AGROMERCADO
B O I G O R D O
Dificuldades na reposição
Está difícil repor o gado enviado aos frigoríficos. Os animais de reposição (bezerros e garrotes) tiveram alta expressiva de preços nos últimos seis meses, e esse aumento não foi acompanhado na mesma proporção pelos animais prontos para o abate (boi gordo). Isso significa maiores lucros nas fazendas de cria e menores lucros nas fazendas de recria e engorda.
A dificuldade de reposição do gado enviado ao frigorífico é maior nos estados importadores de animais de reposição, como Paraná e São Paulo e um pouco menor nos estados exportadores desses animais, como o Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Goiás.
Relação Boi Gordo/Bezerro
No acumulado dos últimos seis meses, enquanto o valor do bezerro subiu 13% no Mato Grosso do Sul, passando de R$1,607 para R$1,818 por quilo vivo (à vista), o valor do boi gordo em São Paulo subiu apenas 5%, passando de R$40,13 para R$ 42,13 por arroba (à vista). Esses dados podem ser visualizados no gráfico ao lado, que mostra a evolução dos indicadores de preços do boi gordo e do bezerro divulgados pela ESALQ/BM&F, no último dia útil dos últimos 12 meses, até 28 de agosto. No gráfico, os preços estão expressos em reais por quilo de peso vivo à vista, sendo que os preços do boi gordo foram transformados de R$/@ para R$/Kg, considerando um rendimento de carcaça de 52%.
No outro gráfico pode-se observar a significativa valorização do bezerro, iniciada no final do ano passado, além de uma maior estabilidade nos preços do boi gordo. Em setembro do ano passado, por exemplo, um pecuarista que vendia um quilo de boi gordo em São Paulo podia adquirir 948 gramas de bezerro no Mato Grosso do Sul. Essa relação boi gordo (SP)/bezerro (MS) caiu para apenas 781 gramas em junho desse ano (queda acumulada de 17,6% entre setembro/2000 e junho/2001). No meio desta semana (28 de agosto), a mesma relação era de 803 gramas (queda de 15,3% em relação a setembro do ano passado). Nos últimos 12 meses a média desta relação é de 858 gramas de bezerro (MS) para 1Kg de boi gordo (SP).
Conclusão
A atual vantagem do bezerro sobre o boi gordo faz parte do conhecido ciclo pecuário, que tem relação direta com a matança de matrizes no mercado bovino brasileiro. Em suma, as vacas abatidas em um ano proporcionam menos nascimentos nos anos subsequentes, gerando escassez de bezerros, com correspondente valorização desses animais. Após essa valorização (que costuma durar de três a quatro anos), diminui o interesse dos pecuaristas em abater matrizes, aumentando os nascimentos de bezerros, com correspondente desvalorização desses animais (durante três a quatro anos), reiniciando um novo ciclo. Daí, uma coisa é certa: quem acompanha o ciclo (mudando o foco da fazenda de cria para recria e engorda e vice versa) perde sempre. No longo prazo, o melhor é manter a atividade que a fazenda possua maior eficiência.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
A R R O Z
Consumo nacional menor
A produção brasileira de arroz na safra 00/01 está estimada pela CONAB em 10.386 mil toneladas, 9% a menos do que as 11.413 mil toneladas colhidas no ano safra passado. Além de produzir menos, o Brasil também deve importar menos este ano, segundo a projeção da CONAB. Os dados das importações brasileiras de janeiro a julho confirmam esta tendência. Neste período o Brasil importou 371,4 mil toneladas, 10,8% a menos do que no mesmo período do ano passado.
A redução nas importações não vem do preço de importação que, na média do período, é 5,23% menor este ano. O câmbio é que vem desfavorecendo as compras externas brasileiras de todos os produtos, incluindo arroz.
TABELA - OFERTA E DEMANDA DE ARROZ EM CASCA NO BRASIL, ÚLTIMAS 5 SAFRAS
Ano safra
Estoque inicial
Produção
Importação
Suprimento
Consumo
Exportação
Estoque final
1996/97
3.176
9.524
1.223
13.923
11.664
7
2.252
1997/98
2.252
8.463
2.073
12.788
11.664
2
1.122
1998/99
1.122
11.582
1.310
14.014
11.699
30
2.285
1999/00
2.285
11.423
865
14.572
11.700
27
2.845
2000/01(*)
2.845
10.386
720
13.951
11.700
230
2.021
Fonte: CONAB
Produzindo e importando menos, o consumo nacional deve cair, como está projetado pela CONAB. Mas note que os estoques nacionais ainda estão elevados, na faixa de dois milhões de toneladas. Boa parte destes estoques estará em mãos do governo que hoje já possui 2,14 milhões de toneladas de arroz em estoque. Deste total, 1,25 milhão é estoque do governo formado através de AGF e 886 mil toneladas provêm de contratos de opção. Esta é uma das razões pelas quais o governo vai reduzir o preço mínimo do arroz para a próxima safra. A ordem é não ter grandes estoques.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
M I L H O
Alta de 10,48% em agosto
Demorou mas veio. O preço do milho subiu 9,09% nos últimos 30 dias e o preço médio do mês de agosto é de R$ 9,28/sc, 10,48% maior do que a média de julho. Dentre os produtos acompanhados regularmente por esta equipe, o milho apresentou a segunda maior valorização no mês de julho, atrás apenas do feijão.
