AGROMERCADO
F R A N G O
Cotação desvaloriza 30% em um ano
A cotação do quilograma da carne de frango, no Paraná, apresentou pouca variabilidade entre janeiro e agosto deste ano, oscilando entre um preço mínimo de R$0,85 e um preço máximo de R$0,88. Em janeiro, o preço do quilograma do frango vivo estava valendo R$0,87 quando, entre fevereiro e março, apresentou uma retração da ordem de 2,3%, sendo negociado a R$0,85 nas principais praças do Estado. No mês de abril, observou-se uma valorização de 3,5% na cotação, que retraiu 1,1% novamente em maio. Nos meses seguintes, registrou-se constantemente esta oscilação da cotação ao redor dos R$0,87 por quilograma, que está sendo o preço médio pactuado em agosto no Paraná.
Quando realizamos uma análise comparativa da evolução dos preços reais do quilograma do frango deflacionados pelo IGP-DI, entre janeiro e agosto de 2000, contra o mesmo período de 2001, notamos alguns aspectos bastante significativos.
De acordo com a tabela, pode-se observar que no período analisado, as cotações em 2000 permaneceram 39,1%, em média, superiores às verificadas no mesmo período deste ano. Entre janeiro e agosto de 2000, o preço médio do quilograma da carne de frango comercializada no Paraná valia, em termos reais, R$ 1,21, mas atualmente esta média vem permanecendo ao redor de R$ 0,87. Diante dessa situação, nota-se que os produtores paranaenses tem recebido, em média, 28,1% menos pelo produto do que no ano passado. O pior momento verificado na análise foi o mês de fevereiro, quando a diferença de preços foi de 37,5%, enquanto a menor diferença de cotação ocorreu em maio (18,7%).
O preço pago pelo milho
No caso do preço da saca de 60 quilogramas de milho, insumo fundamental para a avicultura e responsável por cerca de 70% dos custos totais de produção, verificou-se que em 2000, as cotações permaneceram bastante elevadas ao longo do período analisado, em decorrência da escassez do produto no mercado interno. Ente janeiro e agosto, em temos reais, a cotação média da saca do milho era negociada à R$12,64 nas principais praças do Estado. A cotação mais elevada (R$13,74) foi verificada em janeiro e a mais baixa (R$11,79) em julho. Em 2000, apesar do preço do milho estar elevado, o produtor estava recebendo mais pelo produto, o que acabou compensando em termos médios o custo de produção.
TABELA MILHO - ANÁLISE COMPARATIVA DOS PREÇOS REAIS DO FRANGO, E DA RELAÇÃO DE TROCAS ENTRE A SACA DE MILHO E O QUILOGRAMA DO FRANGO NO PARANÁ ENTRE 2000-2001, EM REAIS (R$) DEFLACIONADOS PELO IGP-DI PARA JULHO/2001.
item/mês Janeiro Fevereiro Março Abril Maio Junho Julho Agosto Média
Preço real do kg do frango em 2000 1,39 1,36 1,22 1,10 1,07 1,09 1,12 1,28 1,21
Preço real do kg do frango em 2001 0,87 0,85 0,85 0,88 0,87 0,86 0,88 0,87 0,87
Variação (%) do preço real do kg do frango entre 2000 e 2001 - 37,4 - 37,5 - 30,3 - 20,0 - 18,7 - 21,1 - 21,4 - 32,0 - 28,1
Preço real da saca de 60 kg do milho em 2000 13,74 13,48 12,55 12,25 12,52 12,15 11,79 12,61 12,64
Preço real da saca de 60 kg do milho em 2001 8,49 7,74 7,48 7,47 7,59 7,90 8,40 9,19 8,03
Variação (%) do preço real da saca de milho entre 2000 e 2001 - 38,2 - 42,6 - 40,4 - 39,0 - 39,4 - 35,0 - 28,8 - 27,1 - 36,5
Relação de trocas entre milho versus frango (2000) 9,9 9,9 10,3 11,1 11,7 11,1 10,5 9,9 10,4
Relação de trocas entre milho versus frango (2001) 9,8 9,1 8,8 8,5 8,7 9,2 9,5 10,6 9,2
Variação (%) da relação de trocas entre milho versus frango entre 2000 e 2001 - 1,0 - 8,1 - 14,6 - 23,4 - 25,6 - 17,1 - 9,5 + 7,1 - 11,5
Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de agosto de 2001
Comparativamente, este ano, a situação está sendo completamente oposta à verificada em 2000. O preço da saca de milho está oscilando em um patamar relativamente estável, garantindo, dessa forma, um bom desempenho ao setor avícola em termos de custo de produção.
Entre janeiro e agosto deste ano, verificou-se que em média, a saca de milho era negociada em termos reais a R$8,03, o que representa uma redução média de 36,5% nos preços praticados em igual período de 2000. Para os meses seguintes, espera-se um fortalecimento das cotações do milho no Paraná, pois, historicamente, em outubro, novembro e dezembro tem-se registrado os picos de preço, o que deve encarecer o insumo e consequentemente o custo de produção.
A relação de trocas entre o milho e o frango
A relação de trocas normalmente vem a ser um importante indicador da situação de capitalização do produtor rural frente ao principal insumo de produção. No caso da relação de trocas entre a saca de 60 quilogramas de milho e o quilograma de frango, podemos notar que 2000 foi um ano desfavorável aos avicultores, que precisaram comercializar, em média, 10,4 quilogramas de carne de frango para adquirir um saca de milho. Os melhores momentos do período analisado em 2000 foram os meses de janeiro e fevereiro, quando os avicultores precisaram vender 9,9 quilogramas do produto por unidade de insumo, enquanto o pior momento foi em maio (11,7 quilogramas de frango por saca de milho).
