SOJA
Alta de 23% em dois meses
Os preços da soja mantêm tendência de recuperação, iniciada há dois meses. Em reais, o preço médio ao produtor paranaense subiu expressivos 23% desde o início de maio, passando de R$ 16,4 para os atuais R$ 20,2 por saca.
Na semana retrasada, os preços da soja em reais já haviam atingido o pico do primeiro semestre em R$20,2 por saca, na média do Estado. Esse valor em reais não se sustentou no curto prazo, após as intervenções do governo federal no mercado de câmbio (vendendo dólares e derrubando a taxa de câmbio) e no mercado monetário (aumentando a taxa de juros). Os preços da soja recuaram na semana passada para R$19,5/saca e, em seguida, voltaram a subir nessa semana, em linha com a nova retomada do dólar e a nova valorização do produto na Bolsa de Chicago. A maior alta dos preços em Chicago ocorreu na segunda feira, após a divulgação de dados pelo USDA apontando uma área plantada nos Estados Unidos menor do que as estimativas iniciais e um estoque mais baixo em relação às projeções anteriores.
Juros devem orientar vendas
O mercado da soja pode se mostrar volátil nos meses de julho e agosto, com os preços em reais podendo subir ou cair no curto prazo. Nessa conjuntura, duas incertezas pairam sobre o mercado. A primeira delas diz respeito à capacidade do governo brasileiro conseguir trazer a taxa de câmbio, nos próximos meses, abaixo dos R$2,2 por dólar, o que para nós, parece improvável. A outra questão é se os preços da soja na Bolsa de Chicago podem manter-se acima do recente nível atingido de U$ 0,475 por bushel nos próximos meses, o que acreditamos que deva acontecer. Apesar da incerteza do clima no meio oeste norte-americano, a redução nos estoques de soja nos Estados Unidos parece certo, o que deve garantir preços acima de U$ 0,475 por bushel na Bolsa de Chicago. Resultado: para aqueles poucos produtores que ainda não iniciaram as vendas nesta safra, talvez seja interessante disponibilizar ao mercado uma pequena parte dos estoques; para aqueles que já pagaram seus compromissos financeiros mais caros e imediatos, e precisam fazer mais caixa nos próximos meses, recomendamos atenção permanente no mercado para aproveitar-se das oscilações de curto prazo; para aqueles com fluxo de caixa mais folgado (que podem segurar a soja até o final do ano) sugerimos aguardar os acontecimentos, tendo em vista a natural valorização do produto no segundo semestre do ano. Obviamente, as referidas recomendações são de caráter geral, e cada um deve adaptá-la ao custo de oportunidade de seus estoques.
Preço supera US$ 8,5/saca
O gráfico ao lado mostra a evolução semanal dos preços da soja ao produtor paranaense em 2000 e 2001. Nele pode-se observar a recente e significativa valorização dos preços em reais ao longo dos meses de maio e junho. A tabela ao lado, por sua vez, identifica os piores e melhores preços médios mensais da soja ao produtor paranaense, em dólares por saca, para os anos de 1991 a 2000 e para o primeiro semestre de 2001.
Nesse período, os piores preços da soja ao produtor geralmente ocorreram no segundo quadrimestre do ano (entre maio e agosto) e os melhores preços no terceiro quadrimestre (entre setembro e dezembro). A diferença percentual entre os piores e os melhores preços em cada ano costuma oscilar entre 20% e 30%. Ela, no entanto, foi inferior a 10% em 1998 e 2000, mas superou os 40% em 1995.
Os piores preços em cada ano, expressos em dólares por saca, foram: Jul/91 - (9,4); Mai/92 (9,3); Abr/93 (9,7); Mai/94 (10,5); Jun/95 (9,1); Mar/96 (12,3); Jul/97 (13,8); Ago/98 (10,2); Jul/99 (8,0) e Ago/00 (8,8).
