S U Í N O
A lucratividade ao longo da cadeia
A cadeia produtiva da carne suína vem a ser uma das mais competitivas do agronegócio nacional, mas também possui uma série de problemas (gargalos) que impedem um equilibrado desenvolvimento de todos os seus elos. Um dos principais aspectos é a distorção que o preço do produto apresenta entre o produtor e o consumidor final. Enquanto a carne suína caminha no sistema de comercialização, vai sofrendo diversas transformações, diferenciações e importante agregação de valor que não retorna de maneira proporcional ao produtor (o elo inicial desta cadeia).
Nesta divisão da lucratividade, cerca de 30%, em média, fica com o produtor de forma a remunerar o seu trabalho, enquanto 70% do lucro restante permanece no sistema de comercialização. Assim, esta má distribuição da lucratividade ao longo da cadeia acaba impactando, de maneira negativa, os elos mais fracos do sistema, ou seja, os produtores, conforme pode ser visto na tabela abaixo.
TABELA - - EVOLUÇÃO DOS PREÇOS MÉDIOS NOMINAIS DO KG DA CARNE SUÍNA, CORTES E DERIVADOS AO NÍVEL DE PRODUTOR, ATACADO E VAREJO, PR, JUNHO DE 2001.
Item - Produtor - Atacado - Varejo -
Suíno vivo - raça - 1,23 - - - - -
Suíno carcaça - raça - - - 2,69 - - -
Banha suína - - - 1,25 - 1,99 -
Suíno lombo (s/osso) - - - 5,58 - 7,28 -
Suíno paleta (c/osso) - - - 2,64 - 3,88 -
Suíno pernil (c/osso) - - - 3,58 - 4,16 -
Embutidos e Derivados - - - - - 12,60 -
Fonte: Agromarket com cálculos do autor.
Na propriedade rural, os suinocultores paranaenses receberam, na média de junho de 2001, aproximadamente R$ 1,23 pelo quilograma do suíno vivo. Esse nível de preço é o reflexo de um conjunto de variáveis de interação dinâmica e pouco controláveis pelo produtor, como a oferta total de mercado, a demanda pelos consumidores e pela indústria, as exportações, as variações cambiais, o elevado custo dos insumos e as intervenções governamentais no mercado, entre outras. Assim, no aspecto da formação de preço, o suinocultor individualmente pouco pode intervir no mercado, sendo então considerado como um ‘‘tomador de preço’’, ou seja, o mercado ou a indústria local estabelecem um poder monopsônico ou oligopsônico que determina o valor da cotação e os produtores fazem a sua tomada de decisão de produzir ou comercializar em cima deste referencial.
Este mesmo quilograma de carne, ao sair da propriedade e entrar no mercado atacadista, era comercializado a R$ 2,69 na forma de carcaça e a R$ 3,93 na forma de cortes (lombo, pernil, paleta), indicando que o atacadista, ao realizar os seus serviços de comercialização em cima dos produtos, acrescentou em média 118,7% e 219,5%, respectivamente, sobre o preço que ele pagou ao suinocultor pela matéria prima. Essa diferença gritante de preço, nos diferentes níveis do canal de comercialização, decorre do fato de que no atacado as indústria realizam a diferenciação do produto, acabando com o elevado grau de homogeneidade que antes existia e, ao realizarem isto, têm a possibilidade de formar seu próprio preço.
No mercado varejista (supermercados, hipermercados, etc.), observou-se também que as diferenças de preço foram significativas. No caso dos cortes suínos, notamos que os varejistas acrescentaram em média 30% sobre o preço pago aos atacadistas, enquanto os consumidores pagaram 315,5% sobre o preço recebido pelo produtor. Para os embutidos e derivados de carne, essa diferença atingiu, em média, valores de 924,4% no mercado paranaense.
Analisando a margem de comercialização da carne suína dentro da cadeia produtiva, observou-se que alguns aspectos também foram bastante relevantes. No caso dos embutidos e derivados, do preço que o consumidor final pagou pelo quilograma do produto no varejo, apenas 9,8% retornou ao produtor como forma de remuneração pelos seus serviços, enquanto os 90,2% restantes ficaram para remunerar o sistema de comercialização como um todo (atacadistas e varejistas).
Para os cortes suínos, a participação média do produtor foi um pouco maior, 24,1%, enquanto o atacado e o varejo ficaram com 52,8% e 23,1%, respectivamente, do preço que o consumidor final pagou pelo quilograma dos cortes no mercado. Dos cortes analisados, o lombo suíno sem osso foi o que apresentou a menor participação do produtor (16,9%) nas divisões do lucro da comercialização, com o atacado ficando com 59,6% do preço pago pelo consumidor e o varejo com os 23,5% restantes. A paleta com osso forneceu a melhor participação do produtor (31,7%), ficando o atacado com 36,3% do preço pago pelo consumidor final do produto e o varejo com os 32% restantes.
