M I L H O
ALTA DE 15,5% EM 4 MESES
Devagar e sempre o preço do milho vem se recuperando. De meados de março até esta semana, o preço ao produtor paranaense em Reais acumula alta de 15,5%. Em dólar, no entanto, a queda foi de 4,16% no mesmo período sendo cotado esta semana a US$ 3,28/saca. O pior preço em dólar do milho este ano foi na segunda quinzena de junho atingindo US$ 3,16/saca.
O que explica preços em dólares tão baixos este ano? Porque o preço do milho no mercado paranaense atingiu o menor valor, em dólar, em mais de 20 anos? As respostas podem ser encontradas observando o gráfico que apresenta os preços médios mensais ao produtor no Paraná de janeiro de 1992 até junho deste ano e a média parcial deste mês de julho (até esta semana), expressos em dólar por tonelada. O gráfico contém ainda as médias mensais das cotações do milho na Bolsa de Chicago para o segundo vencimento, valores estes que representam os preços internacionais do grão.
Observe que há períodos em que os preços no Paraná são superiores aos da bolsa americana e, em outros momentos, inferiores. Observe também os dados da tabela, com os valores de suprimento (produção, estoques iniciais e importações) e utilização (consumo, exportações e estoques finais) para as safras 91/92 até as estimativas para esta safra 00/01.
Nos anos em que o preço no Paraná fica acima do preço na Bolsa de Chicago, o Brasil importa - isto ocorreu em todos os 10 anos do período analisado mas observe que, em três anos, o Brasil importou e exportou (safras 95/96, 96/97 e agora na safra 00/01). As importações todos os anos acontecem pelos motivos já comentados em diversas análises anteriores, e se resume ao fato de que para determinadas regiões (nordeste brasileiro) é mais barato importar do que comprar em outras regiões do País.
Quando o preço no mercado interno se torna significativamente superior ao do mercado externo, o País importa maiores volumes como nos anos 92/93, 93/94, 97/98 e 99/00. Pela lógica, nos outros anos, as importações poderiam não ocorrer se o custo de transporte e impostos entre as regiões do Brasil fossem menores. A quantidade produzida teoricamente é suficiente para atender o consumo interno. Deste ponto de vista o Brasil não seria um importador constante (mesmo que em volumes relativamente pequenos).
MILHO - DISPONIBILIDADE E UTILIZAÇÃO, BRASIL, SAFRAS 91/92 A 00/01.
Em mil toneladas
Safra - Estoque inicial - Produção - Importação - Suprimento - Consumo - Exportação - Estoque final -
91/92 - 877,4 - 30.771,2 - 340,0 - 31.988,6 - 28.500,0 - 0,0 - 3.488,6 -
92/93 - 3.488,6 - 29.604,5 - 1.497,9 - 34.591,0 - 31.172,1 - 0,0 - 3.418,9 -
93/94 - 3.418,9 - 33.173,6 - 1.568,6 - 38.161,1 - 32.732,0 - 0,0 - 5.429,1 -
94/95 - 5.429,1 - 37.222,3 - 984,1 - 43.635,5 - 34.640,4 - 0,0 - 8.995,1 -
95/96 - 8.995,1 - 32.400,9 - 377,0 - 41.773,0 - 35.204,0 - 607,6 - 5.961,4 -
96/97 - 5.961,4 - 36.166,0 - 500,0 - 42.627,4 - 35.912,3 - 82,3 - 6.632,8 -
97/98 - 6.632,8 - 30.187,8 - 1.765,0 - 38.585,6 - 35.000,0 - 0,0 - 3.585,6 -
98/99 - 3.585,6 - 32.393,4 - 900,0 - 36.879,0 - 35.000,0 - 0,0 - 1.879,0 -
99/00 - 1.879,0 - 31.640,9 - 1.769,8 - 35.289,7 - 34.480,0 - 0,0 - 809,7 -
00/01* - 809,7 - 38.694,8 - 500,0 - 40.004,5 - 36.235,5 - 1.500,0 - 2.269,0 -
Fonte: CONAB
- (*) Projeção
Os números mostram também que o Brasil não é um exportador de milho, exceto em determinadas circunstâncias. As exportações tornam-se viáveis apenas quando um excesso de oferta derruba os preços internos para níveis tais que vale a pena exportar. Isto ocorreu em dois momentos principais do período analisado: safras 95/96 e agora na safra 00/01.
O produtor deve se lembrar que o ano de 96 foi muito bom em termos de preços, superando 120 dólares por tonelada. Mesmo assim, o Brasil exportou pouco mais de 600 mil toneladas de milho. Naquele ano, como mostra o gráfico, os preços do milho no mercado mundiais foram altos chegando a beirar 180 dólares a tonelada. A diferença entre o preço lá fora e aqui no Paraná chegou a US$ 50/tonelada, tornando viável exportar.
