AGROMERCADO
S O J A
MERCADO INSTÁVEL
Conforme tradicionalmente ocorre nesta época do ano, o comportamento do clima nos Estados Unidos é que determina o movimento ascendente e descendente dos preços da soja no mercado internacional. É o conhecido mercado de clima (weather market) que tornam os preços instáveis, pois eles passam a oscilar ao sabor das incertas e inconstantes previsões meteorológicas. Isso ocorre porque lá nos Estados Unidos, principal produtor mundial de soja, as lavouras são plantadas entre os meses de maio e junho e, a partir de então, o mercado se volta às condições das lavouras naquele país e a influência do clima no desenvolvimento da safra norte-americana. Às vezes, uma simples previsão sobre o comportamento futuro do clima já é suficiente para alterar os preços de mercado. Baseado nestas previsões meteorológicas os agentes econômicos procuram se antecipar à ocorrência dos fatos propriamente ditos, tornando o mercado instável devido a um aumento na variabilidade dos preços.
Em julho deste ano repetiu-se o fenômeno. Em linha com o clima adverso ao desenvolvimento das lavouras de soja nos Estados Unidos, os preços do produto na Bolsa de Chicago subiram expressivos 16,5% entre 25 de junho e 12 de julho, passando de 450,75 para 525 centavos de dólar por bushel. Em seguida, os preços passaram a registrar altas e baixas, conforme pode ser visualizado no gráfico, atingindo US$ 0,511/bushel em 16 de julho, US$ 0,528/bushel em 17 de julho (o pico do mês de julho), US$ 0,496/bushel em 20 de julho e US$ 0,509/bushel em 1º de agosto.
Condição das lavouras
Normalmente com certa defasagem em relação aos acontecimentos propriamente ditos, os números divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - USDA sobre a condição das lavouras de soja naquele país confirmam a incerteza gerada pelo clima sobre o processo de formação dos preços da soja na Bolsa de Chicago durante os últimos 30 dias. Em 25 de junho, vale lembrar, o USDA classificava 60% das lavouras de soja como estando em boas e excelentes condições. Essa percentagem subiu para 61% em 9 de julho, para em seguida diminuir para 57% em 16 de julho e 55% em 23 de julho, e agora, recentemente, voltar a subir aos mesmos 60% em 30 de julho.
Mercado interno
No Brasil, o mercado da soja também se apresentou instável ao longo do mês de julho. Além das oscilações das cotações em Chicago, as variações da taxa de câmbio também influenciaram a formação dos preços da soja no mercado interno. O valor do dólar comercial subiu acentuadamente na primeira quinzena, caiu entre 16 e 23 de julho e voltou a subir no final de julho. O contrato do dólar para agosto na BM&F, por exemplo, iniciou o mês de julho (dia 2) indicando uma taxa de câmbio de 2,358 reais por dólar. Esse valor saltou para 2,602 em 13 de julho, depois recuou a 2,432 em 23 de julho e encerrou o mês próximo dos 2,500 reais por dólar.
Comercialização profissional
O sobe e desce dos preços da soja em julho mexeu com os nervos do mercado, mas muitos produtores demonstraram habilidade e profissionalismo na comercialização de sua safra, aproveitando os picos de preços do produto no mês de julho, tanto para a venda de estoques disponíveis como para a venda futura da safra 2001/2002. Os dados da Seab/Deral, com o volume acumulado de vendas da safra de soja 2000/2001 pelos produtores paranaenses, apontam nessa direção, indicando um expressivo volume comercializado no segundo decêndio do mês. Até 9 dejulho 70% da safra já havia sido comercializada pelos produtores paranaenses. Em 16 de julho esse número era de 75%, passando a 82% em 23 de julho e 83% em 30 de julho. Não obstante, nos próximos meses a escassez do produto no mercado interno deve proporcionar novas possibilidades interessantes para a comercialização do estoque remanescente.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]
T R I G O
PREÇOS INTERNACIONAIS MAIORES EM JULHO
A última vez que o trigo foi cotado acima de 100 dólares por tonelada na Bolsa de Chicago por um período maior do que alguns dias, foi em janeiro deste ano. Em julho, os preços na bolsa americana conseguiram novamente ultrapassar a marca de 100 dólares a tonelada, com alta de 6,6% em relação ao mês de junho.
A cotação média do grão naquela bolsa em julho foi de US$ 100,85/tonelada, contra US$ 94,55/t em junho. A recuperação dos preços no mercado americano se transmite para os demais mercados mundiais pela importância do país na produção e no comércio internacional.
Para o Brasil, franco importador, a notícia não agrada o setor consumidor mas favorece os produtores nacionais que podem colher uma safra normal de trigo este ano. No Paraná em final do mês de julho, 36% das lavouras de trigo (838 mil hectares), estão na fase de frutificação segundo levantamento do Deral. Outros 32% estão em floração, 31% em desenvolvimento vegetativo e 1% em maturação. As lavouras mais adiantadas estão nas regiões norte e oeste do Paraná e o restante na região sul. A região norte do Estado concentra 34% da área total plantada este ano; 28% está na região oeste; 15% na região centro-oeste. A região sul concentra 14% da área plantada mas deve produzir 18% da produção estadual. A previsão do Deral é de que a produtividade média da região fique na faixa de 110,6 sacas/alqueire, 23,8% acima da média estadual.