Para muito avicultores, o parâmetro de uma boa situação é aquele onde ele necessita vender em média 7 ou 8 quilogramas de produto para adquirir uma unidade do insumo.
Este ano, observamos que a situação dos avicultores paranaenses esteve um pouco melhor, pois necessitaram comercializar em média 9,2 quilogramas de frango para a aquisição de uma saca de milho. De maneira comparativa, as relações de trocas estão atualmente 11,5% melhores que as observadas em igual período do ano anterior. Entre janeiro e agosto, o melhor momento verificado para o lado dos avicultores foi maio, quando a relação de trocas esteve 25,6% melhor que em 2000, enquanto o pior momento tem sido agosto, onde a relação de trocas tem sido 7,6% pior que a do igual período do ano anterior.
Na semana, a queda na cotação do frango
O preço médio do frango de corte negociado no Paraná apresentou uma retração da ordem de 2,3% em relação à cotação observada na semana passada (R$0,88), com o quilograma sendo comercializado a R$0,86 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de julho (R$0,88), observa-se uma retração de 2,3% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (agosto), notamos uma incremento da ordem de 10,3% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]
S O J A
Preço interno supera externo
O início do período de entressafra, no Brasil, começa a fazer o preço da soja flutuar de forma mais independente da bolsa de Chicago, no mercado interno. Nesta semana, pela primeira vez no ano, o preço médio da soja no mercado de lotes brasileiro superou os preços do produto na Bolsa de Chicago, conforme pode ser visualizado no gráfico ao lado. No meio da semana, enquanto o indicador de preço da soja (ESALQ/BM&F) era de US$11,1 por saca, o preço da soja em Chicago era de US$10,75 por saca (ou o equivalente a 488 centavos de dólar por bushel). De março a maio deste ano, época de concentração da colheita e comercialização da soja no Brasil, os preços em Chicago estiveram entre 15 a 20% maiores do que os preços no mercado de lotes no Brasil (indicador ESALQ/BM&F). Em junho essa diferença caiu para 10%, em julho para 6% e agora, na média das três primeiras semanas de agosto, para apenas 1%.
Essa aproximação do preço interno e externo da soja é reflexo da maior disputa pelo produto ainda disponível aqui no País, por parte de exportadores e fábricas de esmagamento, fruto da menor disponibilidade da soja no mercado interno. Isso fez com que os preços internos da soja subissem um pouco mais do que o externo, na primeira quinzena de agosto, e caíssem menos entre 15 e 22 de agosto.
A tendência é de que no mercado de lotes as negociações com a soja devam ser mais acirradas daqui em diante, com maiores dificuldades de consenso entre as ofertas de compra e venda.
Preços ao produtor
A diferença de preços entre o mercado de lotes (grandes volumes) e o mercado de balcão (preços ao produtor) voltaram a crescer neste mês de agosto. Isso, em parte, explica o pequeno volume de soja negociado nas últimas semanas pelos produtores. A recente queda das cotações em Chicago, devido à melhoria do clima nos Estados Unidos, também fez diminuir consideravelmente a disposição de venda dos produtores brasileiros. Neste momento, o melhor mesmo é aguardar os acontecimentos.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
Começa a colheita paranaense
Até o final da semana passada, foram colhidos 4% dos 838 mil hectares plantados com trigo no Paraná este ano (segundo a estimativa de julho do DERAL). As lavouras paranaenses estão classificadas entre ruim (12%), médio (20%) e boas condições (68%). Nem é preciso dizer que esses números são muito superiores aos do ano passado. Das lavouras a colher, 15% estão em fase de desenvolvimento vegetativo, 16% em floração, 43% em frutificação e 23% em maturação.
No Rio Grande do Sul, 86% das lavouras estão em desenvolvimento vegetativo, 12% em floração e 2% na fase de enchimento de grãos. A falta de chuvas no Rio Grande do Sul vem preocupando os produtores e, em algumas regiões, impedindo a adubação em cobertura. Temperaturas elevadas tem favorecido o surgimento de doenças fúngicas (assim como em outras regiões produtoras, entre elas parte de São Paulo), o que vai tornar as lavouras mais caras. Mesmo assim, os produtores estão investindo na lavoura para garantir a colheita, dado que os preços ainda estão atrativos.
Na Argentina o plantio está na fase final, restando menos de 10% dos 7,25 milhões de hectares para serem plantados. A única região que ainda não terminou é a província de Buenos Aires, maior produtora da Argentina, onde devem ser plantados 3,77 milhões de hectares. A situação das lavouras em geral é boa, segundo a secretaria de Agricultura argentina. Não há problemas de falta de chuvas, pelo contrário, há áreas onde o plantio está atrasado por excesso de umidade dos solos. Por enquanto, tudo dentro do normal com o trigo argentino.
Produção americana reduz 10,7%
Nos Estados Unidos, a colheita da safra de inverno foi concluída e a colheita da safra de primavera já supera metade da área plantada. A produção na safra de inverno está estimada em 37,7 milhões de toneladas, redução de 11,36% em relação ao ano safra anterior. A produção da safra de primavera está estimada em 16,3 milhões de toneladas, 9,3% a menos do que no ano anterior. A produção total de trigo este ano nos Estados Unidos está estimada, portanto, em cerca de 54 milhões de toneladas, contra 60,5 milhões do ano safra anterior, redução geral de 10,7%.
A produção mundial para a safra 01/02 também deve ser menor, assim como a produção americana. Por isso, os preços cotados pelo cereal na Bolsa de Chicago estão 11,7% maiores do que no mesmo período do ano passado. Bom para os produtores brasileiros que podem colher bem este ano e receber preços melhores do que nos últimos dois anos.
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]





