T R I G OCÂMBIO E PREÇOS EXTERNOS DEVEM AJUDAR PRODUTORES
Os produtores que resolveram apostar no trigo este ano podem se dar melhor do que esperavam. Os preços do trigo no mercado internacional, representado pela Bolsa de Chicago, nas três primeiras semanas deste mês de julho, estão 15%, em média, superiores às cotações no mesmo período do ano passado.
Além do preço em dólar maior, a desvalorização da moeda nacional frente ao dólar ao longo deste ano e mais especialmente agora em julho, eleva o preço, em reais, do produto importado e leva junto o produto nacional. Ao menos, é o que se espera partindo do princípio que os preços internos acompanhem os preços de paridade.
Pela taxa de câmbio atual o preço mínimo do trigo varia entre US$ 43 e US$ 90 por tonelada, dependendo da qualidade. O preço mínimo do trigo tipo 3 classe ‘‘outros usos’’ foi fixado em R$ 107,49/tonelada enquanto o trigo de melhor qualidade (tipo um das classes ‘‘pão’’, ‘‘melhorador’’ e ‘‘durum’’ é de R$ 225/tonelada). O preço médio ao produtor paranaense neste final de entressafra está acima de 100 dólares por tonelada. Agora é esperar pelos preços quando a oferta interna começar a aparecer.
Safra
A área plantada no Paraná foi revista para 840 mil hectares com o plantio praticamente concluído. Com relação ao estágio de desenvolvimento em que se encontra a cultura, segundo as informações da Seab/Deral, a maior parte ainda se encontra na fase de desenvolvimento, sendo que as condições das lavouras são consideradas boas mais de 90% e médias um pouco menos de 10%.
O levantamento de safra da Conab divulgado esta semana estima a produção nacional em 2,85 milhões de toneladas, 71% a mais do que na safra anterior. Este aumento significa apenas que não se espera para este ano o mesmo clima adverso do ano passado. A área plantada em termos nacionais, pelo levantamento da Conab cresceu 4,5%.
Na Argentina, até meados deste mês de julho, o plantio cobre perto de 68% dos 7,15 milhões de hectares que devem ser plantados este ano, quarta maior área já plantada naquele país. O plantio está um pouco adiantado em relação à safra passada, quando 65% da área (6,48 milhões de hectares) estavam plantados nesta mesma época.
No mercado americano os preços vêm oscilando intensamente, de acordo com os boletins climáticos, o que é perfeitamente normal para esta época do ano. Não há ainda tendência definida nos preços.
Francisco C. Guimarães
E-mail: [email protected]
M I L H ONOVA ESTIMATIVA PARA A PRODUÇÃO NACIONAL
A Conab divulgou esta semana o levantamento de safras do mês de julho (5º levantamento da safra 00/01). Os números para a produção nacional de milho estão dentro do esperado. Combinando os dados da Conab para os demais Estados brasileiros e os dados do Deral para o Paraná, a produção da safra de verão fica estimada em 34.851,9 mil toneladas, 25,2% maior do que na safra anterior. É novo recorde nacional para a safra normal e pode-se atingir recorde para a produção total.
A área plantada na safra de verão cresceu 12,8% na região Centro-Sul mas reduziu 8,3% na região Norte/Nordeste bastante prejudicada pelo clima. Na região Norte a maior redução na área ocorreu no Pará (10%) e, com raríssimas exceções (Alagoas, Maranhão e Piauí), em todo o Nordeste. Em termos nacionais a área plantada na safra normal cresceu 6,5%.
A produção aumentou quase 34% na região Centro-Sul e está estimada em 32,25 milhões de toneladas. Os maiores aumentos relativos foram em Mato Grosso do Sul (112%), Rio Grande do Sul (59%) e Paraná (54,5%), Nos três Estados o aumento na produção é uma combinação de área maior e produtividades maiores do que na safra anterior (que ficou abaixo da média na maioria deles).
A seca no Nordeste, por outro lado, reduziu a produção da região Norte/Nordeste em 30,7% e devem ser colhidas 2,6 milhões de toneladas (3,75 milhões no ano passado). Não fossem as adversidades e a produção nacional na safra normal poderia chegar a 36 milhões de toneladas.
Safrinha
Para a safrinha, as estimativas indicam redução de 11% na área plantada (2,6 milhões de hectares). No Paraná a redução foi de 16,8%, 17,3% na região Sudeste, 4% no Centro-Oeste (sendo que em Goiás a área será 35% menor mas no MT o aumento é de 15%).
Desde que não ocorram problemas maiores com o clima, a produção deve chegar a 6,47 milhões de toneladas, 56% a mais do que no ano passado que foi de frustração como todos se lembram.
Mesmo mostrando apenas uma certa volta à normalidade, somando a produção da safra normal com a estimativa para a safrinha a produção brasileira salta para 41,32 milhões de toneladas, um número bastante expressivo como mostra o gráfico. Fica ainda mais evidente porque as exportações se tornaram viáveis este ano. Enquanto o tamanho da safrinha não for definido sempre fica em aberto a possibilidade da situação mudar nos próximos meses.