Na semana, o suíno
O preço médio do suíno vivo raça negociado no Estado do Paraná apresentou incremento de 0,79% em relação à cotação observada na semana passada, com o quilograma comercializado a R$ 1,28 nas principais praças do Estado. Quando comparada com a cotação média de junho (R$ 1,23), observa-se um aumento da ordem de 4,1% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (julho), notamos um incremento da ordem de 25,5% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected] O I G O R D O
Menor oferta eleva preço
Nesta semana, os preços do boi gordo ao produtor paranaense atingiram a casa dos R$ 42 por arroba, nos negócios com 30 dias de prazo para pagamento. É o início da entressafra, que reduz a oferta e eleva dos preços. No sul e sudeste do País é o frio, e no Centro-Oeste a seca, que deterioram as pastagens nessa época do ano, reduzindo o número de animais prontos para o abate.
Nesta segunda quinzena de julho, o preço médio do boi gordo ao produtor paranaense subiu expressivos 5%, passando de R$ 40 para R$ 42 por arroba, atingindo o maior preço, em termos nominais, desde novembro do ano passado. O valor atual da arroba é cerca de 9% superior ao observado no mesmo período do ano passado, quando valia R$ 38,5/arroba.
Perspectivas
Nos próximos meses, o preço do boi gordo deve continuar sua trajetória ascendente em linha com a progressiva redução da oferta, ao longo do período de entressafra, que se prolonga até o último trimestre do ano.
Nessa entressafra, os preços do boi gordo devem alcançar valores nominais superiores ao observado em anos anteriores. Até o momento, porém, não se projetam grandes elevações em relação aos patamares atuais (mais 7% até novembro). Como principal fator positivo para os preços, pode-se citar a ampliação das exportações de carnes (favorecidas pela taxa de câmbio) neste ano. Como fator restritivo para os preços, pode-se citar a estabilidade ou até queda do consumo interno, em linha com a redução do nível de atividade econômica do país, em função das altas taxas de juros e da crise energética. Como fator imprevisível, como sempre, tem-se o clima, que nesta semana registra a terceira frente fria, de maior intensidade neste inverno.
No momento, as expectativas do mercado apontam para os seguintes preços do boi gordo, nas principais praças de comercialização do Estado do Paraná: R$ 43/@ em agosto; R$ 43,5/@ em setembro; R$ 44,5/@ em outubro; R$ 45/@ em novembro e R$ 44,5/@ em dezembro.
O gráfico apresenta a referida projeção dos preços médios mensais para os próximos meses, além da evolução semanal dos preços de janeiro até o presente mês de julho.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected] E I J Ã O
Produção nacional reduz 17%
Em julho, a CONAB divulgou o quinto levantamento de safra, incluindo as estimativas e projeção para as três safras nacionais de feijão. A produção total este ano está estimada em 2.575 mil toneladas, 17% a menos do que no ano safra 99/00 (3.098 mil toneladas).
A primeira safra de feijão reduziu 17,7%, passando de 1.412 mil toneladas para 1.163 mil toneladas este ano. Foi a menor produção desde a safra 97/98. A maior redução foi na Bahia ,que produziu apenas 130,4 mil toneladas na primeira safra, contra 314 mil toneladas no ano passado. A produção na região Sul reduziu 9% e no Centro-Oeste, 15%. O Paraná colheu 342 mil toneladas, 12% a menos do que no ano anterior.
Como se sabe, a região Nordeste é a maior produtora de feijão de segunda safra, mas a seca deste ano derrubou a produção na região (outra vez). A área plantada reduziu 14%, mas a produção vai reduzir 42%. A região Nordeste deve colher 487 mil toneladas, contra 846 mil toneladas produzidas no ano passado. As maiores quebras ocorreram na Paraíba (87,8%), Rio Grande do Norte (76,5%), Ceará (65,7%), Pernambuco (59,7%) e Piauí (56,6%). No estado maior produtor, que é a Bahia, a produção será 5% menor, alcançando 211,7 mil toneladas.
Entre os estados da região sul, apenas o Paraná produziu mais feijão de segunda safra (da seca), com redução tanto em Santa Catarina (28,6%) quanto no Rio Grande do Sul (15%). Compensando parte destas perdas, a produção cresce 146% em Goiás, atingindo 146 mil toneladas. No total, a produção nacional de segunda safra reduz 22,6%, totalizando 1.126 mil toneladas.
A única safra que deve crescer (nas estimativas iniciais) é a de inverno, projetada em 286,5 mil toneladas, 56 mil a mais do que no ano anterior. A área plantada cresce em todas as regiões, mas é importante lembrar que no ano passado a área plantada ficou abaixo da média e a produção também.
Esta semana, a saca de feijão cores ao produtor paranaense teve cotação média de R$ 45,50, 15,5% maior do que no ano passado.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]

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