T R I G O
Área cresce no Brasil e na Argentina
No Brasil, os principais Estados produtores, Paraná e Rio Grande do Sul, também já iniciaram o plantio do trigo. Os gaúchos devem estar com cerca de 40% da área total já plantada, de acordo com o comportamento histórico. A área total naquele estado deve aumentar cerca de 28 mil hectares, o que representa um acréscimo de 7% em relação ao ano passado. Segundo as informações dos técnicos da extensão, parte desse aumento de área deve-se à substituição da área que antes era destinada à plantação de cevada.
Quanto à produção, no Rio Grande do Sul, a expectativa é de se chegar a 936 mil toneladas, o que seria a melhor produção dos últimos 5 anos. O aumento na produção será inferior ao incremento esperado na área, já que as primeiras informações de campo destacam que os produtores estão optando por níveis de tecnologias mais baixos em função dos elevados custos dos insumos e da insegurança quanto ao clima.
No Paraná, no final da semana passada, o plantio atingiu 80% dos 796,8 mil hectares - a nova estimativa para a área a ser ocupada pelo cereal este ano. A estimativa anterior era igual à do ano passado (762,8 mil hectares), mas agora a previsão é de aumento de 4,5%.
Das lavouras plantadas até agora, 15% estão em fase de germinação e 85% em desenvolvimento vegetativo, sendo que 94% foram classificadas pelo DERAL como em boas condições. Os preços atuais são pouco representativos, pois o estoque de trigo para comercialização é praticamente nulo. Os valores nominais se mantém em torno de US$ 100/tonelada, variando em reais de acordo com o câmbio.
Situação mundial
Segundo o último relatório do USDA, a produção mundial de trigo deverá sofrer uma queda de cerca de 8%, o que representa um pouco menos de 8 milhões de toneladas. Esta redução se deve principalmente à expectativa de diminuição na produção dos Estados Unidos, União Européia e Índia.
Como o nível de consumo mundial (por volta de 590 milhões de toneladas) deve se manter, os estoques finais vão diminuir com a menor oferta no mercado internacional. Por outro lado, alguns países deverão produzir mais neste próximo ano safra, como por exemplo, a nossa parceira Argentina. Pelas estimativas do USDA, o país vizinho deverá incrementar a sua produção em um milhão de toneladas.
Segundo o Ministério da Agricultura da Argentina, a previsão de área a ser plantada é de 7,12 milhões de hectares, a maior área plantada nas últimas cinco safras, representando cerca de 10% de aumento em relação à safra anterior, que foi de 6,48 milhões de hectares. Considerando a média de produtividade nos últimos três anos, que foi de 2.427 kg/ha, a produção Argentina ficaria próxima de 17,3 milhões de toneladas de trigo.
A área total plantada na Argentina na última semana de maio alcançou 14% da área prevista, com avanço de 8% em relação à semana anterior. Em Córdoba, uma das principais províncias produtoras, o plantio está mais adiantado, com mais de 30% da área plantada, seguida por Santa Fé com 21%. Vale destacar que a principal região produtora do país, a província de Buenos Aires, semeou somente 6% da área prevista de 3,78 milhões de hectares.
TRIGO ARGENTINA - ÁREA, PRODUÇÃO E CRESCIMENTO EM RELAÇÃO À SAFRA ANTERIOR, NAS ÚLTIMAS CINCO SAFRAS.
Safra - Área (ha) - Crescimento - Produção (t) - Crescimento
1997/98 - 5.918.665 - - - 14.800.230 - - -
1998/99 - 5.453.250 - -7,9% - 12.443.000 - -15,9%
1999/00 - 6.300.000 - 15,5% - 15.302.560 - 23,0% -
2000/01 - 6.480.000 - 2,9% - 15.918.432 - 4,0%
2001/02* - 7.123.190 - 9,9% - 17.290.606 - 8,6% -
Fonte: SAGPYA
* Estimativa - - - -
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
M I L H O
Exportações continuam
A desvalorização do Real combinada a uma ótima produção de milho na safra normal e ao aspecto ‘‘não transgênico’’ viabilizou as exportações do grão este ano, um fato raro na história do milho brasileiro. O escoamento do milho está ocorrendo principalmente pelo porto de Paranaguá, mas também por Rio Grande e Santos.