Os melhores preços em cada ano, também expressos em dólares por saca, foram: Out/91 (11,7); Set/92 (12,1); Ago/93 (12,7); Out/94 (12,1); Dez/95 (12,9); Out/96 (15,8); Dez/97 (16,1); Dez/98 (11,0); Dez/99 (9,9) e Dez/00 (9,6).
Assim, apesar das recentes altas nos preços da soja, pode-se inferir que a probabilidade de quedas significativas, daqui em diante, é pequena. Os preços, no entanto, podem oscilar ao sabor do clima nos Estados Unidos e da taxa de câmbio no Brasil, mas devem subir ainda mais durante o segundo semestre. Quem puder esperar para vender apenas no final do ano deve obter melhor resultado frente à situação atual. E o poder esperar significa, nesse caso, ter capital de giro suficiente e barato para manter a fazenda em funcionamento durante os próximos seis meses.
Vantagem sobre o milho
Atualmente, o poder de compra da soja frente ao milho é um dos melhores dos últimos anos. Nesse início de julho, o valor de uma saca de soja no mercado paranaense corresponde a cerca de 2,5 sacas de milho. A razão para a valorização da soja frente ao milho nesse momento é fruto de duas forças conjugadas: preço da soja em reais valorizado pelo câmbio e preço do milho abaixo do normal.
Há quatro anos (em 1997), vale lembrar, o valor de uma saca de soja correspondia a 2,5 sacas de milho nesta época do ano. Há três anos (em 1998), essa relação de preços caiu para 1,7 sacas, subindo a 1,9 sacas nesta época em 1999 e voltando a cair em 2000, para casa de 1,5 sacas. Isso significa que nos últimos 12 meses a soja valorizou-se mais de 60% frente ao milho. Na década de 90 a relação de preços soja/milho para essa época do ano é de 1,85, em média, indicando uma valorização atual da soja frente ao milho de 35% frente aos padrões históricos.
Assim, para os produtores ainda com estoque dos dois produtos, a venda da soja é preferível à venda do milho no momento. Até o final junho ainda restavam 35% da soja e 40% do milho, safra 00/01, em mãos de produtores paranaenses.
José Roberto Canziani
Universidade Federal do Paraná
[email protected]
FRANGO
O Comportamento da avicultura de corte no semestre
O preço pago ao produtor
A cotação do quilograma da carne de frango apresentou pouca variabilidade ao longo do primeiro semestre de 2001, oscilando entre um preço mínimo de R$0,82 e um preço máximo de R$0,85. No início do ano (janeiro), o preço do quilograma do frango estava valendo R$0,85 no mercado paranaense e, entre fevereiro e março apresentou uma retração da ordem de 3,5% sendo negociado então a R$0,82. Entre abril e maio, a cotação voltou a variar positivamente (3,6%) e, em junho, perdeu sustentação (2,4%) com o quilograma da carne de frango sendo comercializado na média de R$0,83 nas principais praças do Estado.
Quando realizamos uma análise comparativa da evolução dos preços reais deflacionados pelo IGP-DI entre janeiro e junho de 2000 contra o mesmo período de 2001 notamos alguns aspectos bastante interessantes. De acordo com a tabela, pode-se observar que entre janeiro e março, as cotações em 2000 foram 8,7% superiores às verificadas em igual período deste ano, mas, à partir de abril até o presente momento, o preço do quilograma do frango em 2001 esteve 4,1% em média superior ao preço verificado no mesmo período de 2000. Na comparação média semestral entre 2000 e 2001, verificou-se que a atual cotação média do quilograma do frango está 2,3% abaixo da cotação média verificada em igual período do ano passado.
