AGROMERCADO
S O J A
PREÇOS EM ALTA
Os preços da soja ao produtor paranaense vêm mantendo a tendência de recuperação apontada anteriormente. Nos últimos 30 dias, os preços da soja ao produtor paranaense subiram expressivos 18,2% em Reais, passando de R$ 16,5 em meados de maio para os atuais R$ 19,5 por saca.
Em dólar, a cotação da soja ao produtor nessa semana voltou a superar, pela primeira vez desde o início de março, a barreira dos US$ 8 por saca. Na verdade, em dólar o preço da soja alcançou nessa semana um valor ainda modesto (US$ 8,2/saca) frente aos patamares históricos, mas já um pouco melhor do que os míseros US$ 7,3/saca praticados há cerca de um mês.
A menor pressão de venda por parte dos produtores brasileiros e as recentes altas do produto no mercado internacional, foram os principais fatores que determinaram os recentes reajustes de preços oferecidos por cooperativas, fábricas de esmagamento, exportadores, grandes cerealistas e outros agentes de mercado que adquirem a soja dos produtores rurais. A manutenção da taxa de câmbio acima dos R$ 2,30 por dólar nesta primeira quinzena de junho, também colaborou para a recente melhora dos preços ofertados aos produtores.
Estados Unidos
A safra 2001/2002 de soja nos Estados Unidos caminha para o encerramento do plantio. Até o último dia 10 de junho, 86% da área prevista já havia sido semeada, conforme dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos - USDA. Na mesma data, entretanto, apenas 72% das lavouras já haviam emergido do solo, contra 86% no mesmo período do ano anterior (quando 93% já estavam semeados). Ocorre que o clima excessivamente úmido e temperaturas abaixo do normal para a época do ano, em algumas importantes regiões produtoras, vêm contribuindo para retardar o desenvolvimento inicial das lavouras de soja naquele país.
Apesar de ainda ser muito difícil e prematuro falar em comprometimento da safra norte-americana, pode-se pelo menos afirmar que a safra 2001/2002 de soja naquele país não vem tendo um bom começo, em relação ao observado no mesmo período de anos anteriores. O gráfico apresenta estimativas do USDA, sobre as porcentagens das lavouras de soja nos Estados Unidos consideradas em bom e excelente estado de desenvolvimento. Na atual safra 2001/2002 a última estimativa do USDA (de 10 de junho) classificava apenas 55% das lavouras de soja como em boas e excelentes condições, contra 65%, 69% e 67%, respectivamente, no mesmo período dos três anos anteriores.
Na sequência tudo pode acontecer, pois o clima é incerto a cada ano. Na safra passada, vale lembrar, a condição das lavouras norte-americanas permaneceu relativamente estável até final de julho, e apresentou significativa deterioração ao longo do mês de agosto, para encerrar a safra com 52% das lavouras em boas e excelentes condições. Na safra 99/00, a safra norte-americana de soja teve um excelente início (com mais de 70% das lavouras sendo consideradas em boas e excelentes condições), mas a partir de julho apresentou significativa deterioração, para encerrar a safra com apenas 44% das lavouras em boas e excelentes condições. A safra 98/99, por sua vez, apresentou comportamento irregular ao longo de seu desenvolvimento, piorando em junho, melhorando em julho e início de agosto para, em seguida, voltar a piorar e encerrar a safra com expressivos 61% das lavouras em boas e excelentes condições.
TABELA SOJA - ÁREA, PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE NOS ESTADOS UNIDOS, SAFRAS 1999/2000 A 2001/2002.
Unidade - 1999/2000 - 2000/2001 - 2001/2002 -
Área colhida - Milhões de hectares - 29,31 - 29,44 - 30,61 -
Produtividade - toneladas por hectare - 2,46 - 2,56 - 2,66 -
Produção - milhões de toneladas - 72,23 - 75,39 - 81,24 -
Fonte: USDA, junho/2001.
Quanto à produtividade esperada, o USDA manteve agora em junho, em 2,66 toneladas por hectare sua projeção mensal para os níveis de produtividade da soja safra 2001/2002 nos Estados Unidos. Na safra passada (2000/2001) a produtividade média foi de 2,56 toneladas por hectare e na safra 1999/2000 foi de 2,46 toneladas por hectare. A tabela apresenta esses números da produtividade, além da área e da produção nas últimas três safras.
Por enquanto, a previsão do USDA ainda aponta para um recorde de produção de soja nos Estados Unidos na atual temporada, estimado em 81,24 milhões de toneladas, quase 8% superior ao volume do ano passado. No momento, metade desse crescimento percentual é atribuído ao aumento da área e a outra metade ao aumento de produtividade.
José Roberto Canziani - Prof.UFPr
e-mail: [email protected]
F R A N G O
O Balanço das Exportações em 2001
O setor avícola nacional pode e deve comemorar a sua excelente atuação junto ao mercado externo com a apuração das exportações realizadas em abril de 2001. Este importante segmento do agronegócio nacional, em abril, segundo a Abef, comercializou nada menos que 99,7 mil toneladas de carne de frango, com um crescimento de 33% em relação ao volume comercializado no mesmo período do ano passado (66,8 mil toneladas), representando com isto o segundo maior embarque de toda a história da avicultura nacional. Do total exportado, aproximadamente 60,3 mil toneladas foram de cortes de frango e 39,4 mil toneladas corresponderam a frangos inteiros.
A receita cambial gerada com as exportações em abril foi da ordem de US$ 106,7 milhões F.O.B. (ou seja, 62% superior a receita cambial apurada em igual período de 2000). Deste total, cerca de US$ 70,4 milhões vieram das vendas de cortes de frango que foram 90% superiores às verificadas em igual período de 2000 enquanto que os US$ 36,3 milhões restantes foram gerados com a comercialização dos frangos inteiros, que também apresentaram crescimento de 25% em relação à abril de 2000.