Quanto às condições, o Deral classificou as lavouras da seguinte forma: 3% ruim, 13% média e 84% em boas condições. A estimativa de produção no mês de julho foi reduzida em cerca de 10 mil toneladas pela piora nas condições das lavouras pois, em junho, mias de 90% estava em boas condições.
No Rio Grande do Sul o plantio está em fase final restando pequena parcela da área a plantar. A estimativa do Estado é de aumento de 7,9% na área plantada, fruto dos bons resultados do trigo para os produtores gaúchos no ano passado. A Emater estadual avalia as lavouras como em boas condições até o momento.
Na Argentina é tempo de plantio, que já alcança 80% dos 7.147,8 mil hectares previstos para a lavoura este ano naquele país. Cerca de metade da área (52%) plantada com trigo na Argentina está na região de Buenos Aires e, nesta região, o plantio ocorre um pouco mais tarde do que nas demais regiões (está relativamente mais ao sul) em diversas regiões o plantio terminou. A Argentina está plantando a segunda maior área de trigo, perdendo apenas para os 7.366,8 mil hectares cultivados na safra 96/97. A avaliação da Secretaria de Agricultura da Argentina é de que as lavouras estão em boas condições no momento com leve falta de umidade em algumas regiões.
Começa colheita da safra de primavera
Enquanto a Argentina e o Rio Grande do Sul estão plantando e o Paraná se aproxima do início da colheita, nos Estados Unidos a colheita da safra de inverno se aproxima do final e começam as operações de colheita da safra de primavera. Até o final da semana passada, 86% das lavouras de trigo de inverno estavam colhidas e 1% da área de trigo de primavera também.
A safra de primavera nos Estados Unidos está condições melhores do que no ano passado. Segundo do USDA, 14% estão classificadas entre ruim e péssimas; 23% em condições razoáveis, 50% em boas condições e 13% em condições excelentes. No ano passado, nesta mesma época os percentuais eram de 16%, 24%, 46% e 14%.
A área total plantada com trigo nesta safra 01/02 nos Estados Unidos reduziu em cerca de 1,5 milhão de hectares e a produção deve reduzir cerca de 6,8 milhões de toneladas, podendo alcançar 60,51 milhões de toneladas.
A redução na produção americana e mundial vem permitindo que os preços internacionais estejam acima dos valores praticados no ano passado. Por exemplo, a cotação média do trigo na Bolsa de Chicago entre abril e agosto do ano passado foi de US$ 94,01/tonelada. Este ano, de abril a esta primeira semana de agosto, a média é de US$ 98,23/t, 4,48% maior.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
M I L H O
ESTOCAGEM RENTÁVEL
A safra 00/01 de milho está estimada em 12.249 mil toneladas, sendo 9.351,8 mil toneladas na safra de verão e 2.897,2 mil toneladas na safrinha. A estimativa média do Deral em julho para a safrinha paranaense é 1,7% inferior à estimativa de junho. Até 30 de julho, 28% dos 945,7 mil hectares plantados com safrinha este ano foram colhidos no Estado. A colheita está atrasada em relação ao ano passado quando, segundo levantamento do Deral, 34% da área havia sido colhida nesta mesma época.
Estima-se que até final do mês de julho, 70% da safra normal e 14% da safrinha já foram comercializados pelos produtores paranaenses. Pelas estimativas atuais de produção estes percentuais representam 6.546 mil toneladas de milho da safra de verão e 406 mil toneladas da safrinha, totalizando 6.952 mil toneladas ou 57% da produção total (12.249 mil toneladas). Em termos percentuais, a comercialização está mais lenta do que nos anos anteriores mas em volumes absolutos o Estado nunca havia comercializado um volume tão grande de milho ao final do primeiro semestre do ano mas mesmo assim, este montante não chega a 60% da produção.
Os preços reagiram novamente esta semana alcançando a média de R$ 8,90/saca no Paraná, alta de 11,95% nos últimos 30 dias. Em 5 meses (março até esta semana) o milho apresenta alta acumulada de preço da ordem de 22,76%, equivalente a uma valorização média de 4,19%, melhor do que muita aplicação financeira. Trocando em miúdos, o armazenamento de milho entre março e esta semana foi rentável para quem pôde esperar.
Produtores pretendem reduzir a área de milho em 17%
O Deral divulgou as primeiras estimativas de intenção de plantio para a safra de verão no Paraná. Para o milho, o levantamento indica uma área de 1.537,3 mil hectares, 17% a menos do que na safra 00/01. A redução é esperada pelo mercado como consequência dos baixos preços do milho este ano quando comparado com a soja, cuja área deve crescer 8,26% no Estado.
O mesmo comportamento é esperado para os demais Estados produtores. No Centro-Oeste a soja deve ocupar parte da área de milho e também de algodão, cujos preços estiveram menos atraentes para os produtores este ano na região. Como a área plantada de soja não reduziu nos Estados Unidos para a safra 01/02 em desenvolvimento e pode crescer no Brasil e na Argentina, é possível que a relação de preços no próximo ano seja mais favorável ao milho.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
E-mail: [email protected]