O mercado internacional continua com preços pouco atraentes. A cotação média do grão no mês de maio (para segundo vencimento) foi de 203,89 centavos de dólar por bushel, ou o equivalente a US$ 80,28/tonelada. Este valor representa redução de 4,5% em relação à média do mês de abril e de 16,4% em relação à cotação média em maio do ano passado.
De janeiro de 2001 até essa semana, a cotação média do milho na bolsa de Chicago reduziu 8,4%. Mas os preços na bolsa americana, convertidos para moeda nacional, subiram 9,2% no mesmo período, fruto da desvalorização do Real.
Além das exportações, os produtores estão tentando aguardar melhores preços e evitam vender o produto. O resultado é o aumento no preço médio do grão em todo o país. No Paraná, o preço médio ao produtor voltou a subir esta semana, atingindo R$ 7,65/sc, indicando alta de 4,8% em trinta dias.
Produção paranaense
A estimativa de safra do mês de maio do DERAL para o milho (da safra de verão) passou para 9,24 milhões de toneladas, recorde total e absoluto no Estado. A produtividade, pelo levantamento do DERAL, deve fechar entre 201,3 e 202,5 sacas por alqueire, um número excelente para a produção estadual, desde que não haja mudanças até o final da colheita, que já cobre 95% da área. Bendita hora que a exportação se tornou viável.
A estimativa de área da safrinha aumentou um pouco (para 937,6 mil hectares), mas ainda representa significativa redução de 17,3% em relação ao ano anterior. A produção está estimada entre 2,82 e 3,08 milhões de toneladas. Ninguém esperava que a safra de verão transcorresse em uma condição tão satisfatória de produção. O problema é o preço, na marca de apenas US$ 3,20/saca.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
e-mail: [email protected]
A G R I B U S I N E S S
O Maior Negócio da Economia Nacional
O termo ‘‘agribusiness’’ ou agronegócio teve a sua origem derivada basicamente de duas vertentes. A primeira delas foi gerada nos Estados Unidos, no âmbito da Universidade de Harvard, em 1957, com os professores John Davis e Ray Goldberg que, analisando a evolução da agropecuária norte americana e sua interação com os demais setores da economia, enunciaram o famoso conceito como sendo ‘‘a soma total das operações de produção e distribuição de suprimentos agrícolas, das operações de produção nas unidades agrícolas, do armazenamento, processamento e da distribuição dos produtos agrícolas e itens produzidos a partir deles’’.
Enquanto isto, na Europa, também durante a década de 60, desenvolveu-se na escola industrial francesa a noção de ‘‘analyse de fíliSre’’ ou de cadeia de produção. Originalmente, tal termo não foi criado para analisar a agropecuária e sua interação com os outros setores chaves da economia, mas, devido a insistência de pesquisadores do setor agrícola, acabou sendo utilizado gerando o já conhecido conceito de cadeia de produção agroindustrial. Assim, através da interação dessas duas escolas e de seus conjuntos de idéias, formalizou-se o atual conceito de agronegócio.
O aspecto mais interessante do agronegócio vem a ser a forma moderna de pensar a agricultura, ou seja, a visão sistêmica, na qual o todo é maior do que a soma de suas partes. Assim, não se pode pensar mais a agricultura e a pecuária como setores primários e estanques dos demais setores da economia, mas sim, como segmento interdependente do setor industrial e do setor de serviços. No agronegócio, o setor primário, o setor secundário e o setor terciário formam juntos os elos de uma cadeia indissociável, a cadeia de produção agroindustrial.
O agronegócio, dessa forma, possui uma amplitude de ação muito grande englobando todos os setores localizados ‘‘antes da porteira’’ da propriedade rural, a produção ‘‘dentro da porteira’’ da propriedade e os demais setores localizados ‘‘depois da porteira’’ da propriedade rural.
O termo abrange então todos os produtores e fornecedores de insumos e serviços para a agropecuária, os produtores rurais e todo o encaminhamento necessário que a produção agropecuária deve sofrer para chegar ao consumidor final, bem como a interação de todos os agentes coordenadores do processo, como os bancos, os governos e as demais entidades civis da sociedade. A amplitude de ação do agronegócio brasileiro por si só já o caracteriza como a maior atividade econômica vigente do Brasil.