Nesta safra 00/01, as exportações também se viabilizaram pelo excesso de produção na safra de verão derrubando os preços internos. A grande diferença entre estes dois momentos é justamente o patamar de preços internacionais. Em 96, o preço médio do ano foi de 140 dólares por tonelada no mercado americano. Este ano, até esta semana, a média é de US$ 83,80/tonelada, 40% a menos. Péssima hora para ter excesso de oferta no mercado nacional, não é mesmo? Coisas do negócio.
Soja x milho
Obviamente, com estes preços para o milho e sendo a soja um produto francamente de exportação, a relação atual de preços favorece a soja. Esta semana a relação soja/milho saltou para 2,84, aumento de 13% em relação à semana anterior. Isto indica que seria melhor vender soja do que milho. Se você está com as contas meio certas, não precisando muito de caixa, o melhor seria esperar mais um pouco para vender. Os produtores aparentemente estão fazendo exatamente isto, pois o ritmo de comercialização está menor este ano.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
S O J A
ATACADISTAS AMPLIAM MARGENS DE COMERCIALIZAÇÃO
É certo que a significativa elevação nos preços da soja, neste início de julho, tem sido muito bem recebida por todo o setor produtivo.
Um fato conhecido do mercado, porém, vem ocorrendo nas últimas semanas com maior intensidade e merece ser ressaltado pelos meios de comunicação. Como os preços no atacado (mercado de lotes) flutuam muito mais rapidamente do que os preços ao produtor (mercado de balcão), em momentos de elevação de preços como agora, se ampliam consideravelmente as margens de comercialização de muitas empresas atacadistas, que compram a soja do produtor e a vendem no mercado de lotes. No gráfico, pode-se visualizar o fato mencionado, que fez ampliar as margens de comercialização dos atacadistas, da faixa de R$ $ 1,5 a R$ 2 por saca nos meses de março e abril, para a faixa de R$ 3,5 por saca neste início de julho.
Este assunto merece ser mais discutido entre as partes interessadas. É preciso modernizar o sistema de comercialização de produtos agrícolas (inclusive da soja), a fim de se poder distribuir melhor tanto os riscos como os ganhos inerentes aos serviços de comercialização. Esta modernização implica em permitir variações proporcionais de preços nos diversos níveis de mercado.
No caso da soja, quem normalmente mais perde na comercialização são os pequenos e médios produtores, que impossibilitados economicamente de construir seus próprios armazéns (e, assim, poderem atuar diretamente no mercado de lotes) ficam à mercê da estratégia de comercialização definida, unilateralmente, pela empresa que lhe presta esse serviço. Isso ocorre, pois uma vez depositado o produto em determinada empresa é quase impossível retirá-lo dos seus armazéns, para vendê-lo a outra empresa, ficando o produtor à mercê do preço estabelecido no balcão daquela empresa em que confiou sua produção.
Variações de preços
Entre o início de março e meados dessa semana, observam-se as seguintes variações acumuladas: (1) a taxa de câmbio subiu 22,5%, passando de R$ 2,05 para R$ 2,50 por dólar; (2) o preço da soja em Chicago subiu 12,6%, passando de 454 para 511 centavos de dólar por bushel; (3) o preço médio da soja ao produtor paranaense subiu 37,3% passando de R$ 16,6/saca para R$ 22,8/saca; (4) o preço da soja no atacado (indicador Esalq/BM&F) subiu 50,5%, passando de R$ 18/saca para R$ 27/saca.
O gráfico ao lado identifica essas variações. No caso do dólar, a alta foi quase constante nos últimos 4 meses, à exceção do período entre 20 a 25 de junho, quando as cotações caíram cerca de 15 centavos em uma semana. Na Bolsa de Chicago, os preços da soja caíram em março e abril e passaram a subir a partir de maio, ultrapassando a casa dos 500 centavos de dólar por bushel nesta semana (retornando aos valores praticados em janeiro desse ano). No atacado, os preços da soja mantiveram-se próximos aos R$ 18/saca em março e abril, para em seguida subirem a R$ 23/saca em meados de junho e depois superar os R$ 27/saca nesta segunda semana de julho. Ao produtor paranaense, o preço médio da soja no mercado de balcão, depois de permanecer ao redor de R$ 16,4/saca em março e abril, subiu a R$ $ 20/saca em meado de junho e a cerca de R$ 23/saca no meado dessa semana.
José Roberto Canziani - Prof da UFPr
e-mail: [email protected]

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