O crescimento da avicultura e suinocultura este ano e as exportações de milho são os elementos chave para explicar a recuperação dos preços do grão. De janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 2.716,5 mil toneladas, volume recorde histórico para o País. As exportações de carne de frango e suína também batem recordes, especialmente a última.
De janeiro a julho deste ano, o Brasil exportou 686,55 mil toneladas de carne de frango, 41,25% a mais do que no mesmo período do ano passado. As exportações de carne suína somam 128 mil toneladas, 136% a mais do que no ano passado, que já foi um ano muito bom para as exportações de suínos. Sustentando todo este crescimento está a maior produção brasileira de milho na safra 00/01. Não é a toa que o segmento consumidor está muito preocupado com a próxima safra. Como os números iniciais apontam redução na área a ser plantada com milho no Paraná (e em outros estados), a escassez da principal matéria-prima das rações pode frear o crescimento da produção de carnes.
A reação nos preços do milho pode ajudar a amenizar um pouco a situação do plantio que começou em agosto. A notícia da tentativa de acordo para garantir um preço mínimo de R$10 por saca repercutiu entre os agricultores e pode ter algum efeito. O mesmo pode ser dito dos leilões que começam na primeira semana de setembro.
Demanda maior
O mês de agosto foi marcado pelo aumento do volume de milho negociado com as grandes empresas. Isto indica que o milho que as integrações tinham junto aos integrados e as compras regionais começam a escassear e, a partir de agora, o mercado de lotes de milho deve ganhar força. Em setembro é comum que o preço do grão aumente, porque a demanda cresce e aquele grande excedente da safra de verão já se reduziu.
Além disso, as 2,7 milhões de toneladas exportadas ajudaram a reduzir este excedente que, ao contrário de outros anos, não irá para estoque, o que reduziria os preços ao invés de permitir aumentos. Começa a ficar bom para quem conseguiu guardar parte do produto. Mas lembre, sentar em cima do estoque para o ano que vem é arriscado. Estoque de um ano para outro dificilmente dá retorno.
Gastando mais
Com o plantio da nova safra começando, é uma boa hora para fazer as contas do valor a ser desembolsado por hectare de milho este ano. O orçamento apresentado na tabela leva em conta uma produtividade esperada de 100 sacas/ha, em sistema de plantio direto e com os equipamentos mínimos necessários para uma propriedade com área agricultável de 500 ha. Os preços utilizados no orçamento são do DERAL e se referem ao mês de julho deste ano e do ano passado.
TABELA - ORÇAMENTO PARA UM HECTARE DE MILHO EM PLANTIO DIRETO NO PARANÁ, JULHO DE 2000 E 2001
DESCRIÇÃO
R$/ha (Jul/00)
R$/ha (Jul/01)
Jul/01/Jul00 (%)
Insumos
374,31
423,36
13,1
Semente
100,77
118,24
17,3
Fertilizante (05-25-25)
131,60
154,04
17,1
Uréia
28,98
35,78
23,5
Herbicidas
78,58
79,96
1,8
Inseticidas
34,39
35,34
2,8
Mão-de-obra temporária
5,55
5,94
7,0
Conservação e reparos
- Máquinas
23,64
26,45
11,9
- Implementos
9,82
10,47
6,6
- Benfeitorias
0,99
1,07
8,2
Combustível
22,44
27,88
24,2
Frete externo
40,56
42,90
5,8
Recepção, secagem e limpeza
19,00
19,00
0,0
Impostos variáveis (Funrural)
21,85
21,85
0,0
Assistência técnica
9,53
10,74
12,7
Seguro de produção (Proagro)
19,05
21,48
Juros sobre capital de giro
43,22
48,72
Despesas gerais
5,90
6,60
Desembolso
595,87
666,46
11,8
Produtividade de equilíbrio*
59,59
66,65
FONTE: AGROMARKET
Uréia, combustível, fertilizante formulado e semente são os insumos que mais subiram nos últimos 12 meses (julho de 2000 a julho de 2001). O valor orçado para o gasto com os insumos este ano é de 423,36/ha, 13% maior do que na mesma época do ano passado. O valor total estimado, R$ 666,46/ha, é 11,8% maior do que no ano anterior.
Para aqueles agricultores que tiverem custo variável próximo ao valor do desembolso apresentado no orçamento, é necessário uma produtividade mínima de 66,65 sacas/hectare, se receber o preço mínimo que está sendo combinado de R$ 10/sc. Boa sorte para os produtores de milho na safra 01/02!
Vania Di Addario Guimarães - Prof da UFPr
E-mail: [email protected]