As exportações acumuladas em 2001.
O balanço das exportações acumuladas no primeiro quadrimestre de 2001 também podem ser consideradas muito significativas para o setor avícola nacional, pois, refletem a demanda mundial pelo produto brasileiro, principalmente devido a epidemia de febre aftosa que afetou drasticamente a produção de carne bovina na Europa e fez com que os consumidores buscassem um substituto perfeito para aquela proteína animal, no caso, a carne de frango.
Os volumes totais acumulados de carne de frango exportadas entre janeiro e abril de 2001 foram de 373,9 mil toneladas, ou seja, 35,8% superiores aos embarques registrados no mesmo período de 2000 (275,4 mil toneladas). A receita cambial gerada com estas vendas ao exterior somaram US$ 387,4 milhões apresentando crescimento de 52% em relação ao volume apurado em igual período do ano passado. O preço médio da tonelada exportada foi de aproximadamente US$ 1.054,00, ou seja, 13% superior ao valor verificado por tonelada entre janeiro e abril de 2000 (US$ 900,00 aproximadamente).
Do total exportado de carne de frango pelo Brasil, 46,6% corresponderam às vendas de frangos inteiros (174,3 mil toneladas) que apresentaram um preço médio de US$ 1.154,00 por tonelada enquanto que os 53,4% restantes foram devidos aos cortes de frango (199,6 mil toneladas) que tiveram uma cotação média de US$ 900,00 por tonelada.
Os destinos das exportações brasileiras
No acumulado do ano, o Oriente Médio continua sendo o grande mercado comprador do produto nacional, importando nada menos que 143 mil toneladas do produto, com uma composição de 134,3 mil toneladas de frangos inteiros e 8,7 mil toneladas de cortes de frango, conforme pode ser visualizado na tabela 1. No entanto, há que se destacar, a importante participação do mercado europeu na composição das exportações brasileiras, que incrementaram em 135,6% as aquisições do produto nacional. O ponto negativo do comércio internacional do frango continua sendo o Mercosul, principalmente por causa da Argentina, que reduziu em mais de 55% as aquisições do produto nacional, por retaliação, ao afirmar que o Brasil subsidia fortemente a produção do frango.
TABELA FRANGO - COMPARATIVO DAS EXPORTAÇÕES BRASILEIRAS POR DESTINOS SELECIONADOS ENTRE JANEIRO E ABRIL DE 2000 E 2001, EM MIL TONELADAS.
Destino - Frango inteiro - Cortes de frango - Total exportado
2000 - 2001 - 2000 - 2001 - 2000 - 2001
Mercosul - 16,6 - 6,3 - 1,9 - 1,9 - 18,5 - 8,2 -
Europa - 3,0 - 4,5 - 29,5 - 72,3 - 32,6 - 76,8 -
Oriente Médio - 105,7 - 134,3 - 7,1 - 8,7 - 112,8 - 143,0 -
África - 6,4 - 3,4 - 2,2 - 6,2 - 8,6 - 9,6 -
Ásia - 7,6 - 5,8 - 83,2 - 92,5 - 90,9 - 98,4 -
Demais - 7,7 - 20,0 - 4,5 - 18,0 - 12,0 - 37,9 -
Total - 147,0 - 174,3 - 128,4 - 199,6 - 275,4 - 373,9 -
Fonte: Abef
No mercado do frango inteiro, o Oriente Médio se destacou como o grande comprador no período analisado, principalmente por causa da Arábia Saudita, que adquiriu nada menos que 74,6 mil toneladas do produto, com crescimento de 11,5% em relação ao volume adquirido em igual período do ano anterior. No caso da Europa, a Espanha foi o principal comprador do produto, com os volumes embarcados para aquele país atingindo 1,6 mil toneladas, representando um crescimento de 95,8% no período analisado. O aspecto mais significativo neste mercado foi o caso da Rússia que aumentou em mais de 13.000% as importações do produto nacional, saindo de 104 toneladas no período de janeiro/abril de 2000 para atuais 13,8 mil toneladas.
No mercado dos cortes de frango, o total comercializado pelo Brasil com o exterior alcançou o volume de 199,6 mil toneladas entre janeiro e abril, com crescimento de 55,4% em relação ao mesmo período de 2000. Os grandes compradores de cortes de frango foram a Ásia (92,5 mil toneladas) e a Europa (72,3 mil toneladas). Destes, a que se destacar Hong Kong como o maior importador do produto nacional (42,5 mil toneladas), seguido pelo Japão (33,8 mil toneladas) e pelos Países Baixos com 19,1 mil toneladas. O crescimento mais significativo observado no período ficou por conta da Alemanha, que incrementou em 363% as aquisições de cortes de frango do Brasil, saindo das 5,4 mil toneladas entre janeiro e abril de 2000 contra as 25,1 mil toneladas este ano.
Caso o comportamento das exportações brasileiras de frango continuem a crescer significativamente ao longo deste ano, projeta-se que os volumes negociados com o exterior atinjam 1,1 milhão de toneladas gerando algo em torno de US$ 1,2 bilhão, volume este superior ao inicialmente estimado no começo do ano.
Na semana
O preço médio do frango vivo negociado no Estado do Paraná permaneceu estável, apresentando a mesma cotação observada na semana passada, com o quilograma sendo comercializado a R$ 0,83 nas principais praças do Estado. Quando comparada com a cotação média de maio (R$ 0,85) observa-se uma redução da ordem de 2,4% na mesma e, quando relacionada com o preço médio nominal praticado no mesmo período do ano passado (junho) notamos um incremento da ordem de 13,7% nas cotações.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]