Exportar x importar
Este ano a safra deixa uma lição muito importante: o Brasil ainda não tem custos competitivos para se tornar exportador de milho. Enquanto períodos de preços baixos não afugentam os produtores de soja, o mesmo não se pode dizer do milho. Não duvido que muitos produtores estejam com saudade do ano passado (e outros anos) quando o mercado externo definiu o teto dos preços e não o piso, como neste ano.
A boa notícia das últimas semanas é a instabilidade e recuperação dos preços do milho no mercado americano. O mercado do clima está a todo o vapor levando variabilidade aos preços das commodities que estão se desenvolvendo em todo o hemisfério norte. O clima quente e seco nas principais regiões produtoras de grãos nos Estados Unidos tem motivado os aumentos de preços. Nos últimos 10 dias, as cotações médias do milho na Bolsa de Chicago foram 23% superiores aos valores praticados no mesmo período do ano passado.
O preço em dólar maior, combinado com a desvalorização da moeda brasileira frente ao dólar, eleva os preços internos ainda mais. Nestas horas a abertura do mercado tem lá suas vantagens. Os mercados estão apresentando uma variabilidade maior do que se esperava pela combinação da variabilidade dos preços externos e da moeda nacional. Não são raros os dias em que as empresas estão fora do mercado pois fica muito complicado abrir preço de compra ou venda diante de um mercado nestas condições.
Momentos de alta podem ajudar os produtores a vender parte de seus estoques se precisarem de caixa. É ficar de olho nos preços e aproveitar bons momentos. Os cálculos de rentabilidade da estocagem de cada produtor devem ser feitos regularmente para ajudar na decisão das vendas.
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Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
Exportações em ritmo crescente
O balanço das exportações de carne de frango realizadas nos cinco primeiros meses de 2001 vem demonstrando a excelente situação pela qual o setor está passando este ano. Este importante segmento do agronegócio nacional, segundo a Abef, comercializou nada menos que 490,4 mil toneladas de carne de frango, com um crescimento de 40,8% em relação ao volume negociado no mesmo período do ano passado (349,3 mil toneladas). Do total exportado, aproximadamente 257,6 mil toneladas foram de cortes de frango (52,5%), 226,9 mil toneladas corresponderam a frangos inteiros (46,3%) e 5,9 mil toneladas foram de produtos industrializados (1,2%). A receita cambial média gerada com a comercialização deste ‘‘mix’’ de produtos atingiu os US$ 508,7 milhões.
A situação atual das exportações
O volume total de carne de frango negociada com o mercado internacional em maio também foi muito significativo (110,6 mil toneladas), sendo 56% superior ao volume registrado em igual período de 2000. Do total comercializado, 52,7 mil toneladas corresponderam a frangos inteiros (47,6%) e 57,9 mil toneladas foram cortes de frango (52,4%). A receita cambial gerada com estas vendas ao exterior atingiu o valor de US$ 121,3 milhões e foi 92,1% superior a registrada em igual período do ano passado. Em termos de composição de receita, os cortes de frango foram responsáveis pelo faturamento de US$ 47,8 milhões com crescimento de 79% em relação ao ano passado enquanto que os cortes de frango geraram nada menos que US$ 73,5 milhões e apresentaram crescimento de 105,3% nas receitas quando comparadas nominalmente ao mesmo período de 2000.
Com relação ao preço da carne de frango, observou-se que a cotação internacional da tonelada apresentou incremento médio de 13,2% entre janeiro e maio deste ano, com a tonelada sendo negociada acima dos US$ 1.000,00. No acumulado de 2001, os cortes de frango apresentaram valorização de 11,7% sendo negociados na média de US$ 1.180,00 por tonelada, enquanto que os frangos inteiros acumularam alta de 14,7% e foram comercializados a US$ 920,00 por tonelada.
Os destinos das exportações brasileiras
As exportações brasileiras apresentaram incrementos para os principias destinos, exceção feita ao Mercosul (Argentina) que reduziu em 52,2% as compras do Brasil. A Ásia foi novamente o grande comprador do produto nacional, adquirindo nada menos que 123,9 mil toneladas de carne de frango com destaque para Hong Kong e Japão que juntos importaram 79,8% do total embarcado para aquele bloco.
A União Européia também destacou-se nas aquisições de carne de frango nacional (99,8 mil toneladas), principalmente devido a Alemanha, que sozinha foi responsável por 32,6% dos embarques para aquela região e aos Países Baixos que importaram 27,2 mil toneladas de frango do Brasil.
De acordo com as exportações verificadas, nota-se que o Brasil vem conseguindo manter a projeção inicial de comercializar com o exterior cerca de 1,1 milhão de toneladas de carne de frango e de gerar uma receita cambial da ordem de US$ 1,2 bilhão até o final de 2001.
Na semana
O preço médio do frango vivo, negociado no Paraná, apresentou incremento de 1,1% em relação a cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,90 nas principais praças do Estado. Quando comparada com a cotação média de junho (R$ 0,85) observa-se um aumento da ordem de 5,9% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (junho) notamos um incremento da ordem de 23,4% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]

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