Tabela - Analise comparativa dos preços reais do frango, do milho e da relação de trocas entre a saca de milho e o quilograma do frango no Paraná entre 2000-2001, em Reais (R$) deflacionados pelo IGP-DI para maio/2001.
item/mês - janeiro - fevereiro - março - abril - maio - junho - Média do período
preço real do kg do frango em 2000 - 0,95 - 0,92 - 0,87 - 0,83 - 0,80 - 0,80 - 0,86
preço real do kg do frango em 2001 - 0,85 - 0,83 - 0,82 - 0,85 - 0,85 - 0,83 - 0,84
variação (%) do preço real do kg do frango entre 2000 e 2001 - - 10,5 - - 9,8 - - 5,7 - + 2,4 - + 6,2 - + 3,7 - - 2,3
preço real da saca de 60 kg do milho em 2000 - 13,33 - 13,08 - 12,17 - 11,88 - 12,14 - 11,78 - 12,40
preço real da saca de 60 kg do milho em 2001 - 8,23 - 7,51 - 7,25 - 7,24 - 7,36 - 7,73 - 7,55
variação (%) do preço real da saca de milho entre 2000 e 2001 - - 38,3 - - 42,6 - - 40,4 - - 39,1 - - 39,4 - - 34,4 - - 39,1
Relação de trocas entre milho versus frango (2000) - 14,0 - 14,2 - 14,0 - 14,3 - 15,2 - 14,7 - 14,4
Relação de trocas entre milho versus frango (2001) - 9,6 - 9,0 - 8,8 - 8,5 - 8,7 - 9,3 - 8,9
variação (%) da relação de trocas entre milho versus frango entre 2000 e 2001 - - 31,4 - - 36,6 - - 37,1 - - 40,6 - -42,8 - - 36,7 - - 38,2
Fonte: Agromarket com cálculos do autor para o mês de junho de 2001.
O preço pago pelos insumos
No caso do preço da saca de 60 quilogramas de milho, insumo fundamental para a avicultura e responsável por cerca de 70% dos custos totais de produção, verificou-se que em 2000, as cotações permaneceram bastante elevadas ao longo do primeiro semestre em decorrência da escassez do produto no mercado interno. Assim, o preço real da saca deste produto variou de R$13,33 em janeiro para R$11,78 em junho, com o preço médio no período ficando em R$12,40, o que representou uma situação bastante desfavorável para todos os produtores. Este ano, a situação está sendo completamente oposta, com o preço da saca de milho oscilando em um patamar relativamente estável e, garantindo desta forma um bom desempenho ao setor avícola em termos de custo de produção. Em janeiro, a saca de milho era negociada em termos reais a R$8,23 na média do estado do Paraná e, em junho, estava sendo comercializada a R$7,75, o que representa uma redução média de 40% nos preços praticados em igual período de 2000.
A relação de trocas entre o milho e o frango
A relação de trocas normalmente vem a ser um importante indicador da situação de capitalização do produtor rural frente ao principal insumo de produção. No caso da relação de trocas entre a saca de 60 quilogramas de milho e o quilograma de frango, podemos notar que o primeiro semestre de 2000 foi extremamente desfavorável aos avicultores, pois, precisaram em média comercializar 14,4 quilogramas de carne de frango para adquirir uma saca de milho. O melhor momento do primeiro semestre de 2000 foi o mês de janeiro, quando os avicultores precisavam vender 14 quilogramas do produto por unidade de insumo, enquanto que o pior momento foi em maio (15,2 quilogramas de frango por saca de milho).
Para muito avicultores, o parâmetro de uma boa situação é quando se torna possível vender em média 7 ou 8 quilogramas de produto para adquirir uma unidade do insumo.
No primeiro semestre de 2001, observamos que a situação dos avicultores paranaenses esteve sensivelmente melhor pois, necessitaram comercializar em média 8,9 quilogramas de frango para a aquisição de uma saca de milho. De maneira comparativa, as relações de trocas estão atualmente 38,3% melhores que as observadas em igual período do ano anterior.
Na semana, a elevação na cotação do frango
O preço médio do frango de corte negociado no Estado do Paraná voltou a apresentar um incremento da ordem de 2,3% em relação à cotação observada na semana passada (R$ 0,87), com o quilograma sendo comercializado a R$0,89 nas principais praças produtoras do Estado. Quando comparada esta cotação com o preço médio de junho (R$0,85), observa-se uma ganho de 4,7% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (julho), notamos um incremento da ordem de 14,1% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Professor da UFPR

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