A Importância Econômica do Agronegócio
O agronegócio vem a ser o maior negócio da economia nacional e mundial. Uma característica importante a destacar é que a maior parcela do valor gerado ao longo da cadeia do agronegócio não ocorre dentro das propriedades rurais, mas sim, depois delas, com a agregação de valor, a transformação e a diferenciação que os produtos vão sofrendo nas fases de distribuição e processamento agroindustrial.
De acordo com o Banco Mundial, o PIB do mundo é de aproximadamente US$ 30 trilhões e o agronegócio mundial representa cerca de 25% deste total, ou seja, US$ 7,5 trilhões, sendo maior que o valor gerado pelo setor petrolífero, pelo setor de telecomunicações e pelo setor de geração e distribuição de energia. Alguma projeções da Harvard Business Scholl indicam que o agronegócio mundial vem crescendo a taxas de 1,5% a.a., devendo atingir em 2028 o valor aproximado de US$ 10,2 trilhões.
No caso do Brasil, a situação também não é diferente. Atualmente, o agronegócio brasileiro vem a ser o maior negócio da economia nacional, representando aproximadamente 27% do PIB total do país, segundo a CNA (Confederação Nacional da Agricultura). A estimativa do valor do agronegócio bem como sua evolução podem ser visualizados na tabela abaixo.
Em 1980, o valor global gerado pelo agronegócio brasileiro era de aproximadamente 74,7 bilhões de reais e, atualmente, atinge o montante de 271,4 bilhões de reais, crescendo cerca de 263,3% em 20 anos. A participação do setor de insumos na composição do valor geral do agronegócio foi a mais fraca no período analisado, variando de 8,5 bilhões de reais em 1980 para algo como 14,4 bilhões de reais em 1999 (crescimento de apenas 69,4%).
TABELA - ESTIMATIVA E EVOLUÇÃO DO VALOR GERADO PELO AGRONEGÓCIO BRASILEIRO, 1980-1999, EM BILHÕES DE REAIS NOMINAIS.
Setores - Valor em bilhão de R$ - % entre 1980-99
1980 - 1993 - 1999 -
Insumos - 8,5 - 11,0 - 14,4 - 69,4 -
Agropecuária - 20,8 - 24,0 - 78,3 - 276,4 -
Processamento - 22,8 - 67,8 - 88,3 - 287,3 -
Distribuição - 22,6 - 37,2 - 90,4 - 300,0 -
Total - 74,7 - 140,0 - 271,4 - 263,3
Fonte: Agroceres, ABAG e CNA/CEPEA-USP com cálculos do autor.
No caso do setor agropecuário, fica clara a sua importância e participação na composição do valor geral do agronegócio. Na década de 80, a agropecuária gerou 20,8 bilhões de reais enquanto que em 1999, esse valor atingiu cifras de 78,3 bilhões de reais, com crescimento de 276,4% no período.
O setor de processamento e distribuição, ou seja, o segmento ‘‘depois da porteira’’ da propriedade vai ser o que mais crescerá dentro do agronegócio. Isto se deve ao fato de que a globalização e as transformações que a economia nacional vêm sofrendo nos últimos anos tenderá a concentrar e reduzir o número de empresas de insumos, além de modificar também o perfil da agropecuária na busca da escala de produção e na redução de custos para tornar o setor ainda mais competitivo no cenário mundial.
Assim, no caso do setor de processamento, o mesmo apresentou um crescimento de 287,3% no período analisado, com a sua participação no valor global do agronegócio variando de 22,8 bilhões de reais em 1980 para algo em torno de 88,3 bilhões de reais em 1999.
O setor de distribuição, no período analisado, foi o responsável pela maior participação no crescimento do valor geral do agronegócio brasileiro. Em 1980, o setor de distribuição colaborava com apenas 22,6 bilhões de reais e, atualmente, este valor é de aproximadamente 90,4 bilhões de reais, com crescimento de 300% em 20 anos.
Além destas informações gerais, pode-se dizer que dos 27% do PIB total do agronegócio em 1999, o agronegócio da agricultura e da pecuária responderam por cerca de 19% e 8% respectivamente. O agronegócio brasileiro também é responsável ainda pela geração de cerca de 40% de todas as receitas cambiais oriundas das exportações do Brasil; por 40% da mão-de-obra ou do total de empregos no Brasil e pela utilização de mais de 50% da frota nacional de caminhões.
João Batista Padilha Junior - Prof da UFPR
e-mail: [email protected]

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