova recuperação dos preços (atualmente baixos) caso o clima não continue mantendo sua regularidade como o observado nas últimas três semanas.
Mercado interno
No mercado interno, os preços da soja vêm mantendo tendência de alta, apesar da instabilidade e da desvalorização dos preços no mercado internacional. Como o ritmo das exportações brasileiras de soja já é bem menor do que o verificado de maio a julho, os preços internos passam a refletir a baixa disponibilidade do produto no mercado brasileiro neste início de entressafra.
Nesta semana, o preço médio ao produtor paranaense evoluiu para R$ 24,8 por saca, com alta acumulada de 7% nos últimos trinta dias.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]





